Quando Roberto Jefferson veio com a conversa do “mensalão”, Delúbio Soares teve a dignidade e a coragem de assumir que o PT fez uso da prática do caixa-dois. Delúbio não foi hipócrita nem covarde nunca, em nenhum momento. Durante todos esses anos sustentou o que disse desde o princípio.
O uso do dinheiro não contabilizado (caixa-dois) decorre do nosso sistema político, pelo qual empresas doam dinheiro para candidatos em campanha eleitoral. Empresas doam dinheiro para candidatos, não por ideologia, pois doam para vários candidatos. Empresas doam porque têm interesse, não paixão política. Interesse de empresa é lucro, jamais o bem comum.
O PT, para quem não sabe, sempre defendeu o financiamento público exclusivo de campanha.
Ora, quando um partido tem um candidato a presidente, precisa fazer aliança com outros partidos, tanto para ajudar a eleger o candidato como para formar a base aliada a fim de garantir a tal governabilidade. Ou seja, para que o/a presidente eleito/a consiga aprovação de suas propostas no parlamento. No sistema presidencialista é assim; o chamado “governo de coalizão, diferentemente dos sistemas parlamentaristas. Nestes, após a eleição do presidente o povo vota em deputados de partidos afinados com o partido do presidente eleito.
Por que em nosso sistema político um partido precisa ajudar os partidos aliados numa campanha eleitoral? Ora, não sejamos hipócritas. Precisa “comprar” o apoio dos aliados. Nenhum partido vai fazer campanha para eleger o candidato de outro partido de graça, pelo simples fato de que, além de ter interesse em eleger o máximo de seus candidatos para ter mais poder político, precisa eleger parlamentares para formar a base aliada. Sabemos que sem dinheiro ninguém consegue se eleger.
O voto ideológico no Brasil é muito restrito. Uma campanha demanda dinheiro para pagar pesquisas, material de campanha, alimentação, combustível, propaganda, cabos eleitorais para fazerem o trabalho de convencimento nas bases, enfim, só no gogó em palanques, em caminhadas e no horário eleitoral na rádio e na TV ninguém ganha eleição. O partido de Roberto Jefferson foi um dos que se aliaram ao PT para eleger Lula e parte do dinheiro que recebeu, o “delator do mensalão” colocou no próprio bolso.
Quando se pretende desmascarar a farsa do mensalão é porque o dinheiro repassado para parlamentares de outros partidos era dívida que o PT tinha ainda com esses partidos, não desvio de dinheiro público para “comprar apoio no parlamento” através de pagamento a cada votação de interesse do governo Lula. Se houve um crime, como assumiu de forma corajosa Delúbio Soares durante os trabalhos da CPI, foi o crime de caixa-dois, um crime eleitoral, não da esfera do Direito Penal. Um crime que praticado por todos os partidos, que sempre existiu e vai continuar existindo caso não seja realizada uma reforma política e eleitoral neste país.
Mas a montagem de um pacote chamado “mensalão” com um chefe de uma grande quadrilha, com vários núcleos (político, publicitário e operacional) foi muito bem arquitetada e no fundo tinha um único objetivo que era, inicialmente, chegar ao impeachment de Lula. Como perceberam que isso poderia ter consequências desastrosas, então o negócio foi preservar Lula e começar por destruir o homem forte do governo: Zé Dirceu, o “chefe da quadrilha”. Tinham a certeza de que Lula não seria reeleito, o que não aconteceu. Depois achavam que o “escândalo do mensalão” impediria que Lula não elegeria sua sucessora. O que não aconteceu. Depois acharam que um julgamento em plena campanha eleitoral impediria que o PT elegesse Fernando Haddad. O que não aconteceu.
Findo o “maior julgamento da história”, encontram-se presos hoje José Dirceu, Genoino (em prisão domiciliar provisória), Delúbio Soares e João Paulo Cunha. Cada um deles com uma história de luta no partido e pela democracia. Um julgamento que se mostrou político do início ao fim e que continua político e de exceção na fase de execuções penais, desde a prisão de José Genoino e José Dirceu num feriado da Proclamação da República até agora, com as flagrantes arbitrariedades que têm sido cometidas contra Delúbio Soares e José Dirceu, num claro indício de uma sanha persecutória do presidente do STF, que cometeu um gravíssimo desrespeito aos seus pares e à própria instituição quando, após proclamar o resultado do julgamento dos embargos infringentes, que absolveu os réus acusados do crime de formação de quadrilha, afirmou que os votos da maioria dos ministros basearam-se em “argumentos pífios” de uma maioria composta “sob medida”. Acusou Barroso, reconhecidamente um dos maiores constitucionalistas do país, como Teori Zavascki, proveniente do STJ, não apenas de serem ministros vendidos, mas de comporem com os ministros que já tinham absolvido, uma maioria de conveniência.
Triste tarde para o STF, para a democracia, para o Estado democrático de Direito e para nação quando aquele que preside um dos três poderes da República se arvora a praticar tamanha afronta. Nem no tempo da ditadura coisa semelhante aconteceu. Isso prova o que tanta gente afirmava: que Joaquim Barbosa atuou como um membro do MP, não como magistrado. Seu objetivo nunca foi julgar os réus da AP 470, mas condenar e prender os réus do “mensalão” e, pelo jeito, com pretensões eleitorais.
Enfim, não sejamos hipócritas. Sem o caixa-dois e sem o financiamento de partidos aliados Lula não teria sido eleito. Nem o país teria hoje 40 milhões de pessoas que saíram da linha da pobreza extrema, só para citar um exemplo dos avanços dos governos Lula e Dilma. Antes que alguém diga que os fins não justificam os meios, digo logo que o recurso a esta frase muitas vezes denota a pura hipocrisia dos que sempre valorizaram muito mais os meios do que os verdadeiros fins da política.
No fundo, a oposição não tem ódio da “falta de moral” do PT. É ódio ao PT. O apelo ao discurso da moral e da criminalização do PT é meramente um expediente, uma reação dos que não se conformam em ter deixado de conduzir o país a partir da casa grande. O ódio é porque o PT chegou ao poder. É preconceito ideológico e ódio de classe. Para essa gente o PT bom era o PT que vivia de vender camisetas e estrelinhas em tempo de campanha. O PT que não tinha cacife para chegar ao Planalto, esta é a verdade. O discurso moralista que grassa na imprensa contra a absolvição pelo crime de quadrilha é a reação dos que queriam formar uma opinião generalizada sobre o PT como uma grande quadrilha, a fim de influir na reeleição de Dilma. O sonho dos que queriam se ver “livres dessa raça” por uns 30 anos começa a se tornar pesadelo com a perspectiva das revisões criminais e dos recursos às cortes internacionais.
O julgamento da AP 470 com a condenação dos réus petistas fez com que muita gente achasse que a militância fosse ficar constrangida, acuada e envergonhada do próprio partido. Pelo contrário. Fortaleceu e uniu uma militância extremamente politizada que não aceita e nem aceitará os erros de tal julgamento nem a injustiça dele decorrente. Uma injustiça que ameaça a democracia, pois a injustiça que se pratica a um e a alguns é uma ameaça que se faz a todos e a cada um no Estado democrático de Direito.
Petistas têm admiração, respeito e orgulho pelos companheiros que estão presos. Têm orgulho de ser petistas, de defender a política e a democracia. Ao contrário dos que os acusam. A estes sim falta dignidade, a coragem e a competência necessárias para a disputa verdadeiramente política, posto que só sabem fazer a disputa política pela via do denuncismo, da acusação, do golpe baixo e do moralismo fácil e barato. Talvez seja por isso que se dizem “apartidários”.
Stanilaw Calandreli
1 de março de 2014 10:09 pmMuito bom
Valeu, Sra Tonelli.
Marcos Antônio
1 de março de 2014 10:18 pmTudo ia muito bem para o PIG
Tudo ia muito bem para o PIG e oposição até o barbosão e SUA BOCA GRANDE jogasse o no chão a FARSA DO JULGAMENTO QUE MERECERIA UMA REVISÃO!
MRE
1 de março de 2014 10:27 pmLavou a alma !
Parabéns ! Texto para ser salvo e lido muitas vezes.
Deveriam ler este texto: Ayres Brito; Danilo Gentilli ( que odeia a Dilma por ser PT e valorizar os petistas presos); Boechato; Merval Pereira, Gilmar Dantas, Barbosão, o ministro Falante de Mello, Augusto Nunes, FHC, Aécio do Pó, Cerra……e tantos outros apartidários e didáticos intelectuais.
Cristiana Castro
1 de março de 2014 10:31 pmNossa Senhora!!!! Maria Luiza
Nossa Senhora!!!! Maria Luiza Tonelli detonando e resumindo a ópera para quem chegou atrasado ou não entendeu nada… Devagarinho, a militância do PT vai politizando todo mundo. Impressinante o trabalho deles na rede ao longo desse julgamento. Não houve um dia que não estivessem atentos e dispostos a eslarecer qq um que estivesse mesmo interessado em saber o que se passava. Não recebi de nenhum deles repostas agressivas, xingamentos ou insinuações. Está de parabéns o Partido dos Trabalhadores pela sua militância. Que outros partidos sigam seu exemplo.
Neideg
2 de março de 2014 12:04 amObrigada!
Obrigada!
