Enviado por jns
Do Peak Oil
Os Corredores de Transporte de Energia e o ‘Treinamento Para a Democracia’ na Ucrânia
A escassez de recursos e a concorrência para dominar os corredores energéticos euro-asiáticos, estão por trás da interferência dos EUA e a intervenção do militarismo russo.
Victória Nuland, Subsecretária de Estado, confirmou que ‘os EUA investiram US $ 5 bilhões para garantir uma Ucrânia segura, próspera e democrática’ e felicitou, especificamente, ‘o movimento Euromaidan’.

A exportação do gás natural da Rússia, através do Oleoduto Trans-Siberiano na Ucrânia. (Foto: Vincent Mundy / Bloomberg / Getty)
A Ucrânia está envolvida no meio da disputa acelerada para dominar os corredores energéticos da Eurásia nas últimas décadas da era de combustíveis fósseis baratos.
A intervenção armada da Rússia na Criméia ilustra, sem dúvida, a determinação implacável do presidente Putin em obter o caminho livre na Ucrânia. Menos atenção, porém, tem sido dada ao papel do Estados Unidos em interferir na política ucraniana e na sociedade civil.
Ambos são motivados pelo desejo de garantir que um país geoestratégico, fundamental no controle das rotas críticas de energia permaneça sob a sua própria esfera de influência.
Enquanto o foco da gravação de uma suposta conversa telefônica privada entre a Subsecretária de Estado, Victoria Nuland, e o embaixador dos EUA, em Kiev, Geoffrey Pyatt, explora a linguagem grosseira de Nuland, que provocou um pedido de desculpas dos EUA, o contexto mais importante deste diálogo diz respeito ao papel dos EUA, no contacto com os partidos da oposição ucraniana, para manipular a orientação do governo de acordo com os interesses dos EUA.
Em vez de deixar o futuro da política ucraniana ‘para o povo ucraniano’, como alegou em anúncios oficiais, a conversa mostra a interferência ativa do governo dos EUA para favorecer alguns líderes da oposição.
Como o correspondente da BBC, Jonathan Marcus, observa, com razão, a alegada conversa diplomática,
‘sugere que os EUA tem ideias muito claras sobre qual resultado deve ser (a intervenção) e está se esforçando para alcançar essas metas … Washington claramente tem a sua própria estratégia de jogo …. vários funcionários tentando mobilizar a oposição ucraniana, envidando esforços para envolver a ONU para desempenhar um papel ativo para reforçar um acordo’.
Mas os esforços dos EUA para remover a influência russa da orientação política na Ucrânia, começou há muito tempo. Em 2004, o governo Bush tinha dado 65 milhões de dólares para fornecer‘treinamento para a democracia’ aos líderes da oposição e ativistas políticos alinhados com eles, incluindo o pagamento ao líder da oposição Viktor Yushchenko, para atender a liderança americana e ajudar a subscrever sondagens indicando que ele ganhou a disputa nas eleições presidenciais.
Este programa de intervenção acelerou-se sob a regência de Obama. Em um discurso no National Press Club, em dezembro passado, em Washington DC, diante da escalada dos confrontos da Praça Maidan, na Ucrânia, Nuland confirmou que os EUA haviam investido no total ‘US $ 5 bilhões’ para ‘garantir uma Ucrânia segura, próspera e democrática’ e felicitou o movimento ‘Euromaidan’, especificamente.
Portanto, seria ingênuo supor que a magnitude do apoio dos EUA para organizações politicamente alinhadas com a oposição ucraniana não desempenhou nenhum papel na promoção do movimento pró-euro-atlântico que culminou na saída do presidente Yanukovych, que era apoiado pela Rússia.
Sintomaticamente, em um discurso de 2013, Nuland acrescentou:
‘Hoje, há altos funcionários do governo ucraniano, na comunidade de negócios, bem como na oposição, na sociedade civil e na comunidade religiosa, que acreditam no futuro democrático e europeu do seu país. Eles estão trabalhando duro para mover o seu país e o seu presidente na direção certa.’
Qual a direção que poderia ser certa? Um vislumbre de uma resposta foi dada há mais de uma década pelo professor R. Craig Nation, diretor de Estudos Russos e da Eurásia no Instituto de Estudos Estratégicos da Escola de Guerra do Exército dos EUA, em uma publicação da OTAN:
‘A Ucrânia é cada vez mais percebida como, criticamente, situada na batalha emergente para dominar os corredores de transporte de energia, que ligam as reservas de petróleo e gás natural da bacia do Mar Cáspio ao mercado europeu (…) competições consideráveis já surgiram ao longo da construção dos gasodutos: se a Ucrânia iria fornecer rotas alternativas para diversificar o acesso – como o Ocidente prefere – ou encontrar-se-á forçada a desempenhar o papel de continuar a ser vista como uma filial russa’.

Gasodutos atravessam a Ucrânia para levar o gás da Rússia e da Bielorrússia para a Europa
O mais recente relatório patrocinado pelo Departamento de Estado dos EUA observa que ‘a localização estratégica da Ucrânia, entre os principais produtores de energia (na área de exploração no Mar Cáspio) e os consumidores na região da Eurásia, a sua rede de transporte de grande alcance e a sua capacidade de armazenamento subterrâneo de gás disponível, faz do país um jogador potencialmente crucial no trânsito energético europeu, uma posição que vai crescer com o contínuo aumento da demanda do gás e petróleo russo do Mar Cáspio pela Europa Ocidental.’
