
A remissão às duas eleições de FHC é obrigatória. De cada dez eleitores que compareceram para votar em 1994 e 1998, oito validaram seus votos. O ex-presidente elegeu-se com metade desses votos.
Na era petista o sarrafo aumentou. Caiu o percentual de nulos, muito provavelmente por causa da universalização da urna eletrônica. Os votos nulos sempre foram maiores em cidades com maior número de analfabetos. A urna eletrônica facilitou o voto dessas pessoas.
Com isso, de cada dez eleitores que compareceram aos locais de votação nas três últimas disputas presidenciais nove validaram seus votos. Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma precisavam fazer uma metade mais robusta de votos que a de FHC. Falharam e acabaram enfrentando um segundo turno.
A julgar por todas as pesquisas desde as manifestações, o patamar de nulos estará mais próximo daquele observado nas eleições de FHC do que na dos petistas, o que embasa as convicções de Marinis sobre as chances de um único turno em outubro.
Além das evidências aritméticas, as pesquisas revelam que o alheamento prejudica a oposição porque tira do mercado os eleitores mais oposicionistas do pedaço. É duas vezes mais fácil encontrar um eleitor que aprova governo Dilma entre aqueles que pretendem escolher o senador Aécio Neves ou o governador Eduardo Campos do que entre aqueles que pretendem votar em branco ou nulo.
A entrada da ex-senadora Marina Silva como vice de Campos ou mesmo como candidata melhora as chances do PSB, mas não reduz o alheamento eleitoral.
Tanto Campos quanto Aécio devem torcer por candidaturas que ajudem a captar esse voto nulo. Se o pré-candidato do PSOL, o senador Randolfe Rodrigues (AP), começar a ser ouvido pelos desencantados pode ajudar a oposição. O mesmo talvez não possa ser dito se o ministro Joaquim Barbosa resolver disputar e, além dos alheios, roubar os votos da oposição.
O alheamento acendeu o sinal amarelo no Tribunal Superior Eleitoral, que prepara campanha institucional sobre a importância do voto. Ao contrário de outras, de teor mais educativo e voltada para grotões analfabetos, esta, com um apelo mais cívico, buscará o eleitor das grandes cidades.
Desde as massivas demonstrações de junho, os protestos reduziram-se em escopo, mas não é só quem solta rojão que se afasta da urna. A violência gerada por ambos os lados e seu noticiário inflam a descrença na política institucional.
A despeito do empenho do governo em aprovar lei contra os rojões, as manifestações, pelo que mostram as contas de Marinis, podem acabar ajudando a reeleição. À dura tarefa de conquistar quem quer votar, soma-se aos percalços da oposição a façanha de arrebanhar os alheios.
Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras
E-mail: [email protected]
RVeiga
7 de março de 2014 12:38 pmEleição vale mais se ganha no
Eleição vale mais se ganha no primeiro turno? Certamente reduz o estresse pelo qual passam os candidatos e os cusos do pleito, mas o resultado político é o mesmo.
marcos nunes
7 de março de 2014 12:47 pmPor via reversa
Isso é interessante, mas pçor via reversa.
Contávamos que, eleito Lula presidente, teríamos um crescimento no item participação popular nos governos. Que o governo “de esquerda” se pautaria sobretudo na politização das relações sociais, e trouxesse mais engajamento político, mais compreensão das demandas públicas e privadas, do papel do Estado, etc.
Mas não foi isso que aconteceu.
As manifestações trouxeram o dado novo que se reverteu: ao invés de chamar à participação e compreensão dos processos políticos, veio a apatia ou simplesmente o descarte da política. Daí, as manifestações caíram no vazio.
O quadro atual é que o PT agora torce pela dspolitização da população, pela não participação do povo, principalmente nos períodos eleitorais. Assim fica mais fácil de se eleger, uma vez que a oposição, de seu lado, nada tem a dier e menos ainda a fazer.
Isso é ruim, muito ruim.
Diogo Costa
7 de março de 2014 1:32 pmQuem despolitiza as massas?
O Partido dos Trabalhadores trabalha desde a sua fundação para politizar amplos contingentes das massas. E o fez com amplo sucesso, a ponto de ser a experiência de partido de esquerda mais bem sucedida em toda a história do Brasil. Uma esquerda que não chegou ao poder pela via revolucionária (e nem pretende), mas que chegou ao poder pela via institucional e vem transformando para melhor a vida de milhões de cidadãos brasileiros nos últimos 12 anos.
É uma experiência singular a do PT no Brasil. É um partido que nunca se dispôs a ser apenas um partido de quadros, mas sim um partido de massas. E cumpriu muito bem esta determinação até os dias de hoje. A grande questão política no Brasil de hoje é que o PT não comanda sozinho o poder no plano federal, e nem teria como. Em que pese ter vencido as últimas 03 eleições presidenciais, e tendo grande possibilidade de vencer pela quarta vez consecutiva, o PT jamais teve mais do que 16 ou 17% dos parlamentares no Congresso Nacional. Isto é que faz com que o PT tenha que liderar uma coalização heterodoxa e cheia de contradições!
Uns dizem que o PT deveria se aliar somente com os partidos de esquerda, ocorre que a esquerda, somada, não tem sequer 1/3 dos votos neste mesmo Congresso Nacional… O PT não tem como implementar o seu projeto programático por absoluta falta de correlação de forças, no parlamento e na sociedade. E mesmo assim vem tendo êxito até agora em fazer mudanças pontuais, graduais, em operar imensas transformações através da distribuição de renda e da valorização do salário mínimo. O problema do Brasil não é o PT, mas sim a falta de polititização das massas (e isto não é culpa exclusiva do PT).
Quem despolitiza as massas ao empreender uma prática denuncista durante 24 horas por dia? Quem despolitiza as massas senão os meios oligopólicos de desinformação? Quem despolitiza as massas senão o atual presidente do STF, que age como um Carlos Lacerda de toga? Quem despolitiza as massas senão esta oposição fracassada, que só repete chavões ultra conservadores e estigmatizadores contra o Partido dos Trabalhadores?
Finalizando, se é para o PT seguir o exemplo dos “partidos revolucionários” brasileiros (PSOL, PSTU, PCO e PCB), é melhor que fique como está… Estes partidos pretensamente revolucionários estão absolutamente apartados das massas, são “vanguarda” apenas de si próprios e são agremiações, ou partidos, eminentemente de quadros.
O PT não pode ter como exemplo partidos como o PSTU, que a pretexto de “politizar” o povo se isola deste mesmo povo e obtém como resposta o fato de que não conseguem eleger sequer um único e mísero deputado federal. E já existem enquanto partido há mais de 20 anos! O PT não pode ter como referência nano agremiações que somadas não atingem sequer 01% de votos numa eleição presidencial, o que demonstra que o povo brasileiro não dá importância alguma para os pretensos “vanguardistas”.
