do Geledés
“Não torturem os cachorrinhos, só torturem os negrinhos”

por Mauro Santayanna
O que é a tortura? Como um ser humano pode conceber usar o corpo de outro ser humano, que possui a mesma pele, a mesma boca, os mesmos dentes, os mesmos ossos, os mesmos cabelos, os mesmos bilhões de neurônios, para puni-lo com dor, desespero e medo?
A convenção das Nações Unidas, de 1984, contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanas ou degradantes, define a tortura como “qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, dela ou de terceira pessoa, informações ou confissões; de castigá-la por ato que ela ou terceira pessoa tenha cometido, ou seja suspeita de ter cometido; de intimidar ou coagir esta pessoa ou outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer natureza; quando tais dores ou sofrimentos são infligidos por um funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções públicas, ou por sua instigação”.
São muitos os que buscam atribuir a tortura à natureza humana, como fazem com a guerra e outros crimes. Mas existe um enorme abismo entre quem luta e o torturador. O guerreiro luta por uma causa. Está sujeito a morrer por uma fonte de água, a carcaça de uma presa recém-abatida, por sua mulher e seus filhos.
O combatente atávico que existe em cada um de nós sabe dos riscos que corre, em defesa de suas circunstâncias, de suas ideias, de sua condição. Pode morrer ou ser ferido em batalha.
O torturador se distingue pela ausência de riscos, de coragem. O torturado sempre está desarmado, ou amarrado e indefeso, frente a ele. O torturador brinca com o medo do outro, porque, dentro de si mesmo, não consegue enfrentar e encarar o próprio medo. Ele é covarde por natureza, é movido pelo mal e o sadismo, e por sua fraca e abjeta personalidade. Ele não precisa de uma ideia, de uma razão.
“A finalidade do terror é o terror. O objetivo da opressão, a opressão. A finalidade da tortura é a tortura. O objetivo da morte é a morte. A finalidade do poder é o poder. Você está começando a me entender?”
explica, a um prisioneiro, um personagem de George Orwell, no livro 1984. Os torturadores são, antes de tudo, psicopatas. Dependendo do momento da história, irão torturar em nome de Deus, de uma bandeira, um uniforme, uma ideologia, uma religião. Use a roupa que usar, ocupe seja que cargo, o torturador não passa de criminoso vulgar.
Uma sociedade que abomina assassinos, ladrões, corruptos, estupradores, não pode aceitar conviver, em seu seio, com torturadores. Até mesmo porque o torturador quase sempre é, também, assassino, ladrão, corrupto e estuprador.
A diferença entre a tortura e a lei é a mesma que existe entre a barbárie e o progresso. Aceitar a tortura como inerente à condição humana é o mesmo que negar que um povo, um Estado, uma nação, a humanidade possam evoluir.
Dostoiévski dizia que a melhor forma de medir o grau de civilização de um país¬ era conhecer, por dentro, suas prisões. Nesse aspecto, a situação no Brasil é vergonhosa. Não apenas com relação às condições e superlotação de nossas cadeias, mas pela forma como nossa sociedade convive com a tortura e o torturador.
O brasileiro médio é falso, hipócrita e leniente com relação à tortura. As mesmas pessoas que se revoltam com o vídeo feito por uma vizinha, mostrando uma mulher espancando um cachorrinho na área de serviço, se regozijam quando veem um menino ou menina de 7, 8 anos – morador de rua e muitas vezes, já dominado pelo crack – ser agarrado pela orelha, e tomar uma surra de policiais ou seguranças. Param, a caminho do trabalho, para deleitar-se.
O agente do Estado, no Brasil, formado em uma longa tradição autoritária, que vem desde os capitães do mato, e dos diferentes hiatos ditatoriais de nossa história, acha que tem direito de vida ou morte sobre o suspeito. Isso está fartamente demonstrado não apenas nos milhares de casos de mortes por “auto de resistência”, mas também pelo que ocorre com os presos, muitos sem sequer terem passado por julgamento, no interior de nossas prisões. O mesmo vale para o outro lado da moeda.
Da mesma forma que um policial corrupto espanca, humilha e ameaça matar a mãe ou a filha de um suspeito, para saber – em interesse próprio – onde está escondido o produto de um assalto ou a droga recém-chegada, a violência extrema tem sido praticada, também, pelas novas gerações de marginais, que torturam e matam famílias, crianças e idosos, para tentar saber onde está um punhado de reais. Como controlar essa corrente de estupidez?