Cristiana Castro
2 de março de 2014 3:33 amNão me agradeça; sigam
Não me agradeça; sigam fazendo o que estão fazendo; simples assim. Qtas vezes eu escutei deles ( militantes ) eu não sei isso mas fulano saberá te explicar… ou tem uma reunião no dia tal em que o pessoal vai discutr isso… tem um grupo em não sei onde, tentando esclarecer isso; assim que tivermos uma posição entraremos em contato ( e entravam mesmo ) e o mais bizzaro; o que “vc” acha disso? Ora, eu não sou filiada e ainda assim, perguntava o que “eu” achava… “eu” acabamos sendo um sem número de simpatizantes do Governo ou dos réus, não importa, com suporte político dado pelos militantes… E aqui, vai uma alerta aos partidos ditos de extrema esquerda; o que ouvimos de seus militantes em reposta a uma pergunta, tomada por eles como ” pegadinha”, eu não tenho coragem de reproduzir nesse blog. Xingamentos baixos, tentando camuflar a falta de fundamentação ou evasivas… Nesse sentido, tb parbenizo a militância do PCdoB, sempre dispostos a esclarecer acerca de qq tema e com uma paciência absurda. Militantes fazem toda a diferença para o eleitor, com certeza, absoluta. A autora do post, sugere até bibliografia… o que mais a gente pode querer? É com muita honra que grande parte da sociedade luta ao lado de vcs.
Paulo Vasco
1 de março de 2014 10:44 pmAssino embaixo
Muito bom o texto. Salvei e vou repassar aos meus parentes e amigos coxinhas.
Flávio Furtado de Farias
1 de março de 2014 10:49 pm… e foi por isso que condenaram o PT…
…. e se foi por isto, então me condenaram também, porque apoio. E por isto mesmo me aliei ao pagamento da multa de Genoino, Delubio e Dirceu…
… fomos todos condenados juntos, pois o que foi condenado foi a nossa conquista histórica que está transformando o Brasil…
Nilva de Souza
1 de março de 2014 10:56 pmMais um texto realista e
Mais um texto realista e emocionante da querida amiga e companheira Maria Luiza Quaresma Tonelli.
maria olimpia
1 de março de 2014 10:57 pmO ódio ao PT
Texto que nos desengasga! Honesto, belo e didático para muitos! Parabéns, Maria Luiza!Lavou a alma de muita gente, a minha, inclusive!
Gilson AS
1 de março de 2014 11:16 pmQuantos partidos politicos no
Quantos partidos politicos no mundo, teriam condições de num curto espaço de tempo conseguir arrecadar de sua militância, algo em torno de 1,4 milhoes de dólares ?
Creio que este fato é um fenômeno mundial.
E mais, acho que este valor alto arrecadado, deve ter mexido com os ministro do STF.
Em 2014 a onda vermelha vai passar o rôdo, não ficará pedra sobre pedra da oposição e do PIG.
Diogo Costa
1 de março de 2014 11:22 pmNo túnel do tempo (horas antes do início da farsa) – Tentaram…
Re: O início do julgamento do mensalão
qui, 02/08/2012 – 08:51 — Diogo Costa
O jogo político está dado. A oposição fracassada e a mídia venal pretendem interditar todo e qualquer debate sobre o processo do “mensalão”. A única alternativa que eles aceitam é a condenação cabal e absoluta dos réus, em especial de José Dirceu e, por consequência óbvia, de Lula e de seu governo. É a bala de prata dos fracassados.
E a tática por eles adotada é cristalina e evidente, acusar qualquer um integrante do PT de pressão contra o STF, quando são eles que pressionam diariamente os ministros através de seus veículos oligopólicos de desinformação. Acusar qualquer um que diga que o julgamento em época de eleição será fatalmente contaminado pelo ambiente político (o que é o óbvio ululante), para que eles próprios possam montar um verdadeiro quartel general na porta do STF e explorar políticamente este julgamento. Em resumo, acusam os outros de fazer aquilo que eles próprios estão fazendo há muito tempo, ou seja, pressionando diariamente o STF para que não haja um julgamento, mas sim um linchamento político televisionado ao vivo durante 24 horas por dia, em pleno período eleitoral.
Querem com esse julgamento, “colocar uma estrela de Davi” no peito de Lula e do PT, tal qual os nazistas fizeram com os judeus na II Guerra Mundial. Querem marcar eternamente esse processo, que é uma farsa, melhor dizendo, a maior farsa da história política do Brasil, como sendo um “escândalo” de proporções intergalácticas e assim tentar inutilmente destruir Lula e o PT e se apossar do monopólio da “ética, da moral e dos bons costumes”… É isto que está em jogo neste momento no Brasil. Esta é a disputa de fundo em torno do processo do “mensalão”.
https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/o-inicio-do-julgamento-do-mensalao?page=1
Jofran Oliva
2 de março de 2014 12:59 amUma estrela de Davi…
“Querem com esse julgamento, “colocar uma estrela de Davi” no peito de Lula e do PT, tal qual os nazistas fizeram com os judeus na II Guerra Mundial.”
Essa comparação foi genial Diogo Costa, infelizmente é dessa maneira que muitos anti´PT pensam. Mas como aconteceu com os nazistas na II Guerra Mundial, eles sairão derrotados. No final a verdade aparece e o BEM sempre vence.
Roberto A. Przybylski
1 de março de 2014 11:23 pmAula rápida para os “Maria vai com as outras”
Artigo extremamente didático e esclarecedor da realidade do “Mentirão”, apelidado de “Mensalão”, principalmente para os afoitos leitores,ouvintes e telespectadores que deixam sua opinião ser “formada” por qualquer iliterato, mas obediente apresentador,repórter ou redator da grande e comprometida midia, que por uma razão que foge ao nosso entendimento,se voltou totalmente para a ultra, raivosa e incompetente, direita.
Parabéns para a lucidez da Maria Luiza Quaresma Tonelli.
alfredo machado
1 de março de 2014 11:31 pmReforma Política, um sonho delirante
Maria Luiza,
Texto excelente, que explica didaticamente o que ocorre com a oposição em relação ao PT. Quando o PT ficou em pé de igualdade com os partidos de oposição que sempre se refastelaram no comando do país, estes sentiram que a vida era outra e logo prepararam uma cama de gato pro grupo de Lula, provavelmente sem imaginar que teriam ao seu lado um Roberto Jefferson ( aquele que apareceu, de um dia pro outro, com o olho esquerdo totalmente inchado e marcado) doido prá ter algum espaço na mídia.
Dali em diante começou o processo, com a grande mídia fazendo o impossível para arrebentar com o bloco de situação, era o “deixa sangrar” de FHC em ação, logo ele, aquele que consagrou o primeiro “toma lá, dá cá” no Congresso Nacional para comprar a própria reeleição por 200 mil cada, valor anunciado pelo deputado Ronivon Santiago.
A prática firmou-se por lá, um ambiente de 533 mais 82 que já foi de bom nível e que hoje envergonha o país, ao menos em meu ponto de vista. A última tentativa em direção ao sistema de governo que pode anular esta zorra, o parlamentarismo, foi frustrante e todas serão, pois o sistema presidencialista é muito bom, uma verdadeira cadeira de balanço prá qualquer gaiato que chegue àquele Olimpo.
Com a classe política se mostrando inteiramente refratária a qualquer tipo de mudança que venha a lhe trazer prejuízo $$$, não acredito em qualquer reforma que possa vir a endireitar aquela casa de mãe joana que atende pelo nome de Congresso Nacional.
JB Costa
1 de março de 2014 11:48 pmSimplesmente ótimo.
Simplesmente ótimo.
mcn
1 de março de 2014 11:58 pmTodos partidos grandes fazem
Todos partidos grandes fazem caixa 2. Hipocrisia negar isso. Porém, denunciar esse crime obrigaria tucanos e demos a admitir que nunca fizeram ou que nunca mais pretendiam fazer. Obviamente, optaram pelo caminho mais fácil da mentira e da manipulação. Hoje estão a beira da morte política.
Pouco importa o que diz a velha mídia. É irrelevante. Ninguém lê esse lixo ideológico. Importa o que dizem as urnas.
Mario Duarte
2 de março de 2014 12:10 amÉ isso companheira, simples
É isso companheira, simples assim…….
Alexandre Santos
2 de março de 2014 12:13 amÉ mais simplesdo que parece,
É mais simplesdo que parece, o que incomoda a oposição é ver de binóculo o Palácio do Planalto. E parece que o poder esta ficando cada dia mais longe, Só o golpe salva, e não duvido que vão tentar.
Webster Franklin
2 de março de 2014 12:15 amÓtimo texto, Maria Luiza
Ótimo texto, Maria Luiza Tonelli!
Jose de Almeida Bispo
2 de março de 2014 12:16 amLucidez total! Parabéns pelo
Lucidez total! Parabéns pelo texto.
Os comentários sobre a reação da militância na arrecadação lembrou-me uma musiquinha, de certa forma uma ideia plágio de outra estrangeira, mas tão bela quanto aquela, gravada na primeira metade da década de 80 pra arrecadar dinheiro pros flagelados da seca do Nordeste. Diz ela, lá no seu introito:
“Nos não vamos nos dispersar, juntos, é tão bom saber, que passado o tormento, será nosso esse chão!”
(Vários, Chega de Mágoa)
Rogerio Goulart
2 de março de 2014 12:18 amSra. Tonelli,
Ficou uma
Sra. Tonelli,
Ficou uma curiosidade, por que seria desastroso para a oposição o impeachment de Lula ? Quando chegaram a essa conclusão ?
