9 de junho de 2026

IV – Contagem regressiva para o fim de Trump, por Luís Nassif

Não se tenha dúvidas. Quando o furacão chegar, não restará pedra sobre pedra, não apenas do político, mas do empresário Donald Trump.

Até algum tempo atrás, quem ousasse imaginar os arroubos de Donald Trump seria taxado de fantasioso. Trump atropelou todos os limites do bom senso.

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A maneira como conseguiu atuar até hoje, de forma impune, passou a impressão de que foram liquidados completamente todos os limites democráticos. Reside aí o erro de raciocínio.

Todo abuso continuado gera uma reação cumulativa. A atuação de Trump já provocou a oposição dos seguintes setores:

  • As universidades e os centros de pensamento jurídico.
  • A imprensa, do liberal The New York Times aos antigos apoiadores do grupo Murdoch, incluindo Fox News, The Wall Street Journal.
  • Todas as empresas importadoras, afetadas pelas novas tarifas e pelas maluquices de tarifas de 50% a 100% ao bel prazer de Trump.
  • As comunidades latinas e negras.

São resistências cumulativas. E ele ainda vive dilemas. Se recua nas apostas, passa a impressão de fraco – imagem destruidora de lideranças fascistas. Se continua apostando, vai gerando mais desequilíbrios e criando mais resistências.

Em suma, a versão acabada do ditado “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

Faltava o episódio síntese, aquele capaz de ser assimilado por todos os níveis de público, até os terraplanistas. E, agora, ele chegou. Ou melhor, voltou para ficar.

O caso Epstein

Agora, paira sobre sua cabeça as revelações do caso Epstein – o milionário que arrumava meninas menores de idades para o mundo dos bilionários.

A versão de suicídio jamais foi convincente. Como uma das pessoas mais vigiadas dos EUA morre sob custódia federal? 

Havia uma série de coincidências suspeitas.

  • Duas câmeras de segurança próximas à cela falharam ou apresentaram problemas técnicos.
  • Os dois agentes penitenciários responsáveis dormiram durante o plantão e falsificaram registros de rondas.
  • Epstein havia sido retirado da vigilância antissuicídio apenas dias antes, apesar de um suposto intento anterior.
  • O laudo oficial indicou suicídio por enforcamento com lençol. Mas o patologista independente contratado pela família (Michael Baden) afirmou que: “As fraturas no osso hioide são mais consistentes com estrangulamento homicida do que com enforcamento suicida.
  • As marcas no pescoço também causaram dúvida: estavam horizontais (como de estrangulamento) e não oblíquas (como típico em enforcamento).
  • Epstein foi preso em julho de 2019. Morreu menos de 40 dias depois. Ele estava pronto para delação sobre sua rede de tráfico sexual, finança e chantagens.
  • A prisão e condenação de Ghislaine Maxwell (sua parceira) em 2021/2022 revelou novas informações, mas não nomes nem provas completas.
  • Parte do material foi liberado em 2024 e 2025, mas muitos nomes foram suprimidos.
  • Documentos como o “black book” e as gravações de câmeras privadas de Epstein ainda não foram integralmente tornados públicos.

Nas próximas semanas, será o prato predileto da mídia. The Times e New York Post, uma em Londres, outra em Nova York, ambas do grupo Murdoch, já iniciaram o tiroteio, secundando o The Washington Post, que trouxe a primeira reportagem, da nova rodada sobre as relações Epstein-Trump,

As reportagens do The Times tem manchetes bombásticas: “É uma história maior do que o mundo jamais conheceu”, diz ele.

Mostrou que os logbooks de voos no jato de Epstein – apelidado de “Lolita Express”- revelam passageiro proeminentes, mas sugerem que a lista é muito maior do que foi revelado, “muito ainda está por vir”, e especula até possíveis vínculos com a inteligência israelense.

Outra reportagem mostra o senador Ron Wyden afirmando que o governo Trump detinha registros secretos de US$ 1,5 bilhão em transferências financeiras relacionadas a Epstein, incluindo transações abastecidas por bancos russos.

Um conjunto grande de estragos políticos já foi contabilizado. Pesquisa da Reuters mostrou que 69% dos norte-americanos acreditam que o governo está ocultando informações sobre clientes de Epstein, e apenas 17% aprovam a forma como Trump conduziu o caso.

