4 de junho de 2026

Tombini: não há reparos a fazer na política de ajustes do Brasil

Sugerido por Pedro Penido dos Anjos

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Do Valor

 
Por Assis Moreira, de Sydney

O Brasil não tem reparos a fazer na sua politica de ajuste para resolver problemas internos ou para melhorar a capacidade de enfrentar a menor liquidez internacional, afirmou o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ontem em Sydney, ao final da reunião das principais autoridades econômicas do planeta.

Tombini destacou que o Brasil vem adotando “politicas bastante clássicas” para enfrentar a situação atual de transição para a normalização das políticas monetárias nos países ricos, que tem causado abalos nos fluxos de capitais e turbulência nos países emergentes.

“Ajuste da politica, aperto da politica monetária por razões internas, estamos apertando. Agora foi anunciado o corte do orçamento, ou seja, aperto de politica. E flexibilidade no câmbio. Países que têm condicoes, como o Brasil, usam o colchão acumulado nos tempos bons, ou seja, as reservas internacionais, de forma a oferecer proteção contra as variações cambiais e que ela seja absorvida com tranquilidade no país”, afirmou.

Tombini procurou mostrar no G-20 para seus parceiros emergentes que a desvalorização da moeda é parte da solução e não do problema, no rastro da retirada a dos estímulos monetários nos EUA.

“Se temos déficit em conta corrente e o real se desvalorizou ao longo dos últimos meses, essa desvalorização faz com que nossos produtos fiquem mais baratos no exterior e as importações um pouco mais caras. Isso ajuda no ajuste da conta corrente, milita no sentido de diminuir os desequilíbrios, e não aumentar”, disse.

Numa contestação indireta à avaliação do Fed, que pôs o Brasil como um dos “cinco frágeis”, Tombini disse: “Desvalorização não significa vulnerabilidade, significa mudança de preços relativos, refletindo uma condição financeira global de menor liquidez, de menos fluxos para os emergentes”.

O presidente do BC disse que a posição brasileira foi “uma tese vencedora” no G-20. A delegação brasileira avalia que tirou da mesa uma ideia que estava tomando corpo, de que a normalização das políticas monetárias nos desenvolvidos geraria uma potencial crise nos emergentes, pois esses países não iam poder se financiar.

Para Tombini, o fato é que o “tapering” (a redução da injeção de dinheiro na economia americana) reflete o crescimento da maior economia do planeta, com PIB de US$ 16 trilhões, e isso deve resultar em mais comércio internacional e será benéfico para os emergentes.

Só que esse processo de retirada dos estímulos monetários gera volatilidade. Daí porque o Brasil e outros emergentes no G-20 defenderam que isso seja conduzido de forma gradual, bem comunicado e com flexibilidade. Ou seja, se as condições econômicas não evoluírem como as autoridades estão prevendo, que elas tenham flexibilidade para ajustar sua política.

O presidente do BC julga que as autoridades monetárias dos países desenvolvidos entenderam essa posição, e não pela razão de cooperação internacional, mas sim pelo fato de os emergentes representarem hoje mais de 40% da atividade global. “Se há alguma volatilidade nos emergentes, isso tem impacto nas economias avançadas, e isso é levado em consideração”, afirmou.

Na reunião do G-20, um dos anúncios foi o compromisso das maiores economias do mundo com uma meta de crescimento global adicional de 2 pontos nos próximos cinco anos, o que levaria também o Brasil a adotar novas medidas para crescer mais.

Tombini destaca nesse contexto, primeiro, a parte conjuntural. Os países constatam a existência de muito desemprego e baixa utilização da capacidade em algumas economias. E a estratégia é manter o caráter acomodatício das políticas no mundo para preencher esse hiato do produto.

A outra dimensão é mais estrutural, sobre o que cada país tem de fazer para elevar o produto potencial. “Cada país vai ter o seu conjunto de reformas”, disse. No caso do Brasil, relatório do FMI aponta para infraestrutura, para redução dos gargalos pelo lado da oferta.

A terceira questão é o rebalanceamento do crescimento global, com países superavitários devendo estimular reformas também.

Indagado se o ajuste fiscal anunciado pelo governo na semana passada é suficiente, Tombini saiu pela tangente, dizendo que não falaria sobre macroeconomia brasileira devido à proximidade da reunião do Copom esta semana.

 

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3 Comentários
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  1. Pedro Penido dos Anjos

    24 de fevereiro de 2014 1:38 pm

    Mas a manchete da 1ª pg. foi

    Mas a manchete da 1ª pg. foi esta aqui:

     

    América Latina1

    Desvalorização do câmbio é solução, diz TombiniAssinante online

    Fluxo de capital para o Brasil está forte, diz presidente do BCAssinante online
     

    Há algo na entrevista que justifique tal chamada?

    A desvalorização tem fortes argumentações pro e contra.

    O Nassif, como sabemos, é a favor – e de uma forte desvalorização.

    Eu, muito mais leigo, acho que tem que haver alguma, calibradíssima.

    Vivos, veremos.

  2. jc.pompeu

    24 de fevereiro de 2014 2:07 pm

    neurolinguística da política econômica, no vulgo: neurolinguiça

    Tombini: não há reparos a fazer na política de ajustes do Brasil

    essa tá bem facinha:

    Tombini: não há ajustes a fazer na política de reparos do Brasil

  3. C. Acácio

    24 de fevereiro de 2014 4:25 pm

    Seria muita ingenuidade

    Seria muita ingenuidade esperar que a autoridade monetária comentasse a estratégia do governo em relação ao futuro da politica de juros. Ah ! mas como seria bom , se pelo menos uma leve sinalização pudesse ser percebida em seu pronunciamento de que a queda dos juros faz parte do repertório do BC …

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