19 de junho de 2026

VI – A ofensiva de Trump e o fator Lula no plano global, por Luís Nassif

O inimigo do modelo que norteia Trump é o Brasil, através da liderança individual de Lula, derrotando Bolsonaro, e seu papel no BRICS
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Ontem participei de uma mesa na reunião anual da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência, em Recife, discutindo os rumos da geopolítica mundial e o papel a ser desempenhado pelo país. Foi uma mesa maiúscula, com a presença de Renato Janine, presidente da SBPC, Sérgio Rezende, ex-Ministro de Ciência e Tecnologia, o economista Elias Jabbour, especialista em China, e Luiz Fernandes, Secretário Executivo do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Vou me retringir à minha apresentação. Depois, comentarei as principais conclusões da mesa.

Procurei mostrar as semelhanças entre o período das três últimas décadas do século 19 com o período atual até a crise de 2008. São períodos de grandes transformações tecnológicas, seguidos de liberalização do capital, criando uma geração de rentistas que tiram o dinamismo da economia britânica – até então hegemônica -, envolvem-se em sucessivas bolhas especulativas.

O modelo tira o dinamismo da economia, aumenta a concentração de renda até ingressar na década de 1920, com o descrédito na democracia ocidental e o surgimento de ideologias alternativas. Esse mesmo processo ocorre nas últimas décadas, até estourar na crise de 2008.

A crise marca o fracasso final do neoliberalismo como alternativa de política pública. Segue-se uma tentativa dos donos do poder de encontrar um outro receituário capaz de desviar a atenção da opinião pública e encontrar bodes expiatórias para o desalento.

Assim como no fascismo italiano e no nazismo alemão, há a adesão das grandes corporações a uma parceria com a ultradireita, transformando o Estado no grande inimigo, valendo-se das novas formas de comunicação (rádio nos anos 20, redes sociais agora) para embaralhar os diagnósticos. O problema deixa de ser a insuficiência de Estado – sugado pelo modelo de concentração de renda – para se transformar no excesso de Estado.

A partir daí, surgem dois fenômenos. De um lado, a ultradireita norte-americana, que fornece a Donald Trump o componente ideológico através de Steve Bannon. De outro, a consolidação das big techs como novos instrumentos de projeção do poder norte-americano.

O novo modelo se baseia na tentativa de privatizar a moeda, através das criptomoedas, e, ao mesmo tempo, eliminar a autonomia dos estados nacionais.

No meio disso tudo, a figura complexa de Donald Trump. Provavelmente o que o move é o modelo que melhor lhe permita acumular riqueza pessoal. Publicamos aqui a denúncia de um trade norte-americano sobre os movimentos de swap entre dólar e real apenas três horas antes de Trump anunciar as tarifas de 50% para o Brasil.

O grande inimigo desse modelo é o Brasil, através da liderança individual de Lula, derrotando Bolsonaro, e de seu papel na consolidaçao do BRICS; e de Alexandre de Moraes, enfrentando o poder das big techs. Desde 2016, Bannon já definia Lula como a maior ameaça ao avanço da direita mundial.

Daí se entende a ofensiva de Trump contra Lula e contra o Supremo Tribunal Federal. Jair Bolsonaro foi apenas um álibi.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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12 Comentários
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  1. Naldo

    16 de julho de 2025 8:28 am

    Cá como lá teve essas denúncias de mutretas no mercado financeiro, foram apuradas??? Ou quem tem dinheiro pode tudo?

  2. Jotapontomarcel.o

    16 de julho de 2025 9:03 am

    Certo Nassif,fico até abismado pelo conhecimento q vcs têm de tudo,só q a prática é outra,estes problemas avançam na Sociedade ng petcebe ou finge q não vê e pum taí o caos,as estruturas públicas de desenvolvimento de uma nação estão sendo tomadas dominadas por assim dizer ENTES PRIVADOS(quadrilhas empresariais)vcs acham q o BC ou o Congresso vai abrir mão fácil de Bilhões?Eles compram quem eles querem,o único q pode NORMALIZAR td aqui é Lula e só com enfrentamento e caos mesmo,depois de td q Lula fez pacoficando o Pais pensando q seria pra todos a elite sabota esta nação e o Congtesso por pura SOBERBA e capricho resolve HUMILHAR o governo num tema irrelevante(iof)sendovq a alíquota antes era bem maior,não tem salvação é preciso governar só por decreto e deixar o desgaste no colo do Congresso coida q queriam fazer no gpverno Lula,faz o decreto do pão e deixa o Congresso DERRUBAR enquanto fecham os olhos para metade do ORÇAMENTO de todo o Pais ir para pagar banqueiro aff não tem mais acordo ou conchavo nemhum alguém tem q dar um basta para um Pais q ATUROU UM BOLSO e seus grandes ESTRAGOS ESTRUTURAIS isto não é nada,este PAÍS tá cheio de bandidos engravatafos !!!

  3. Caio Sampio

    16 de julho de 2025 1:07 pm

    O nazismo e o fascismo, ao contrário do que diz o Nassif, não transformaram o Estado no grande inimigo. Na verdade eles reforçaram o papel do Estado submetendo todos os setores de seus países aos interesses do Estado.
    É só lembrar do lema do fascismo: “Tudo no Estado. Nada contra o Estado.Nada fora do Estado”
    O Nassif deveria ser mais cuidadoso quando se traveste de historiador….

    1. Lopes

      16 de julho de 2025 5:19 pm

      Cabe observar, entretanto, a adesão inicial do empresariado ao fascismo, em virtude das promessas de ordem e estabilidade a serem impostas por um governo vendido como forte, face, especialmente, às crescentes demandas por direitos e liberdades da classe trabalhadora, inspiradas nos ideais da Revolução Russa, então recente, que tensionavam a relação capital-trabalho. Ou seja, num primeiro momento houve o interesse de ambos os lados em um alinhamento.

