4 de junho de 2026

Carta à vítima tardia da ditadura, de Dermi Azevedo

Sugerido por Nilva de Souza

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Da Carta Maior

 
Em carta aberta divulgada nas redes sociais, o jornalista Dermi Azevedo, colunista da Carta Maior, lembrou ontem o primeiro ano da morte do seu filho.
 
Dermi Azevedo
 
Carta ao meu filho

Caro Carlos Alexandre Azevedo (Cacá)

Meu querido filho,

Bom dia !

Faz hoje exatamente um ano que você partiu para outra vida. Como aconteceu com muitas outras crianças, você foi uma das vítimas da cruel e sanguinária ditadura civil-militar de 1964. Com apenas um e ano oito meses, você foi submetido a torturas pela “equipe” do delegado Josecyr  Cuoco, subordinado ao  delegado Sérgio Paranhos Fleury, um dos mais violentos esbirros da história contemporânea.
Já no sofá da pequena casa em que morávamos no bairro de Campo Belo, na zona sul paulistana, os investigadores da repressão quebraram os seus dentinhos; mais tarde, você foi submetido a novos vexames na sede do DEOPS. Em seguida, na madrugada de 14 de janeiro de 1974, você foi levado a São Bernardo do Campo, onde moravam seus avós Carlos e Joana. Eles foram acordados  com o barulho dos agentes que jogaram você no piso da sala…

Toda a sua vida foi marcada por esses acontecimentos. Quando você, anos mais tarde, tomou conhecimento do que viveu, você leu muito e estudou a história da repressão fascista.  Em entrevista à repórter Solange Azevedo, da ISTO É,  você sussurrou:  “Minha família nunca conseguiu se recuperar totalmente dos abusos sofridos durante a ditadura… Muita gente ainda acha que não houve ditadura nem tortura no Brasil…”.

É isto mesmo, meu filho. Ainda há muita gente que não acredita que milhares de brasileiros e de brasileiras, de estrangeiros e de estrangeiras que viviam no Brasil, dedicados aos mais oprimidos e excluídos, tenham sido perseguidos e esmagados pela ditadura…”

Ainda há cidadãos, fardados ou não, no Brasil e na América Latina, que praticam e legitimam a tortura…

Definitivamente marcado pela dor…por sua dor e pelo sofrimento (inenarrável ) de sua mãe e de seus irmãos, você decidiu partir…

Cabe a mim, seu pai, a tarefa quase apenas de compartilhar a narração do seu calvário, de denunciar – como jornalista – os crimes da ditadura e de lutar para que dores e agonias, como as que você viveu, nunca mais aconteçam…

Do seu pai

Dermi Azevedo

Redação

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5 Comentários
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  1. DUDE

    22 de fevereiro de 2014 2:55 pm

    NÃO PODEMOS ESQUECER, JAMAIS.

    Não podemos olvidar, esquecer e pensar que não houve.

    Houve, sim.

    E precisamos evitar que isto ocorra novamente.

    A semeadura de uma nova ditadura está sendo feita diariamente pela nossa imprensa, infelizmente.

    Tal qual lá na Venezuela. Os mesmos ingredientes. Se não vencerem as eleições, logo veremos….

    Se vamos ter ou não a colheita maldita, somente o futuro nos dirá.

    Enquanto isto, é brilhante e emociante a carta de Dermi  Azevedo.

  2. Silvio Luiz Morais

    22 de fevereiro de 2014 3:35 pm

    Historiador tucano

    Enquanto isso um historiador tucano da UFSCAR defende a sandice de que a ditadura no Brasil não durou 21 anos. É o mesmo que escreveu um livreco desancando os 10 anos do PT no governo federal.

  3. Carlos FM

    22 de fevereiro de 2014 4:29 pm

    Nunca mais!

    Tortura nunca mais!

    Ditadura nunca mais!

     

  4. Hermeta Marly Coe Fagundes

    22 de fevereiro de 2014 6:05 pm

    Carta tardia…

    Custo a acreditar que os defensores da Ditadura desconheçam as atrocidades por ela praticadas.

    Creio que são pessoas direitistas, que odeiam a esquerda e o que mais desejam é nos exterminar.

    Só esqueceram de algo: atrocidades, chocam qualquer pessoa, até mesmo os mais radicais.Mórmente quando essa atrocidade é praticada contra uma criança.

    Eu, passei a vida inteira me esgueirando pelo interior, porque os milicos não permitiam que eu trabalhasse.E, como iria sobreviver?Mas, isso não importava a eles.Era problema meu.

    Como todo direitista ignorante, chinelo, alguns pedem uma nova Ditadura.E eu espero que haja e que seja de esquerda; e que eles sofram na pele o que a gente sofreu.

    Me solidarizo com esse pai que tanto sofreu ao assistir o sofrimento do filho.

    Sei de pais que cometeram suicídio ao saber que suas filhas haviam sido estupradas nos porões da Ditadura.

    Não bastasse atingir aos filho, acabavam com seu núcleo familiar.

    Pediria ao bando de chinelões, capachos da Ditadura de não falar asneiras, que nos ofendem.Cada vez que relembro, dói ,como se estivesse revivendo aquele inferno…

  5. Ricardo Cesar

    23 de fevereiro de 2014 1:34 am

    Vá o Google maps e digite

    Vá o Google maps e digite “rua Sérgio Fleury, São Paulo”. Esta rua não tem nada a ver com o famoso laboratório, mas sim com  o dr sérgio paranhos fleury, o doutor pelo fato de ter sido delegado. O mais estranho ou danbtesco, é que os moradores daquela rua NÃO querem mexer no nome dela! Agora, passe na Avenidad Dr. Aranaldo, e repare no nome do Instituto Do Câncer. É para rir ou para chorar? Pegue a rodovia para Sorocaba e veja o nome dela. Essa é a São Paulo e o nosso estado, mas, queremos o que, se chamamos de “Dos BAndeirantes” o palácio do governo e a principal rodovia do estado?

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