4 de junho de 2026

Carandiru: promotor acusa advogado de legitimar “limpeza social”

A quarta etapa do julgamento do massacre do Carandiru recomeçou hoje (19), no Fórum Criminal da Barra Funda, na capital paulista, com a réplica do promotor Márcio Friggi. Estão sendo julgados dez policiais que agiram no quinto pavimento (quarto andar) do Pavilhão 9. Durante a réplica, o promotor disse que o advogado de defesa, Celso Vendramini, usou um discurso que legitima a limpeza social, de que “bandido bom, é bandido morto”.

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Após o intervalo de almoço, o julgamento retoma com a tréplica da defesa. A expectativa é que, logo após esta fase, ainda hoje, os sete jurados que formam o Conselho de Sentença se reúnam para decidir se condenam os réus.

Friggi rebateu a principal tese da defesa, de que os dez policiais acusados não teriam agido no quinto pavimento (quarto andar) do Pavilhão 9. O promotor citou o depoimento de um preso que ocupava o quinto pavimento e que reconheceu o capitão Mascarenhas, por meio de uma touca usada exclusivamente pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate).  Mascarenhas era responsável pela equipe de policiais do Gate.

O relato do comandante da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), capitão Ronaldo, que atuou no segundo pavimento, também sugere que os dez policiais acusados tenham atuado no quinto pavimento, a mando do Coronel Ubiratan Guimarães.

Friggi citou trechos do livro Rota 66, do jornalista Caco Barcellos, que apontam o capitão Mascarenhas como um dos maiores matadores da Polícia Militar. De acordo com a obra, Mascarenhas é responsável por 34 mortes, inclusive de seis pessoas com doenças mentais na rebelião de um manicômio judiciário. O capitão especializou-se em repressão a rebeliões.

A promotoria também criticou o advogado de defesa por ter abandonado o julgamento, o que lhe rendeu uma multa de R$ 50 mil. “Abandonou o plenário porque não estava contente com o que acontecia. Isso é lamentável, nunca abandonei um plenário em 10 anos”, disse Friggi.

O promotor disse que o advogado de defesa usa um discurso a favor da matança,  e quer transformar o julgamento num espetáculo. Friggi trabalhava em um programa popular de televisão. “É inadmissível que [o julgamento] vire um programa de auditório, um circo. Isso não vai acontecer nesse plenário”, disse.

O Massacre do Carandiru ocorreu no dia 2 de outubro de 1992, quando 111 detentos foram mortos durante invasão policial para reprimir uma rebelião no Pavilhão 9 da casa de detenção.

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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2 Comentários
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  1. Ivan de Union

    19 de março de 2014 8:57 pm

    Ja que estamos no assunto, os

    Ja que estamos no assunto, os policiais militares que estavam envolvidos na morte da mulher arrastada ja estavam previamente envolvidos em 62 casos de morte:

    “Conforme o Estado noticiou nesta quarta-feira, os três PMs que arrastaram Claudia na viatura constam como envolvidos em 62 autos de resistência (registros de ocorrência em que suspeitos morreram em supostos confrontos com a polícia) no sistema informatizado da Polícia Civil. Pelo menos 69 pessoas morreram nesses supostos tiroteios, desde 2000”

    http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,se-nao-fosse-o-video-a-morte-de-claudia-seria-so-mais-uma-diz-viuvo,1142625,0.htm

  2. almeid

    20 de março de 2014 4:54 pm

    E o Fleury, membro do mp e

    E o Fleury, membro do mp e secretário de segurança na época, foi denunciado ?

     

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