AlvaroTadeu
2 de março de 2014 2:05 amExplicitando posições.
Rogério, é opinião da Luiza que seria desastroso um impeachment do Lula para a oposição. Eu discordo dela apenas nesse quesito. Mas se tivessem tentado o impeachment do Lula, o risco seria muito grande. Militância nas ruas, movimentos sociais protestando, eles sabiam que Lula não é Collor, que foi eleito com pastel de vento. Além disso, poderiam perder no Congresso Nacional, seria um vexame e Lula sairia tri-reforçado. Avaliaram também e essa parece ser a opinião da Luiza, que o povo reagiria muito mal a mais um impeachment, doze após Collor. Poderia virar moda. Acreditavam que a melhor política seria deixar Lula sangrar até ser varrido do mapa nas próximas eleições. Como você vê, o PSDB é muito ruim de cálculo. Serra é um grande exemplo disso. Apesar de ex-aluno da Politécnica da USP, não sabia nem ensinar às crianças simples contas de multiplicação, como está registrado na internet. É bom avisar que Serra não é formado em nenhuma profissão e usa o título de “economista” ilegalmente. Está sendo processado pelo Sindicato dos Economistas há muitos anos por fraude. Mas como nossa justiça só é rápida para pretos, pobres, putas e petistas, isso ainda vai demorar até a Verônica Serra virar avó.
sergio m pinto
2 de março de 2014 11:27 amPelo nível de aprovação do
Pelo nível de aprovação do sapo barbudo e pela militância, que na época estava acesa. Preferiram “sangrar” o presidente, achando que com a denúncia não iria se reeleger. Simples assim.
arara
2 de março de 2014 12:24 amExcelente texto !
Assino
Excelente texto !
Assino embaixo.
Neideg
2 de março de 2014 12:24 amQuando vieram os extermínios
Quando vieram os extermínios das reputações, estava politicamente amortecida há mais de uma década e me senti como aquela classe média escroque que fica no bem bom, enquanto, assiste sem reação seu vizinho, que luta por Democracia, ir para o pau de arara nas Ditaduras. Só sosseguei a consciência, quando passei a defender os “exterminados” como uma profissão de fé.
A única coisa boa que vi nesse mensalão foram os 06 kg que desapareceram do meu corpo no primeiro momento. Sofri o diabo, imagine as famílias dos perseguidos
brunobento
2 de março de 2014 12:27 amsem mais.se fosse filiar-me a
sem mais.
se fosse filiar-me a algum partido seria ao PT. e se for fazê-lo, deve ser nele mesmo.
e depois de tudo isso, acredito que este partido com todos os seus problemas e tendências que muitas vezes comportam-se de forma fratricida e desvairada, é o que tem mais condições de gestar (de gestação mesmo) o que teremos em nosso país de renovador em nossa caminha democrática.
outros partidos deveriam abrir-se à democracia interna e deixar que suas contradições o movam, como é este partido imperfeito e por ter esta cara a direita e aqueles que cheiram muito bem não gostam de chegar perto e atiram paus, pedras e palavras em sua direção.
e assim como o senso comum costuma dizer que a democracia é ruim e não inventaram ainda nada melhor, estendo isso ao PT que não é bom, mas estamos muito longe de ter um partido melhor.
ah, e antes que me esqueça, as inovações que precisam ser feitas em nosso processo eleitoral e no sistema político só serão realizadas se todos nós deixarmos de hipocrisia.
tomara que estes novos movimentos que ocuparam as ruas consigam se estabelecer e fazer tudo isso avançar. democraticamente.
e o conflito (não a violência) junto ao diálogo é que fazem nosso mundo andar para a frente.
Jofran Oliva
2 de março de 2014 12:29 amO COMPORTAMENTO DA OPOSIÇÃO
O comportamento da oposição tem me lembrado a torcida do São Paulo e do Corinthians, dos meados da década de 50 até o final da década de 60, quando ficaram quase 20 anos sem ganhar o campeonato paulista e a única alegria que tinham era quando o Santos ou o Palmeiras eram derrotados. Bando de tri-derrotados ressentidos é o que são.
lenita
2 de março de 2014 12:50 amBravíssimo !
Bravíssimo !
DUDE
2 de março de 2014 1:01 amBRAVOS!
Foi uma perfeita aula sobre o que aconteceu com a Ap 470.
parabéns.
josé adailton
2 de março de 2014 1:10 amTorcida uniformizada fanática
Os petistas supostamente se assemelham a uma torcida fanática não violenta.E, como em todos os partidos políticos, há os aproveitadores que travestindo-se de fiéis seguidores só sugam as tetas do Estado .Deve-se reconhecer e elogiar que, nisso os petistas são mais inteligentes, mais sutis e razoavelmente hipócritas (neste último aspecto supostamenrte um pouco menos do que a direita).A nobre bandeira social do PT aparentemente funciona como um lindo biombo ,para manter do outro lado , sob sua privacidade ,atos não tão moralmente elogiáveis, à maneira de seus tradicionais adversários.A saleta da governabilidade visível à galera é aplaudida e faz lembrar o carnavalesco Joãosinho Trinta.Diante dos velhos carnavais nos rendemos e aplaudimos o atual figurino e decoração.Uma recomendação: não deixem cair o biombo.
Hercilio Maciel
2 de março de 2014 3:02 amTorcida uniformizada
Caro José Adailton,
Não somos torcida uniformizada, como você sugere. Seria apenas paixão. Nos juntamos para construir o PT por entender que, só através da política, será possível construir uma sociedade com menos desigualdade, com mais oportunidades para nosso povo, não apenas material, mas acima de tudo de exercício de cidadania.
Sabemos que na política não existem anjos. A cada dia surgem, quando sobre tais fatos se lançam luzes, casos e mais casos de aproveitamentos individuais do que entendemos como bem comum. E não é só no Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, lemos a notícia de que o Governo Norteamericano colocou cerca de US$ 1 trilhão, do contribuinte, para salvar bancos privados que fizeram negócios temerários e alegavam a possibilidade de ocorrer risco sistêmico na economia. Isse é apropriação privada de recursos públicos e nenhum banqueiro foi preso.
Com relação aos escândalos de 2005 que estão na origem da AP470, entendíamos, naquele momento, que havia algo na forma de atuar de companheiros dirigentes que não se coadunavam com os objetivos que nos levou à construção do PT. Mas, as pessoas são as pessoas e a instituição é muito maior. Por isso mais de 300 mil filiados votaram no PED 2005, como resposta às tentativas feitas pela mídia de querer macular o Partido por supostas ações publicizadas como criminosas, envolvendo alguns dirigentes. Não podíamos admitir que o Partido fosse tomado por uma ação equivocada de alguns.
No transcurso da AP470, vimos um festival de arbitrariedades, manobras casuísticas, transgressões de todo o tipo, com o patrocínio da mídia. Uma mídia que, como saiu na imprensa depois, sonega impostos, apoia ditaduras etc.. Nenhuma prova que efetivamente apontasse o crime de algum dirigente que teve sua biografia maculada, foi apresentada. Jurístas e jornalista diversos, alguns de histórica tradição anti-petista, expontaneamente, escreveram matérias e colunas falando das ilegalidade cometidas para condenar a direção do Partido, mesmo sem provas. E quando os réus, submetidos ao julgamento em instância única, fizeram uso do recurso previsto no regimento interno do STF, houve uma enorme pressão da mídia para que esse direito não fosse garantido. Porque não garantir o amplo direito de defesa? Porque os elementos em que se baseou a acusação não existiam e havia uma necessidade de criar um factóide político com a condenação por crime de formaçao de quadrilha, para atacar, ai sim, o Partido.
O debate deixou, há muito, de ser jurídico, para ser político. Como política foi a decisão do STF de não julgar o Mensalão do PSDB, na justiça antes do petista.
Então, os militantes do partido decidiram entrar em cena, da forma como foi possível. Fazendo debate via redes sociais ou contribuíndo de forma solidária, com o pagamento das multas dos companheiros condenados politicamente. Como ficou claro em todo o transcurso dessa história e apropriado muito bem no texto da Mariza, não havia uma condenação moral do PT mas o ódio de classe contra o PT. Então é preciso defender o PT e o projeto de sociedade que ele defende e procura atingir governando não só o Brasil, mas estados e cidades. Erros existem eo partido deve está permanentemente aberto às críticas internas e externas para superar suas limitações.
Mas, faltava uma última reflexão: o que levou os companheiros a praticar os atos onde a mídia e o STF apoiaram a condenação? No caixa 2 de campanha. Mantido ao atual sistema politico, a tendência é que o caixa 2 continue. Dai a importância dada nesse momento a que se faça uma reforma no sistema político brasileiro, de modo a diminuir a participação de recursos privados nas campanhas, reduzindo seus custos e a influência do poder econômico sobre os eleitos.
Esse é o debate que poderá mudar o Brasil para melhor. A condenação dos companheiros, ao contrário do que pregavam seus algozes, só serviria para reforçar o palanque das forças políticas que produziram um país tão desigual como aquele que o Lula recebeu em 2003.
Atenciosamente
Hercílio Maciel
sergio m pinto
2 de março de 2014 11:33 amSe o conceito é esse, podemos
Se o conceito é esse, podemos entender que “do outro lado” também existe uma torcida fanática, alimentada pelo verdadeiro partido de oposição.