A esmagadora dependência da Ucrânia das importações de energia da Rússia, no entanto, teve ‘implicações negativas para a estratégia dos EUA na região’, em particular,
‘… apoiar várias rotas de oleodutos no eixo Leste-Oeste, como forma de promover um sistema mais pluralista na região, como uma alternativa à hegemonia continuada da Rússia.’
A Gazprom, da Rússia, controla quase um quinto das reservas de gás do mundo, fornece mais da metade do gás consumido pela Ucrânia e cerca de 30% do gás consumido pela Europa.
Apenas um mês antes do discurso de Victória Nuland no National Press Club, a Ucrânia assinou um acordo para a compra de gás de xisto de 10 bilhões de dólares com a Chevron, a gigante de energia dos EUA, ‘com a esperança que as ex nações soviéticas poderiam acabar com a dependência energética da Rússia em 2020’.
O acordo permitirá a ‘Chevron explorar o depósito Olesky, no oeste da Ucrânia, que as estimativas de Kiev asseguram em torno de 3 trilhões de metros cúbicos de gás.’ Acordos similares já haviam sido tentados com Shell e a ExxonMobil.
A negociação coincidiu com os esforços da Ucrânia para ‘cimentar relações mais estreitas com a União Europeia, a expensas da Rússia’, através de um acordo de comércio em perspectiva que seria um passo mais próximo das ambições da Ucrânia para conseguir a integração com a União Européia.
Mas a decisão de Yanukovych de abandonar o acordo com a EU, em favor da oferta repentina de Putin de reduzir 30% na conta de gás e um pacote de ajuda de 15 bilhões de dólares provocou o início dos protestos.
A última gota para os tumultos violentos foi desencadeada pela frustração com a rejeição de Yanukovych ao acordo com a UE, juntamente com a vertiginosa elevação das contas de energia, alimentos e outros itens de consumo, ligados a problemas com o gás doméstico da Ucrânia e a dependência abjeta da Rússia e a brutalidade da repressão policial nas manifestações que começaram pacificamente
Mas, enquanto a agressão imperial da Rússia é, claramente o fator central, o esforço dos EUA para reverter a esfera de influência da Rússia na Ucrânia, por outros meios, em busca dos seus próprios interesses geopolíticos e estratégicos, levanta várias questões embaraçosas.
O mapa dos gasodutos demonstra que grandes companhias de petróleo e gás dos EUA, como a Chevron e a Exxon estão cada vez mais invadindo o monopólio regional da Gazprom, minando a hegemonia de energia da Rússia sobre a Europa.
A Ucrânia está, infelizmente, envolvida no meio dessa luta acelerada para dominar os corredores energéticos da Eurásia nas últimas décadas da era de combustíveis fósseis.
Para aqueles que estão pensando que enfrentamos a perspectiva de uma nova Guerra Fria, uma pergunta melhor seria: a Guerra Fria realmente acabou?
Este artigo foi publicado no Peak Oil, no dia 7 de março de 2014
Assis Ribeiro
14 de março de 2014 11:31 amExcelente
Alguns ainda conseguem acreditar que as guerras são feitas contra, por exemplo, Saddam Hussein, Chaves, Ahmadinejad…
….o deus contra o diabo….
….resta saber onde está o diabo e onde está deus.
sergio m pinto
14 de março de 2014 11:43 amAssis, e que as intervenções
Assis, e que as intervenções dos EUA, por exemplo, são para disseminar a democracia. Só se for a democracia para explorar os recursos dos outros.
Gão
14 de março de 2014 2:05 pmtoma far west que o filho é teu
Rabino da organização Hatzalah Ucrânia espancado em Kiev
Foto: Flickr.com/CharlesFred/cc-by-nc-sa 3.0
O chefe da organização humanitária judia Hatzalah Ucrânia, rabino Hillel Cohen, foi atacado em Kiev. O incidente ocorreu ontem à noite, quando ele estava indo a um hospital para visitar um paciente.
Hillel Cohen divulgou que, perto do hospital, em um beco escuro, ele foi atacado e espancado por desconhecidos, que gritaram insultos e depois desapareceram. Os atacantes quebraram uma mão do rabino e o feriram numa perna.
Os ataques contra judeus se tornam cada vez mais frequentes na Ucrânia, após os nacionalistas da oposição terem chegado ao poder em Kiev.
Leia mais: http://portuguese.ruvr.ru/news/2014_03_14/rabino-da-organizacao-hatzalah-ucrania-espancado-em-kiev-0557/
sergior
14 de março de 2014 6:30 pmNão ouçam o que eles dizem. Vejam o que eles fazem
Não ouçam o que eles dizem. Vejam o que eles fazem
Gão
14 de março de 2014 8:31 pmRússia afirma que um drone americano foi interceptado na Crimeia
Rússia afirma que um drone americano foi interceptado na Crimeia Segundo a companhia estatal russa de armamentos Rostekhnologuii (Rostec), o avião voava a cerca de 4.000 metros de altitude
France Presse
Publicação: 14/03/2014 15:01 Atualização:
A companhia estatal russa de armamentos Rostekhnologuii (Rostec) afirmou que um avião de reconhecimento dos Estados Unidos foi interceptado em alta altitude acima da Crimeia, em um comunicado divulgado nesta sexta-feira (14/3).
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“O drone (avião não-tripulado) estava voando a cerca de 4.000 metros e estava praticamente invisível a partir do chão. Foi possível quebrar a ligação com seus operadores americanas graças a um complexo combate rádio-eletrônico Avtobaza”, segundo a Rostec.
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2014/03/14/interna_mundo,417487/russia-afirma-que-um-drone-americano-foi-interceptado-na-crimeia.shtml