Um bom começo, do ponto de vista do Judiciário, seria perder o pudor de usar a lei e condenar alguém pelo crime de tortura. Raramente alguém que comete latrocínio com extrema violência tem a sua pena acrescida por tortura. É como se condenar alguém por esse crime fosse proibido, ou ela não existisse em nosso dicionário.
Nos portais e redes sociais ela nunca é citada por quem a defende. Ninguém, referindo-se a um suspeito, escreve ou afirma “tem de torturar esse cara”. Para que fique tudo mais íntimo e corriqueiro, banalizado, usam-se expressões como “tá precisando é de couro”, “se fosse meu filho, dava uma de criar bicho”, “comida de preso é paulada”, “pendura que ele canta”, “tinha que cortar na borracha” e outras do gênero.
A presidenta Dilma Roussef lançou, no último 12 de dezembro, o Sistema Nacional de Enfrentamento à Tortura, que prevê a instalação de um mecanismo autônomo que, por meio de peritos, terá autorização prévia para entrar em penitenciárias, instalações militares, delegacias, instituições de longa permanência de idosos, instituições de tratamento de doenças psíquicas ou similares, para constatar a existência de possíveis violações de direitos humanos nesses locais.
Trata-se de importante iniciativa, considerando-se que o Brasil é signatário da Convenção Internacional Contra a Tortura desde 1989, e que, em 500 anos de história, é a primeira vez que a Nação está encarando, de forma direta, essa abominável questão.
Mas a verdadeira batalha não se dará apenas com a fiscalização do que está ocorrendo nas prisões, que poderia avançar com a instalação de delegacias de direitos humanos em todo o país. Ela será travada nos corações e mentes da população brasileira.
Não podemos nos considerar civilizados enquanto milhares de brasileiros defenderem a execução ilegal e a tortura como método de punição e investigação. Não podemos nos considerar civilizados enquanto juízes estabelecerem jurisprudência atribuindo à vítima de tortura o ônus de provar que foi torturada. Esse paradigma, estabelecido na ideologia escravocrata e repressora de parte considerável de nossa sociedade, só poderá ser alterado a partir do ensino, em todas as escolas, desde o primeiro grau, dos direitos e deveres consubstanciados na Constituição brasileira, atendo-se estritamente ao seu conteúdo, para não dar à direita fascista motivo para combater a iniciativa.
Só quando ensinarmos nossos filhos e netos que o mero ato de um policial espancar um manifestante, em uma situação de protesto – ou manifestantes espancarem um policial desarmado – é ilegal; que extrair dor de outro homem, mulher, criança, indefeso, humilhando-os, transformando-os, pelo medo, em animais -irracionais, que gritam, sangram e choram, segundo a vontade de seu torturador, é crime abjeto e condenável, poderemos começar a mudar, de fato, a mentalidade a propósito da tortura, sua imagem e paradigmas, em nosso país.
Nós, os humanos verdadeiros – por Eliane Brum
Fonte: Sobre a Tortura – Mauro Santayana
Christoph Suwelack
23 de fevereiro de 2014 2:20 pmNós Humanos verdadeiros
Nós Humanos verdadeiros?? para ser humano verdadeiro precisa pensar com V.Sa??
Anarquista Lúcida
23 de fevereiro de 2014 8:16 pmNo sentido de ser contra a tortura, claro que sim
Mas você é apenas um troll novo no pedaço. Arre, haja paciência.
P Pereira
23 de fevereiro de 2014 9:31 pmdesenhando
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/17/opinion/1392640036_999835.html
JB Costa
23 de fevereiro de 2014 2:23 pmPuxa, o Mauro Santayanna
Puxa, o Mauro Santayanna dessa vez se excedeu.Um artigo não só para ler e meditar, Deve ser emoldurado e colocado à vista para leitura nas escolas, nas repartições públicas, nos presídios, nos quartéis, nos templos, nas ruas e avenidas; enfim, onde costumam estar o que chamamos seres humanos.
Simplesmente sensacional. Que “inveja” desse decano jornalista.
Lionel Rupaud
23 de fevereiro de 2014 3:39 pmEstou aplaudindo de pé!
é o mínimo que posso fazer…
BHZ
23 de fevereiro de 2014 4:09 pmO caso Amarildo tem gerado repercussões nesse sentido
“Um bom começo, do ponto de vista do Judiciário, seria perder o pudor de usar a lei e condenar alguém pelo crime de tortura.”
