10 de junho de 2026

À janela, por Felipe Bueno

Europa preguiçosamente vê a vida passar enquanto se corrói por dentro em questões gerais e particulares.
Crossroads - Divulgação

À janela

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por Felipe Bueno

Donald Trump diz a Bibi Netanyahu o que fazer, e se vende ao mundo como o homem que “acabou com sete guerras”. A venezuelana María Corina Machado vence o prêmio Nobel da Paz por sua oposição a Nicolás Maduro e provoca festejos mundiais de sua torcida do lado liberal. A China mantém sua linha direta com a Rússia e ambas as nações vivem o seu dia-a-dia de vitórias, empates e derrotas midiáticas e diplomáticas com os Estados Unidos.

Enquanto isso, de sua cada vez mais desconfortável posição na janela no castelo fincado no centro do “ocidente civilizado”, a Europa preguiçosamente vê a vida passar enquanto se corrói por dentro em questões gerais e particulares. Os fantasmas franceses, alemães e britânicos – esses últimos deixando claro que vivem num além-mundo à parte, separados uns dos outros pelo Hades, quer dizer, pelo Canal da Mancha – seguem assustando seus governantes e seus povos, atuando num enorme palco cuja plateia espera Godot, que nunca aparece. Já que entramos no universo da literatura, é como se fosse um Velho do Restelo ao contrário ou uma Cassandra silenciosa.

Falando em som, a doença do silêncio seletivo tem sido uma norma no Velho Continente, uma regra que, ao longo da História foi valendo mais ou menos, e se consolidou após a queda do Muro de Berlim e a fundação da União Europeia. Se há crises pontuais, mais visíveis no noticiário, geralmente por causas econômicas ou administrativas, por outro lado, no médio e no longo prazos, o silenciamento das vozes mais baixas, não hegemônicas, cresce “mudo”, com o perdão do trocadilho, e geralmente só se nota tarde demais, quando a população emudecida aguarda deuses ex machina ou, pior, apela para outsiders salvadores que em sua maioria não entram no sistema para mudá-lo, mas sim para parasitá-lo e destruí-lo.

Nesta quinta-feira, 23 de outubro, o Observatório de Geopolítica GGN volta a debater a alma atormentada da Europa. Estamos te esperando.

Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Observatorio de Geopolitica

O Observatório de Geopolítica do GGN tem como propósito analisar, de uma perspectiva crítica, a conjuntura internacional e os principais movimentos do Sistemas Mundial Moderno. Partimos do entendimento que o Sistema Internacional passa por profundas transformações estruturais, de caráter secular. E à partir desta compreensão se direcionam nossas contribuições no campo das Relações Internacionais, da Economia Política Internacional e da Geopolítica.

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