Entre os republicanos, 35% aprovam, 30% desaprovam e 35% estão indecisos. E a campanha sobre o tema mal começou. Figuras da ala MAGA, como Laura Loomer, Mike Pence e Josh Hawley, pressionam por mais transparência, chamando a postura atual de “cover‑up”.

Outros escândalos

Não é o único escândalo reprimido provisoriamente, em função da reeleição de Trump. Há muito mais macaquinhos no sótão de Trump, conforme sincretiza o Chat GPT.

1. Esquema de “hush money” e falsificação de registros (Nova York)

  • Em março de 2023, o promotor Alvin Bragg apresentou 34 acusações criminais contra Trump por falsificar registros comerciais para ocultar pagamentos à atriz pornô Stormy Daniels antes da eleição de 2016  .
  • Em maio de 2024, foi condenado por essas práticas (sem risco de prisão, mas com registro criminal).

2.  Caso civil por fraude financeira (fraude patrimonial em NY)

  • A procuradora-geral Letitia James moveu ação contra Trump e seu grupo, acusando inflação fraudulenta de patrimônio em mais de US$ 3,6 bi entre 2011‑2021.
  • Em fevereiro de 2024, o juiz Arthur Engoron condenou Trump a pagar cerca de US$ 355 mi (com juros, ultrapassando US$ 500 mi) e proibiu-o de atuar como diretor de empresas em Nova York por três anos.

3. Condenação da Trump Organization por sonegação de impostos

  • Em dezembro de 2022, a Trump Organization e seu CFO Allen Weisselberg foram considerados culpados por um esquema de 15 anos de fraude fiscal criminal.
  • Weisselberg recebeu pena de prisão e tornou-se testemunha-chave.

4. Trump University – Fraude educacional

  • Trump enfrentou várias ações por suposta operação fraudulenta da “Trump University”, acusada de enganar consumidores e operar como esquema RICO.
  • Ele foi responsabilizado financeiramente em acordos, embora sem condenação criminal direta.

5.  Mar-a-Lago – Seguros e avaliações falsas

  • Indícios de fraude em seguro: Trump recebeu US$ 17 mi por suposto dano de furacão que, segundo o butler, não ocorreu.
  • Em processos de fraude patrimonial, a mansão foi supervalorizada em sua contabilidade (até US$ 627 mi, contra avaliação real de US$ 18–27 mi).

6.  Conflitos de interesse e favorecimento nos negócios

  • Trump e sua família lucraram com negócios ligados a criptomoedas, empreendimentos imobiliários internacionais e acordos com governos estrangeiros – inclusive um memorando avalia US$ 2 bi com fundo dos Emirados.
  • Críticos apontam uso de poder presidencial para favorecer esses negócios, levantando acusações de violações do emoluments clause e possíveis crimes financeiros.

Não se tenha dúvidas. Quando o furacão chegar, não restará pedra sobre pedra, não apenas do político, mas do empresário Donald Trump.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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11 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    20 de julho de 2025 2:22 pm

    Sob Donald Trump ocorreu finalmente o ponto de inflexão. Os EUA não tem dinamismo econômico e isso tende a piorar agora que o dólar deixará de ser utilizado como moeda de transação entre os países dos BRICS. Esse bloco contém um número crescente de países, a maior parte da população mundial e tem e um potencial econômico muito maior do que o G7. A expulsão compulsória de trabalhadores e a fuga de cérebros beneficiará muito os concorrentes dos americanos. A liderança dos EUA perde espaço na Europa em razão do comportamento erratico e francamente anti-europeu da Casa Branca. A ambição dos EUA de preservar sua hegemonia com base em fazendas de computadores, microchips e IAs é irreal. Primeiro porque os americanos precisam de terras raras que do Sul global. Segundo, porque a difusão tecnológica atualmente é muito mais rápida do que no passado. Terceiro porque a criação da internet dos BRICS reduzirá em muito o poder que os americanos exercem sobre a rede mundial de computadores. O Brasil caminha para se separar da internet americana. O primeiro passo será dado com a taxação pesada das Big Techs americanas (uma resposta proporcional às tarifas impostas por Trump aos produtos brasileiros). Quando Trump desabilitar o uso do GPS no Brasil, o país será obrigado a contratar serviço similar prestado por concorrenes dos americanos. Isso facilitará o distanciamento da internet americana até a ruptura. Apoiados pela Espanha, os Estados mais importantes da América Latina (Brasil, Chile, Colômbia e Uruguai) estão unicos com um propósito: a preservação de suas independências e regimes políticos democráticos. Dessa união resultará uma pressão maior contra a hegemonia internética americana. Rússia e China estão unidas e dão apoio aos anseios de independência dos países latino-americanos. Eles não poderão mais ser tratados como quintal dos EUA. México e Canadá estão profundamente irritados com as ofensas que receberam dos governantes americanos e também estão dando as costas aos produtos e serviços “made in USA”. Em declínio e cada vez mais isolado, os EUA tendem a se tornar um quintal dos BRICS. Um quintal sujo, feio, poluído e infestado de nazistas, racistas e apes da bunda branca gordos, estúpidos e arrogantes. Talvez seja necessário fazer uma limpeza nesse quintal. Afinal, os BRICS precisam cuidar bem do seu novo quintal. Tudo isso, para não mencionar o esgoto da história que aguarda por Donald Trump em decorrência das práticas sexuais pervertidas satisfeitas por um espião isralense por mais de uma década.

