4 de junho de 2026

Doleiro preso diz que recebeu 12 milhões da Camargo Corrêa

Da Folha

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No diálogo, de outubro de 2013, Alberto Youssef não detalhou se valor era em dólar ou real
 
Camargo Corrêa não quis comentar a menção feita pelo doleiro, que já foi preso na operação Banestado
 
MARIO CESAR CARVALHO
 

O doleiro Alberto Youssef disse numa conversa telefônica interceptada pela Polícia Federal que recebeu 12 milhões da empreiteira Camargo Corrêa, sem detalhar se o valor era em dólar ou real, segundo documentos obtidos pela Folha. O diálogo ocorreu em outubro de 2013.

A PF trabalha com a suspeita de que o dinheiro possa ter sido usado para pagar propina a políticos ou a funcionários públicos. Outra hipótese dos policiais é que o doleiro estaria lavando recursos que a empresa obteve de maneira ilícita.

A Camargo Corrêa não quis comentar a menção feita pelo doleiro de que era credor de 12 milhões da empreiteira.

Youssef foi preso na última segunda-feira pela Operação Lava Jato, deflagrada para apurar lavagem de dinheiro.

O doleiro é um velho conhecido da PF. Ele foi preso em 2003, nas investigações sobre o Banestado, que apurou remessas ilegais de US$ 30 bilhões nos anos 1990 e 2000. Youssef fez um acordo de delação premiada, pagou uma multa de R$ 1 milhão e obteve perdão por entregar alguns clientes à PF. Na sua volta ao mercado paralelo de dólar, trabalhou até para um traficante que foi preso com 700 quilos de cocaína.

COMISSÕES

Na mesma operação, a PF apreendeu uma planilha sobre “comissões”, enviada por e-mail, na qual aparece a sigla CNCC no campo dos clientes, “em provável referência ao Consórcio Camargo Corrêa”. Os valor das comissões na planilha é de R$ 7,9 milhões. O consórcio faz parte das obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, orçada em R$ 9 bilhões.

O relatório da polícia diz que as comissões “indicam o envolvimento de Alberto Youssef com o pagamento de propina a agentes públicos”.

A planilha com as comissões foi enviada por uma empresa chamada Sanko-Sider, fornecedora de tubos de aço para a Petrobras.

A empresa também fornece tubos de aços para a transposição do rio São Francisco, na parte da obra próxima à Aracaju (SE), num contrato de cerca de R$ 10 milhões.

As comissões eram pagas pela Sanko-Sider para duas empresas controladas pelo doleiro, segundo a PF: MO Consultoria e GDF Investimentos. Uma das hipóteses da PF é que a Sanko-Sider repassava a políticos dinheiro que recebia da Petrobras.

O diretor comercial da Sanko-Sider, Marcio Bonilha, aparece na Operação Lava a Jato mantendo diálogos com o doleiro, a quem chama de “presidente” ou “presi”.

Em 2008, Bonilha teve a sua prisão decretada pela Operação João de Barro da PF, que investigava o desvio de recursos públicos.

Anteontem, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa, que tinha relações com o doleiro, foi preso por ocultar documentos. Costa ajudou a elaborar o contrato de compra da refinaria de Pasadena, que está sob investigação por ter provocado um prejuízo milionário à estatal.

Ele começou a ser investigado pela PF porque ganhou do doleiro um Land Rover Evoke, no valor de R$ 250 mil.

Os telefonemas interceptados indicam que o doleiro tinha outros negócios com o ex-diretor da Petrobras, um deles de R$ 9 milhões, que a PF ainda não sabe qual foi.

O doleiro faz um desabafo sobre aparentes reclamações de Costa: “Ele acha que foi prejudicado, você tá entendendo? Porra, foi prejudicado… o tanto de dinheiro que nós demos pra esse cara. Recebi 9 milhões em bruto, 20% eu paguei, são R$ 7 [milhões] e pouco. Vê quanto o Paulo Roberto levou”.

 

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21 Comentários
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  1. Alexandre Weber - Santos -SP

    22 de março de 2014 3:51 pm

    Deve ser em euros ou quilos de ouro

    Este pessoal é o da grana grossa.

    1. Chico Pedro

      22 de março de 2014 4:39 pm

      Cara.. Nego tá falando de

      Cara.. Nego tá falando de milhões como se fosse troco de padaria.

      Que que isso..

      Nós tamo é fudido nesse canto e não é pouca coisa não.

  2. evandro condé de lima

    22 de março de 2014 5:27 pm

    En passant, a referência ao

    En passant, a referência ao Banestado que, como é límpido e claro e sabido, todos os envolvidos foram punidos

    1. Frederico69

      23 de março de 2014 12:51 pm

      é verdade

      e o futuro destes acusados de agora será o mesmo dos anteriores.

      e caso (improvável) o doleiro brimo resolva falar, o stress no congresso irá as alturas.

