O Brasil registrou, ao longo de setembro, cinco mortes por intoxicação por metanol, resultantes da falsificação de bebidas alcoólicas comercializadas por bares em São Paulo. No entanto, há suspeitas de novos casos em outros estados, três deles apenas em Pernambuco.
Para tentar compreender o que está por trás desta questão, o programa TVGGN 20H da última terça-feira (30) contou com a participação da coordenadora do grupo especial de toxicologia social da Sociedade Brasileira de Toxicologia (SBTox), Silvia Cazenave.
Para Silvia, os óbitos são uma tragédia anunciada, tendo em vista que desde 2023 a SBTox registra casos fatais provocados pela ingestão de metanol.
No entanto, tratavam-se de casos isolados, envolvendo pessoas em situação de rua que faziam a ingestão de álcool de posto de combustível.
“Essas pessoas, para comprar um álcool mais barato, acabavam consumindo de postos de combustível, em que o etanol provocava essas fatalidades”, aponta.
A contaminação por metanol, então, sempre existiu, mas gerava um ou dois óbitos por ano. “A questão desse período agora é que em um curtíssimo espaço de tempo tivemos um número muito grande de casos”, continua Silvia.
Investigação
As investigações sobre a origem da bebida contaminada vendida em bairros nobres de São Paulo ainda não apontaram nenhuma conclusão sobre os responsáveis pela adulteração de bebidas destiladas.
A entrevistada chama a atenção ainda para o fato de que as bebidas falsificadas eram importadas, outro fato que precisa ser investigado.
“O que aconteceu para agora terem tantas bebidas diferentes, porque você não está pegando um lote de uma bebida que foi embalada de forma inadequada. Estamos falando de gin, whisky, vodka, produtos muito variados”, ressalta.
Protocolo
Para evitar novas vítimas fatais, o Brasil conta com dois antídotos. Mas, apesar da lei 14.715, de 2023, que garante a distribuição de antídotos para o Sistema Único de Saúde (SUS), não há a versão mais eficaz contra a intoxicação por metanol disponível em todo o país.
“O problema é que são muitas pessoas intoxicadas. Precisamos de um protocolo de atendimento, que a equipe de saúde precisa pensar que aquela embriaguez pode não ser de metanol, mas de etanol, porque os efeitos iniciais são muito parecidos”, emenda.
Confira a entrevista na íntegra em:
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