Por exemplo, que exposição está sendo dada às recentes investigações do trensalão? Quando se fala nisso nos blogs sujos sempre aparece muitos comentaristas a defenderem os investigados.
Por que ninguém, além da “torcida fanática” do PT reclama das diferenças entre os julgamentos do mensalão tucano e do mensalão petista, o primeiro correndo célere para a prescrição e, como se sabe, alimentado por dinheiro público?
Ed Döer
2 de março de 2014 2:00 amNão acho que o sentimento
Não acho que o sentimento seja de ódio. Talvez só por parte daqueles que escutam e compram o discurso da parte mais raivosa da oposição, seja ela midiática ou política, sem tentar compreender o mesmo.
No caso político, o problema é a disputa pelo poder e tudo que o mesmo proporciona. Se parece ódio, é porque a oposição carece de estrategistas e de bom senso para fazer um discurso minimamente razoável. Talvez por parte da extrema-esquerda que saiu ou foi “saída” do PT haja algo mais passional, o que explicaria até abraçar a direita (PSOL) para atacar o PT. Já o PSTU e PCO ficam no seu discurso padrão estilo “só eu tenho o caminho”, não é nada pessoal e sim não estar do “lado da verdade”. E no caso dos tucanos, tem toda a mágoa da falta de reconhecimento da obra do FHC, que embora o PT não tenha desfeito (no caso das privatizações principalmente), não são elogiadas como os tucanos gostariam, por acreditarem que fizeram o correto. No DEM só ficaram velhos desafetos, pois parte considerável do partido migrou para a aventura governista do Kassab, reforçando a frase inicial do parágrafo. E ainda tem o caso do ACM Neto, que parece ter relações civilizadas e republicanas com o governador petista da Bahia. E o PPS é o Freire, que parece guiar o partido de forma pessoal e passional quando o assunto é PT.
Já na (velha) mídia é mais complicado, mas o que deve(ria) pesar mais é o fato de ser um negócio, com fins lucrativos. A Internet é cada vez mais importante, seja porque reduz a capacidade da mídia de ser o “quarto poder”, como por bagunçar e dificultar o grande jogo da mídia. No “campeonato antigo” da velha mídia, os 4 do GAFE (Globo, Abril, Folha, Estadão) e outros grupos regionais deitavam e rolavam. Decidiam o que era fato e o que não era, sem contraponto, que hoje é possível, mesmo que de forma limitada. Mas essa limitação já assusta, por isso a “necessidade” de calar a blogosfera, que nem me parece o pior problema. Com as redes sociais se criou uma possibilidade de propagar informações de forma veloz e praticamente sem controle. Aí que está o maior risco, mesmo que improvável, um futuro onde haja a destruição do gatekeeper da informação (e cultura) e a impossibilidade de se estabelecer verdades, mesmo que verdadeiras.
E o que me impressiona é que tem players que parecem estar totalmente perdidos em relação ao já não tão novo mundo “virtual”. Qual a presença da Band, SBT e RedeTV na internet? Praticamente nenhuma. Seria positivo para os outros players tradicionais o “descaso” de velhos rivais, mas ao invés de lidar com eles, encontram IG e Terra, tradicionais e bem estabelecidos players do “novo mundo”. E ainda tem a ameaça da chegada de algum player estrangeiro.
Quanto ao dinheiro, que não pode ser esquecido pois estamos falando de negócios, eles ficavam com boa parte da receita publicitária do país. Mas com o crescimento da rede, boa parte do dinheiro vai ir para onde está a audiência, e na Internet, a audiência está MUITO mais espalhada. Existem N possibilidades de coisas para se fazer, sendo difícil agradar todo mundo ou quase todo mundo. Quem chega mais perto disso são duas empresas estrangeiras, Google, com sua ferramenta de busca onipresente e sistema de anúncios quase tão onipresente quanto; e o Facebook, que tem a maior e melhor base de dados de consumidores em potencial do mundo, além da principal rede social, que serve como veículo de comunicação (pessoal). Simplesmente não dá para competir, ou seja, nesse ponto envolvendo a receita, a batalha está praticamente perdida. A única forma de se salvar é com o governo defendendo a “pátria”, algo que não vai ocorrer por parte de um governo que dividiu de forma um pouco mais equilibrada o que investe de publicidade na mídia.
E não só isso, mais cedo ou mais tarde vão levar uma “facada nas costas” do governo, que mesmo não tendo a bravura que os militantes gostariam, está longe de ser amigo do peito da velha mídia. E quando ocorrer, não vai haver contexto para questionar, pelo contrário, vai parecer totalmente natural. Só para ficar num exemplo banal previsível, ninguém que conheço da área pública acompanha editais de concursos pelos jornais impressos, o normal é o uso de sites especializados, e isso vale mesmo para o pessoal mais humilde e com baixa escolaridade. No momento que cair a ficha do governo, é um fluxo de dinheiro que pode ser cortado numa boa. O mesmo vale para licitações. Se alcança mais gente, garantindo a publicidade dos atos públicos, pela rede, que nos jornais de “grande circulação”.
Caetano.
2 de março de 2014 2:12 amTexto incriminatório
O texto da comentarista Maria Luiza apenas ratifica que houve compra de voto de parlamentares:
“Por que em nosso sistema político um partido precisa ajudar os partidos aliados numa campanha eleitoral? Ora, não sejamos hipócritas. Precisa “comprar” o apoio dos aliados.”
E se o argumento for de que a compra não foi para votações específicas, isso não remove a culpabilidade, porque o objetivo era o mesmo: corromper consciências com dinheiro. Claro que, se o PT não cumprisse suas promessas de pagamento, corria o risco de perder a maioria.
Após recebido o dinheiro, o que esses partidos ou políticos faziam com ele é irrelevante: poderiam pagar dívidas de campanha ou usar em proveito próprio, tanto faz.
Portanto a corrupção está demonstrada pela própria autora do texto que, inadvertidamente, apontou o crime, embora seu objetivo fosse inocentar o PT.
taturanous
2 de março de 2014 2:28 amAntes era mamadeiras?
O Adailton os tetoes começaram a vazar no governo do Sr Lula
O Biombo acaba de cair ,ja ja teremos lindos seios tipo perinha
para nossa alegria,Ah em tempo (mais inteligentes foi otimo)
*leia e releia o texto acima e magnifico,realistico e esclarecedor
Sr Nassif obrigado por esta batalha ….Bom divertimento a todos
Alexandre Cesar Costa Teixeira
2 de março de 2014 4:05 amE o 2474 vem aí p/ aniquilar de vez com o mentirão
Em seu belo texto, cara sra Maria Luiza Q. Tonelli, faltou apenas enfatizar a essência que serviu de base p/ a acusação:
* a existência de desvio de dinheiro público do Banco do Brasil, sem a realização de qualquer serviço publicitário, por ordem de um petista;
Talvez não esteja em seus texto, pelo fato de hoje qualquer pessoa, minimamente informada, saber recitar de cor que se trata da maior mentira já produzida no judiciário brasileiro.
PARABÉNS, cara sra M. L. R. Tonelli
LC
2 de março de 2014 4:30 amAdmiração, respeito e orgulho por caixa dois ????
Petistas têm admiração, respeito e orgulho pelos companheiros que estão presos. Têm orgulho de ser petistas, de defender a política e a democracia. Ao contrário dos que os acusam.
Vamos partir do pressuposto que os caras realmente foram injustiçados, que a pena foi super excessiva. Vamos partir do pressuposto que a Mídia e a oposição estão apenas fazendo um joguete político sujo com esse negócio.
Finalmente vamos assumir por argumento que você está certa e foi apenas caixa dois.
É p/ter admiração, respeito e orgulho por quem fez caixa dois ??? Fazer caixa dois é defender a democracia? É essa a noção de política que vocês tem? Qual a diferença p/Maluf? Não precisa responder, sei que ele é aliado de vocês.
Pior ainda, se este procedimento é tão inevitável, porque o Lula não assume logo de uma vez que ele sabia de tudo. Se não sabia, então será que um inocente útil?
Texto completamente desequilibrado. Imagine alguém falando em 93 que o PC Farias só tinha feito caixa dois.
Esse texto mostra a que grau de fanatismo alguns petistas chegaram. Tem que atacar a mídia para esconder o péssimo governo exercido pela Sra. Dilma Roussef.
Sinto pelo blog do Nassif, pois ele é um cara extremamente democrático, mas isso aqui está ficando realmente ridículo. Criticar o governo ou qualquer coisa do PT virou criticar o Corinthians no site da Gaviões da Fiel.
sergio m pinto
2 de março de 2014 11:23 amÉ o caso de perguntar porque
É o caso de perguntar porque um ex-presidente comprovadamente comprador de votos ainda tem espaço na mídia para expor suas diatribes.
Alessandre de Argolo
2 de março de 2014 7:42 amQue texto panfletário mais nonsense, valha-me!
Esse texto é um repetição de discurso sem qualquer validade para a defesa dos réus petistas do mensalão, mínima que seja. Clichê panfletário cheio de falácias, a começar por dizer que caixa 2 de campanha existiria em período não eleitoral, uma coisa totalmente sem lógica e sem base legal. Ou que pagar dinheiro a lideranças partidárias não seria uma forma de cooptar o apoio ao governo. Ou ainda, que caixa dois de campanha é “crime eleitoral” ou que crime eleitoral não estaria no âmbito do direito penal. Claro, a palavra “crime” não significa nada. Está ali só de enfeite rsrs. Pela madrugada, é muita besteira dita de uma vez só, desculpe a franqueza.