  2. ERNESTO

    20 de julho de 2025 2:26 pm

    Fora o antiamericanismo até daqueles que tinham o Mickey Mouse com símbolo de empatia e Pateta como realmente um bobalhão sem estratégia semiótica.

  3. Carlos da Costa

    20 de julho de 2025 3:05 pm

    Olá pessoal, quem viver verá, se o Nassif tem uma bola de cristal, bem apurada !

  4. Paulo Dantas

    20 de julho de 2025 3:35 pm

    Sim , mas ele controla o partido Republicano e o Democratas parecem acuados.

    Foi condenado e mesmo assim eleito os rednecks e hillbilies que o apoiam “don’t give a sh1t”.

    Creio que continua e vai um jeito de um 3° mandato.

  5. emerson57

    20 de julho de 2025 4:07 pm

    Ele é herói do bolçonário porque ganhou um brinde chamado Boeing 747 (jumbo) de uns arabes.
    Bolçonário (amador) rifava refinarias a troco de conversa e só arranjou um colarzinho para madame. (dizem!)

  6. fabricio coyote

    20 de julho de 2025 4:25 pm

    a última tática dos incompetentes é o diversionismo. única fórmula da extrema direita. não à toa os italianos penduraram il duce de ponta a cabeça na praça pública de Milão.

  7. Carlos

    20 de julho de 2025 5:19 pm

    Segundo The Times: “… “muito ainda está por vir”
    Mera coincidência com o que andam vomitando os filhotes do rato tornozelado?
    Mas concordo com os comentários aqui: Trump faz o que quer porquê nos EUA é apoiado por sua maioria republicana no congresso e conservadora no supremo de lá. Então promove não apenas uma “caça a bruxas” mas uma verdadeira inquisição, e
    como todo ditador de direita, acusa quem não lhe lambe o saco daquilo que praticam diuturnamente.
    E que este laranjito que desgoverna os eua e engorda cofres dos mais ricos com suas ações acordeonicas, entenda que no Brasil não se caçam bruxas, mas sim ratos.

  8. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    21 de julho de 2025 7:14 am

    O Trump é um trapo a cada dia mais incoveniente, mas o coiso brasileiro, com sua famiglia não fica atrás.

  9. José Carlos Dias baptista

    21 de julho de 2025 12:30 pm

    Olá
    Faltam adjetivos desqualificativos para.este degenerado ser.
    Não podemos esperar nada que venha deste capitalista selvage.

    A sua própria vida o condena.

  10. Renato Kaspary

    23 de julho de 2025 8:05 am

    Por que a justiça Norte Americana não faz “justiça” com os seus indiciados (empresários, políticos etc)?
    Por que chamar de “americanos” os “norte americanos” e os demais 20 países das
    Américas como ficam?).
    Pensem nisso…

  11. Anônimo

    28 de julho de 2025 2:34 pm

    Eu só fico preocupado em passar do quintal dos americanos do norte para o da china, pois tudo que se compra aqui é mede em china, já estão para dominar o portos. Podemos nos livrar dos lobos, mais cair nas garras das hienas. Que Deus nos salve!

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