5 de junho de 2026

O mundo já se move em reação às tarifas de Trump, por Luís Nassif

Segundo a reportagem do New York Times, a ira de Trump se deveu à reunião dos BRICS no Rio de Janeiro, e à adesão da Indonésia ao bloco.
White House Flickr

O mundo já começou a se articular para reorientar o comércio mundial, depois das tarifas de Donald Trump. The New York Times fez um levantamento desses movimentos em torno do mundo.

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A Coreia passou por um período bravo, sob a presidência de um ex-Procurador Geral, que cavalgou a Lava Jato nacional, foi eleito presidente até ser deposto, após uma tentativa de golpe. Agora, o novo presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, enviou representantes à Austrália e à Alemanha para discutir questões de defesa e de comércio. Brasil e Índia anunciaram planos para aumentar seu comércio bilateral em 70%, para US$ 20 bilhões.

A Indonésia está próxima a um tratado com a União Europeia. O Vietnã já tinha fechado um acordo com os Estados Unidos, de tarifas de 20%. As cartas de Donald Trump destruíram as negociações. “À medida que mais e mais países sentem que é mais difícil atender às demandas dos EUA, seu interesse em trabalhar com outros países se intensificará”, disse Wendy Cutler, vice-presidente do Asia Society Policy Institute, citado pelo The New York Times.

No primeiro mandato de Trump, foram impostas tarifas para a China, que passou a adquirir quantidades menores de soja americana. O espaço foi ocupado pelo Brasil, que passou a ser o maior fornecedor de soja para lá.

O papel da Coreia do Sul é curioso. Assim como a União Europeia, a Coreia do Sul era um aliado incondicional dos Estados Unidos. Nessa condição, resistiu a aderir ao Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica, um pacto comercial que surgiu das cinzas de negociações com os Estados Unidos que fracassaram em 2016.

Agora, Byung-il Choi, economista sul-coreano e ex-negociador comercial, tem estimulado o país a aderir ao acordo, patrocinado pelo vizinho Japão. A qualquer momento, o acordo poderá ser fechado, como maneira de se defender das tarifas de Trump.

Como declarou Choi: “O Japão e a Coreia acreditavam que éramos um aliado firme e inabalável dos EUA, mas Donald Trump não acredita em aliados”. Disse mais: “O Japão está ansioso para obter membros mais significativos, e o novo governo da Coreia está dizendo: ‘Em nome do interesse nacional, podemos fazer qualquer coisa.’”

Há uma dificuldade para essa reestruturação do comércio global. Ao contrário dos Estados Unidos, a China é uma notável produtora de carros, eletrodomésticos, eletrônicos e têxteis. Portanto, não haverá espaço para bens de consumo, bens de capital, serem direcionados para lá.

A tendência será, mais à frente, as vítimas de Trump prepararem uma resposta coletiva. Segundo a reportagem, a ira de Trump se deveu à reunião dos BRICS no Rio de Janeiro, e à adesão da Indonésia ao bloco. O BRICS não esboçou, ainda, nenhum sinal de resistência maior. “Não vi indícios de que as nações do Sudeste Asiático estejam tentando se unir e apresentar uma frente unida”, disse Alexander Hynd, professor assistente do Instituto Asiático da Universidade de Melbourne. Por enquanto, está na fase de tentativas de acordos individuais.  Mas isso pode mudar se o ritmo atual de agitação continuar. “Os EUA estão tentando desmantelar rapidamente o sistema que criaram, o que está surpreendendo muita gente”, disse o Hynd.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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11 Comentários
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  1. Silvio Torres

    14 de julho de 2025 11:11 am

    Queria deixar um tema para debate, já que de de Trump e Israel pode-se esperar qualquer coisa. Tomando por base as históricas mentiras já usadas contra a Palestina, Iraque, Irã e agora contra o Brasil, podemos imaginar um ardil que levasse, por exemplo, a bombardeios na América Latina? Como analisado pelo colunista, o fator bolsonaro é só uma cortina de fumaça para esconder o literal cabo de guerra que vai se formando com o crescimento e fortalecimento do Brics. Uma ameaça real ao domínio planetário norte-americano estabelecido desde a primeira guerra. De 1918 a 1945, esse domínio foi construído em cima do discurso hollywoodiano do super herói contra os vilões. Essa máscara vem sendo desfeita desde a guerra da Coreia. A violência militar,usada há décadas contra países da Ásia, Oriente Médio e América Central, nunca foi necessária na América Latina, até agora. Aqui, ditadores e elites bananeiros sempre rastejaram para o tio Sam e se incumbiram de massacrar seus povos sem necessidade da interferência externa direta. Mas com o Brics e a liderança incontestável do Lula, estaremos sujeitos às bombas tão aplicadas em outras regiões?

