4 de junho de 2026

Na vaga do STF, Lula deve priorizar um nome que resista ao golpismo

Experiências com ministros 'decepcionantes' levam Lula a priorizar um perfil blindado contra ativismo e o clamor das ruas
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em meio à campanha por diversidade para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal, o presidente Lula tem adotado uma postura de extrema cautela, buscando um nome que seja, acima de tudo, “verdadeiramente confiável”. A hesitação atual do presidente reflete uma autocrítica profunda sobre escolhas passadas que se revelaram decepcionantes em momentos cruciais.

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A ex-juíza Luciana Bauer, em depoimento ao GGN, destrinchou essa questão. O presidente reconhece que alguns de seus indicados, como José Antônio Dias Toffoli, então seu assessor e posteriormente Ministro do STF, falharam em momentos decisivos. O episódio em que Toffoli impediu que Lula assistisse ao funeral de seu irmão durante o auge do lavajatismo é uma ferida que o presidente “jamais esqueceu nem perdoou”.

“Mais do que ressentimento pessoal, Lula carrega a autocrítica de ter nomeado ministros que, em momentos decisivos, se deixaram seduzir pela pressão popular e pelo discurso punitivista da Operação Lava Jato, por exemplo”.

Para Bauer, Lula entende que “um juiz constitucional não pode se submeter ao clamor das ruas, porque sua missão é representar a voz serena e firme da Constituição”.

A pressão por gênero e o “nome à prova de golpismos”

Tudo indica que, neste momento, Lula deve optar por um homem, reservando a prioridade de nomear uma mulher para as vagas que se abrirão em breve. Sua principal exigência é um nome que seja “à prova de golpismos, um juiz que não sucumba à máquina de moer direitos do Judiciário, como aconteceu durante a Lava Jato”.

Os nomes mais fortes no entorno do presidente refletem essa busca por lealdade institucional e resistência:

  • Rogério Favreto (Desembargador do TRF-4): Lembrado por ter tentado, de forma legal, autorizar um Habeas Corpus (HC) em favor da prisão ilegal de Lula, um gesto que lhe custou perseguição por toda a estrutura lavajatista.
  • Jorge Messias (Atual Advogado-Geral da União-AGU): Tido como um nome que tem um histórico de fidelidade a Dilma e a Lula, demonstrando a confiança necessária em momentos de crise.

Apesar da preferência por um nome que “resista ao golpismo”, a juíza também levantou ao GGN nomes femininos e de confiança, como o da desembargadora Kenarik Boujikian e o da ministra do STJ Daniela Teixeira.

A lista de excelência para a cota feminina, segundo Bauer, é, de fato, robusta, e o nome da ministra substituta do TSE, Vera Araújo, surge como uma “ótima escolha para representar as mulheres brasileiras negras, que nunca tiveram assento” no Supremo.

A indicação de uma mulher ganha ainda mais força em um momento em que a cobrança de entidades pela paridade de gênero no STF é crescente, intensificada após a saída da Ministra Rosa Weber e a permanência de apenas uma mulher na Corte.

A cobrança de entidades por nomes femininos

Em um manifesto pela paridade e contra a sub-representação feminina na Suprema Corte (que atualmente tem apenas uma ministra), entidades jurídicas e civis sugeriram publicamente uma lista com sete nomes de mulheres para a vaga de Barroso.

A nota foi emitida em conjunto pelo Fórum Justiça, rede que atua pela democratização do sistema de Justiça no Brasil; pela plataforma Justa (centro de pesquisa que atua no campo da economia da Justiça); e pela Themis, entidade que defende o acesso das mulheres à Justiça e a igualdade de gênero.