    2. Analista crítico

      16 de julho de 2025 5:22 pm

      O fascismo clássico e depois o nazimso, tinha muitos slogans, mas nenhum deles correspondia à realidade, apenas a uma forma de expressão de suas intenções, como exemplo “o trabalho dignifica”, ou “Alemanha acima de tudo”. Ninguém procurava a dignidade do trabalho ou uma pátria desenvolvida social e economicamente. Pelo contrário, a ideia era submissão do trabalhador pelos grupos que dominaram o Estado. Da mesma forma, o tudo pelo estado era uma forma de opressão a quem se opuseram, já que as condições pra maioria eram bem difíceis. Tanto que boa parte da população italiana e alemã morreram na guerra. A ideia era produzir gente pra ser carne de canhão, enquanto que o estado era tomado pelas grandes corporações alemãs e italianas. O estado não funcionava de forma autônoma, mas contratava empresas privadas desses grupos em uma espécie de PPP.

  4. Rui Ribeiro

    16 de julho de 2025 3:52 pm

    Vamos fazer desse limão uma limonada. As taxas de importação ja começaram a provocar inflação nos EUA. Podemos suportar só mais um pouco essa agonia

  5. Anônimo

    16 de julho de 2025 4:20 pm

    Tem que ter vontade política para cumprir Art 26 CF88 DT (Auditoria da Dívida Pública). Não é fácil. Necessário mobilizar a opinião pública e a Classe Trabalhadora para tão árdua tarefa!

  6. Rui Ribeiro

    16 de julho de 2025 5:00 pm

    “Estamos fazendo isso (impondo tarifas) porque eu posso fazer. Ninguém mais seria capaz. Temos tarifas em vigor porque queremos tarifas e queremos o dinheiro entrando nos EUA”. Duck Donald Trump

    Porventura as tarifas não são pagas pelos próprios consumidores estadunidenses? Se positivo, então o dinheiro não está entrando nos EUA, o dinheiro ja está lá, está apenas mudando de dono.

  7. Analista crítico

    16 de julho de 2025 5:02 pm

    Ou seja, o modelo americano da barbárie completa, de volta ao mundo das cavernas…

  8. Antonio Uchoa Neto

    16 de julho de 2025 5:06 pm

    O Estado sempre foi o que Lenin disse que era: um órgão de dominação de classe, através do qual uma classe subjuga a outra. No entanto, esse objetivo era executado por uma classe específica, sem hierarquia própria ou inerente, em relação à classe dominante e à classe dominada entre as quais servia de intermediária: o estamento político. A assimetria de sua posição cedo a deixou sem contato com seu propósito primordial, servir ao Capital. Sendo assim, essa “classe-peixe-fora-do-aquário”, como todos aqueles a quem se permite exercer algum poder, desenvolveu suas próprias ambições, deu vazão aos seus próprios vícios, e, de mero moleque-de-recados, passou a vestir uma fantasia própria de poder: os fascistas de Mussolini, na Itália, e os nazistas de Hitler, na Alemanha, são os maiores exemplos, dentre tantos outros. Ora, esse tipo de situação, em países periféricos, pode até ser considerado norma, sob certos aspectos; mas, no centro do poder mundial, especificamente nos EUA (cujos verdadeiros pais fundadores, lembremos, são os robber barons do século XIX), ela pode produzir distorções e descaminhos absolutamente avessos aos objetivos e desígnios dos bancos e das corporações (big techs inclusive). Estas se baseiam em mitos amplamente difundidos pelos canais competentes, tais como a democracia, a liberdade, a prosperidade ao alcance de todos; tais mitos caem por terra, de forma ostensiva e explícita, assim que essa “classe” política toma certas iniciativas. É isto que Trump tem como objetivo; como capitalista bilionário, trata seus subordinados como funcionários, limitados a cumprir ordens sem base jurídico-legal, ou mesmo constitucional: O Estado é ele, e dane-se o resto. Lula é um político tradicional, homem de conciliação e diálogo. Na visão de Trump, é parte – talvez a mais destacada, hoje, no mundo – de uma espécie (ou classe) em extinção. O Capital não necessita mais desse tipo de intermediação. Assim como a moeda emitida pelo Estado Nacional, também na alça de mira das Big Techs, é vista como algo fadado à extinção. E a derradeira autofagia desse sistema estará (se já não estiver) em curso: as corporações (cada vez mais, eu diria, as Big Techs) engolirão os bancos. E o mundo se descobrirá sendo o que sempre foi: Ouroboros, aquele serpente que se engole a si mesma, interminavelmente.

  9. Jordan Fabrício Martins

    17 de julho de 2025 6:01 pm

    “O grande inimigo desse modelo é o Brasil, através da liderança individual de Lula, derrotando Bolsonaro, e de seu papel na consolidaçao do BRICS; e de Alexandre de Moraes, enfrentando o poder das big techs. Desde 2016, Bannon já definia Lula como a maior ameaça ao avanço da direita mundial.”

    Inacreditável a ginástica que Nassif faz para colocar Lula como figura central da geopolítica mundial. Deus no céu, e “Ele” na Terra…

  10. Laura

    21 de julho de 2025 12:50 pm

    Perfeito, Nassif! Há algum tempo o Pedro já vi ha nos alertando para a fúria da extrema direita contra o Brasil, mais precisamente, Lula e Alexandre de Morais. Espero que Trump leve um tombo com Epstein e os BRICS saiam fortalecidos.

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