
O mundo vive uma fase de reconfiguração econômica após o avanço de políticas protecionistas, aumento das tarifas comerciais e a retração da ajuda internacional, na visão do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Em seu World Economic Outlook (WEO) de outubro de 2025, o fundo projeta que o PIB global crescerá 3,2% em 2025 e 3,1% em 2026, taxas inferiores à média histórica de 3,8% registrada antes da pandemia.
O relatório destaca que o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos a seus principais parceiros comerciais — com taxas efetivas variando entre 10% e 20% — provocou uma queda acumulada de 0,2 ponto percentual na atividade mundial até 2026.
Mesmo assim, a economia mostrou resiliência no primeiro semestre, impulsionada por importações antecipadas e reorganização de cadeias produtivas, especialmente na Ásia.
No entanto, o FMI alerta que a resiliência é temporária. O crescimento vem sendo sustentado por fatores de curto prazo — como estoques acumulados e estímulos fiscais pontuais —, enquanto os fundamentos econômicos continuam frágeis.
Entre as principais ameaças estão:
- Desaceleração dos fluxos comerciais globais, com o volume de comércio crescendo apenas 2,9% em 2025, ante 3,5% em 2024;
- Cortes de 9% na ajuda internacional em 2024 e nova queda prevista para 2025, afetando principalmente países de baixa renda;
- Inflação global projetada em 4,2% em 2025 e 3,7% em 2026, com forte disparidade entre os Estados Unidos (alta) e Ásia (baixa);
- Pressão sobre bancos centrais e risco de perda de credibilidade monetária diante de interferências políticas.
O FMI também alerta para o boom de investimentos em inteligência artificial (IA), comparando-o à bolha da internet dos anos 1990. Caso as expectativas de produtividade não se confirmem, uma reprecificação abrupta dos ativos tecnológicos pode atingir os mercados globais.
O documento conclui que as perspectivas continuam “insuficientemente brilhantes”, com riscos ainda inclinados para o lado negativo. A recomendação central é adotar políticas previsíveis e sustentáveis, reduzir a incerteza no comércio e preservar a independência das instituições monetárias para sustentar a confiança dos mercados.
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