Entre elas, destacam-se:

Nomes sugeridos pelas entidades
Daniela TeixeiraMinistra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), citada como nome de prestígio no entorno de Lula.
Kenarik BoujikianDesembargadora aposentada do TJ-SP, apontada como nome de respeito e confiança de Lula.
Maria Elizabeth RochaMinistra e ex-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), primeira mulher a presidir a Corte.
Vera Lúcia Santana AraújoMinistra Substituta do TSE, um dos poucos nomes de mulheres negras no alto escalão do Judiciário.
Carmen E. L. FerreiraJuíza do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Flávia PiovesanProfessora de Direito Constitucional, referência em Direitos Humanos e ex-integrante da OEA.
Heloísa Helena BarbozaDesembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

O certo é que, desde os episódios em que integrantes do STF pisaram na Constituição Federal para acobertar o maior escândalo judiciário do país, a Lava Jato, Lula quer mais do que um nome técnico. Quer um nome que garanta o compromisso irrestrito com o Estado Democrático de Direito, e que seja uma referência inabalável na Corte.

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11 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    11 de outubro de 2025 5:49 pm

    Não falta gente qualificada, o que talvez falte é juízo dos petistas. Eles parecem gostar de ser fodidos pelos Ministros que enfiam no STF.

  2. Cristiana Castro

    11 de outubro de 2025 8:43 pm

    Eugênio Aragão,seria ótimo. Já tá careca de conhecer os trambiques mídia/MP e, ñ creio que se deixasse manipular. Melhor ainda,não parece sofrer do maior mal que assola o judiciário/MP- a vaidade.

    1. Erimaldo Nicacio

      14 de outubro de 2025 12:06 am

      muito boa observação.

  3. Ak47

    11 de outubro de 2025 10:24 pm

    Quem já deu mostras do que Lula quer de um ministro do STF e já foi provado debaixo de fogo foi o Favreto.

  4. Iracema Martins

    11 de outubro de 2025 11:58 pm

    Simples: Rogerio Favreto; Jorge Messias, Vinicius CGU, Wadih Damous, José Eduardo Cardozo, Carol Proner.

  5. ed.

    12 de outubro de 2025 1:46 am

    E a Carol Proner ficou de fora?
    Qualquer que seja A escolha, o cavalo encilhado está passando para uma boa amazona…

  6. Carlos

    12 de outubro de 2025 4:05 am

    Li que Jorge Messias estaria buscando apoio, ou aceitação, de “pastores”, já recebendo a alcunha de “esquerdista conservador”.
    Outro “evangélico”?
    Acreditem: Não será uma boa escolha.

  7. Paulo Dantas

    12 de outubro de 2025 12:03 pm

    Não deve ser outro “amigo” , o “Bessias” só vai entormar o caldo.

    Mas o STF enquanto não desligarem a tv só vai piorar.

    Eu não aceito, não intistam.

  8. Eduardo T S Pereira

    12 de outubro de 2025 2:43 pm

    Não vou falar de nome. Pra mim tanto faz. Ser gay, lesbica. bissexual, mulher, homem , aranta, tamandua, o saci, ou seja qualquer um que seja bom juridicamente, e que cague e ande para os holofotes , fama e os acordos de bastidores . E seja competente. O Lula acertou com o Dino esperar que quem seja escolhido tenha esse perfil. Falar, papagaio também fala. Tem que ter competencia e aguentar pressão. Fux calça frouxa ja basta 1.

  9. Eduardo Pereira

    12 de outubro de 2025 2:51 pm

    Não me preocupa o nome ou orientação sexual, nem se e hetero . Pode ser ate o Saci, mas por favor , que seja competente, entenda de direito e que , principalmente , aguente pressão e que não se deslumbre com os holofotes. Se fizer isso ta bom paca;

  10. AMBAR

    12 de outubro de 2025 4:05 pm

    O nome mais confiável é o da Kenarik Boujikian pelos seus anos de luta contra injustiças internas e os muitos desmandos.
    O Bessias, não fosse terrivelmente evangélico seria uma boa indicação, mas se na hora de julgar ele abrir a bíblia no mesmo capítulo que o outro, entorna o caldo. Os limites dos crentes são intransponíveis. O Favreto também é um bom nome só a origem que é traumática -TRF4.

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