No mais, e ainda sobre o PT, prefiro ficar com a opinião de Fidel Castro e com a opinião que Hugo Rafael Chávez Frías tinha sobre esta agremiação. Entre eles e o esquerdismo microscópico e apartado das massas, certamente fico com quem coloca em prática a política, ao lado das massas, do que ficar ao lado do nano esquerdismo apartado destas mesmas massas populares.
marcos nunes
7 de março de 2014 1:45 pmVer o que se quer
Me desculpe, amigo, mas você vê o que quer ver, não o que de fato existe. Se, nos seus primórdios, o PT teve projetos de politização (por núcleos partidários atuantes nas comunidades), isso se perdeu pela via da política institucional.
Passou a importar mais buscar maiorias para a “governabilidade” do que contar com movimentos sociais para amparar ações de fato de esquerda de um governo inicial cujo presidente de fato nunca foi de esquerda.
Vieram as concessões aos juros, as limitações orçamentárias, os cálculos de superávit primário, a ortodoxia, as concessões aos aliados oportunistas, o oportuno encontro com Marcos Valério… e o que temos agora é isso aí, um governo cujo partido à testa de uma vasta coligação não politiza as questões, pois tem ao seu lado gente que vai da esquerda moderada à direita mais raivosa (Bolsonaro, por exemplo, atua em partido a base do governo que ele critica).
Deixou para depois (mais corretamente: nunca) várias questões atinentes às lutas as mulheres (aborto assistido), de gays e lésbicas, de trabalhadores sem terra e da população sem-teto, para contemplar interesses. Ao invés de tentar fazer, como Brizola, escolas para a população com nível idêntico ou superior às escolas da burguesia (disse tentar porque os CIEPs foram construídos baseados em projeto equivocado – mais um – de Niemeyer, por se revelar de pouca funcionalidade, sem qualquer atenção a características climáticas do Rio de Janeiro em sua extensa geografia), passou a construir muquifos dentro do programa Minha Casa, Minha Vida, achando que aqueles prédios horrendos com apartamentos minúsculos, para os pobres, já estava de bom tamanho…
Com sinceridade, já cansei de ouvir os argumentos de petistas engajados, que logo logo surgem com suas fórmulas inseridas em Crtl+C Crtl+V, e nem sei porque me dou ao trabalho de respondê-lo. É inútil, porque diálogo não existe. Eu não irei convencê-lo de nada, nunca, e muito menos o contrário.
Mas gostaria que o PT fizesse mea culpa em vários aspectos de seu governo, e retomasse o caminho da politização e do diálogo mais com movimentos sociais do que com a velha classe política corrupta. Mas isso não ocorrerá, talvez porque, no final das contas, em meio às velhas classes políticas, o PT já se sinta feliz como um pinto no lixo. E haja lixo.
Diogo Costa
7 de março de 2014 1:56 pmPara transformá-la, é preciso conhecer a realidade como ela é
DILEMAS DA ESQUERDA NO BRASIL – Escutam-se murmúrios, aqui e alhures, sobre o impasse da reforma política, da democratização das comunicações, da reforma agrária e de outros temas sensíveis aos anseios populares. Alguns mais afoitos são os primeiros a decretar: “A culpa é do PT”! Será?
Nem é preciso ser um cientista político renomado para saber que reformas estruturais não se fazem com uma varinha mágica de condão. Se fazem com a aprovação de projetos via legislativo, dentro dos marcos da democracia liberal burguesa clássica, ou através de uma revolução social como a Revolução Francesa de 1789 ou a Revolução Russa de 1917. No caso do Brasil, temos o horizonte das reformas dentro da democracia liberal, posta e garantida pela Constituição.
Uma pessoa medianamente informada sabe que para se aprovar um simples projeto de lei no Congresso Nacional, são necessários os votos de 257 deputados federais e de 41 senadores. Sabe também que para se aprovar uma Emenda Constitucional são necessários os votos de 308 deputados federais e de 49 senadores. Pois bem, o PT tem apenas 87 deputados (16,9% do total) e 12 senadores (14,8% do total). Logo, vê-se que o argumento de que o PT não faz reformas porque não quer fazê-las, ou porque tem medo, é uma falácia.
Mas é preciso ir mais além. Aqui e acolá surgem idéias de alguns apressados (e equivocados) dizendo que o PT deveria aprofundar e tornar preferencial sua aliança com o PMDB, tornando-a mais sólida no Congresso Nacional, pois os dois maiores partidos garantiriam, com folga, as votações mais importantes. É mesmo? Nem que o PMDB fosse o partido mais coeso e fiel da face da Terra estaria garantido que apenas ele e o PT pudessem implementar sozinhos qualquer tipo de reforma! A soma de PT e PMDB garante 168 deputados e 32 senadores. Ou seja, não aprovariam nem um mísero projeto de lei.
Agora vem o drama da esquerda. A esquerda (PT, PSB, PC do B, PDT e PSOL) não tem sequer 1/3 dos votos no Congresso Nacional. Destes menos de 1/3 dos votos o PT responde por pouco menos da metade. Pior do que isso é o fato de que em temas como a reforma política e a democratização dos meios de comunicação nem mesmo a esquerda é capaz de apresentar propostas conjuntas. O PSB e o PDT são contra a reforma política (já haviam votado contra em 2007) e contra uma Ley de Medios ‘Made in Brazil’. Ou seja, é outra rotunda falácia dizer que o PT não faz reformas porque não quer fazê-las ou porque tem medo das mesmas. Se o PT não tem o apoio sequer de alguns dos partidos de esquerda, como uns e outros pretendem que as reformas estruturantes sejam aprovadas? Só se for com a famosa varinha mágica de condão…
Outro argumento falacioso é o de comparar a situação brasileira com a situação política totalmente distinta existente em outros países da América do Sul, notadamente na Venezuela, na Bolívia ou no Equador. Nada mais fantasioso e falso! Se o PT tivesse a força que tem o PSUV na Venezuela ou a força do MAS na Bolívia, todas as reformas estruturais já estariam feitas há muito tempo. Ocorre que o PT não tem toda essa força. O PT lidera uma coalizão de partidos, o PT não governa sozinho. O PT não tem 308 deputados federais e também não tem 49 senadores. Se tivesse essa maioria consolidada, como os congêneres partidos venezuelano e boliviano tem, e, ainda assim não fizesse as reformas, todas as críticas do mundo seriam corretas e pertinentes. Mas não levar em conta as diferenças dos processos sociais existentes em diferentes países torna as críticas inconsistentes.