A autora do post simplesmente não sabe o que é caixa 2 de campanha e para o quê ele serve. Não sabe o que é crime eleitoral (espécie de crime) e não sabe com o quê se ocupa o direito penal, que é, basicamente, com crime, seja ele eleitoral ou não, isso não faz qualquer diferença. Caixa 2 não é nem crime exatamente. Não existe esse crime chamado “caixa dois”. Se a autora soubesse de tudo isso, não diria que pagar dinheiro a lideranças de partidos da base aliada é caixa 2, tipo de “crime eleitoral”. Sugiro urgentemente ler a Lei nº 9.504/1997, especialmente o caput do art. 22 e seu § 2º, que tratam do caixa 2 de campanha eleitoral. Toda eleição tem limite de gastos e de doação. O caixa 2 de campanha existe para ludibriar isso.
E outra: se soubesse da gravidade do que significa caixa dois de campanha, que pode levar à cassação da candidatura e até mesmo à perda do mandato, no caso de pessoa já diplomada, não estaria falando isso como se fosse uma coisa banal (!!). Isso é vergonhoso de se defender publicamente, porque significa uma ignorância tal sobre o assunto que desconsidera, de modo constrangedor, que se o que foi feito no mensalão (cooptação de apoio político no parlamento) fosse considerado caixa 2 DE CAMPANHA ELEITORAL, e considerando o que foi afirmado sobre a compra de partidos políticos aliados pelo caixa dois ser regra nas campanhas eleitorais, simplesmente Lula teria perdido o mandato de presidente, no mínimo, em 2006, e se tornado inelegível (art. 1º, inciso I, alíneas “d” da Lei Complementar nº 64/1990, inclusive na redação anterior à dada pela Lei da Ficha Limpa, Lei Complementar nº 135/2010).
Por quê?? É, eu sei que panfletos assim não prezam pela lucidez, mas basta ler a lei. Segue o art. 22 da Lei nº 9.504/1997:
Art. 22. É obrigatório para o partido e para os candidatos abrir conta bancária específica para registrar todo o movimento financeiro da campanha.
(…)
§ 3o O uso de recursos financeiros para pagamentos de gastos eleitorais que não provenham da conta específica de que trata o caput deste artigo implicará a desaprovação da prestação de contas do partido ou candidato; comprovado abuso de poder econômico, será cancelado o registro da candidatura ou cassado o diploma, se já houver sido outorgado. (Incluído pela Lei nº 11.300, de 2006)
§ 4o Rejeitadas as contas, a Justiça Eleitoral remeterá cópia de todo o processo ao Ministério Público Eleitoral para os fins previstos no art. 22 da Lei Complementar no 64, de 18 de maio de 1990. (Incluído pela Lei nº 11.300, de 2006)
Por outro lado, nem adianta dizer que a ideia contida nos parágrafos acima não se aplicaria aos fatos ocorridos em 2002, 2003, 2004 e 2005 porque a Lei nº 11.300 é de 2006.
Descontando o fato do mensalão não ter acontecido em época eleitoral, o que joga por terra a alegação ridícula pretendida pelo post, na hipótese de caixa dois, simplesmente a perda do mandato e a inelegibilidade para as próximas eleições, quando se tratasse de pessoa já diplomada (caso de Lula quando o mensalão, suposto caixa dois, teria vindo à tona), já estariam previstas na Lei Complementar nº 64/1990 desde muito antes e seriam apurada em procedimento sumaríssimo, levado a cabo pelo Corregedor-Geral Eleitoral!
Vejam:
Art. 19. As transgressões pertinentes à origem de valores pecuniários, abuso do poder econômico ou político, em detrimento da liberdade de voto, serão apuradas mediante investigações jurisdicionais realizadas pelo Corregedor-Geral e Corregedores Regionais Eleitorais.
Parágrafo único. A apuração e a punição das transgressões mencionadas no caput deste artigo terão o objetivo de proteger a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou do abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta, indireta e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Art. 21. As transgressões a que se refere o art. 19 desta lei complementar serão apuradas mediante procedimento sumaríssimo de investigação judicial, realizada pelo Corregedor-Geral e Corregedores Regionais Eleitorais, nos termos das Leis nºs 1.579, de 18 de março de 1952, 4.410, de 24 de setembro de 1964, com as modificações desta lei complementar.
Art. 22. Qualquer partido político, coligação, candidato ou Ministério Público Eleitoral poderá representar à Justiça Eleitoral, diretamente ao Corregedor-Geral ou Regional, relatando fatos e indicando provas, indícios e circunstâncias e pedir abertura de investigação judicial para apurar uso indevido, desvio ou abuso do poder econômico ou do poder de autoridade, ou utilização indevida de veículos ou meios de comunicação social, em benefício de candidato ou de partido político, obedecido o seguinte rito: (Vide Lei nº 9.504, de 1997)
(…)
XIV – julgada procedente a representação, o Tribunal declarará a inelegibilidade do representado e de quantos hajam contribuído para a prática do ato, cominando-lhes sanção de inelegibilidade para as eleições a se realizarem nos 3 (três) anos subseqüentes à eleição em que se verificou, além da cassação do registro do candidato diretamente beneficiado pela interferência do poder econômico e pelo desvio ou abuso do poder de autoridade, determinando a remessa dos autos ao Ministério Público Eleitoral, para instauração de processo disciplinar, se for o caso, e processo-crime, ordenando quaisquer outras providências que a espécie comportar; (redação anterior à dada pela Lei da Ficha Limpa, Lei Complementar nº 135/2010)
XV – se a representação for julgada procedente após a eleição do candidato serão remetidas cópias de todo o processo ao Ministério Público Eleitoral, para os fins previstos no art. 14, §§ 10 e 11 da Constituição Federal, e art. 262, inciso IV, do Código Eleitoral. (Revogado pela Lei da Ficha Limpa, Lei Complementar nº 135, de 2010)
Da Constituição Federal:
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
(…)
§ 10 – O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude.
§ 11 – A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.
Ou seja, por essa defesa nonsense, que considera caixa dois de campanha algo banal, corriqueiro e largamente usado em todas as eleições, o PT fez o mesmo esquema em 2006 e, dessa forma, Lula perderia o mandato após a ação de impugnação de mandato eleitoral. “Só” isso.
Para defender a primeira eleição de Lula (a de 2002), teria que se restringir a defender a prescrição da ação de impugnação de mandato eleitoral, pois teria transcorrido o prazo de 15 (quinze) dias.
Em suma, o post defende, por ignorância ou surreal apoio a ações imorais, a legitimidade de um mandato eleitoral conquistado mediante uso indevido, desvio ou abuso do poder econômico.
Quem não enxerga o descalabro, o disparate, o despautério desse tipo de discurso, realmente tem “pobremas”.
Angelo G Frizzo
3 de março de 2014 3:19 amCAIXA dois
O dia que caixa dois der cadeia em todos os casos (não só os do PT) teremos que importar empresários para tomar conta de nossas empresas. Até os mais idiotas dos eleitores sabem disso.
Alessandre de Argolo
3 de março de 2014 7:04 pmApesar de não existir a
Apesar de não existir a figura delitiva do caixa dois, até o mais idiota sabe que a construção e a administração de um caixa dois pode gerar outros crimes.
De qualquer forma, quem falou que o caixa dois era “crime eleitoral” (sic) foi a autora do post. Eu sou da outra corrente, a lúcida, a que acha que o mensalão foi um esquema de corrupção escandaloso mesmo.
Guitardo
2 de março de 2014 8:46 amPerfeitas as colocaçoes
Texto muito bem escrito e que narra os fatos com realidade, sem paixao, sem ideologia de botequim.
Ah, se todos tivessem essa clareza de pensamento!
alexis
2 de março de 2014 10:20 amMuito Bom Comentário
Tranqüilo, claro e consistente. Com a dosagem de paixão própria de quem sente segurança nos seus argumentos e que vai longe com as suas idéias. Os caminhos longos são transitados com paciência, em meio de adversidades e também com algum sofrimento, mas com a certeza de que lá, no final, um grande prêmio nos espera.
Muitos já tínhamos falado, mas vale a pena repetir para o Barbosa, os tucanos e para todo o PIG: Despertaram um Gigante em cada um de nós (hoje é Maria Luiza) e no sentimento coletivo do PT e dos seus simpatizantes e militantes. Aguardem-nos.
CB
2 de março de 2014 11:05 am“Combate à corrupção” é
“Combate à corrupção” é apenas discurso demagógico que os hipócritas que não tem propostas, currículo ou projeto usam pra tentar atingir os adversários. É discurso que os anti-PT usam, mas que cai por terra quando se ve que eles apóiam o psdb e simplesmente continuam aceitando todos os mal feitos deste partido, da privataria ao Alstomgate. Os mal intencionados e os analfabetos políticos manipulados pela asquerosa mídia a serviço do golpismo discordarão deste texto. O que se vive nestes últimos tempos no Brasil foi um verdadeiro macartismo (e mau-caratismo juramentado) contra o PT e quem quer que o apoiasse. Pra ficar no barato: Sarney sempre foi Sarney, Renan sempre foi Renan, mas nunca foram perseguidos como agora que fazem parte da base de apoio ao governo Petiista. A oposição é cachorro morto, o adversário a ser batido é o pig que é o grande perigo para a democracia.
sergio m pinto
2 de março de 2014 11:44 amTexto definitivo. Quem não
Texto definitivo. Quem não concordar com ele procure então saber como todo esse julgamento se deu, desde as declarações do engavetador gurgel, sobre as provas tênues, o domínio do fato e outras estrepolias aplicadas durante o julgamento. Procurem saber das auditorias feitas sobre o dinheiro da Visanet e das investigações 2474 e 2828, que “sumiram” durante o processo.
