Aumento da Selic é caminho para empobrecimento do país
por Odilon Guedes
O recente aumento da taxa Selic para 14,75%, o que assegurou o juro real permanecer entre os maiores do planeta, é disfuncional e prejudica a população de baixa renda em nosso país.
Primeiro é disfuncional porque a recente alta da inflação está ligada principalmente ao crescimento do preço dos alimentos e de produtos da área da saúde. O aumento dos juros, não terá a mínima influência para conter esses preços. No caso dos produtos agrícolas, o controle da inflação passa pela formação de estoques reguladores, de empréstimos a juros subsidiados para incentivar a produção e a importação de alimentos, pois reservas cambiais para isso o Brasil possui. Já o aumento dos preços dos produtos industriais, deve ser enfrentado com a ampliação dos investimentos públicos e privados para a Formação Bruta de Capital Fixo, visando a atender ao aumento da demanda.
A alta é prejudicial à população de baixa renda por vários motivos. Um deles é por provocar a queda dos investimentos e do consumo, aumentar o desemprego e a dívida pública e diminuir o crescimento do PIB. Nesse quadro é importante lembrar que o principal fator de aumento da dívida pública são os próprios juros e, neste ano, o governo deverá dispender cerca de R$ 1,0 trilhão com essa despesa, algo inacreditável. A cada aumento de 1 ponto percentual, a dívida cresce em cerca R$ 50 bilhões. Para fazermos uma comparação, os gastos em 2025 com o Ministério da Saúde deverão ser de R$ 246,6 bilhões e da Educação R$ 226,0 bilhões.
É necessário destacar que além da inflação, o aumento da dívida pública é um dos principais argumentos do mercado financeiro para pressionar a elevação da Selic. Isso porque, segundo o mercado, com a dívida crescendo aumenta a desconfiança dos detentores dos títulos públicos no sentido de que o governo poderá não honrar seu compromisso em relação a essa dívida. Assim, o Banco Central precisa aumentar os juros para compensar o risco dos compradores desses títulos.
O pagamento dos juros é outro fator que penaliza principalmente a população de baixa renda, pois o governo para realizar esse pagamento corta gastos em saneamento básico, infraestrutura, educação, saúde, cultura. Além disso, como esses cortes não são suficientes, as autoridades de Brasília alteraram recentemente a forma de calcular o salário-mínimo, rebaixando sua correção. O reajuste desse salário, além da correção pela inflação, agora ficou restrito ao máximo de 2,5% que é o limite superior do Arcabouço Fiscal. Anteriormente esse aumento, além da correção pela inflação, estava baseado no aumento do PIB dos dois anos anteriores ao ano vigente e podia ser de 3%, 5% ou mais. Só para lembrar, o salário-mínimo, segundo o DIEESE, baseado no Art.5º Inciso IV da Constituição Federal, deveria ser em março passado de R$ 7.398,94.
Essa mudança ocorreu porque o salário-mínimo é a referência para um conjunto de despesas governamentais. No Brasil há cerca de 27 milhões de aposentados que recebem esse salário – R$ 1.518,00 – e quando o mínimo aumenta, as aposentadorias aumentam na mesma proporção. O mesmo acontece com o Benefício da Prestação Continuada (BPC), que atende a 6 milhões de famílias. A alteração desta política feita para diminuir os gastos públicos, prejudica mais uma vez os trabalhadores, os aposentados e as famílias que recebem o BPC.
Em resumo, para pagar os juros, o governo corta gastos com educação, saúde e habitação prejudicando a população da baixa renda. Rebaixou o cálculo do salário-mínimo, prejudicando dezenas de milhões de trabalhadores que vivem desta renda, 27 milhões de aposentados e os 6 milhões de brasileiros que recebem o BPC o que reforça a manutenção da pobreza em nosso país.
Odilon Guedes – Economista, Mestre em Economia pela PUC/SP. Professor Universitário – Presidente do Conselho Regional de Economia SP
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Rui Ribeiro
13 de maio de 2025 1:56 pmAo elevar a taxa de juros, eles se dizem preocupados com os pobres mas a preocupação deles é para manter os privilégios dos poderosos.
Não enganam mais ninguém.
Odilon, você tá de parabéns. Seu artigo é essencial para desmascarar esses ratos.
AMBAR
13 de maio de 2025 3:29 pmGosto dos aumentos da taxa selic, acho lindo, e olha que não tenho títulos do governo. Afinal, como confiar num governo desses sendo pobre? Acho lindo também que o Lula tivesse birra do Roberto Campos quando a selic era mais branda e beije o Fernando Haddad na boca quando ele aumenta essa taxa.
Outra coisa de que gosto é quando o governo fala do dinheiro dos aposentados como se fosse dele; quando paga os aposentados como se fizesse uma caridade; quando acaba com empregos permitindo que exploradores tenham mais lucros e explorem a mão de obra alheia até a exaustão. Será que o Lula já foi mais inteligente? Ou não encontrou mais ninguém competente para organizar a economia do país.Lula parece o marido que sai pra trabalhar e deixa a esposa com o cartão de crédito passeando no shopping enquanto os filhos passam fome.
Rui Ribeiro
14 de maio de 2025 7:47 amAmbar, quem manda no Banco Central não é o governo, é a banca. Mas é claro que o Lula poderia espernear e protestar mais, mesmo sabendo que quem manda é o capital improdutivo.
Prefere o silêncio.
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
14 de maio de 2025 8:54 amA ata do copom poderia ser resumida num comunicado simples e intelegível para o distindo público como segue: ” O COPOM COMUNICA QUE DE ACÔRDO COM AS PROJEÇÕES DO MERCADAO PARA A INFLAÇÃO DO CORRENTE ANO, E COM BASE NA PERSPECTIVA DE LUCRATIVIDADE DESTE MESMO MERCADO, ESTE COPOM EM OBEDIÊNCIA A ESTE AO MERCADO, DETERMINA UM AUMENTO DE X% NA TAXA SELIC, QUE PASSARÁ A VIGIR NA DATA DA SU PUBLICAÇÃO, SEM MAIS DELONGAS.”
Rui Ribeiro
15 de maio de 2025 11:45 amNão pode ser assim, José Oliveira. Eles têm que perfumar a merda.