Seria até interessante ver em 2014, por exemplo, uma vitória do PSOL para a presidência da república. Plínio de Arruda Sampaio eleito e subindo a rampa com seus hipotéticos 10 deputados federais e hipotéticos 05 ou 06 senadores. Certamente em seis meses o Brasil veria a concretização das aspirações dos movimentos populares! Em seis meses teríamos a aprovação de todas as reformas progressistas de que o país necessita há décadas! Tirando a ironia, vale destacar que isso não valeria só para o PSOL, se vencesse o pleito de 2014 ou outro pleito qualquer, isso valeria e vale também para o PSTU, para o PSB, enfim, vale para qualquer partido político. Ou seja, a vida não é um mar de rosas e nem se passa numa película em preto e branco. A disputa política envolve uma série de mediações que jamais podem ser desconsideradas. Entre o slogan e a vida real existe uma considerável distância que só é vencida com o acúmulo de forças, não com palavras de ordem ou arrivismos.
Os mais inocentes deveriam saber também que em 1964 o antigo PTB, que propugnava pelas corretíssimas reformas de base, tinha uma representatividade parlamentar muito maior que a representatividade parlamentar que o PT tem no Congresso Nacional nos dias de hoje. E aí, será que o antigo PTB, com força congressual muito maior que o PT atual, também não fez reformas porque não quis ou teve medo? Será que caiu por culpa de seus próprios defeitos e limitações?
Esse é o grande enigma da política brasileira atual e a origem do impasse que entrava e paralisa as reformas estruturais. O problema do país não é o PT ou a esquerda, mas a debilidade do PT e da esquerda. O PT precisaria ter o dobro do tamanho que tem! A esquerda precisaria ter o dobro do tamanho que tem! Esse é o fato concreto. E aí quando o PT propõe temas como a reforma política, que beneficiaria todos os partidos programáticos e enterraria os fisiológicos, setores da esquerda votam contra… A ‘culpa’ é de quem mesmo?
Enfim, na atual conjuntura não resta outra saída a não ser continuar lutando pelas transformações sociais, discutindo temas estruturais e fomentando a participação dos movimentos sindicais, estudantis e sociais. É preciso aumentar a massa crítica em favor das reformas e saber que, sem mobilizações sociais de grande monta, fica muito difícil aprovar qualquer tema mais polêmico. O que não dá é para cair no conto do vigário de que os males da humanidade são culpa da ‘paúra’ do PT. Isso é uma bobagem pueril.
Há um enorme espaço para o crescimento da esquerda em Pindorama, desde que os militantes de esquerda critiquem a direita! Enquanto esses militantes se detiverem na inglória tarefa de tentar destruir o Partido dos Trabalhadores, continuarão apenas a cumprir um triste e profundamente equivocado papel.
marcos nunes
7 de março de 2014 2:04 pmNão adianta ser governo e não ter poder
Meu amigo, toda essa conversa se resume numa frase: o PT é governo, mas não tem poder. Ora, de que adianta ser governo e não ter poder? Bom, parece, então, que, como não dá para fazer muita coisa, é melhor fazer pouco, pouquíssimo, sendo governo, o que já é partilhar uma migalhazinha de poder. E assim vamos, não em frante, mas para os lados. Lado de um, de outro… No final, responda só isso, de maneira curta, sem copiar e colar coisa alguma: sem poder, aonde vai o governo do PT?
Diogo Costa
7 de março de 2014 2:16 pmAdianta sim!
Em primeiro lugar, copio e colo meus textos na hora em que achar necessário.
Em segundo lugar, o governo do PT vai para onde já está indo, isto é óbvio. Ou seja, vai no rumo do controle pleno e absoluto da inflação, que está na meta há dez anos consecutivos, vai no rumo da distribuição de renda (o índice de Gini está no seu menor patamar desde a década de 60), vai no rumo da Política Nacional de Valorização do Salário Mínimo, que está com o seu maior poder de compra desde o ano de 1979 e que impacta na vida de 70% dos aposentados e pensionistas deste país.
Vai também no rumo de uma política externa soberana, cuja orientação primeira é garantir a integração política, econômica, social e de infra-estruturas da América do Sul. Cuja orientação é pelo fortalecimento do multilateralismo e de organizações como o Mercosul, Unasul, Celac e BRICS. Vai no rumo de uma política industrial que tem resultados exitosos no campo petrolífero, naval e na questão das compras governamentais. Vai no rumo do reforço da agricultura familiar, vai no rumo de um BNDES com juros negativos na taxa TJLP, e quem aumentou em mais de 10.000% o valor dos financiamentos para as micro, pequenas e médias empresas nos últimos dez anos, etc.
Dá para escrever um livro sobre o rumo, ou os rumos atuais dos governos do PT. E o rumo é, inexoravelmente, correto. Isto não quer dizer que não necessite de ajustes, obviamente. E também é preciso dizer que a oposição ao projeto capitaneado pelo PT é sofrível, entreguista e neoliberal.
marcos nunes
7 de março de 2014 2:26 pmProjeto?
Projeto?
Tá bom, você é excelente comediante. Ou acha que o projeto dos prédios do Minha Casa, Minha Vida são a expressão do projeto de governo do PT?
Como disse, fique com suas razões, que são partidárias, aferradas aos seus compromissos e interesses, seu copiar e colar, e eu fico com meu juízo crítico, de quem olha para o mundo sem óculos cor-de-rosa. Porque sou um cidadão eleitor do PT nos últimos 30 anos. E não gosto do rumo das coisas.
Portanto, antes de colocar rótulos nas pessoas (o que parece confortável e confortante, né?), pense antes. Ou não dá para pensar sem recorrer à cartilha?
Diogo Costa
7 de março de 2014 2:40 pmQue cartilha, pacato cidadão?
Não tenho absolutamente nada a ver com o campo majoritário do PT, que comanda os destinos da agremiação desde 1995.
O Programa Minha Casa Minha Vida, bem como o Mais Médicos e vários outros programas são importantíssimos para um expressivo contingente de cidadãos e cidadãs do Brasil. Isto é inegável. E é inegável também que em que pese a importância destes e de vários outros programas, eles são ainda insuficientes.
O orçamento da educação e da saúde pública aumentou em mais de 200% nos últimos 10 anos. Isto vossa senhoria parece desconhecer. Foram construídas mais de 300 Escolas Técnicas Federais de 2004 para cá (mais do que em todas a anterior história republicana do Brasil). Foram construídas 14 Universidades Federais (recorde absoluto) e mais outras 03 também já estão sendo feitas na Bahia. Temos a política de cotas étnicas, política de cotas por renda, política que garante 50% das vagas em Universidades Públicas para alunos oriundos do ensino médio público. Temos o FUNDEB, que substituiu o antigo FUNDEF e que aumentou os recursos repassados pela União, de ridículos 300 milhões de reais, em 2007, para mais de 06 bilhões de reais agora em 2014, etc.
