10 de junho de 2026

Captura do Estado? A interface público-privada na gestão Zema, por Luís Nassif

Denúncias e investigações levantam questões sobre a relação entre a gestão pública e os interesses privados.
Romeu Zema por Alan Santos/PR

O governo de Romeu Zema, em Minas Gerais, tem sido alvo de uma série de denúncias e investigações que levantam questões sobre a relação entre a gestão pública e os interesses privados. Os principais pontos de controvérsia e os escândalos recentes, detalhados no seu panorama, concentram-se em corrupção na área de mineração, gestão de recursos públicos (Fundeb/FEM) e privatização de estatais (Cemig).

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Escândalos e Investigações na Gestão Zema

1. Operação Rejeito e Corrupção na Mineração

A Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2025, expôs um esquema de corrupção bilionário focado na concessão de licenças ambientais fraudulentas para mineração em áreas protegidas.

  • Envolvimento de Ex-Aliados: Várias figuras ligadas ao governo foram citadas ou presas:
    • Rodrigo Gonçalves Franco (ex-presidente da Feam).
    • João Paulo Martins (presidente do Iepha-MG), ambos exonerados.
    • João Alberto Paixão Lages (ex-deputado) e Gilberto Henrique Horta de Carvalho (lobista), apontados como articuladores políticos.
    • Helder Adriano de Freitas (diretor operacional).
  • Facilitação Governamental: A investigação apontou que decretos assinados por Zema teriam facilitado o licenciamento ambiental. Uma dessas medidas, que permitia empresas realizarem consultas prévias a comunidades tradicionais, foi considerada inconstitucional e suspensa pelo STF. O esquema teria potencial para gerar até R$ 18 bilhões em lucros.

2. Uso de Recursos Públicos (Fundeb e FEM)

Houve acusações de desvio de finalidade na aplicação de fundos públicos:

  • Fundo de Erradicação da Miséria (FEM): O governo foi acusado de usar R$ 88 milhões do FEM para pagar abonos, gratificações e diárias a colaboradores, o que foi denunciado como um desvio do objetivo original do fundo.
  • Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica): O governo vetou o rateio das sobras do Fundeb entre os profissionais da educação, alegando que já havia atingido o limite de 70% de gastos com pessoal. Entidades educacionais e parlamentares de oposição contestam a justificativa, pedindo mais transparência na gestão dos recursos.

3. CPI da Cemig e Privatização

A CPI da Cemig investigou a estatal e levantou suspeitas sobre contratações sem licitação, aparelhamento político e uma possível estratégia de desvalorização da empresa para facilitar sua privatização.

  • Recomendações de Indiciamento: O relatório final da CPI recomendou o indiciamento de 17 pessoas e 8 empresas, incluindo o presidente da Cemig, Reynaldo Passanezi Filho, por crimes como peculato e corrupção passiva.
  • Arquivamento pelo MP: Em agosto de 2023, o Ministério Público de Minas Gerais arquivou o inquérito, alegando falta de justa causa e ausência de indícios de lesão ao patrimônio público. A decisão foi vista pela oposição como uma “blindagem política”.

4. Incentivos Fiscais para Locadoras

O governo Zema concedeu benefícios fiscais da ordem de R$ 4,7 bilhões para locadoras de automóveis.

  • IPVA de 1%: Locadoras gozam de um IPVA de apenas 1%, enquanto o imposto é de 4% para os demais usuários.
  • Perdas Milionárias: O SInfazfisco constatou que apenas uma grande locadora teria tido uma isenção de IPVA de R$ 516 milhões na compra de novos veículos em 2022, destacando que o setor beneficiado tem um impacto relativamente baixo na economia.

Conclusão

O conjunto das denúncias sugere uma gestão que prioriza a desburocratização e a flexibilização regulatória, o que  cria um ambiente propício para a captura do Estado por interesses privados. As exonerações de figuras-chave, os decretos questionáveis e o polêmico arquivamento da CPI da Cemig alimentam o debate sobre a transparência e a fiscalização na administração pública mineira sob Zema.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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3 Comentários
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  1. AMBAR

    30 de setembro de 2025 2:03 pm

    Não sei se posso falar muito de Zema a não ser pela expressão dele. Se os atos coincidirem com a expressão ele é um quase perfeito idiota, bonecão de Olinda mesmo, para onde se leva quando a dança toca.

  2. Jose carlos

    30 de setembro de 2025 4:35 pm

    O povo elege seus algozes, dificil entender

  3. Samuel Ponsoni

    30 de setembro de 2025 6:12 pm

    Boa noite

    Sem contar a tentativa de privatização da Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG. Nassif, faça uma matéria sobre o escândalo e atentado ao patrimônio do povo mineiro, que é a UEMG, mais de 22 mil alunos, em todo estado, podem ser prejudicados
    PL 3.733/2025:
    Autoriza a venda de 350 imóveis públicos, incluindo o patrimônio da UEMG, como parte de um pacote para adesão ao Propag.
    PL 3.738/2025:
    Propõe a extinção da UEMG e a transferência de sua gestão e patrimônio para a União, o que pode levar à privatização

    Abraço

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