Ozzy
2 de março de 2014 12:35 pmDelúbio, o digno
Realmente é um baita ato de coragem e dignidade assumir que fez caixa dois, o que é crime eleitoral.
Precisamos de mais homens assim na política brasileira! Agora vai.
Vocês devem estar de sacanagem…
MThereza
2 de março de 2014 12:52 pmAmei o texto, mas o último
Amei o texto, mas o último parágrafo sintetiza tudo. Especialmente a última frase: “se dizem apartidários”. É a senha para os ataques mais ferozes, irracionais e coniventes com golpismo, ilegalidades e arbitrariedades. São uns “puros” mesmo.
Nicolas Crabbé
2 de março de 2014 1:16 pmEntão tá…
Nutro simpatia pelo PT, as políticas sociais implementadas durante os dois mandatos do Lula e o mandato da Dilma são com certeza dignas de elogios. As melhorias que essas políticas trouxeram para dezenas de milhões de pessoas são indiscutíveis. Do lado da condução da economia por sua vez, tenho muitas restrições, em particular no que diz respeito ao massacre da indústria e ao financiamento público, via BNDES, para a criação de “campeões nacionais”, a um custo alto para os cofres públicos e sem nenhum benefício para a população.
Porém ler um artigo como esse, que trata com uma leviandade assustadora crimes eleitorais, sob a desculpa de que “todos fazem igual” e que se trata tão somente de caixa dois, me causa um mal estar muito grande. Não sou ingênuo ao ponto de acreditar que é possível governar sem sujar as mãos – todos sabemso que não existe virgem em prostíbulo. Mas ver o PT tratar como uma coisa banal, um pecadilho sem consequência, o mesmo comportamento que durante anos condenou veementemente quando era oposição, é tão hipócrito quanto a atitude da atual oposição – PSDB e DEM em primeiro lugar – de criticar no PT o que fazia com toda tranquilidade quando era governo.
Vejo um nivelamento por baixo do debate e da ética, que não me parece aceitável. É uma tendência perigosa, que pode levar a justificar outros desvios e crimes ainda mais graves, sob o mesmo pretexto que “todo mundo faz”.
Sergio l
2 de março de 2014 2:16 pmEntão tá combinado, o PT
Então tá combinado, o PT volta a ser “aquele partido ético” (como hoje seria o PSOL se nos poucos cargos executivos que ocupou não tivesse tido problemas desse tipo) e deixamos que os demotucanos voltem a ganhar eleição, já que seus admiradores , como você, não costumam reclamar dos seus desvios éticos.
Discursinho vazio e sem-vergonha, para justificar que os dois lados sejam rigorosamente investigados, como se todo mundo não soubesse que só que pra um lado (no caso o PT) temos: provas forjadas (e outras surrupiadas), domínios de fato, contas de chegar pra ter altas condenações, indeferimento sistemático a todos os benefícios legais do regime semi-aberto etc. Enquanto isso para o outro lado: protelações, prescrições, renúncia para evitar o STF.
Raí
2 de março de 2014 3:23 pmEntão, não tá.
Prezado, nenhuma pessoa minimamente culta, politicamente falando, aceita como normal, que faça-se política com estes métodos tão “moralmente incorretos” porem é de uma hipocrisia sem tamanho, a nossa Justiça, entrar em campo, exatamente quando esta prática espúria é praticada, como se ela não fosse uma prática contumaz, desde a proclamação da nossa incipiente República.
Tambem é ingenuidade pensar, que podemos eliminar esta prática criminosa porem habitual, na relação entre o Poder Executivo e o Legislativo, para o primeiro ter um mínimo de governabilidade, sem que antes de mais nada, o Congresso, reforme a nossa legislação política, dura e imparcial, para que o financiamento eleitoral, e a relação Executivo-Legislativo, não seja deturpada, com favorecimentos tipo “é dando que se recebe” dos governos anteriores, lembra-se ?
O PT errou ? Errou sim, porem não “inventou a roda” apenas usou de uma ferramenta que em toda a nossa vida republicana, foi usada e abusada, sem que ninguem(parlamentar ou não) antes dos governos petistas, tenham sequer sido questionados a respeito, em alguma oportunidade, como naquela escandalosa compra de votos do FHC, para sua reeleição. Então por que, só agora, “acordamos” para esta irregularidade ? Seria o medo da continuidade deste programa de governo, voltado ao social, que é pregado, desde a fundação do partido, pelo Dirceu e pelo Lula ?
O seu medo, de que isto vire rotina, procede, porem só pode ser corrigido, com uma reforma política séria, que não use a tese “2 pesos e 2 medidas”.
Antonio Lyra
2 de março de 2014 2:04 pmUma sintese perfeita do PT.
Uma sintese perfeita do PT.
mcn
2 de março de 2014 3:27 pmÉ o caixa 2, malandragem
O único crime que o PT cometeu e admitiu foi o de usar o caixa 2. Se julgado e condenado, Lula se tornaria inelegível. Mas tal crime, embora admitido, sequer foi denunciado. Por que será? Suponho que forças ocultas da oposição impediram que isso acontecesse. Ainda hoje, está para nascer um tucano que fale mal de caixa 2.
A oposição, inútil e vadia, preferiu a invencionice da corrupção, que obviamente não se sustenta. Aliás, porque até o hoje o STF não obrigou ao PT ou aos réus ressarcir os cofres públicos do dinheiro supostamente desviado? Vamo lá, malandragem, tá esperando o quê?
Mauro Pitanga
3 de março de 2014 12:03 pmLeia mais
Você precisa ler mais… Não adianta ser militante, procure se informar sem paixões… O PT ainda vai acabar com vocês, militantes cegos…
José Carlos Lima
3 de março de 2014 12:06 amO mensalão não existiu
Se Lula tivesse comprados deputados eleitos para fazer avançar o país, mesmo assim mereceria elogios, mas o que acontece é que, como mostra muito bem a autora do texto, nem isso aconteceu, pois o que ocorreu foi o financiamento, com dinheiro privado(os empréstimos contraidos pelo PT junto a rede bancária foram devidamente pagos). da campanha dos candidatos da base, isso é fato. Houve sim, uso de recursos públicos para caixa 2 eleitoral, como por exemplo no esquema Marcos Valério & Azeredo, naquele momento, candidato à reeleição pelo PSDB. FHC também comprou votos de deputados eleitos, para aprovar a emenda da sua reeleição. Aliás, seria ridículo e fora de lógica o Lula comprar deputados eleitos, do PT, para aprovar as reformas, até deputados do PSDB votaram em tais reformas, kd os deputados “comprados’ ????…
José Carlos Lima
3 de março de 2014 12:09 amQuem praticou mensalão foi Abrãao Lincoln, para libertar escravo
Lincoln e o primeiro mensalão da história, por Pierre Lucena, no site Acerto de Contas
Esta semana assisti ao filme que conta a história do ex-presidente americano, Abraham Lincoln.
É um filme primoroso. Talvez a melhor biografia que já vi retratada nas telas.
Em uma atuação excepcional de Daniel Day Lewis, que lhe rendeu o Oscar de melhor ator, o que mais chama a atenção é a grande articulação formada pelo ex-presidente pelo fim da guerra civil e para a aprovação da 13ª Emenda da Constituição, que seria responsável pelo fim da escravidão nos Estados Unidos.
Lincoln era do Partido Republicano, que à época era muito mais avançado que o Democratas, e liderou, ao fim do seu primeiro Governo, quando já reeleito, uma imensa articulação para a abolição da escravatura.
http://www.youtube.com/watch?v=RWN8unqa2v4
Ao ver que faltavam alguns votos para a aprovação da emenda, partiu para o tudo ou nada junto a alguns democratas indecisos ou que não haviam sido reeleitos. Contratou um esquema do submundo do lobby e partiu para a compra de votos, oferecendo emprego para os democratas derrotados, mas que ainda estavam no cargo. Também articulou pessoalmente a mudança de posição de alguns deputados.
Esta “compra” de deputados foi o primeiro mensalão conhecido da história.
O mais curioso do filme é que, mesmo sabendo da safadeza por trás da compra, torna-se impossível não torcer pela vitória de Lincoln, já que a derrota significaria a continuidade da escravidão. A brilhante interpretação de Daniel Day Lewis ajuda na comoção do tema.
O único ponto frágil do filme foi a não retratação de seu assassinato por um fanático, dias após um discurso em que defendia o direito do voto aos negros.