    1. Analista crítico

      14 de julho de 2025 10:54 pm

      A ditadura militar foi uma espécie de guerra quente/bombardeio, pois saiu matando todo foco de resistência na América Latina.

  2. Rui Ribeiro

    14 de julho de 2025 11:50 am

    Mas essa reação tem que ser em conjunto. Se cada país reagir isoladamente, todos serão derrotados.

    A união faz a força

  3. Carlos Alberto Sobrinho

    14 de julho de 2025 1:15 pm

    Atenção na revisão editorial quando usar inteligência artificial para artigos do jornal. Por exempplo, no Xadrez para compreender a tarifa de Trump, o marxismo cultural aparece como fonte teórica inspiradora da direita no Brasil.

    1. Analista crítico

      14 de julho de 2025 11:04 pm

      Perfeito. O tal “marxismo cultural” foi a panaceia ideológica criada pela extrema direita pra desacreditar a área de ciências sociais e as Universidades, responsáveis por desvendar o modelo social perverso. Qualquer estudo de grupo econômico ou fe poder virou “marxismo cultural”.

      1. Moacir Rodrigues de Pontes

        15 de julho de 2025 7:20 pm

        (…) de poder (…)

  4. Joss carlos lima

    14 de julho de 2025 7:54 pm

    Ao permitir que um criminoso condenado pela justiça se tornasse presidente da mais poderosa economia do planeta trouxe à cena um presidente criminoso.
    
    Desde o inicio de ssu mandato Trump pratica crime de extorsão contra os demais pais e assim tornou outros países reféns de seus crimes
    
    É verdade esse tipo de extorsão não existe na carta da ONU. Sim, os crimes contra a humanidade sempre existiram, no entanto foram percebidos e tipificados devido a fatos concretos
    
    Com Trump presidente aflora o crime de extorsão praticado por um pais contra as demais nações e, como Lula já anunciou que organizará um movimento internacional para denunciar esse abuso de Trump, é bem provável que esta prâtica criminosa e abusiva do laranjão seja criminalizada pelo Direito Internacional e incluido na Carta da ONU, da mesma forma que ocorreu com os crimes contra a humanidade que, se não era tipificados como tal, passaram a existir como uma das consequências dos crimes de Hitler e seus suboordinados
    
    Quando isso ocorrer, Trump será instado a devolver o crime do roubo, como foi o caso dos 27 bilhões de dólares que Trump conseguiu mediante extirsão e grave ameaça contra outros pais
    
    Foi no que deu colocar um bandoleiro que mais se parece a um miliciano no comando de uma das maiores economias do mundo, ja vimos este filme por cá…

  5. Jotazinhodamamãe

    14 de julho de 2025 8:16 pm

    Nassif com os nove artigos em paises diferentes escritos por Lula está BEM CLARO q o nosso excelentíssimo fuscão 79 É O MIMADINHO DO MUNDO(preferido)isto pq sentem as boas intenções e bom coração dele neste mundo geopolítico mundial muito dificil,Lula tem um vivência muito difetente dos bambam bãs,com a sua REINSERÇÂO no mundo político,todos começaram a se mexer no planeta talvez até pelo exemplo q Lula está dando este CAÇULINHA DA MAMÃE do nordeste, ele foi mimadinho tb kakakakaka !!!

  6. Rui Ribeiro

    14 de julho de 2025 10:54 pm

    O aumento da arrecadação decorrente do tarifaço se dá às custas do consumidor estadunidense, tirando dinheiro do consumo, arrefecendo a economia.

  7. Mingo

    14 de julho de 2025 11:46 pm

    o Vietnã não fechou acordo tarifário de 20%!
    Eles ficaram surpresos com mais essa mentira de Trump:
    https://finance.yahoo.com/news/vietnam-surprised-trump-tariff-announcement-072530217.html

    contra um cara tipo Trump precisamos pensar numa outra forma de apresentar seu jogo de cena. Não adianta dizer que ele mente descaradamente sobre o Vietnã, precisamos apresentar como ele e Marco Rubio apresentam a. cena para a imprensa e para seus espectadores fieis.

  8. +almeida

    15 de julho de 2025 9:21 am

    Penso que o governo brasileiro, no uso de seu exercício do direito de defesa, deveria buscAr na constituição norte-americana e nos códigos penais do país, todas as informações criminosas e depois sugerir a Suprema corte dos EUA, que investigue e, em se comprovando infrações criminosas praticadas pelo presidente Donald Trump, no exercício do seu atual mandato, e abra os devidos processos legais para a condenação do mesmo e a consequente destituição do cargo de presidente da República.
    Pau que dá em Chico, também tem que atingir Francisco.

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