5 de junho de 2026

Imprensa insiste em negociar com bolsonarismo, mas com fascismo não se brinca, alerta historiador

"Acham que podem usar o bolsonarismo para fazer o trabalho sujo", diz Valdei Araújo

Ainda há setores da grande imprensa que insistem em tratar o bolsonarismo como uma força política, como se fosse apenas exercício da liberdade de expressão, e não da barbárie. É um erro grave e perigoso, alerta o historiador Valdei Araújo.

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“Imprensa ainda acha que pode negociar com o bolsonarismo, que pode usar o bolsonarismo para fazer o trabalho sujo dela. E quando terminar de fazer o trabalho, eles retiram o bolsonarismo da sala. Mas com o fascismo não se brinca”, disse o historiador, professor da Universidade Federal de Ouro Preto e autor de Bolsotrump.

Para Valdei, o bolsonarismo não é política, mas “a destruição da política pela força, pela mentira”. E o problema não começou ontem. “A trajetória do Bolsonaro não começou ontem. É um processo longo que visa destruir as instituições democráticas por dentro”.

O golpe contra a democracia, avalia o historiador, segue em curso, mesmo diante da justiça sendo aplicada aos golpistas envolvidos no 8 de janeiro. “O erro do Moraes foi demorar para agir contra Bolsonaro. Qualquer outro processado já estaria preso há muito tempo, porque não se pode deixar alguém ameaçar constantemente o juiz do processo. As ameaças reincidentes contra Moraes exigiam uma resposta imediata”.

Para o historiador, a ideia de que um golpe está em curso se reforça pelo peso do cenário internacional, especialmente diante da aplicação da Lei Magnitsky por Trump contra Moraes. “Trump está muito forte nos Estados Unidos. Se a eleição do Lula aconteceu com Biden na presidência, imagine o que teria ocorrido se fosse Trump no comando”, compara.

Esse quadro reforça o chamado “viralatismo” brasileiro, que Valdei explica como resultado do desmonte do Estado nacional e da falta de um projeto consistente de soberania.

“Apesar dos problemas, em diversos momentos da nossa história tivemos projeto de Estado. Conseguimos manter a integridade do território e avançar, mesmo que de forma conservadora e excludente”.

No entanto, faltou investimento estratégico em áreas essenciais para o desenvolvimento da cidadania plena, porque sem um projeto de país, o Estado não se sustenta. “Demoramos a democratizar a escola e a incorporar toda a população ativa. Tivemos 30 anos de ditadura militar, que atrasou esse processo”.

Assista à entrevista completa abaixo:

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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11 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    9 de agosto de 2025 8:08 pm

    E… salvo honoráveis e raríssimas exceções, qual a “imprensa” não fascista no Brasil, desde que foram treinados por Londres, na segunda década do século XIX?

  2. Rui Ribeiro

    9 de agosto de 2025 8:47 pm

    Enquanto eles querem voltar a ser encurralados pelo bolsonaro e que este diga que eles querem dar o furo, confere aí, por favor, Nassa, se um triângulo retângulo cujo cateto menor é igual ao seno de 72 graus e cujo cateto maior é igual a duas vezes o seno de 36 graus e cuja hipotenusa é igual à raiz quadrada da soma do quadrado desses dois catetos consiste num triângulo de 90, 51 e 39 graus, por favor.

    Se for, dá um retorno

  3. Rui Ribeiro

    9 de agosto de 2025 8:51 pm

    Enquanto eles querem voltar a ser encurralados pelo bolsonaro e que este diga que eles querem dar o furo, confere aí, por favor, Nassa, se um triângulo retângulo cujo cateto menor é igual ao seno de 72 graus e cujo cateto maior é igual a duas vezes o seno de 36 graus e cuja hipotenusa é igual à raiz quadrada da soma do quadrado desses dois catetos consiste num triângulo de 90, 51 e 39 graus, por favor.

    Se for, dá um retorno. Eu descobri, por mim mesmo, como calcular as relações trigonométricas do ângulo de 51 graus geometricamente. Se eu sei as relações trigonométricas de 51 graus eu também sei as de 39 graus

  4. Rui Ribeiro

    9 de agosto de 2025 10:27 pm

    Alcolumbre nao pautou o impit do Xandão. O advogado do Trump questiona:

    “Se até mesmo a unanimidade no Senado é irrelevante, para onde o Brasil está indo?”

