Após a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, sendo 117 civis e quatro policiais, o secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos, afirmou nesta quarta-feira (29) que, diante da ausência de perícia em muitos casos, as autoridades recorreram a “todo o contexto” para concluir que as vítimas eram ligadas ao tráfico de drogas nos complexos do Alemão e da Penha. A declaração, feita antes da identificação de todos os mortos, expôs a distância entre o discurso oficial e os procedimentos técnicos exigidos.
“Há base para dizer que os 115 mortos são criminosos. Claro que a gente vai fazer a pesquisa, mas não é um fato se, eventualmente, algum deles não tiver antecedentes criminais, se tornar vítima ou inocente”, disse o secretário, em coletiva de imprensa.
Em outro momento, reforçou o argumento: “A gente não consegue imaginar um inocente utilizando um colete balístico, mesmo se não tiver com arma naquele momento. A gente não consegue imaginar um inocente usando um uniforme camuflado.”
Santos acrescentou ainda que “a gente diminui a chance de ter algum inocente ou trabalhador na área de mata, até por conta do horário [5h30]. Dificilmente quem trabalha vai estar numa floresta, numa mata fechada, a não ser para prestar serviço à organização criminosa que domina aquele território”.
Mesmo sem saber quem são todos os mortos, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, e o próprio Victor dos Santos reforçaram, em coletiva, que se tratava de “narcoterroristas”, “criminosos” e “marginais”. As expressões, repetidas antes de qualquer confirmação pericial, ajudam a construir uma narrativa de vitória, mas também obscurecem o processo de apuração e a obrigação de investigar cada morte individualmente.
No Instituto Médico-Legal, a contagem de corpos ainda estava em curso quando as autoridades já classificavam as mortes como “resultado do enfrentamento”. Enquanto isso, moradores da Penha e do Alemão relatavam cenas de horror, com dezenas de corpos sendo recolhidos em áreas de mata por familiares e vizinhos.
Ao basear a definição de culpa em elementos como o horário das mortes, o local onde as vítimas estavam e até as roupas que vestiam, o governo fluminense adota um critério subjetivo que escapa a qualquer padrão técnico. Essa lógica, apontam juristas e defensores de direitos humanos, é incompatível com o Estado de Direito.
A Defensoria Pública do Estado, o Ministério Público e organizações de direitos humanos já pediram esclarecimentos sobre os critérios usados na operação e o número real de vítimas. Para essas entidades, o pronunciamento do secretário não apenas fragiliza a credibilidade das investigações, como antecipa o resultado de um processo que ainda deveria estar em curso.
Rui Ribeiro
30 de outubro de 2025 12:36 pm“Meninos que nunca portaram fuzis estão sendo contados no pacote como se fossem bandidos. E sabe quem vai saber se são bandidos ou não? Nunca [vão saber], ninguém vai atrás, porque preto correndo em dia de operação na favela é bandido”. – Deputado Otni de Paula
Ruy Ferraz, entre muitos outras pessoas, usava colete à prova de balas. Porventura, o fato de usar um colete à prova de balas fazia dele um bandido?
Paulo Dantas
30 de outubro de 2025 12:48 pmMuito provável terem ligações com o tráfico mas um Estado não pode simplesmente não investigar.
O número absurdo de mortes força uma reflexão sobre a sociadade que vivemos.
Sou do Rio, digo sempre que aqui a gente se acostumos à barbárie.
Rui Ribeiro
30 de outubro de 2025 2:14 pmQue pretexto estúpido. A nossa elite merece bala. Não só a nossa elite, mas toda elite econômica e militar e, em alguns casos, também a elite política e religiosa
emerson57
31 de outubro de 2025 10:01 amemerson57 diz que “CONTEXTO” do governo do Rio de Janeiro abriga assassinos genocidas e BANDIDOS.