21 de maio de 2026

No STF, Mauro Cid diz que Bolsonaro queria a prisão apenas de Alexandre de Moraes

Ex-presidente recebeu e leu documento com sugestões de alternativas para se manter no poder, entre elas prender autoridades do STF e do Congresso
Crédito: Reprodução/ TV Justiça

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, deu início ao interrogatório no processo penal contra o chamado “núcleo crucial” da trama golpista do 8 de janeiro nesta segunda-feira (9) e afirmou que, para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a única autoridade que deveria ser presa após o golpe era o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. 

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Contrariando os áudios vazados à imprensa, em que desabafa com um amigo que estaria sendo pressionado para admitir o plano golpista, Mauro Cid negou a própria fala e garantiu a Moraes a veracidade de todos os depoimentos prestados à Polícia Federal e ao STF.

O ex-ajudante de ordens também negou a existência de grupos organizados para por em prática o plano para manter Bolsonaro no poder após a derrota nas eleições em 2022. Os grupos, segundo Cid, seriam apenas uma classificação para descrever os militares e apoiadores mais conservadores, os mais moderados e os mais radicais. 

Cid lembrou que o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira sofreu pressões para produzir um relatório que contestasse a lisura das urnas eletrônicas. 

Outra confirmação foi a de que Bolsonaro participou de duas ou, no máximo, três reuniões, em que milhares levavam ideias para evitar a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Nessas reuniões, foram levados documentos, geralmente divididos em duas partes. Na primeira delas, o que Cid chamou de considerações, em que os autores listavam as possíveis interferências e intervenções do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no governo Bolsonaro e nas próprias eleições. 

Já a segunda parte do documento era da área jurídica, em que foram descritas medidas como Estado de Defesa, Estado de Sítio, além da indicação de autoridades que deveriam ser presas e a criação de um conselho eleitoral para conduzir uma nova eleição. 

Entre as autoridades que deveriam ser presas estavam ministros do STF, além do presidente do Senado, na época Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e outros parlamentares. 

Bolsonaro recebeu e leu o documento, mas o enxugou, retirando da lista de presos todas as autoridades, exceto Alexandre de Moraes. “Somente o senhor ficaria preso”, disse Cid ao relator do inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado e outros crimes cometidos pelo ex-presidente e apoiadores. 

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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  1. +almeida

    9 de junho de 2025 10:04 pm

    A arrogância, a prepotência, o abuso, a estupidez, a ganância e a incompetência desenfreada reinante entre as autoridades do escalão superior do desmitificado governo bolsonarista, tornaram-se decepcionantes e acorvadados mentirosos.
    Depois de um mundo de fake news e de negacionismos, que tanto insistiram em exaltar e propagar, capitularam-se diante da lei autêntica e real. Assim conseguiram ficar menores do já eram e mais fracos do que sempre foram.

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