O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (17) a comutação da pena do ex-deputado George Santos, libertando imediatamente o político de origem brasileira condenado a sete anos de prisão por fraude eletrônica e falsidade ideológica. A medida, divulgada nas redes sociais, gerou forte repercussão em Washington e reacendeu o debate sobre o uso político do poder de clemência presidencial.
Santos havia sido condenado em abril, após admitir ter usado a identidade de ao menos dez pessoas, inclusive familiares, para arrecadar recursos destinados à sua campanha ao Congresso norte-americano. Ele se entregou em julho para iniciar o cumprimento da pena em uma prisão federal em Nova Jersey.

“Terrivelmente maltratado”, diz Trump
Ao anunciar a decisão, Trump afirmou que o ex-deputado foi alvo de abusos na prisão. “George passou longos períodos em confinamento solitário e, segundo todos os relatos, foi terrivelmente maltratado. Portanto, acabo de assinar uma comutação de pena, libertando George Santos da prisão imediatamente. Boa sorte, George, e tenha uma ótima vida!”, escreveu o presidente em sua plataforma Truth Social.
Segundo a Casa Branca, a comutação é total. Santos está livre de continuar cumprindo pena e de pagar multas, embora a condenação siga válida em seus registros. A decisão foi assinada no fim da tarde de ontem, e o ex-parlamentar deixou a prisão por volta das 23h.
Da ascensão à queda
Filho de brasileiros, Santos foi eleito em 2022 para a Câmara dos Representantes por Nova York, surfando na onda conservadora impulsionada pelo trumpismo. Rapidamente, tornou-se uma figura polêmica após uma série de mentiras sobre sua trajetória pessoal e profissional vir à tona, incluindo falsos relatos sobre formação acadêmica, herança judaica e carreira no mercado financeiro.
Em 2023, foi expulso da Câmara após pouco mais de um ano de mandato, em meio às investigações que resultariam em sua condenação. Antes de ser preso, Santos enviou uma carta ao tribunal em que dizia estar “profundamente arrependido” e classificava a sentença como “severa demais”.
Decisão reacende debate sobre privilégios políticos
O perdão presidencial provocou reações imediatas no Congresso e entre juristas americanos. Analistas lembram que Trump tem usado o poder de clemência de forma ampla desde que reassumiu o cargo, em janeiro, concedendo benefícios a aliados políticos e figuras públicas associadas à sua base conservadora.
Críticos consideram que a medida reforça uma lógica de dois pesos e duas medidas, favorecendo correligionários e minando a confiança nas instituições judiciais.
Vale ressaltar que a comutação não apaga a condenação criminal. Santos continua inelegível e com antecedentes federais. No entanto, a decisão abre espaço para que ele tente reconstruir sua imagem junto ao eleitorado conservador, a quem sempre se apresentou como “vítima do sistema”.
AMBAR
18 de outubro de 2025 4:50 pmEr, será que o Trump acha que fez um afago aos brasileiros? Esse Jorge não era aquele que se vestia de senhora nas noites novaiorquinas?
“Filho de uma faxineira e de um pintor de paredes que emigraram do Brasil, Santos construiu sua imagem como exemplo de superação e “sonho americano”. Ele se apresentava como o primeiro congressista abertamente gay eleito pelo Partido Republicano sem ter escondido sua orientação sexual — algo que, à época, rendeu ampla cobertura positiva na imprensa” (https://www.bbc.com/portuguese/articles/cd7r5v4xxx7o)
Esse jovem era conservador de quê?
Minha inteligência não está alcançando a lógica política americana da atualidade, embora o hábito de mentir seja uma faculdade admirada e altamente valorizada por eles.