O teu problema é que tu desconhece o passado, faz de conta que não houveram substanciais avanços em todas as áreas no Brasil nestes 03 governos do PT. E também tu desconheces uma coisa chamada correlação de forças, ou seja, tua análise é típicamente idealista e não tem base nenhuma na realidade concreta e objetiva dos fatos. Arrume aí 50 ou 60% de parlamentares para o PT no Congresso Nacional, possivelmente com a tua varinha mágica de condão, e aí tu vais ver a concretização de demandas históricas das classes laborais que hoje ainda não se concretizaram, não porque o PT não queira concretizá-las, mas porque o PT não tem força suficiente para empreendê-las.
marcos nunes
7 de março de 2014 3:04 pmAvanços, mas não substanciais
Meu amigo, tenho mais memória do que gostaria. Sei o quanto sofri durante a ditadura, e depois nos sucessivos e malfadados governos civis até chegar à Lula. É inegável que algumas coiss melhoraram, mas não foram tantas que justifiquem o encanto que vocês acham que devemos ter com o “governo do PT” (?).
O Minha Casa, Minha Vida é importante, mas seria muito mai se levasse em consideração as verdadeiras necessidades de moradia dos cidadãos, e se os prédios construídos o fossem a partir de projetos sólidos, com qualidade, o que não são e não adianta bater pezinho.
O Mais Médicos é bom, mas carece faz tempo. Se não fossem as manifestações de rua, não haveria este programa, isto é fato.
O teu problema é que só enxergas o futuro sob um prisma que não é politizado, é mais simples e estreitamente partidário.
Boa tarde e bom Carnaval (que só acaba na segunda feira).
Ulisses s
7 de março de 2014 3:37 pmVocê é o que sempre vai enxergar o copo meio vazio
Tipico eleitor PSOL.
Nicolas Crabbé
8 de março de 2014 12:37 amRótulos
O que se faria sem eles… É tão mais fácil do que ter argumentos…
Juliano Santos
7 de março de 2014 4:10 pmSe me permitem, darei um
Se me permitem, darei um pitaco nesse debate (bate-boca). E concordando com ambos. por incrívvel que pareça. O assunto incial e o foco do texto é despolitização das massas.
O PT como sabemos tem na CUT seu principal ponto de contato com os movimentos sociais organizados. Acho que sim, o Marcos tem razão, o fato do PT virar governo, acomodou o pessoal da CUT. Em parte é natural que fosse assim. No entanto os mais à esquerda não devem se acomodar, pressionando o governo a não ir tanto assim para o centro.
Só que o Diogo está certo em relação às esquerdas que estão fora do PT. Não conseguem sair de seu sectarismo irrelevante. E os novos atores que tem surgido querendo participar polticamente indo as ruas desde junho, estão mostrando uma inconsistência política assustadora.
Eles tem ido as ruas sem se dar conta que seu discuros contra os partidos está flertando com o tolalitarismo. Processam um anarquismo vago e aderem a modismo internacionais via web, como os black blocs, e anonymous, como se fossem memes.
Nada disso é culpa do PT, que tem um país continental para governar. O Diogo está certo, é culpa da mídia que sistematicamente crimializa a política, não só os partidos. Como consequência temos jovens que querem fazer politica desqualificando a política! A mídia também espalha desinformação e dissimina ódio. Nessa parte com uma inestimável ajuda do judiciário
lenita
7 de março de 2014 4:41 pmOra, ora !
Não copio e muito menos colo, pq nem sei fazer isso. Jamais participei de alguma reunião e desconheço alguma cartilha. Comecei a votar no PT, desde seu incio pq sempre considerei que os trabalhadores precisavam tb ser ouvidos, que não podia ser só Fazendeiros e o agronegócio, Advogados e suas leis, Saúde e seus planos caríssimos, Religiões e seus fanáticos. Tb não sou comediante, aliás eles regrediram de maneira espantosa, né? Não uso óculos cor de rosa tb, mas não vejo nenhum caos, a não ser aquele feito pela torcida de sempre e ultimamente pela imprensa e investidores estrangeiros (com medo de uma nova potência?), onde uma empresa como a Petrobrás, tem suas ações rebaixadas pq tem dívidas grandes, independente do seu potencial na produção de petróleo. Ou o “combate” à copa num país que adora o futebol, ter sido “expontâneo”. O sr. saberia me dizer qual a razão do PT ser o escolhido para ser exemplo de que os “grandes” tb são punidos pelo nosso Superior Tribunal? Se ele está conseguindo se manter, tendo sua candidata em 1º lugar nas pesquisas, seria só o “Charme” da Dilma ?
Ex-Amarildo.
8 de março de 2014 1:01 amUruca.
Bem, então vamos tentar o suicídio coletivo?
Que baboseira de poder é esta, meu filho?
Quando é que a classe trabalhadora e setores médios terão poder em um arranjo capitalista?
O máximo que terão é partes do poder, mas que sempre estarão limitados pela enorma capacidade de mobilização do capital para controlar os processos eleitorais (financimento), as normas (estamento jurídico) e a difusão ideológica (mídia).
Mas e aí? O que fazemos enquantos vocês iluminados não nos entregam o plano do assalto ao palácio de inverno?
Entregamos a rapadura?
Parece que o tempo passou, o sofrimento te atingiu, mas foi tudo em vão…uma pena.
Crisitano
7 de março de 2014 2:34 pmAo invés de politizar as
Ao invés de politizar as massas não seria melhor educá-las??
Dar educação de qualidade desde a formação básica até a universidade??
Em 12 anos de governo do PT, n˜åo ouvimos falar em educação nas bases, que é a fase mais importante para o desenvilvimento do aluno…..
Se vc ver o quadro de eleitores do PT da para entender o pq de deixar as massas sem educação…..
ruyacquaviva
7 de março de 2014 3:13 pmPode-se fazer muitas críticas
Pode-se fazer muitas críticas ao PT, mas essa definitivamente não é uma delas.
Os governos do PT, tanto com Lula quanto com Dilma deram especial importância à educação com a criação de novas universidades federais (muito mais do que qualquer governo anterior), o PROUNI, o FIES, o PRONATEC e a criação de novas escolas técnicas federais (também um recorde absoluto).
Em relação ao ensino básico é importante primeiro esclarecer que este é de responsabilidade dos estados e municípios, mesmo assim o governo federal nas administrações petistas fez o FUNDEB, universalizou a distribuição de livros gratuitos através do FNDE, passou o piso nacional dos professores e tem diversas ações diretas nas escolas, como é o caso do programa de educação integral que oferece recursos diretamente para escolas estaduais e municipais que tenham interesse em implantar o ensino integral.
