10 de junho de 2026

Zanin a Moraes: Bolsonaro praticou “coação institucional, crime contra o Estado Democrático de Direito”

Moraes diz que julgamento de Bolsonaro no STF é um recado que a Corte dará contra ameaças feitas por políticos a magistrados

O ministro Cristiano Zanin afirmou na tarde desta quinta-feira (11) que o ex-presidente Jair Bolsonaro praticou crime contra o Estado Democrático de Direito quando, num evento em 7 de Setembro de 2021, insuflou seus seguidores e tentou coagir, com bravatas, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a arquivar inquéritos desfavoráveis ao extremista.

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A manifestação de Zanin ocorreu quando Moraes – relator do processo contra Bolsonaro e mais sete réus por tentativa de golpe de Estado e outros crimes – interrompeu o voto da ministra Cármen Lúcia para rebater o voto do ministro Luiz Fux, que no dia anterior absolveu Bolsonaro da tentativa de golpe alegando não haver, entre outros pontos, prova de grave ameaça e violência.

Moraes exibiu o vídeo do ato na Avenida Paulista, quando Bolsonaro, ainda presidente, disse que Moraes deveria arquivar as investigações contra ele e sua família, e bradou “Fora Moraes”, entre provocações e xingamentos.

“Me parece que essa figura, eu vou tratar no meu voto, é uma coação institucional que me parece própria dos crimes contra o Estado democrático de direito. Então, coagir uma instituição para que se arquive algum inquérito, para que se arquive um processo, isso é inadmissível e faz parte dos crimes contra contra o Estado democrático de direito”, disse Zanin.

“Exatamente. Porque nesse dia fui eu. Se eu arquivasse, se eu curvasse a cabeça e covardemente aceitasse e passasse para outro relator, amanhã seria o outro relator. Ou seja, é um crime não contra o Alexandre de Moraes, é um crime contra o Estado democrático de direito, um dos poderes, o poder judiciário”, respondeu Moraes.

Moraes ainda afirmou que o julgamento no STF será um recado para o Poder Judiciário brasileiro, “um precedente para o juiz lá da comarca, que não tem a segurança que nós temos”. Segundo ele, o STF não pode permitir que um político jogue a população contra o Judiciário, como Bolsonaro fez em 7 de Setembro de 2021. “Isso não é uma grave ameaça à independência do Judiciário? Determinar ‘arquive o inquérito’?”.

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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3 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    12 de setembro de 2025 6:37 am

    Em quem devo desacreditar: na defesa do Bolsonaro, que diz que não teve tempo suficiente para analisar as provas e que a pena é excessiva, ou no Tarcísio, que afirma que Bostonaro foi condenado sem provas e que a pena é desproporcional?

    Na acredito em nenhum deles

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    12 de setembro de 2025 6:37 am

    Seu Jair tem sorte, cá ele foi tranquilamente julgado; condenado, ele tem direito a recurso e caso a condenação seja mantida ele só ficará 1/3 da pena em regime fechado. Na Grécia antiga a Lei para punir os inimigos da democracia era muito mais rigorosa. O Decreto de Demofante contra a tirania data de 410 aC e tem o seguinte conteúdo:
    “O Conselho e a assembléia decidiram; Éantis era a tribo que presidia; Clígenes era secretário; Boétos era presidente; Demofante propôs o seguinte: A data desse decreto é o Conselho dos Quinhentos, escolhido por sorteio, sendo Clígenes o primeiro-secretário. Qualquer pessoa que supria a democracia em Atenas ou sirva em qualquer cargo público, enquanto a democracia estiver suspensa, será inimigo dos atenienses e deverá ser morto sem punição para quem o matar; e seus bens deverão ser confiscados e um décimo deverá ser destinado às deusas; aquele que o tiver matado ou tiver conspirado contra ele, deverá ficar livre de profanação; todos os atenienses têm de jurar sacrifícios ilibados pelas tribos (phylaí) e demos que vão matá-lo. E o juramento deverá ser este: “Vou matar por palavra e ação e por minhas próprias mãos, se isso estiver ao meu alcance, todo aquele que subverter a democracia em Atenas, ocupar qualquer cargo público enquanto a democracia estiver suspensa, tentar se tornar um tirano ou ajudar a estabelecer a tirania. E se alguém matar tal pessoa, vou considerá-lo puro aos olhos dos deuses e deusas, porque terá matado um inimigo dos atenienses e venderei todos os bens da pessoa assassinada e darei metade dessa renda a seu assassino, sem privá-lo de nada; e se alguém morrer ou matar ou tentar matar essa pessoa, vou cuidar dele e de seus filhos da mesma maneira que Harmódio e Aristogíton e seus descendentes. E declaro nulos todos os juramentos feitos contra a democracia ateniense, em Atenas ou em qualquer outro local”. Todos atenienses devem prestar seu juramento de sacrifícios ilibados antes do festival das Dionísias. E devem rezar para que aqueles que observem o juramento sejam abençoados, enquanto aqueles que o quebrem, pereçam, eles e seus descendentes.” (Leis da Grécia Antiga, Ilias Arnaoutoglou, editora Odysseus, São Paulo, 2003, p. 85/86)

  3. Rui Ribeiro

    12 de setembro de 2025 7:31 am

    Trump diz que condenação de Bolsonaro é ‘terrível’ e afirma estar ‘muito insatisfeito’; Rubio promete resposta dos EUA

    Então o Brasil tem que garantir a impunidade de criminosos para satisfazer o Rato Trump?

    Esse rato acha que nós estamos satisfeitos com a prisão ilegal do Mumia Abu-Jamal?

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