10 de junho de 2026

O Relatório Draghi e o Impasse Europeu: Ambição sem Execução, por Luís Nassif

Redigido por Mário Draghi, o documento não se limita a apontar falhas: ele propõe uma refundação econômica e institucional da UE. 
Reprodução AFP

O Relatório Draghi, entregue à Comissão Europeia em 2024, é talvez o mais contundente diagnóstico da decadência estratégica da União Europeia desde a crise do euro. Redigido por Mário Draghi — ex-presidente do BCE e ex-premiê italiano — o documento não se limita a apontar falhas: ele propõe uma refundação econômica e institucional da UE. 

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Mas um ano depois, o que se vê é um continente paralisado entre o reconhecimento da urgência e a incapacidade de agir.

A Europa que Encolhe

Draghi não poupou palavras para traçar o diagnóstico da decadência europeia: a Europa cresceu menos que os EUA por duas décadas, paga energia até cinco vezes mais cara que seus concorrentes e possui apenas quatro das cinquenta maiores big techs do mundo. A soberania europeia, segundo ele, é uma ilusão — sem integração financeira, sem instrumentos comuns de investimento, sem capacidade de decisão rápida.

O setor energético é emblemático: 93% do gás consumido em 2021 era importado, os custos de CO₂ encarecem a geração elétrica, e os gargalos de infraestrutura tornam a transição verde uma promessa distante. A fatura de combustíveis fósseis em 2023 foi de €390 bilhões — 2,7% do PIB europeu.

Propostas Visionárias

A partir desse mapa do inferno, Draghi propôs metas ambiciosas:

  • Investimentos de 5% do PIB ao ano, como no pós-guerra.
  • Criação de instrumentos financeiros comuns.
  • Aceleração da inovação em IA, semicondutores e biotecnologia.
  • Fortalecimento de indústrias estratégicas.
  • Reforma da governança europeia.

Era, em essência, um plano de reconstrução continental — uma tentativa de devolver à Europa o protagonismo perdido.

Mas a implementação tem sido decepcionante. Apenas 11 a 14% das medidas estão em andamento. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão, é vista mais como comentarista do caos global do que como líder transformadora. O Parlamento acusa a Comissão de ter “enterrado os relatórios Draghi e Letta em um campo de golfe”.

A resistência à emissão conjunta de dívida, a fragmentação política e a burocracia comunitária travam qualquer avanço. A proposta de um mercado único de capitais foi adiada para 2028. A integração fiscal e regulatória segue emperrada. E os investimentos continuam dispersos e tímidos.

O Risco da Irrelevância

O que está em jogo não é apenas competitividade. É a própria relevância geopolítica da Europa. Sem capacidade de financiar sua transição energética, sem autonomia tecnológica, sem instrumentos de defesa comuns, a UE corre o risco de se tornar um apêndice dos EUA ou da China — economicamente irrelevante, politicamente marginal.

O Relatório Draghi é um chamado à ação. Mas, como tantos outros na história europeia recente, pode acabar como um documento brilhante esquecido em gavetas burocráticas. 

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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  1. Rui Ribeiro

    17 de setembro de 2025 11:10 am

    Trump afirma que EUA abateram 3 embarcações venezuelanas
    Segundo presidente norte-americano, uma terceira embarcação que transportava drogas também foi alvejada e destruída pela frota de navios militares dos EUA no litoral da Venezuela.

    Armas e munições dos EUA são mandadas para o Brasil ilegalmente. Vamos estacionar nossas máquinas de guerra em águas internacionais, perto dos EUA, e abater qualquer embarcação sob o pretexto de que elas estão transportando armas e munição para entrar no Brasil ilegalmente.

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