“Verás que o filho teu não foge à luta…’pop corn ice cream’”
por Armando Coelho Neto
De repente, as bandeiras do Brasil e as camisetas da seleção brasileira de futebol diminuíram e ou sumiram das micaretas nazifascistas, das ruas. Aos poucos, surgiram amarradas a carroças de catadores de papel, passaram a cobrir tendas de sem-teto, muitas já esmaecidas. Não seria a hora de reaparecer? Não seria o momento para união entre direita e esquerda para defender nossa soberania?
Corta!
Donald Trump estava surtado em mais uma conturbada entrevista sobre o mundo agrícola, taxações. Ao longe, o incômodo silêncio de navios no Golfo do México e cheiro de milho apodrecendo sob lonas rasgadas. Quase ao mesmo tempo, numa área rural, um locutor de uma rádio comunitária perguntava: como pode um país que já alimentou o mundo, não conseguir hoje, sequer, alimentar seus cidadãos?
É que os Estados Unidos apostaram no rentismo das bolsas, investiram no lucro das guerras, encantaram-se com produtos chineses baratos e fecharam fábricas. Empobreceu ao ponto de passar vergonha nas relações internacionais. Numa visita à China, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, virou chacota nas redes sociais por estar elegantemente vestida com uma roupa “made in China”.
Indiferentes às caras e bocas do Trump, a imprensa queria saber por que em determinados condados aulas foram reduzidas a três dias presenciais por semana? Por que o aquecedor é desligado às duas da tarde, 133 milhões de refeições escolares foram cortadas, ônibus escolares têm feito desvios para economizar combustível, turbinas de etanol foram desligadas. E o clima é de “economia zumbi”?
Taxa aqui, taxa ali. Não só aqui. Nem todas em vigor, mas Trump quer “Revogar o Século 20” (New York Times). Pior é ter que explicar por que em menos de um mês, Canadá, China, Singapura e outros países venderam 36 bilhões de dólares em títulos do Tesouro americano, ou por quê agricultores estão largando máquinas para trabalhar como Uber, o turismo internacional está em queda e a inflação em alta.
É possível que Trump não consiga revogar o século, como dito acima, mas certamente dá sinais de ter em mira, planos para transformar a América do Sul em colônia. Nada estranho para quem disse que “Adoraria ver o Canadá ser o 51º estado” dos EUA, deseja anexar a Groenlândia, tributar pinguins. Não duvidem dos insólitos propósitos trompistas, pois no Brasil a vassalagem trabalha na Faria Lima.
Nesse insólito contexto, o presidente estadunidense, acuado pela decadência do império, chegou a dizer que, “Perder o padrão mundial do dólar seria como perder uma grande guerra mundial”. E, tornou-se público que muitos membros do Brics – grupo de países de colaboração mútua, praticam transações com suas próprias moedas. Esse fato levou Donald Trump a ameaçar o Grupo mais de uma vez.
Além do Brics, o fracasso da OTAN na guerra contra a Rússia tem mexido com os brios ianques. De outro giro, a desmoralização de Israel por meio de guerrilheiros de sandália, além da saraivada de mísseis certeiros iranianos, quebrando o mito do Israel invencível, aguçou a ira do presidente cor de manga-espada invertida. Sobrou para o Brasil, com a ajuda de um traidor “Pátria Família”. Brasil taxado em 50%.
Trump fala fino com a China e grosso com o Brasil. Em abril ameaçou chineses com taxação de 145%, mas depois recuou. Mas, quer impor 50% contra o Brasil, como se comprar daqui fosse favor, e o bolso do estadunidense fosse sair ileso. Para piorar, Trump está com desaprovação em 55%, contra 41% de aprovação, 4% não sabe, segundo o Grupo YouGov, especialista em pesquisas online recente.
Ao ameaçar taxar o Brasil, Trump mirou no Lula, rasgou a orelha do agronegócio, ricocheteou na fancaria do Tarcísio e acertou o nacionalismo “pop corn ice cream”. O agro é um dos setores mais ingratos com o presidente Lula. Uma ingratidão só comparável à das Forças Armadas, em rigoroso empate com os setores retrógrados do Serviço Público. E o Tretas? Esse ainda pensa que está no Haiti (É aqui).
Com uma simples postagem, Trump reavivou a calhordice da pretensa elite brasileiras, o colonialismo sabujo, a vassalagem, o complexo de vira-lata. Expôs as vísceras do nazifascismo predominantes no Evangelistão do Pó, associações rurais picaretas, abriu a sarjeta de onde brotam Chupetinhas, Pistoleiras, Marrecos, Maias, Madames Tiaras, Marmottas, Eczemas, ladrões, torturadores, pedófilos…
Ah! Consta que Bananinha está ensaiando o Hino Nacional, para cantar pro Trump. Mas no ensaio, tem desafinado justo no “Verás que o filho teu não foge à luta”.
Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo
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Antonio Freitas
16 de julho de 2025 9:12 amNossa, que texto! ✨️👏🏼👏🏼👏🏼✨️
PAULO MAURICIO GONCALVES
16 de julho de 2025 6:27 pmTrump fala fino com a China e tenta falar grosso com o Brasil.
Bolsonaro-filho pratica crime de lesa-pátria nos EUA e dá uma “banana” para o Brasil.
Bolsonaro-pai está se esborrando de medo, pois vai ser preso no Brasil.
Lula vai avançando nas pesquisas de opinião pública.
Muito grato Trump…
Laura Santos
20 de julho de 2025 5:20 pmÓtima análise!Gostei de tudo, principalmente do trecho que lembra dos americanos “com aquecimento, merenda escolar e educação ruins etc”. Trump é tão horrendo que estou com um pouco de dó do povo dos EUA… quanto aos sofrimentos do povo daqui, sempre multiplicados por mil, tenho cá minhas esperanças. Tô mais animadinha pra 2026.