Há muito mais coisas a citar, como a lei que reserva 75% dos royalties do Pré-Sal para a educação, mas esses pontos já mostram de forma inequívoca o absurdo representado pela afirmação do comentário que ora respondo
Muita gente tenta desmerecer tudo isso, mas não consegue. Primeiro porque a comparação com os outros governos é avassaladora e depois porque existem dados concretos sobre os resultados formidáveis dos investimentos e ações em favor da educação.
Assis Ribeiro
7 de março de 2014 3:58 pmRuy, excelente
Na veia.
Trazer desinformação, ou informação captada da grande mídia, para este blog é viagem perdida.
Filipe Rodrigues
7 de março de 2014 5:46 pmConcordo, o partido que mais
Concordo, o partido que mais fez pela melhoria da qualidade de vida dos brasileiros.
Mas que na economia está deixando a desejar, esse projeto que chamam de desenvolvimentismo ainda está em construção no país (correndo risco de retrocessos).
O governo não consegue romper com a lógica financista e é incapaz de fazer o dinheiro do BNDES virar investimento produtivo (não é investir no que o país já tem, mas substituir importações como determina a lógica keynesiana).
Juliano Santos
7 de março de 2014 3:43 pmE o sr.Crisitiano representa
E o sr.Crisitiano representa muito bem uma parcela do quadro dos eleitores anti-petista. Os dito coxinhas, aqueles que não sabem que a educação básica é de responsabilidade de estados e municípios, como didática e pacientemente explicou o Ruy abaixo.
A oposição vai de mal a pior por causa disso. Não sabem criticar. É só desinformação, preconceito rasteiro e muita, muita ignorância. E olha que criticam os “ignorantes” que ganham bolsa família para votar no governo.
Filipe Rodrigues
7 de março de 2014 5:40 pmOs muitos que criticam a
Os muitos que criticam a qualidade da educação também defendem uma divisão tributária igual os EUA.
Mesmo que os demais entes federativos recebam mais dinheiro, ainda sim os municípios paupérrimos não conseguiriam melhorar a educação, por isso é importante a União com a maior parte do bolo tributário.
Para avançar mais somente a federalização total da educação, para não depender mais do interesse de cada prefeito com a educação.
Filipe Rodrigues
7 de março de 2014 5:34 pmQuem despolitiza as massas é
Quem despolitiza as massas é a mídia.
O PT tem dificuldades no Congresso porque preferiu dividir votos com a coalizão.
Se o PT investir no seu fortalecimento no legislativo, os problemas da governabilidades não seriam resolvidos (sem uma reforma política), mas com certeza seriam amenizados. A chance de se aprovar mudanças estruturais seria maior.
ArthurTaguti
7 de março de 2014 3:17 pmDesintegração ideológica sob o signo do Deus mercado
Concordo. Na verdade, o establishment sempre precisa de uma dita “esquerda” para promover a despolitização.
Permitiu-se, então, que o PT governasse sem a corda no pescoço, ou seja, sem as agências de “rating” dando sucessivas notas negativas ao país – como fazem com a Argentina -, e sem “revoluções” financiadas por Ong’s estrangeiras, igual se vê na Venezuela, em troca da submissão do partido ao seu ideário.
Mesmo os programas sociais mais festejados, como o Prouni, o Minha Casa Minha Vida e o Bolsa Família, seguem uma lógica de financeirização que pouco ou nada muda a superestrutura econômica nacional proporcionada pela onda de privatização, desregulamentação e liberalização da economia que varreu os anos FHC.
Tanto que Lena Lavinas, em um artigo imperdível para o New Left Review (entrevista dela está no Viomundo), relaciona os programas condicionais de transferência de renda, como o Bolsa Família, a um objetivo mais amplo do Banco Mundial, FMI e potências industriais desenvolvidas para fomentar estes programas como uma alternativa MUITO mais barata que o Welfare State.
Retira-se, no caso, o miserável do estado famélico mas, para sua ascensão continuar, oferece-se uma ampla gama de produtos sujeitos à financeirização: crédito subsidiado para a compra do carro próprio (que substitui o transporte público na ausência de políticas efetivas de mobilidade), financiamento de longo prazo para a casa própria, planos de saúde com preço menor e cobertura mais limitada, e por aí vai. Celebra-se o fato do governo intervir na economia, permitindo que os pobres tenham acesso a bens e serviços em condições mais “favoráveis”, ignorando o fato de que o Estado é que deveria oferecê-los gratuitamente. O mercado agradece.
Este cenário é particularmente desolador quando vemos que, historicamente, a esquerda se relaciona com uma espécie de utopia, de mudanças substanciais e estruturais na sociedade, algo parecido com o que vimos com Allende, no Chile, e Jango com suas reformas de base, no Brasil. O establishment construiu então, ao longo dos anos, uma camisa de força para enquadrar a “esquerda” e, com esta no poder, tornou-a sócia involuntária na promoção da derrocada das ideologias.
Não é por outra razão que, ao contrário do que se poderia supor (aumento da politização – contra e a favor – em um governo de “esquerda”), a quantidade de pessoas que planejam votar branco ou nulo aumentou, e a turba dos “apartidários”, ou “a-idelógicos”, tomou as ruas com tanta força em junho do ano passado.
O stablishment, no caso, encontrou o sócio perfeito para desmoralizar as ideologias em nosso país: um grupo partidário que só se importa em manter-se no poder a todo custo, mesmo que para tanto precise realizar programas que normalmente se espera da direita (como a privatização do aparato público (portos, aeroportos, rodovias,), de parte do pré-sal, e defesa de programa conservador na segurança pública (como a lei anti-terrorismo).
Nessa salada toda, fica difícil do eleitor captar bem quem é “direita” e quem é “esquerda”. Pode até bradar, gritar aos quatro ventos que existem sim diferenças, que meu lado é diferente, mas a verdade é que o stablishment midiático conseguiu atingir em cheio a opinião pública quanto a esta questão.
No reino do “todos são iguais”, a militância social e a politização são substituídas pelo predomínio das ideias de mercado em todas as esferas, criando um cenário onde um poder da República pode ser chantageado por apresentadoras de TV com colares de tomate, como bem observamos hoje.
Me parece claro que Dilma será re-eleita em 2014, mas o PT deveria, em minha opinião, ser menos imediatista e pensar a médio e longo prazo, já que mais um quadriênio como este que está terminando pode ascender na população a necessidade de um novo Piñera, ou Collor.
Assis Ribeiro
7 de março de 2014 3:45 pmTaguti, excelente
Mas, me reponda:
1) No modelo brasileiro presidencialista de coalização há como se governar sem a base congressual que está aí? Como é ela? O governo é dependente dela?
