
Fim da Escala 6×1 e Redução da Jornada de Trabalho, Dossiê II
O artigo integra o dossiê sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso). Ele apresenta resultados da pesquisa “Impactos da escala 6×1 na vida dos(as) trabalhadores(as)”, realizada em parceria com o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT).
O estudo busca compreender quem são os(as) trabalhadores(as) submetidos(as) a essa escala e quais os efeitos sobre sua saúde física, mental e vida social.
Os autores são Flávia Manuella Uchôa de Oliveira, Clarice Rodrigues Pinheiro, Rafael Macharete, Gabriel Sant’Anna, Mary Zhang e Lucas de Oliveira.
Metodologia
- Abordagem: mista (quantitativa e qualitativa).
- Instrumento: questionário virtual aplicado em grupos do VAT, com 496 respostas válidas.
- Análise: estatística descritiva e análise temática das respostas abertas.
- Critérios: maiores de idade e que trabalham em regime 6×1.
- Referenciais teóricos: Teoria do Desgaste Físico e Mental no Trabalho (Seligmann-Silva, Laurell e Noriega).
Perfil dos participantes
- Sexo: 60% mulheres.
- Raça: 47% brancas, 34% pardas e 16% pretas.
- Idade: maioria entre 20 e 39 anos.
- Escolaridade: 51% com Ensino Médio completo; 33% cursando ou com Ensino Superior.
- Renda: cerca de R$ 2.000,00 mensais.
- Setor predominante: comércio e serviços.
- Tempo na escala: 57% há mais de três anos.
- Carga horária: 8 horas diárias ou mais.
Principais resultados
A escala 6×1 é percebida como altamente nociva à saúde e à vida pessoal:
| Impacto | Percentual que concorda totalmente |
|---|---|
| Prejudica saúde física | 97% |
| Prejudica saúde mental | 94% |
| Afeta vida pessoal/familiar | 94% |
Diferenças sutis indicam que mulheres e pessoas com menor escolaridade sentem os efeitos de forma mais intensa, devido à dupla jornada e à precarização do trabalho.
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