  3. Stanilaw Calandreli

    22 de março de 2014 5:37 pm

    Só agora

    Antes, o roubo era livre, mas agora pega.

    1. helcio dias de sa

      22 de março de 2014 6:36 pm

      so agora

      Antes o roubo era escondidinho e agora voce fica sabendo o “como funciona”.O melhor governo da historia desse pais,alem de energisar as pessoas,aumentar a auto-estima,a sensaçao de pertencimento ,tornou o pais quase  transparente,essa visibilidade tá fazendo mau ao brasileiros que nao aprendeu a raciocinar ,sabiam apenas  bater continencia ou rezar a cartilha do professor FHC,seu cartel e seus amigos,protagonistas da maior historia de corrupçao desse Patropi.O Brasil precisa “anexar’ pacificamente o cartel midiatico dentro das nossas leis,os donos da liberdade de expressao brasileira  nao querem ver 96% de aprovaçao na Crimeia.Dizem os grandes paises que o Putim tá errado e o povo da Crimeia enganado.No Brasil o povo ta feliz com o governo,confiante,trabalhando muito e o cartel midiatico que nao paga imposto diz que tá tudo errado e que ladroes sao os outros.O nosso ministro do supremo que nao sabe “direito” e diz querer  fazer certo mexe os papeis ,esconde outros,omite alguns e diz: E ISSO MESMO:haja saco!

  4. Motta Araujo

    22 de março de 2014 6:27 pm

    Mas a mesma empresa continua

    Mas a mesma empresa continua ligadissima e um dos presidentes de banco publico que opera através de uma consultoria

    e o sujeito lá continua com cara de conteudo, como se não fosse com ele, como ficamos? Com a palavra o colunista Ancelmo Gois.

  5. alfredo machado

    22 de março de 2014 6:39 pm

    Tudo certo

    Nassif,

    Se é Camargo Corrêa, não teve e nunca terá problema, o doleiro se arrebenta sozinho.

    Quem se lembra do escândalo da Pasta Rosa e da relativamente recente  Operação Castelo de Areia sabe que o grupo é intocável.

    1. Motta Araujo

      22 de março de 2014 6:55 pm

      Principalmente no BNDES.

      Principalmente no BNDES.

      1. alfredo machado

        22 de março de 2014 9:13 pm

        Empreiteiras

        Andre,

        A Odebrecht não fica atrás.

        Apesar de todas as inúmeras facilidades que teve ao longo da vida, já deve 80 bilhões de reais e reclama de quem ? Do governo rsrsrs, porque levou tapa de Graça Foster nos contratos hiperfaturados com a Petrobras, aliás, de valores superiores ao da questão de Pasadena.A grande mídia, é claro, faz cara de paisagem.

        Isto aqui é o país das grandes empreiteiras, dos bancos comerciais e, depois, da grande mídia, e assim  permanecerá.

        Um abraço

        1. Nira

          22 de março de 2014 10:01 pm

          Ainda existe a OAS. E o

          Ainda existe a OAS. E o pessoal se digladiando na política ( será ? ) enquanto as empreiteiras deitam e rolam aqui e na África, onde são gentilmente apresentadas ( ia dizer introduzidas , mas melhor não ).

  6. Zeus

    22 de março de 2014 6:58 pm

    Enxugando gelo.

    Legal ver como as coisas funcionam nas entranhas do capitalismo.

    E nós, bobocas que somos, espantados com as implicações de natureza “moral”, ou dando vazão ao espetáculo jurídico-policial.

    No texto, como já percebeu outro comentarista (evandro) há referências a Banestado, outras operações, outras prisões e outros parceiros do “facilitador” Youssef.

    Claro, a incapacidade estatal premiou-o com liberdade em troca de sua dedodurice.

    E assim la nave va.

    Sigilo bancário e fiscal, paraíso fiscal, etc.

    Como é que imaginamos algum sentido em “punir” este ou aquele?

    Para que servem sigilo bancário ou fiscal, ou melhor, para quem servem?

    O que significa um sistema financeiro mundial que têm ilhas de ilegalidade (paraísos fiscais)?

     

    Distrações para nos impedir de enxergarmos as verdadeiras soluções.

     

    1. Alexandre Weber - Santos -SP

      22 de março de 2014 8:01 pm

      Antifragilidades

      O jogo no Brasil é mais complicado pois além da disputa real entre Democracia X Autoritarismo, temos um governo que enfrenta um mundo Capitalista com ideais Socialistas. Dê certo fica apenas o Liberalismo, mas mesmo este vêm sofrendo cada vêz mais pelo planeta ataques Mercantilistas.

      Esta teoria de estado, tri-dimensional ao meu gosto, está aí para apoiar o argumento de que não existe solução fácil e sem dor para o Brasil.