2) Com base na sua própria citação do “tomate” e com a mídia hegemônica há como fazer diferente?
3) Com as respostas acima, há como se fazer uma mudança sem ser via “comendo pelas beiradas” como falou Lula?
4) Fora Getúlio, nos quesitos que você aborda algum governo avançou mais que o PT?
Afirmação: Dilma vence em 2014, mas se não avançar em reformas correrá riscos de fazer o sucessor. em 2018.
Assis Ribeiro
7 de março de 2014 3:55 pmEm tempo
Taguti, o seu belo artigo “O pensamento econômico e o trabalho de manejo da opinião pública” ilustra bem as dificuldades do PT e o direcionamento maquiavélico das matérias e reportagens da grande mídia.
ArthurTaguti
7 de março de 2014 4:29 pmAssis, obrigado. Vou tentar
Assis, obrigado. Vou tentar responder suas perguntas com a minha opinião, que nem de longe significa o caminho único ou melhor a ser seguido, rs:
1) É bem difícil, realmente. Mas alguns reparos poderiam ser feitos. Por exemplo, em seu primeiro mandato, Lula governou com uma base menor do que a que existe hoje, com apoio do PMDB basicamente resumido ao seu grupo do Senado. E em seu segundo mandato, teve como uma das estratégias para restaurar a estabilidade institucional uma reaproximação (mesmo que tímida) com os movimentos sociais. Exemplo foi que, de 2007 a 2011, Lula aumentou o número de desapropriações para a reforma agrária.
Por outro lado, do ponto de vista programático, não se viu maior facilidade do Planalto em aprovar projetos de interesse sob Dilma, mesmo com uma base muito maior. O que se viu é que, na prática, um deputado do PSC, ou do PP, ou do PMDB, que na teoria integram uma coalizão de centro-esquerda, não deixaram de votar alinhados a sua ideologia conservadora, pelo fato de fazerem parte da base. Na verdade, me parece que esta coalizão monstrenga é motivada muito mais pelo temor, de se ver repetidas CPI’s como as de 2005, do que uma estratégia eficaz para aprovar projetos de interesse do Planalto.
O ideal seria o governo seguir uma linha repetidamente defendida pelo comentarista Filipe Rodrigues, de forjar alianças eleitorais com vistas a aumentar a representação do PT no Congresso Nacional. Isso demandaria o partido assumir riscos (como um tempo de TV menor, formação de novos palanques na oposição), mas se o partido quer avançar programaticamente, o caminho a ser seguido definitivamente não é o que foi trilhado em 2010.
Na verdade, houve uma perda de oportunidade muito grande em julho do ano passado, quando a Presidenta deveria ter insistido mais, assumido maior protagonismo, para que o plebiscito da reforma política fosse viabilizado e a população pudesse discutir nosso sistema. Qualquer pesquisa demonstrava que a grande maioria da população era favorável a consulta popular.
2) Possibilidade existe, mas sempre existe o caminho fácil e o difícil. O panorama geopolítico que vemos na Venezuela e na Ucrânia demonstram que governos que são muito heterodoxos no trato com o stablishment podem sofrer processos “revolucionários” financiados por Ong’s sediadas em potências estrangeiras.
Os estrategistas do PT sabem que, caso o partido opte por uma estratégia maior de confronto, podem perder o apoio do capital nacional e internacional que possuem. A militância reclama do trato que o sistema dá ao PT, mas não chega nem perto do terrorismo financeiro e midiático que armam contra a Argentina e a Venezuela. Só tomarem alguma medida que desagrade o fluxo livre de capitais, e o país começa a entrar em “crise macroeconômica”, produtos começam a faltar nas plateleiras, a inflação dispara, agências de rating rebaixam a nota do país..
Esta batalha, no caso, não é totalmente inglória. São pontuadas de maiores riscos, claro, mas os países que decidiram contemporizar menos, como os já citados exemplos venezuelano e argentino, tiveram mais sucesso, do ponto de vista estrutural, que o Brasil.
Enviar para o Congresso um projeto de lei da mídia, colocar a militância para discutí-la, cortar o fluxo de dinheiro via Secom para a grande mídia, dar mais suporte técnico, operacional e financeiro para a EBC, são todas medidas que podiam ser feitas pelo governo, mas não sem esperar um confrontamento grande que já vemos em outros países.
3) Existir existe, a resposta ao item “2” meio que responde este item, mas, como disse, o trabalho é árduo. Se a Argentina aprovou a lei da mídia, a Venezuela colocou a renda do petróleo a serviço da população mais pobre e no Equador foi possível até realizar a auditoria cidadã da dívida pública, porque no Brasil seria impossível?
Tudo está na questão de sopesar o custo/benefício, para que não acabemos como um Paraguai ou Honduras.
4) De fato, não. Com pequenos hiatos (Getúlio, Jango) nossa história é pontuada de governos conservadores. Realmente a diferença entre o PT e o governo conservador típico (PSDB) é optar ou pelos avanços sociais tímidos, feitos sem romper com a ortodoxia mercadista, ou pelo neoliberalismo em sua forma hard. O problema é que, depois de 8 anos de bons resultados sob Lula, percebe-se que a margem de manobra para governos de linhagem progressista agir é muito pequena, e por isso, em minha opinião, existe uma dificuldade muito grande da Dilma em promover uma nova geração de programas sociais e reformas que aprofundem o processo anterior.
Acho que este é o grande dilema a que Dilma enfrentará de 2015 a 2018, caso realmente seja eleita. Caminhar dentro da ortodoxia fornece estabilidade institucional, apoio do grande capital, mas ela tem um público e uma bandeira a prestar contas, e talvez a margem para avanços sociais dentro do “mercadismo” já tenha chegado ao limite.
Assis Ribeiro
7 de março de 2014 5:39 pmMuito bom
Mais uma vez, obrigado.
Gilberto .
8 de março de 2014 12:34 amBelo artigo mesmo, #secadastraathur
Arthur,
Não fosse pelo Assis, não teria lido o seu artigo “O pensamento econômico e o trabalho de manejo da opinião pública“.
Só acessei rápidamente o site ontem pela dificuldade de acesso.
Porque você não se cadastra no site? Permitiria que localizassemos mais facilmente os seus comentários e postagens antigas.
Assis Ribeiro
7 de março de 2014 2:02 pmComentei o golpe da imprensa em:
sab, 31/08/2013 – 09:01
Assis Ribeiro
Quando Dilma perdeu o favoritismo para 2014?
