Só agora montou-se uma rede de esquerda capaz de se contrapor às do bolsonarismo. Juntaram-se sindicatos, provavelmente a Fundação Perseu Abramo, e deram alguma consistência ao uso das ferramentas digitais.
Há exatamente 10 anos, logo após o golpe do impeachment, apareceu uma oportunidade para os sindicatos montarem sua rede de WhatsApp, em um momento em que o fenômeno das redes estava restrito ao universo bolsonarista.
Na crise que se seguiu ao golpe, Paulão, da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, me procurou para uma palestra no CNM e para sugestões de ação.
Apresentei, então, um modelo de comunicação digital em duas frente.
Frente portal – um portal que consolidasse os portais que a CNM mantinha em outros estados, aproveitando a rede de assessores de imprensa. Haveria um processo de criação de conteúdo, que iria para uma base única. Depois, cada estado definiria suas prioridades, as manchetes e destaques. Mas haveria uma coordenação para trabalhar pautas conjuntas. O único investimento seria em uma sucursal em Brasilia, para acompanhamento das pautas políticas e trabalhistas.
Frente WhatsApp – a segunda frente seria a montagem de uma rede de WhatsApp. A direita acionava as redes sociais atrás de militantes, por não dispor ainda (naquela época) de uma base formada. Mas os sindicatos já tinham essa base. Tratava-se, agora, de integrá-la para poder espalhar as mensagens em seus ambientes.
No projeto apresentado, mostrei diversas possibilidades:
- Em parceria com o Dieese, a montagem de um sistema de pesquisas, por WhatsApp, com um representante em cada empresa metalúrgica medindo nível de emprego, de satisfação etc. Haveria uma verdadeira agência sindical, com eventos – a divulgação mensal da pesquisa – que dariam visibilidade na mídia.
- Estimuladores sociais, pessoas capazes de montar eventos e ampliar a sociabilidade entre os membros do Sindicato.
O projeto foi apresentado à CNM. Mas foi vetado liminarmente por Paulo Vannuchi, que detinha amplos poderes sobre a CNM e a TVT. Não houve conversa, tentativa de entender a importância das novas formas de comunicação e de agregação. Um comportamento, aliás, bastante semelhante aos dos dirigentes do PT de São Paulo nas grandes manifestações de 2013 – que, no início, tinham liderança progressista. Simplesmente fecharam as portas à nova geração, para não abrir espaço político. Os influenciadores de direita tornaram-se as grandes armas do bolsonarismo.
São 12 anos de paralisia, de atraso na guerra digital, fruto da burocracia do partido. Agora, corre-se atrás do prejuízo.
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Edivaldo Dias de Oliveira
14 de julho de 2025 12:11 pmDane-se a revolução. O que não se pode é perder o controle da máquina.
Mudou alguma coisa, atualmente?
João Carlos Ferreira da Silva
14 de julho de 2025 5:23 pmAs datas citadas estão erradas. Em 2010, há 15 anos, Dilma foi eleita pela primeira vez. As manifestações de 2013 foram, obviamente, anteriores ao impeachment, que ocorreu já no segundo mandato, há menos de 10 anos. O artigo precisa de uma boa revisão.
José de Almeida Bispo
14 de julho de 2025 5:38 pmTodo desastre político é precedido de uma enxurrada de estultices. Algumas até acidentais; mas a grande maioria é idiotice, na sua forma mais literal. Egoismo otário.
Sobre os sindicatos, não há máfia maior. Começa bem. Mas logo os malandros acham um jeito de transformar em um poleiro, onde eles, como abutres, “dirigem os negócios”, unicamente para seus mundos estéreis.
Sobre 2013… 12 anos depois e ainda estou de queixo caído; de como se destrói o futuro de um pais por inação total. De a quem mais supostamente interessaria ver a máquina andando.
Luiz Fernando Juncal Gomes
14 de julho de 2025 8:29 pmPostei o artigo do Nassif como comentário em um post do João Franzin, da Agência Sindical, que há 34 anos produz comunicação para sindicatos e centrais sindicais.
A resposta:
Luiz Fernando Juncal Gomes – Prezado. Saúdo o empenho do Nassif. Porém, veja só: “São 12 anos de paralisia, de atraso na guerra digital, fruto da burocracia do partido. Agora, corre-se atrás do prejuízo”. PARTIDO? QUAL? Primeiro, partido não deve dirigir Sindicatos; segundo, se ele se refere ao PT, saiba que bem mais da metade das lideranças não são petistas.
Se eu concebo minha tese em cima de bases irreais, o resultado final estará comprometido, induzirá a outros erros.
Nassif cita vetos do Vanuchi etc. Portanto, se o “partido” não se entende, como poderá orientar a comunicação sindical de modo uniforme?
Dia 26 de maio de 2023, uma delegação sindical, da Força Sindical, esteve com o ministro Pimenta franqueando cerca de 600 sites sindicais (e redes) para divulgação de atos do governo. Dos 12 presentes ao encontro, três eram do PT. O ministro não entendeu o que lhe foi proposto e ficou arengando questões do Partido, coisas que não eram de nosso interesse. Sabe quantos releases recebemos daqueles assessores punhos de renda? Nenhum. Sim, zero.
Mais: O PT ficou oito anos no poder com Lula (mais a Dilma). Como aquela máquina toda não produziu um jornal periódico (dava pra fazer diário)? Sabe o que é: trabalhar cansa. O único incansável, admiravelmente, é o Lula.
Paulo Dantas
14 de julho de 2025 10:09 pmCentralização e hierarquia …
Tem certeza ?
Lênin and The Ulianovs
15 de julho de 2025 7:20 amNassif, os sindicatos perderam antes sua essência política.
Não tinham o que comunicar.
Agora, a reação de comunicação também é reflexo da política.
Sem saída, encurralados, e com uma ajuda luxuosa dos imbecis da direita bolso-trumpista, houve uma janela política de oportunidade aproveitada pela esquerda.
Justiça tributária e nacionalismo.
Se você não sabe o que dizer, não adianta, pode ter o JN nas mãos.
Alex
15 de julho de 2025 1:51 pmNassif… esse pessoal adorava mesmo era um aparelho de fax! Totalmente retrógrado com tecnologia… até hoje!
João Cayres
17 de julho de 2025 11:17 amA parte verdadeira nessa história é que Luis Nassif esteve na CNM. Não sei qual fonte forneceu essa informação que o ex-Ministro Paulo Vannuchi tinha poder de decisão sobre a CNM. Muito pelo contrário, em momento algum a CNM sofreu algum tipo de pressão por parte do ex-Ministro. Paulo VAnnuchi sempre nos apoiou em análises de conjuntura e como um amigo do movimento sindical, mas dizer que ele impediu algo, não é verdade, é pura ficção.
João Cayres – na época Secretário Geral e Internacional da CNM CUT (Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT)
Luis Nassif
17 de julho de 2025 6:50 pmFoi o próprio Paulão, assim como teria havido o veto a um programa na TVT, segundo dirigentes da emissora.