    A unanimidade da população de Jerusalém pedindo a Pilatos que crucificasse Jesus e libertasse Barrabás, era relevante ou irrelevante?

    A relevância tá na unanimidade?

    O Brasil virou casa da Mãe Joana e do Pai Vicente? Jamais meus avós aceitariam esse 🐀 na casa deles

    1. ed.

      15 de agosto de 2025 9:16 pm

      Sim, no pior congresso da nossa história, uma “unanimidade” de bandidos adolinquentes resultará em bandidagem adolinquente.
      No caso, nem se precisa dela, basta uma maioria inconsequente…(não para eles, mas para a sociedade que deveriam representar).

  5. Rui Ribeiro

    9 de agosto de 2025 10:31 pm

    Toda unanimidade é burralda

  6. Carlos

    10 de agosto de 2025 9:34 am

    “Grande” imprensa + eua (atual)+ bolsonaristas + Musk + PL (que precisa acabar), resulta num lixo não reciclável.
    Falta a parte da população contrária ao lixo acima, mais de 70%, ocupar as ruas não para defender A, B ou C, mas sim a Democracia.

  7. Lênin and The Ulianovs

    10 de agosto de 2025 10:08 am

    O cara estuda, estuda, estuda…e nada.

    Não enxerga um palmo a gente do nariz.

    O fascismo, o nazismo, o salazarismo, o franquismo, Imelda Marcos, Bukelele, Pinochet, etc, etc, etc são a mostra inconteste que o capitalismo não é democrático, nunca foi.

    A repetição do autoritarismo é a prova de que esse modo de produção não vai permitir que haja uma alternância dê poder em suas sócio reproduções e representações políticas.

    Meu Zeus, o Brasil mesmo, desde 1822, ou desde 1889, não teve uma sequência ininterrupta de estabilidade do seu mercado representativo (eleições).

    Eu nem vou citar fenômenos como a “monarca” Thatcher na Inglaterra ou o fato do modelo estadunidense ter mantido negros fora de seus sistemas eleitorais até 1965.

    Onde e quando o capitalismo foi democrático?

    Então, alguém diga para esse senhor que o autoritarismo é regra em um modo de produção que se alimenta de exclusão.

    Meu Zeus, de onde vem essa gente?

  8. Marcelopontojota

    10 de agosto de 2025 10:12 am

    A MÍDIA TRADICIONAL NÃO NEGOCIA ELA INCENTIVA O FASCISMO,NÃO ESQUEÇAM DE QUEM COLOCOI O BOLSO NO PODER E ACOBERTA TODOS OS MAL FEITOS AO POVO E ESTRAGOS NO PAÍS,OS BILIONÁRIOS MIMADOS FICAM ESCONDIDOS IMERSOS NAS SUAS HIPOCRISIAS E PROTEGIDOS EM SEUS CASTELOS MEDIEVAIS CHEIO DE OURO ENQUANTO OS SEUS FUNCIONÁRIOS DO JOGO SUJO FAZEM O TRABALHO PORCO,pq acham q queren acabar com as Instituições,abocanhar a renda de serviços públicos muito lucrativos e etc…virou guerra de gangues e mafiosos,um PAÍS nunca dará certo assim,precisa ter ESTRUTURAS PUBLICAS DE DESENVOLVIMENTOS GERAL OARA TODOS E PÚBLICAS ai os setores privados q se desenvolvam em volta e não ao contrário ABOCANHANDO tudo e todos,qiem ganha é só meia dúzia q logo quetem implantar ditaduras privadas beneficiando SEMPRE o seu grupo econômico!!!

  9. ed.

    15 de agosto de 2025 9:24 pm

    O problema dessa míRdia é que ela e o que ela representa NÃO SÃO AFETADAS por qualquer regime que tenhamos (exceto talvez aquele fantasmagórico e improvável “children eater”).
    Pode ser democracia, monarquia, presidencialismo, parlamentarismo, anarquismo, imbecilidade bozonárico, ditadura branda ou intensa,.

  10. +almeida

    17 de agosto de 2025 1:25 pm

    Parece que a grande mídia é fidelizada, em seu cardápio de sobrevivência, aos seguintes itens: Ditadura, Totalitarismo, Golpismo, Autoritarismo e tudo o que for semelhante contra a esquerda, contra o popular, contra o inclusivo e a favor do que for contra a 98% da população.

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