Também discordo que o pessimismo se deva “em parte” ao “desencanto com o governo Dilma Rousseff”, aliás este primeiro parágrafo está confuso, então vou expressar mais diretamente o que penso:
O pessimismo e o desencanto foram armas criadas pela direita representada pelo PSDB em conluio com a grande imprensa.
Essa condição criada artificialmente só convenceu uma pequeníssima parcela da sociedade; eles mesmos que passam a acreditar em suas mentiras e na parcela de seus leitores acríticos.
Afirmo também que não houve recuperação na avaliação de Dilma, e sim o restabelecimento de uma realidade que foi manipulada maquiavelicamente pela grande imprensa e seus representados, o PSDB e os outros segmentos da direita. Sobre isso comentei no Post http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-queda-na-avaliacao-de-prefeitos-e-governadores
Também alertei em: seg, 01/07/2013 – 14:11, no post: https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-queda-na-avaliacao-de-prefeitos-e-governadores
“A preocupação com a situação atual, apenas no quesito da queda de popularidade de Dilma, é intempestiva e irreal.
Acaba de sair pesquisa sobre outros chefes do executivo e, não surpreendente, todos despencaram.
Pesquisa feita no calor das manifestações contra políticos e dentro da própria catarse, queriam que ela desse que resultado?”
Em relação ao pessimismo/otimismo, tratasse da manutenção do maniqueísmo que emburrece a sociedade, separando o todo em apenas duas únicas e exclusivas possibilidade; no caso em tela estão de um lado os que se apegam ao caos destruidor, e do outro lado os que defendem o otimismo sem fim. Mataram o espaço para os realistas.
marcos nunes
7 de março de 2014 2:34 pm“O pessimismo e o desencanto
“O pessimismo e o desencanto foram armas criadas pela direita representada pelo PSDB em conluio com a grande imprensa.”
Vocês bem que podetriam parar um pouco com isso de creditar toda e qualquer crítica ao governo federalà mídia e ao PSDB. Ou acham que o Nassif faz parte do PIG e é filiado ao PSDB? O governo comete erros, e muitos. De bom alvitre seria assumi-los, dizer: sim, vamos mudar isso, vamos melhorar, contamos com vocês para que não necessitemos comprar votas no Congresso, etc. Seria bom, não é?
Mas não: o melhor é se fechar em copas, ninguém entra, ninguém sai e, se algum deus quiser, a gente continua em Brasília.
E quem diz um ai ao avesso, basta rotulá-lo de manipulado, piguento, direitopata e afins.
O desencanto se vê na rua, e não é obra só da mídia: o governo federal tem a mão dele nisso, como aqui no Rio de Janeiro, com suas ligações intestinas (diria fisiológicas?) com os governos estadual (saiui há pouco, não vale dizer que não foi companheiro de viagem por 7 anos contra 1) e municipal.
Esse golpe de avestruz, que passou a ser o preferido agora pelos acríticos ao governo, está cansando, já foi.
Assis Ribeiro
7 de março de 2014 3:03 pmE por falar nisso, leia:
Retrospectiva 2013 do terrorismo midiático
https://jornalggn.com.br/noticia/retrospectiva-2013-do-terrorismo-midiatico
marcos nunes
7 de março de 2014 3:10 pmNão falei que não há pressão
Não falei que não há pressão midiática; só que ela não explica tudo.
Sei que é mais fácil ir por esse caminho: o governo é maravilhoso, mas a mídia mente ao povo que não vê isso e cai na esparrela.
Isso, inclusive, dá uma boa meida da confiança que a “esquerda” tem pelo povo: são umas criançonas, que podem ser levadas a crer em qualquer coisa, basta colocá-las na trilha do abate das reses, e lá elas vão, mugindo e felizes.
Portanto, não tape o sol com a besteira.
E realmente não dá: quando se está preso a compromissos, a visão se estreita mais do que quando se vê todos os dias o Jornal Nacional que, por acaso, não vejo há mais de 10 anos. Mas, ao que parece, vocês veem, e todos os dias.
lenita
7 de março de 2014 4:13 pmMas que ilusão !
Gosto de ler seus comentários e os aprovo em muitos aspectos. Porém o sr acredita que o PT poderia ser tudo isto que o sr esperava? De verdade ? Acho que o iludido foi o sr., que apesar de ser uma pessoa inteligente, parece muitas vezes desconhecer o Brasil de 500 anos e a politicalha que ainda impera em nosso outrora gentil país. Que , após o término da ditadura, os de sempre deixariam barato? a política se tornou, não um meio visando a melhoria do país, mas sim de interesses particulares e de empresas, tal como acontece no país sempre citado por todos (EUA), onde o presidente pouco governa, manietado por interesses escusos de todo o tipo. Quem tentou fazer algo um pouco mais radical, o Chaves, a Cristina, o sr. está vendo no que está dando. Ninguém conseguiu ainda encontrar a tal da “varinha de condão” e se tornar o Salvador da Pátria. O Lula e a Dilma conseguiram apenas (que considero muito) dar um tateadinha no problema e só não foram p/ o beleléu, pelo carisma e popularidade do ex presidente
James
7 de março de 2014 2:08 pmEnquanto não existirem ideias
Enquanto não existirem ideias nem propostas da oposição, mas apenas a conversa tosca de um Aécio, de uma Marina, de um Serra ou de um troglodita, o PT não sai do governo federal.
Jofran Oliva
7 de março de 2014 2:10 pm. . . e a eleição acabará se decidindo em dois turnos. . .
O artigo é excelente, mas acredito que a maioria dos que vem declarando votos em branco ou nulo, acabarão se posicionando a favor do PT ou contra o PT, e a eleição acabará se decidindo em dois turnos, como nos três últimos pleitos. Acredito que quem votou realmente no PT não vem participando dessas manifestações, de modo que esses movimentos não terão muito efeito sobre as intenções de voto tanto no PT como contra. Acho mais provável que Dilma ganhe no segundo turno, com porcentagem de votos muito parecida com a da última eleição.
Jaime Balbino
7 de março de 2014 2:40 pmDiscordo. A conta tem que ser
Discordo. A conta tem que ser feita em cima de quem vota. Lula e Dilma enfrentaram candidaturas fortes e FHC fechou a direita em torno dele. O primeiro turno com FHC já tinha cheiro de segundo. Se só tiver 3 candidatos fortes e dois se canabalizando no segundo lugar a Dilma leva.
peregrino
7 de março de 2014 4:11 pmmuitos apontam para um segundo…
mas considero que é justamente por existir esta possibilidade que Dilma vai ganhar de primeira.