O caso Amarildo tem gerado repercussões nesse sentido:
Após ordem judicial, seis PMs acusados de tortura em Ribeirão das Neves são presos
Justiça também determinou a prisão de outros dois policiais militares suspeitos de homicídio na cidade
João Henrique do Vale
Publicação: 25/10/2013 15:33 Atualização: 25/10/2013 18:51
Já estão presos em presídios da Grande BH, seis policiais militares que foram acusados de tortura contra um homem em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O juiz da 1ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri da cidade, fez o pedido de prisão preventiva em 18 de outubro. Também determinou a prisão de outros dois militares suspeitos de homicídios no mesmo município, em um caso distinto. Na decisão, o juiz citou o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza, no Rio de Janeiro, e informou que a prática de abusos por parte de PMs em Ribeirão das Neves já se tornou “corriqueira e constante”.
O crime de tortura aconteceu em 5 de setembro deste ano. De acordo com o delegado Gustavo Garcia Assunção, que preside o inquérito sobre o caso, os militares abordaram um homem em Ribeirão das Neves e encontraram com ele pedras de crack. Em seguida, foram até a casa dele, no Bairro Veneza, onde ocorreu a tortura. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), no imóvel os militares colocaram um pano nas janelas e agrediram a vítima com socos e chutes. Posteriormente, ainda conforme o TJMG, ordenaram ao homem vestir blusa de frio para camuflar os hematomas.
O homem chegou bastante machucado na delegacia. Segundo o delegado Gustavo Assunção, ele esperou a chegada de seus advogados para delatar os policias. “Ele disse que havia sido torturado e agredido pelos militares. Já os policiais disseram que o rapaz já foi encontrado com ferimentos e que teria dito que os ferimentos foram provocados por causa de um acidente de trânsito”, conta. O homem foi levado para o Instituto Médico Legal (IML), onde foram constatadas as lesões.
O homem acabou preso por causa das drogas encontradas com ele. Os advogados dele entraram com um pedido de soltura, que foi atendido pela Justiça. “O juiz requisitou na Justiça o inquérito para analisar os fatos. Ele decidiu trancar o inquérito de tráfico, pois entendeu que as drogas arrecadadas com o rapaz foram coletadas de forma ilegal”, disse o delegado. O homem acabou solto.
A Justiça também determinou a prisão preventiva dos militares, sendo cinco lotados no 40º Batalhão da Polícia Militar e outro da Rondas Ostensivas com Cães (Rocca). “Cumprimos os mandados na última semana. Agora, vamos concluir as diligências pedidas pelo juiz para elucidar os fatos”, explica o delegado.
Os advogados dos seis militares chegaram a entrar com um pedido de habeas corpus junto a 5ª Câmara Criminal. Porém, o pedido foi inferido e o desembargador, responsável pelo julgamento, pediu mais detalhes sobre o caso à comarca de Ribeirão das Neves.
Acusados de homicídios
A Justiça também pediu a prisão de dois policiais acusados de homicídios. De acordo com o TJMG, os militares executaram uma pessoa durante ação de busca e apreensão de drogas. Eles invadiram a casa, conforme a denúncia, e atiraram várias vezes contra a vítima, que estaria desarmada. Segundo o juiz, que julgou a ação, “o laudo demonstra um corpo cravejado de projéteis, indicando que não foi necessário apenas um tiro para liquidar a vida da vítima, mas diversos e, por fim, talvez, o de “misericórdia” na nuca”.
Ainda não há informações se os dois policiais envolvidos nesse crime foram presos.
Decisão inspirada no sumiço de Amarildo
Em sua decisão sobre os dois casos, o juiz citou o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza, no Rio de Janeiro. Ao todo, 25 Pms foram denunciados no caso. Destes, 13 estão presos e o restante irá responder em liberdade. Segundo o magistrado, há inúmeros processos envolvendo abusos cometidos por policiais em Ribeirão das Neves, que têm configurado uma prática “corriqueira e constante”. Para ele, não se pode admitir que policiais militares “usem da farda e de um armamento fornecido pelo Estado para agredir a sociedade que o sustenta”. “Há a necessidade de garantir a ordem pública, especialmente dar uma resposta à sociedade, de não se permitir que policiais militares torturem e matem, se livrando soltos”, afirmou.
O EM.com.br entrou em contato com a PM e ainda aguarda resposta.
Nira
23 de fevereiro de 2014 5:10 pmE quem diz que as mesmas
E quem diz que as mesmas pessoas que se revoltam com o mau trato a um cachorro se regozijam com o espancamento de crianças ? Por que não seriam outras ? O tema é bastante sério para dispensar apelações meramente retóncas .