Um filme que vale a pena assistir.
http://acertodecontas.blog.br/politica/lincoln-e-o-primeiro-mensalao-da-historia/
José Carlos Lima
3 de março de 2014 12:14 amLincoln, o filme completo
E fez isso para abolir a escravatura e, apesar disso, o “ético” Barbosa mandaria Lincoln para a cadeia
E foi Linconl e não Lula, comprou votos de deputados eleitos
[video:http://www.youtube.com/watch?v=AFopIjQyen0%5D
José Carlos Lima
3 de março de 2014 12:17 amFilme Lincoln faz lembrar compra de votos do mensalão
Por João Ozorio de Melo, no Conjur
Lincoln, o filme produzido e dirigido por Steven Spielberg, terá um sabor especial para os brasileiros. As salas de cinemas do Brasil serão tomadas por uma impressão de déjà vu: a principal trama da história é um esquema de “compra” de votos de parlamentares para aprovar a 13ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, a da abolição da escravatura. O filme, para os críticos de cinema americanos e ingleses, descreve as habilidades políticas de um grande presidente americano. Para uma audiência brasileira, será impossível deixar de sentir um cheiro de “mensalão”.
O filme se baseou, em parte, na biografia de Lincoln, escrita por Doris Kearns, Time de Rivais: o Gênio Político de Abraham Lincoln (The Political Genius of Abraham Lincoln). Toda a trama se desenrola nos meses finais do primeiro mandato do 16º presidente dos EUA, Abraham Lincoln, então já reeleito para um segundo mandato. A Guerra Civil americana, que se iniciou com o primeiro mandato de Lincoln, se aproxima do fim, com uma evidente vitória da União, abolicionista, sobre os 11 estados antiabolicionistas e, consequentemente, separatistas. A União já sabe que os confederados, praticamente derrotados, estão prontos para se render e assinar o tratado de paz. Essa visão é comemorada pelos políticos da União, que querem o fim imediato da guerra sangrenta e partir para o segundo projeto do governo, o de reintegrar o país.
Porém, a visão de Lincoln é mais ampla do que a de seus aliados. Ele percebe que o fim da guerra também significa o fim de seu projeto político principal, o de abolir a escravatura no país. Ele entende que sua Proclamação da Emancipação dos escravos, assinada em 1863, só é respeitada pelos estados confederados por força da guerra — ou do poder que lhe confere a guerra. Assinado o tratado de paz, os estados contrários ao abolicionismo podem voltar a explorar a escravatura, porque ele não dispõe de nenhum mecanismo jurídico (nem belicoso) para obrigá-los a aceitar a emancipação dos escravos. O único recurso é aprovar a emenda constitucional, antes da declaração do fim da Guerra Civil.
Mas as dificuldades para conseguir a aprovação da emenda são enormes — impossíveis de serem vencidas na opinião de assessores e políticos mais próximos de Lincoln.
São necessários os votos de dois terços dos parlamentares para aprovar o projeto. E, apesar do Partido Republicano de Lincoln, maioria no Congresso, estar praticamente fechado com ele, faltam 20 votos. Enfim, para aprovar a emenda até o final de janeiro de 1865, antes do final da legislatura, é necessário conseguir esses votos dentro da oposição, o Partido Democrata, que é contrário ao abolicionismo.
Para assegurar todos os votos republicanos e conseguir negociar com democratas, Lincoln conta com um poderoso aliado, o fundador do Partido Republicano, Francis Preston Blair. Porém Blair, só tem uma vontade na vida: iniciar negociações de paz com os confederados e por fim à guerra civil. Em troca do indispensável suporte declarado de Blair à emenda da abolição da escravatura, Lincoln o autoriza a iniciar as negociações de paz.
Mas isso traz duas complicações para o projeto de Lincoln: o tempo passa a urgir; e para os republicanos radicais é um contrassenso terminar a guerra sem abolir a escravatura, porque, afinal, um dos principais motivos da guerra foi a abolição da escravatura. Um anúncio do fim da guerra irá anular os esforços para aprovar a emenda.
A saída é aprovar a emenda, de qualquer maneira, antes que uma iminente assinatura de tratado de paz se torne pública. E isso terá de ser feito com a ajuda de democratas que concordem em votar contra a orientação de seu partido. E um plano é arquitetado: negociar a adesão dos lame ducks, parlamentares (no caso, democratas) que estavam em fim de mandato, porque não foram reeleitos. Afinal, eles não precisam se explicar com seus eleitores, porque, de qualquer forma, já foram excluídos da carreira política, por falta de votos nas eleições parlamentares do ano anterior.
Ainda há resistência de políticos mais próximos a Lincoln, que preferiam voltar a submeter a emenda à próxima Legislatura, mas o presidente dá um murro na mesa e anuncia que a emenda vai à votação. Agora é correr contra o relógio.
O secretário de Estado William Seward, o homem que mais compartilha o dia a dia com o presidente, assume o comando da operação. Lincoln e Seward consideram inapropriado oferecer dinheiro, em moeda corrente, aos parlamentares. Decidem oferecer cargos no governo que vai se instalar com a posse de Lincoln para o segundo mandato (o que significaria renda mensal). O secretário contrata três agentes experimentados em lidar com parlamentares, que passam a fazer todos os tipos de manobras para contatar e negociar favores com os parlamentares, em troca de seus votos. Lincoln também contata parlamentares, mas com estratégias racionais, como a de explicar a importância do abolicionismo para os EUA, e emocionais.
O trabalho dos agentes, sob a supervisão do secretário de estado, é uma das partes mais interessantes — e divertidas — do filme, pela criatividade deles e pelas formas que observam e abordam cada parlamentar na mira do suborno. Eles acompanham os debates no Congresso de olho na reação dos parlamentares-alvo, a cada discurso, a cada aplauso ou protesto. Aos poucos, Lincoln, seu secretário de Estado e os agentes vão fazendo a contagem regressiva. “Só faltam 13 votos”…
Finalmente chega o dia da votação, os votos estão razoavelmente contados, mas ninguém sabe exatamente o que esperar de uns poucos indecisos. Não dá para afirmar se a emenda vai passar ou não.
A minutos do início da votação, outro problema. Chega a notícia de que representantes dos confederados estão em Washington para assinar o tratado de paz. Há um rebuliço no Congresso e a maioria decide suspender a votação. Três colaboradores correm até a Casa Branca levando um bilhete com a notícia a Lincoln. O presidente escreve rapidamente uma carta ao Congresso, dizendo: “Eu não sei da presença de confederados em Washington”. Isso é verdade. Ele sabia que os Confederados estavam chegando para o tratado de paz, mas lhes enviou uma ordem, por teletipo, para que ficassem fora da cidade, até que a emenda fosse votada.
Há gritaria, protestos. Mas a votação se inicia, finalmente, com grande ansiedade dentro do Congresso, no gabinete de Lincoln, nos quarteis militares, que acompanham a votação, e nas ruas. Com todo o suspense que Spielberg tem direito, apesar de a história ser conhecida, Lincoln ganha a votação com dois votos a mais do que o necessário — um dos quais de um deputado que declarou pessoalmente a Lincoln que jamais votaria a favor do abolicionismo.
O filme termina com o discurso de posse de Lincoln para o seu segundo mandato.
http://www.conjur.com.br/2013-jan-13/compra-votos-retratada-filme-lincoln-traz-lembrancas-mensalao
José Carlos Lima
3 de março de 2014 12:22 amMiguel do Rosário: O mensalão de Lincoln
por Miguel do Rosário, em O Cafezinho, sugestão de Francisco Niterói
No livro de Gore Vidal sobre Abraham Lincoln, o presidente pede a seu secretário de estado que invente pretextos para prender os editores de jornais de Nova York e Washington que lhe faziam oposição. O país estava em guerra civil, e se entendia a batalha na opinião pública como estratégica para a vitória do norte industrial sobre o sul escravista.
E agora ficamos sabendo, através do filme de Spielberg sobre a mesma figura, que Lincoln autorizou um grupo de lobbistas a usarem “todos os meios” para convencer deputados da oposição a votarem em favor da lei da abolição. Há um trecho do filme em que o seu secretário pergunta-lhe, com espanto algo fingido, se o presidente pretendia “comprar” deputados. O presidente responde, também meio que cinicamente, que não se tratava de comprar, mas de oferecer oportunidades. Empregos, cargos, verbas, Lincoln usou todo seu imenso poder para mudar a opinião de alguns deputados do então escravagista Partido Democrata e ganhar a votação mais importante e mais simbólica da história dos Estados Unidos.
Lincoln tinha pressa em aprovar a lei porque entendia que somente ela poderia pôr fim à guerra civil, pois automaticamente produziria um enorme movimento de fuga e deserção de negros tanto dos exércitos confederados como de suas fazendas, desestruturando o inimigo, militar e economicamente.
Os lobistas de Lincoln procuravam representantes democratas e ofereciam-lhe mundos e fundos para votarem em favor da lei. O próprio Lincoln entra na jogada, conversando pessoalmente com alguns deles.
Que lições devemos tirar desses exemplos, ambos comprovados em documentos históricos? Certamente não que devemos mandar prender editores, embora no Brasil há casos em que isso não apenas seria moral e constitucionalmente aceitável como até louvável. Da mesma forma, seria ridículo justificar a corrupção de deputados com o exemplo de um filme de Spielberg.
As lições são as seguintes:
A guerra da comunicação não deve jamais ser subestimada por um governante. Se é errado, sob as perspectivas morais e legais, ferir as regras democráticas, é igualmente equivocado, do ponto-de-vista político, abandonar a luta ideológica no campo do simbólico.A luta democrática envolve dilemas éticos extremamente complexos, que só mesmo o velho Maquiavel poderia entender.
O que Lincoln deveria fazer?
