
Extrema direita faz boca de urna para a esquerda, vamos aproveitar
por Edivaldo Dias de Oliveira
É unanimidade entre analistas de todos os matizes, que a extrema direita deu uma grande contribuição para que os atos do dia 21 de setembro ganhassem tração.
Essa boca de urna a nosso favor vem num crescendo desde o tarifaço e as sanções contra autoridades brasileiras por parte do extremista do norte, mas ainda não tinha ganhado a tração que ganhou ontem e isso foi visto nas nossas manifestações patrióticas do 7 de setembro, em que eles nos superaram em número de gente e cinismo, levando para as ruas em todo o país como porta estandarte, uma imensa bandeira estadunidense, ladeada pela bandeira de um país que faz do genocídio, de que outrora foi vítima, uma prática normalizada contra mulheres, crianças e idosos.
A desfaçatez com que os extremistas enfiaram goela abaixo na casa do povo, duas medidas escandalosas em proveito próprio em menos de vinte e quatro horas, mostraram o desprezo e o escarnio que sentem pela maioria da população sofrida, que espera deles a aprovação da redução do IR, da jornada 6X1 e outros pequenos benefícios e recebem deles essa paga.
ISSO FOI A GOTA D’AGUA, O PONTO DE VIRADA.
Contribuiu muito também o engajamento de artistas que tem uma história de engajamento nas lutas pela democracia, convocando o povo para as ruas e se dispondo a liderar os protestos.
Pode-se afirmar com pouca margem para erros, que dessa vez, foram eles que lideraram, pela primeira vez a convocação da sociedade e as esquerdas a tomarem as ruas e nós fomos.
Agora precisamos ter claro: Eles não farão isso sempre, nem tem idade para tanto. Nós progressistas temos que pegar esse embalo e manter o bloco nas ruas e nas redes.
Não fui no ato da Paulista, como tenho ido em quase todos convocados pelo conjunto das organizações sociais. Avaliei equivocadamente, que a convocação tinha sido feita de afogadilho e portanto, ia ser esvaziada, dando mais gás e legitimidade as exigências escandalosas dos extremistas.
Me penitencio pelo erro, ao não avaliar a extensão e profundidade do escândalo, capaz de mobilizar artistas respeitáveis para a causa.
O ERRO DA FULANIZAÇÃO PARLAMENTAR.
A campanha eleitoral de 2026 já ganhou as ruas faz algum tempo.
Dito assim, de forma lacônica, a impressão que passa é que apenas a presidência da república está em disputa, não nos deixemos enganar, pois é exatamente isso que querem que pensemos, que as eleições parlamentares passem despercebidas, escondidas atrás das eleições majoritárias, principalmente a disputa ao senado, que mais parece um cavalo de Tróia.
Seliga!
Diferentemente de todas as disputas anteriores, agora o que está mais a mostra é o controle do Congresso Nacional, mas mais ainda do Senado Federal. É alí que vai se dar a disputa sobre o futuro da DEMOCRACIA, do ESTADO DE DIREITO e da nossa AUTO DETERMINAÇÃO.
Devemos marcar a ferro e fogo, desde já, quem se opõem a esses princípios e, não são poucos.
No entanto, a forma como essa marcação tem sido feita desde sempre, tem se mostrado equivocada. Não à toa, é o mesmo método usado pela grande mídia e repetido cegamente pelos sites progressistas e nas redes sociais.
Isso por si só já deveria nos indicar, como aconselha Brizola, que esse não é um bom caminho a seguir.
Trata-se do método de omitir os nomes dos partidos que vão do centro a extrema direita, entregando em seu lugar os nomes dos parlamentares, como quem entregam os anéis enquanto preservam os dedos.
Esse mesmo critério não se aplica aos partidos progressistas, notadamente o PT, que quando ocorre algo de ruim é a legenda que vem primeiro e só depois a pessoa.
A quantidade de parlamentares e candidatos em 26 se constituem numa miríade que a população jamais var recordar para punir e mais uma vez vamos eleger um parlamento contrário aos seus interesses.
Porém, se centrarmos fogo em denunciar a legenda, nome e número, que se posicionou contra o povo, pode se contar algumas dezenas e será mais fácil fazer o combate.
É possível também trazer a luz os partidos que mais se colocam ao lado dos interesses da maioria dos brasileiros, tornado mais fácil a memorização, pois se trata de menos de uma dezena. Mesmo que faça uma análise comparativa com as outras legendas, malgrado o mal passo dado pelo PT nessas duas últimas e importantes votações, ainda temos muitas vantagens sobre eles.
A ordem é partidarizar e não fulanizar o debate.
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