Anarquista Lúcida
23 de fevereiro de 2014 8:18 pmConcordo. Até porque torturar animais tb é uma barbaridade
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Rpv
23 de fevereiro de 2014 5:55 pmTodo conceito é uma guerra
Impecável artigo. Mas vou polemizar, não a ideia defendida nele, mas um conceito.
A consolidação do conceito de “Direitos Humanos” deu-se no pós guerra e na expiação do nazismo.
Estamos falando de outros tempos.
Aqui e agora sou contra o conceito “direitos humanos”.
Nesta guerra, quem defende esta idéia não deveria usá-lo.
Hoje, este conceito quer dizer que há duas classes de direitos. A nossa, que é o Direito. Ponto. E a outra, que é a dos “vagabundos”, chamada de “direitos humanos”.
É assim que o senso comum da classe medíoc…, ops, média, “ganha” a batalha da luta contra a violência, pregando mais violência.
Resumindo, tem o Direito das “pessoas de bens…”, ops, “de bem” e o “direito” dos “vagabundos” (leia-se p, p, p…). Esta segunda classe de “direitos”, não é Direito. É covardia, impunidade, injustiça.
O conceito de direitos humanos no Brasil está perdendo a guerra. É preciso ter a coragem de mudar a estratégia.
Todo o Direito é humano. Porque todo direito pressupõe dever e não é possível imputar dever as “coisas”. Como já ensinavam os Gregos, o cosmo é perfeito. A vaca muge, o cão ladra, a árvore da sombra, o sol aquece. Portanto, não é possível imputar culpa – não cumprimento de um dever, a alguém que não é livre para escolher se vai caçar ou pastar.
Todo Direito é humano. Não há outra classe de Direito.
O que deve ser reivindicado a todo ser humano, é o DIREITO, independente de cor, raça, credo, classe social, opção sexual, etc.
DIREITO à todos e todas. Esta deve ser a palavra de ordem.
Mas exigir que a classe medíoc…, ops, média, acredite que é possível haver Direito igual a todos é pedir demais. Exigir demais de alguém que sonha em ser rico e acredita que para isso basta estudar e trabalhar. Ah, e ser bonzinho também. Quanto mais bonzinho mais vc cresce na vida.
Uma classe que não consegue ver que a ameça ao seu Direito (também humano) de propriedade, não está nos “vagabundos”, que por não a terem, ameaçam os que tem. A violência social difusa está na concentração da riqueza que destina 50% do orçamento do Tesouro para pagar juros a 10 mil famílias, onde 03 bancos LUCRAM quase 50 bi no ano, onde o que se lê, vê e ouve parte dos interesses de uma família de três pessoas que possuem um patrimônio de 50 bi.
Estou pregando o comunismo?
Para os que acreditam que basta estudar, trabalhar e ser bonzinho para que todos sejamos bilionários, SIM.
Mas para aqueles que acreditam que uma sociedade é erguida a partir do Direito e que este é forjado democraticamente, NÃO. Ou alguém acha que a distorção acima descrita que cai no colo de 1% da população é porque eles são competentes e bonzinhos?
É porque existe duas classes de direitos. E a classe medíoc…, ops, média, é uma peça chave na perpetuação disso.
A classe dos 1% morre de rir desta guerra semântica, média, ops, medíocre. Alimentada por nós, classe medíoc…, ops, média.
O DIREITO do “zé mané” e dos Marinhos, deve ser igual. Ponto.
Mas aí também já é demais exigir que a classe média pense assim. Ela prefere pensar que o “zé mané” já tem Direito em excesso.
HumbertoGuedes
23 de fevereiro de 2014 6:22 pmLei é lei, é para todos,
Lei é lei, é para todos, todos!!! E a lei não prevê castigos físicos, pelo contrário, proscreve-o, criminaliza-o. Conquanto esta evidência palmar nossas, cadeias conservam-se fiéis herdeiras das masmorras da Stª Inquisição ou das galés de desde a antiguidade.
Agora, convenhamos, essa sanha toda contra este miserável acorrentado ao poste, como tantos outros, que cometem crime, de regra, miúdo contra o patrimônio, enquanto outros mui abastados, em posição econômico-social privilegiada, por serem criminosos com pena, gozam de reverencia e respeitabilidade.
Fulanizando, ilustra-se com o Sr. Prefeito e seus asseclas, até o mais raso DAS transtornarem a vida de metade da população de uma cidade como a do Rio de Janeiro, em transtorno duradouro, e transtorno gera stress, e stress prolongado gera sofrimento, entre outros danos à saúde, inclusive, danos cerebrais de diversas outras ordens.
