17 de junho de 2026

A omissão de Moro e o salto bilionário da Conafer

Documentos mostram que a Conafer inseriu dados falsos no INSS, e o então ministro Sergio Moro não agiu
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Durante a gestão de Sergio Moro no Ministério da Justiça, a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) expandiu sua arrecadação de forma explosiva. Mesmo ciente das irregularidades desde 2019, o então ministro não conduziu uma investigação, permitindo que o esquema de descontos fraudulentos em benefícios do INSS se ampliasse sem freios.

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“Mesmo sabendo das irregularidades desde 2019, Sergio Moro não apenas cruzou os braços, como também adotou uma postura conveniente”, afirma o Museu da Lava Jato.

As informações estão reunidas em um post didático do Museu da Lava Jato, baseado em documentos encaminhados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, incluindo dados oficiais da Controladoria-Geral da União (CGU).

De acordo com a CGU, a Conafer inseriu informações falsas nos sistemas do INSS e da Dataprev e solicitou a inclusão de mais de 3,3 mil descontos em benefícios de pessoas já falecidas — fato que motivou a abertura de um processo administrativo de responsabilização (PAR) contra a entidade.

O salto financeiro da Conafer começou em 2019, quando a arrecadação era de R$ 362 mil. No ano seguinte, subiu para R$ 58,5 milhões. Entre 2019 e 2023, a entidade movimentou R$ 202 milhões, enquanto o número de associados disparou de 718 para mais de 42 mil em apenas um ano.

A omissão de Moro coincidiu com episódios de interferência política e flexibilização de regras. Em 2020, uma diretora do INSS que havia iniciado uma fiscalização contra a Conafer foi exonerada poucos dias depois. No mesmo período, o governo editou uma medida provisória para restringir descontos em folha, mas o Congresso alterou o texto e ampliou o prazo de revalidação para três anos, facilitando o avanço das fraudes.

O Museu recorda ainda que a Conafer tentou firmar convênios semelhantes em 2013 e 2014, durante o governo Dilma Rousseff, mas teve o pedido negado, já que apenas entidades sindicais podiam assinar esse tipo de acordo. A regra, no entanto, foi alterada em setembro de 2016, no governo Michel Temer, abrindo espaço para a entidade atuar de forma criminosa nos convênios com o INSS.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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