      Pelo meu gosto não romperia drasticamente com nenhuma destas forças, a saída seria combater as fragilidades internas dentro de nosso Estado, com isto a Nação e o Povo enriqueceriam e amadureceriam o suficiente para continuar a luta num novo patamar. 

      Tal proeza, na minha humilde opinião, não é impossível, mas exigirá um Governo com vontade de fazer, um apetite que o PT e a Dilma até agora não mostraram. 

      E la nave va.

  7. Mateus campos

    22 de março de 2014 7:07 pm

    Vamos aguardar as palavras do

    Vamos aguardar as palavras do STF, pois já anularam investigação desta turma uma vez, como anulam  e dão dois habbea-corpus em menos de 24 horas ao Banqueiro   Daniel Dantas, oferecedor de um milhão de Reais a Delegado. E como o emissário de Daniel Dantas , nós atuamos é da segunda instância pra cimao. E a grande mídia só divulgará rapidamente após terminos das partidas transmitidas.

  8. Avelino de Oliveira

    22 de março de 2014 7:14 pm

    Caro Nassif e demais
    Como a

    Caro Nassif e demais

    Como a Folha sempre consegue documentos confidenciais da PF????!!!

    Tem coisas que eles conseguem e o Ministro não.

    Saudações

    1. Ivan de Union

      22 de março de 2014 7:30 pm

      Se fosse so fonte da PF ja

      Se fosse so fonte da PF ja tava ruim.  Nao eh.  O MP tambem vaza igual mijo pros jornais…  quando convem aa direita.

    2. Paiva

      22 de março de 2014 9:12 pm

      Consegue através de uma
      Consegue através de uma coisinha chamada jornalismo investigativo.

      1. Avelino de Oliveira

        23 de março de 2014 2:44 am

        Caro Paiva
        23:40. Você está

        Caro Paiva

        23:40. Você está de brincadeira de chamar isso de jornalismo investigativo?!

        Ainda se fosse vazativo selecionativo, eu compreenderia.

        Mas… investigativo…????!!!!!!!

        Saudações

  9. edmorc

    22 de março de 2014 8:18 pm

    DD

    Vamos liberar a Satiagraha e deixa pena voar pra todos os lados. Na discussão sobre corrupção, falta o ator principal, o CORRUPTOR. Sem ele, nada acontece.

  10. Pedro Antunes

    22 de março de 2014 9:46 pm

    Será que essa Camargo Corrêa tem algum negócio legal?

    Será que essa Camargo Corrêa tem algum negócio legal? Tudo que é coisa errada os caras aparecem no meio. Castelo de Areia, Cartel do Cimento e agora essa Lava Jato. Enquanto isso as filhas e os genros do finado Sebastião Camargo desfilam na lista dos bilionários brasileiros como se não tivessem nada a ver com a roubalheira. Quando será que o STF vai reabrir essa Castela de Areia, que o STJ resolveu trancar por conta de filigranas e tecnicalidades  jurídicas de sustentação bastante duvidosa. Alguém sabe quem é o ministro relator do processo da Castelo de Areia no STF e quando isso entrará na pauta? 

  11. agincourt

    23 de março de 2014 2:21 am

    mais uma camargada

    Na postagem “Empresas terão de se adaptar à Lei Anticorrupção”, aqui no Nassif, tínhamos o parecer da FecomercioSP sobre a dita cuja lei:

    “O parecer da FecomercioSP sustenta que, em alguns casos, a companhia pode não conseguir controlar a ação isolada de um funcionário específico que realizou o ato ilícito. “Trata-se de um incidente que fugiu dos mecanismos de controle, ficando alheio ao conhecimento dos dirigentes, acionistas e cotistas da empresa (e até mesmo dos demais funcionários)”, cita a nota. “Nesses casos, após processo investigativo, a pessoa física que provocou o ato ilícito deveria ser responsabilizada, eximindo a empresa da responsabilidade.””

    https://jornalggn.com.br/noticia/empresas-terao-de-se-adaptar-a-lei-anticorrupcao

    É o caso. Fugiu aos rigorosos mecanismo de controle ético da Camargo Corrêa.

    E se a coisa for adiante é só chamar o Kakay.

    Matar essa é moleza: “A Camargo Corrêa – empresa que se confunde com o próprio desenvolvimento econômico do Brasil – não compactua com atos ilícitos de funcionários isolados que se valem do bom nome desta empresa….bláblábláblá…”

    En passant: Cumé mesmo que ficou aquela história do vazamento da barragem de Campos Novos, em Santa Catarina?

    E tome Debord:

    “Nesse ponto é que reside a profunda verdade da frase, tão bem compreendida por toda Itália, que a máfia siciliana costuma dizer: “Quando se tem dinheiro e amigos, pode-se rir da Justiça.” No espetacular integrado, as leis dormem; não foram feitas para as novas técnicas de produção , e sua aplicação é driblada por entendimentos de outro tipo.”

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