Os abolicionistas de seu partido tratavam-no, desde algum tempo, como um traidor de sua causa, por causa das constantes hesitações quanto ao momento certo de enviar a décima terceira emenda constitucional ao Congresso. Segundo historiadores, Lincoln não queria fazê-lo antes de ter a certeza de que poderia ganhar, e para isso esperava uma boa conjuntura militar na guerra civil.
Por fim, o momento chegou, e Lincoln autorizou o envio da emenda à Casa dos Representantes, para ser votada pelos deputados, e não antes de negociar controversos acordos com dissidentes da oposição, afim de garantir a maioria e ganhar.
De fato, Lincoln não “comprou” nenhum deputado. Ele simplesmente agiu como qualquer governo democrático desde que estes começaram a existir: usou o poder que o povo lhe concedeu para aprovar uma lei que interessava ao povo.
Estas são situações que nos fazem pensar quão triste tem sido a criminalização da política no Brasil, o que não significa que não seja necessário combater o crime político. Em diversos legislativos estaduais e municipais, há casos de mensalão explícito, e não seria difícil descolar provas concretas: bastaria acompanhar a variação patrimonial de deputados e vereadores em todo país, quebrar alguns sigilos (com autorização da Justiça) e praticar a saudável luta judicial, como cumpre às polícias, corregedorias e Ministério Público.
Tão difícil, porém, como combater o crime político, será combater a manipulação da ignorância em relação à política. Na verdade, mesmo sem a mídia, já viveríamos situações difíceis. A democracia tem defeitos. Os sistemas democráticos são falhos, cheios de brechas, lentos, às vezes tão ou mais burocráticos que as piores autocracias; e, na América ao sul do Rio Grande, sofrem com uma crônica e antiga falta de recursos, além de todas as mazelas do subdesenvolvimento. Com as mídias assumindo o papel de principal força conservadora na região, todos esses defeitos parecem hiper-ampliados e as brechas são mais exploradas que nunca. Uma dessas brechas, por exemplo, são leis falhas quando o tema é a concentração da mídia. No caso do Brasil, assistimos inertes a meia dúzia de corporações dragarem quase todos os recursos de publicidade no país, privados e púbicos. Apesar dos bons presidentes, a nossa guerra civil ainda está sendo vencida pelos escravagistas.
Assim como Lincoln só venceu a guerra civil após decretar a abolição, pois isso lhe granjeou o apoio dos 4 milhões de negros que sustentavam a economia do sul, a esquerda apenas poderá conquistar uma vitória estável quando libertar os milhares de jornalistas que são obrigados, por razões estritamente financeiras, a venderem suas consciências e talento a empregadores reacionários.
http://www.viomundo.com.br/politica/miguel-do-rosario-o-mensalao-de-abraham-lincoln.html
AndréPieron
3 de março de 2014 3:59 amAí, vem o Joaquim Barbosa,
Aí, vem o Joaquim Barbosa, rei das licenças médicas e confirma: “Feito para isso, sim”
Volmir
3 de março de 2014 4:48 amA democracia tem seu preço!
O PT sempre soube que, se quisesse mudar os rumos do País, particularmente da grande parcela da população excluída, precisaria manter-se no poder por um bom tempo e, para isso, teria de comprar congressistas (comprar sim porque a grande maioria deles não vota por convicção, mas por dinheiro e favores), aproximar-se de pelo menos um grande canal de mídia popular (o que fez com a Record, primeira concorrente da Globo, que é “semblante e sotaque” dos conservadores) e conseguir agradar os militares. Como os políticos eleitos são um extrato da grande massa de eleitores que os elegeu, podemos perceber que eles ou são anjos ou são demônios ou os dois juntos, conforme os fins pretendidos. A democracia tem seu preço e até mesmo o grande Lincoln já sabia disso. O resto é jogo de cena do próprio jogo político na busca da supremacia sobre o adversário.
Mauro Pitanga
3 de março de 2014 12:11 pmIdeologias como a sua o inferno está cheio…
Ideologias como a sua e a do PT o Brasil e o inferno estão cheios. Somente com uma militância cega e burra se poderia ir tão longe… Quer dizer que na política vale tudo? Inclusive comprar apoio? I nfelizmente a Dilma vai ser reeleita graças à bolsa miséria que ela distribui e à militância de jovens anarquicas e medíocres que contaminam as universidades brasileiras…
Se esse fosse um país sério os mensaleiros pegariam, no mínimo, uns cinquenta anos de prisão cada um…
jess
3 de março de 2014 6:55 pmQuem é contra o quje Delúbio
Quem é contra o quje Delúbio fez não estudou nem se envolveu na história ,na macro e pequena economia..Enfim…é um analfabeto político !!!!
jcordeiro
3 de março de 2014 2:46 pmNem Tanto o Mar, Nem Tanto a Terra
Nassif: eu, se petista fosse não estaria orgulhos por ter membros do Partido na prisão. Pelo menos no caso do “mensalão”. Insurgi-me no processo da AP 470 não contra o julgamento, mas contra a forma imoral e ilegal com a qual alguns ministros se comportaram, verdadeiros moleques, enxovalhando de imundices a dignidade do cargo e da própria Justiça, último baluarte da dignidade humana. Levantei-me contra aqueles que combatiam a imoralidade com outra maior e até alguma ilegalidade. Sonhei, a partir de 2003, que o Partido no governo construísse um modus vivendi diverso das patifarias, especialmente aquelas inauguradas desde 1994. Como milhões do Povo, depositava eu esperança de ver, além dos progressos sociais que agora assistimos, um basta na corrupção, na roubalheira institucionalizada a partir da própria Casa da Lei. Mas a Canalha é maior e mais forte, detentora dos meios de produção e finanças. Alguns do governo sucumbiram à tentação, preferiram a fórmula de Maquiavel, em detrimento a de Rousseau, e acabaram seduzidos pelos acenos das instituições bancárias e dos detentores dos meios de produção. Não que agissem de modo ilegal, mas de forma imoral. Contrariavam ideais, bandeiras de campanha, com atitudes já (imoralmente) consagradas no governo de antanho. A história ainda não teve tempo de analisar os particulares. Mas a sociologia demonstrou o desastre que isto causou. E a Canalha soube aproveitar-se e explorar politicamente, com o apoio e conivência do Quarto Poder, a situação, semelhante a instituida por eles desde outros carnavais. Some-se a isto o impulso de alguns do Judiciário, não com intuito de Justiça, mas de apoio à Canalha e doutrinas contrarias ao rumo da carruagem. Nós, da “maioria silenciosa”, que dispondo de raríssimos meios de manifestar-se contrariamente, assistimos o dantesco espetáculo, com trejeitos e momices de alguns togados, mais afetos a enredo de folhetim que a julgamento sério. Mas isto não isenta os “mensaleiros” da nódoa. Não os isenta da imoralidade. Pois se assim consentíssemos estaríamos agindo tal qual o fez o STF. Ufanar-se da prisão de companheiros, à espécie, é uma apologia e convite a continuação da imoralidade, tal qual implantada na década retrasada. Por tal e qual, nós “apartidários”, lemos com reservas o texto, mesmo concordando com gênero e número. Mas declinando, aqui e ali, com o caso, no assunto.
Luiz Carlos Calsavara
14 de março de 2014 2:16 pmNem tanto …
O comentário “Nem Tanto o Mar, Nem Tanto a Terra“, de JCarvalho, foi um dos textos mais lúcidos que lí sobre esse momento da história brasileira. Demonstra o quê muitos pensam, inclusive eu.
Parabéns JCARVALHO, aliás, gostaria de saber se você escreve em algum blog ou se tem algum modo de acompanhar as suas lúcidas opiniões.
VANDEILTON
3 de março de 2014 8:14 pmMENSALÃO?
O QUE O DELÚBIO CONFIRMOU É O QUE TODOS OS PARTIDOS FAZEM, CAIXA 2, POIS NÃO HOUVE NENHUMA PROVIDÊNCIA PARA DIMINUIR O PROLEMA, ATÉ PORQUE SÓ SE ELEGE QUEM TEM MUITO DINHEIRO, PORTANTO,
ATÉ A DEMOCRACIA NÃO ESTÁ BEM REPRESENTADA, PROPORCIONALMENTE, EM FUNÇÃO DA MAIORIA DAS PESSOAS QUE ELEITAS – APENAS OS MAIS RICOS E MAIS FINANCIADOS.
MAURO BERNARDES
14 de março de 2014 2:18 pmÓDIO AO PT
O PT, a vida toda, até 2002, foi pedra, depois se transformou em vidraça.
Quando era pedra, foi contra a Constituição Brasileira, a qual hoje carregam embaixo do sovaco quando lhes é oportuno.
O PT, quando era pedra, foi contra o Plano Real, mesmo com os resultados concretos, visíveis e palpáveis dos benefícios da estabilização econômica.
O PT, quando era pedra, sempre foi adepto do “quanto pior melhor”, utilizando-se da velha tática de provocar o caos para se fazer emergir dele.
O PT pratica hoje, no governo, exatamente TUDO de errado que criticou no passado, seja em termos de corrupção, de associação com gente que não presta e de incompetência gerencial e administrativa. Vide o cemitério de obras paradas que se transformou o país.
O PT pratica hoje, tudo de bom que criticou e fez oposição no passado, em termos de estabilização econômica, de política monetária, de privatizações, de parecerias público-privadas.
PT, não há como não odiá-lo!