4 de junho de 2026

A extrema direita brasileira e a questão venezuelana, por Roberto Bitencourt da Silva

Campanha acontece nos veículos massivos de comunicação, que guardam uma postura de agência de informações do establishment estadunidense. 
Fábio Rodrigues Pozzebom - Agência Brasil

A extrema direita brasileira, inimiga da pátria, e a questão venezuelana 

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Roberto Bitencourt da Silva 

Por anos a fio, amplos setores das esquerdas culturais e políticas do Brasil têm manifestado muita suscetibilidade à estridente campanha do imperialismo ianque contra a experiência chavista, bolivariana, socialista e anticolonial da Venezuela. Essa campanha repercute especialmente nos principais veículos massivos e comerciais de comunicação, que guardam uma postura de agência de informações do establishment estadunidense. 

Os dóceis tributos pagos à cantilena made in USA, a respeito de uma pretensa “tirania” imposta pelo chavismo no país vizinho e coirmão, são também símbolo de um esvaziamento da agenda e de uma saliente desnutrição da capacidade transformadora das perspectivas e ações das esquerdas brasileiras.

Estas, há tempos, encontram-se convencionalmente prontas para a adaptação aos paradigmas imperialistas e neoliberais do poder, que prevalecem em escala nacional e internacional. Pois bem. É com direitas declaradas e ativamente antipatrióticas, que agem à luz do dia sempre em desfavor dos interesses nacionais e populares, em nauseante colaboração com os ímpetos agressivos do imperialismo estadunidense, é com essas direitas que o chavismo lida há décadas. Direitas flagrantemente entreguistas e lesivas à pátria de Simon Bolívar.

Tão entreguistas quanto as nossas direitas, ainda que muito melhor coordenadas, política e financeiramente, com as agências de poder dos Estados Unidos, do que as direitas bolsonaristas. Estas estão agindo despudoradamente sob a cobertura do governo dos EUA, contra o Brasil. Inadmissível atitude antipatriótica. Apoiar aumento de taxas comerciais, com o propósito de sancionar e humilhar politicamente o país, movimentar-se para fazer com que nossas instituições, leis e interesses domésticos fiquem acadelados aos geointeresses de uma potência estrangeira: isso consiste em alta traição!

Se estivéssemos envolvidos em um aberto e encarniçado estado de guerra, não seria exagero declarar que esses segmentos políticos antinacionais da extrema direita são inimigos da pátria, traidores que deveriam ser punidos com o rigor compatível com os crimes lesa pátria que cometem. São uns “Calabar”, como se referiu Brizola a FHC faz bastante tempo.

Isso posto, um olhar mais matizado sobre a experiência do chavismo na Venezuela, mais solidário, como também uma visão menos aculturada pela narrativa imperialista pró-ianque, são práticas que o momento brasileiro pode bem estimular à reflexão de importantes faixas dos grupos progressistas do Brasil. 

Roberto Bitencourt da Silva – historiador e cientista político, presidente da Ades Faetec, Seção Sindical do ANDES-SN. 

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. twa

    31 de julho de 2025 10:08 am

    “a experiência chavista, bolivariana, socialista” “Funcionou” enquanto tínhamos petróleo acima de US$ 100,00 o barril. Hoje só há miséria e 8 milhões de Venezuelanos perambulando pelo mundo.

    1. Moacir Rodrigues de Pontes

      31 de julho de 2025 8:06 pm

      O fato de que o petróleo esteja abaixo de cem dólares o barril pode explicar porque o “socialismo bolivariano” já não “funcione” como antes, mas não justifica que se entregue tudo aos EUA!

Recomendados para você

Recomendados