Inda fulanizando, e para mais extenso dano, ministros, até presidentes, que de penada adotam o que tradicionalmente seriam políticas econômicas devidas a colônias, entre miríade de outros absurdos, cortando bilhões do orçamento, já comprometido em de 40% para pagamento de juros e amortizações (http://tribunadaimprensa.com.br/?p=80482), diga-se, dívida e juros mitológicos, obviamente comprometendo seus verdadeiros patrões, o povo, em sacrifício da educação e da saúde (menos de 4% do orçamento, cada um), em suma, a vida de milhões de brasileiros; e não se escude tais coisas em argumentos técnicos.
A técnica, diga-se, reconhecidamente nefasta até pelo nazista de carteirinha do Heidegger, técnica, essa aspecto do racionalismo fascista, p.ex., denunciado por Horkheimer (especialmente em seu livro Eclipse da Razão). Não, essa gente desconhece um rugidinho de raiva explícita.
Lugar comum falar, mas parece que pouquíssimos escutam ou enxergam, trata-se de inversão generalizada de valores, vez que essa gente, que está mais para Mussolinis da vida, inda ganha prémios, respeitabilidade, até são feitos doutores honoris causa nos grandes centros, enquanto os desgraçados, indefesos e despossuídos levam porrada de todo lado, desde que nascem.
Devemos, então, concluir que a regra de boa pratica é a de crimes contra coletivos? Confirmar a conclusão de que o inimigo étnico visceral do fascismo nosso de cada dia é plutológico, versão neoliberal da demofobia? Seremos todos homo sacer, cujos direitos, quiçá, a própria vida são manipuladas ao bel-prazer dos superiores interesses da pluto-aristocracia? O horizonte de tais estruturas já foi a solução final.
Isto recende a ilustração da histeria fascista nossa de cada dia, donde aquele aspecto, no início desse comentário, costumar ser tratado com muitos pesos e muitas medias.
Saudações libertárias.
LC
24 de fevereiro de 2014 3:10 amNinguém de boa fé defende a tortura
Esse paradigma, estabelecido na ideologia escravocrata e repressora de parte considerável de nossa sociedade, só poderá ser alterado a partir do ensino, em todas as escolas, desde o primeiro grau, dos direitos e deveres consubstanciados na Constituição brasileira, atendo-se estritamente ao seu conteúdo, para não dar à direita fascista motivo para combater a iniciativa.
Puxa, alguém da esquerda falando em educação. Quem diria hein? Sou do tempo em que a URSS era citada como exemplo na área de matemática e tecnologia. Mas entendo, Sra. Roussef está igual ao FHC, esqueçam meu passado. Por isso nossa educação é essa m.
A Sherazade, pessoa polêmica, mas que tem muitas opiniões perfeitamente aceitáveis no Brasil de hoje, pisou feio na bola nessa história do rapaz acorrentado.
Mas um pergunta p/turma: o que a gente faz?
A situação aqui no RJ está se deteriorando de forma catastrófica. Eu só vejo vocês dizendo que o problema da violência urbana é absoluta e exclusivamente econômico. Ou seja, enquanto nossa distribuição de renda não for filandesa, temos que ficar trancados dentro de casa enquanto os marginais ficam na rua. Outro dia a filha de um colega foi assaltada no centro do Rio e o cara estava aliviadíssimo porque ela não levou uma surra ou foi morta. Ninguém para p/explicar porque morre mais gente no Brasil do que no Vietnã dos anos 60 (será que a distribuição de renda deles era melhor que a nossa?).
Minha leitura é que vivemos o liberalismo americano dos anos 60, excesso de direito para os marginais, advogados com um poder excessivo e um poder judiciário tímido p/não dizer corrupto.
Nenhum problema em continuar ou até aumentar as políticas sociais. Mas a repressão contra os assassinos tem que ser bem pesada. Um cara que mata ou dá um soco na cara de senhora idosa (como já vi fazerem em frente a estação Carioca do Metrô) não pode no dia seguinte estar no mesmo lugar.
Esse idiota que comentou que a classe média é medíocre, por exemplo. Será essa a mesma classe média que paga uma carga tributária francesa, mas tem serviços de Gana, e vive acorrentada em casa rezando para os marginais não invadam seus domicílios? Como se resolve isso?
Aliás, desde quando pobre é a favor de marginal?
PS: o menor absurdamente acorrentado já foi pego novamente pela PM em Copacabana tentando furtar turistas. Ele ainda deu carteirada nos policiais dizendo que era o “acorrentado”.