Eleitor de Dilma não vê somente os erros apontados pela mídia, vê também muita vontade e empenho do governo para corrigi-los
Mas tem outro detalhe muito importante e que poucos levam em consideração quando incluem as manifestações em suas análises:
grupo de insatisfeitos violentos nunca foi e nunca será massa de verdades, porque partem justamente dos desejos de uma mídia já considerada pela grande maioria, povão, como mentirosa e manipuladora e que nos levou a todo este período de violência sem sentido
Agarwaen
7 de março de 2014 5:43 pmMais importante que ganhar no
Mais importante que ganhar no 1º turno seria fazer uma bancada maior na câmara e no senado.
Mr Gerrad
7 de março de 2014 7:19 pmNós fornecemos assistência
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Ex-Amarildo.
7 de março de 2014 8:06 pmDe volta para o passado.
O texto, embora carreado por uma suposta leitura dos números, é uma espécie de quiromancia que se pretende sofisticada.
Há pouca definição sobre a qualidade do afastamento das urnas (os 8 em cada de FHC e 9 em cada 10 de Lula e Dilma), bem como a qualidade das bases de apoio de Dilma e Lula (e de FHC).
Ora, não dá para comparar a qualidade do apoio de quem ficou oito anos ouvindo que FHC era o céu na terra, e depois, ao contrário, 10 anos de PT é o inferno entre nós.
Há uma diferença substancial na solidez destes apoios, ou não há?
Se Lula ou Dilma contassem com o partido da mídia, como contou FHC, talvez tivesses 140% dos votos.
Nos dias de hoje, é certo que o poder da mídia de construir candidaturas é quase mínimo, mas o fato que o condão destrutivo ainda faz estragos.
Primeira correção: Em 1994 não havia eleição em dois turnos.
Então, correto dizer que a mídia: 1- Só influencia positivamente se o governo for de direita; 2- Dedica sua força destrutiva a esquerda e governos progressistas; 3- Não ajuda (ou ajuda pouco) candidatos de direita quando estão na oposição.
Feita esta introdução, vamos ao cerne:
Não dá para simplesmente comparar semelhanças numéricas desprezando a enorme diferença dos contextos.
A grosso modo, a eleição de FHC, não podemos negar, foi a construção de um amplo consenso (ainda que de direita), que acabou por afastar o eleitores das urnas pela sensação de que tudo estava resolvido, isto é, um alheamento político de aprovação, não de frustração, e mesmo em 1998, quando as coisas já afundavam, novamente a mídia agiu para conter a insatisfação de um lado, e para acenar com um possível desastre caso houvesse mudança no comando, haja vista a urgência da crise.
O povão entendeu em 1998: ruim com ele (FHC), pior sem ele.
Neste sentido contribuiu fundamentalmente a incapacidade do PT de comunicar que não era contra a moeda (ou a estabilização, ou seja lá a baboseira que chamavam este ajuste liberal-monetarista pró-banca), mas sim contra a gestão do modelo econômico que trocava moeda estável por desemprego, fome e exclusão social.
Em suma, em 1994 (um turno) e em 1998 o conflito de classes ficou congelado, suspenso pela miragem da moeda, e depois pela tentativa de salvá-la. Estes sentimentos não podem ser desprezados, quando se tem uma memória inflacionária até então recente e dolorosa.
Some-se aqui a sensação de novidade para o eleitor em reeleger um presidente pela primeira vez.
Sem uma estrutura de comunicação mais versátil e que fizesse o contraponto a mídia tradicional, os petistas, mesmo à bordo de governos muito melhores, não conseguiram ampliar o consenso para faturar no primeiro turno.
É verdade que a façanha de se reeleger em 2006, e depois eleger o poste Dilma em 2010, após a guerra deflagrada a guerra da ação 470 em 2006, é algo que talvez valha mais politicamente que ganhar no primeiro turno.
Mas depois do trauma e da traição de 1998, quando reelegeu um presidente pela primeira (e até hoje, única), e tomou um calote (desvalorização e volta da inflação), e piora do quadro geral, o eleitor começou a fatiar a eleição em dois turnos, ainda que sempre conferindo a um candidato um amplo favoritismo que se confirmou, como se dissesse: “fale um pouco mais para eu ter certeza”.
Voltando ao tema dos nulos de hoje, assim como em 98 e 94, este alheamento não é resultado (apenas) dos desencanto com a política institucional, porque, de fato, este encanto nunca houve na maioria do eleitorado.
Digo e repito, a aproximação orgânica com a política é tarefa de uns poucos, e certamente, muito menos dentre estes esteve nas ruas em junho. O pessoal das ruas de junho raramente vai as urnas, e quado vai, raramente vota na esquerda.
O raciocíonio mais provável, ao contrário do que aventa a autora do texto, é que épocas de maior afastamento signifiquem menor conflito, menor dúvida, e não um mero alheamento.
2006 tivemos o acirramento da ação 470, que inflou os ânimos e expectativas da oposição e da mídia.
2010 tivemos o poste Dilma a convidar para o enfrentamento.
O texto, como alguns comentaristas do blog, insistem em dizer que há um “desencanto” com a política institucional. Discordo.
Reconheço os becos sem saída que o assédio do capital trouxeram a questão da represenatividade, mas este processo é permanente, porque a intenção do capital e de quem o retém sempre foi controlar a vontade popular.
Mas, pela primeira vez, neste país, tem-se um governo eleito que está, como outro nunca esteve, comprometido com os seus interesses, apesar de admitirmos todos os erros e hesitações, e mesmo as concessões excessivas a necessária governabilidade.
Neste tempo (atual) da História, as medidas governamentais não são meras contrafações para camuflar interesses escusos, embora estes ainda estejam entranhados, como em qualquer país do planeta, nas estruturas e negócios do Estado.
O desencantamento, quando houver, se dará sob a forma da retirada do apoio ao projeto petista.
Os muxoxos de pequena parcela de instatisfeitos permanentes, geralmente brancos e de classe média, não repercutem além do que sempre repercutiram, no entanto, não servem para medir os humores democráticos e de apoio político.
Se há afastamento por desencanto, não é do eleitorado de Dilma (acho que neste ponto, concordo com o texto).
É frustração com a inabilidade política da oposição em consrtuir um projeto aglutiinador destas discordâncias com o projeto do PT e aliados.
Não é fácil reivindicar a plataforma do passado.
Anarquista Lúcida
8 de março de 2014 3:19 amApenas p/ lembrar q é impossív aumentar chances do primeiro turn
Que sao de 100% … (rs, rs). Pode-se falar em chances do segundo turno, nao do primeiro, que é certo (salvo golpe, claro).
Anarquista Lúcida
8 de março de 2014 5:12 amnao dá p/ saber nada agora; o q há neste post sao TORCIDAS
Especialmente do Taguti, que entrou aqui na época das manifestaçoes para surfar na onda e tentar sempre colocar textos de descrédito no governo, e do Marcos Nunes. Tudo o que querem é desgastar o governo.