13 de junho de 2026

Pela federalização dos crimes de Cláudio de Castro, por Luís Nassif

Sem federalização, caberá ao MPE-RJ a exclusividade da investigação de uma operação que contou com sua participação

▸Massacre de maio de 2006 em SP vitimou mais de 500 pessoas, a maioria jovens pretos, sem ficha criminal, em um dos maiores da história do Brasil.

▸MPE-SP e MPF em disputa após massacre no RJ. MPF questiona operação no Complexo da Penha, mas MPE-RJ obtém liminar para exclusividade na investigação.

▸Se crime não for federalizado, apuração do massacre no RJ fica comprometida. MPE-RJ terá papel central na investigação da operação no Complexo da Penha.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Em maio de 2006, em resposta a um ataque do PCC (Primeiro Comando da Capital), a Polícia Militar de São Paulo perpetrou um massacre que vitimou mais de 500 pessoas. A maioria era jovens pretos, muitos sem ficha criminal. O episódio ficou conhecido como “crime de maio de 2006”, um dos maiores massacres da história do Brasil.

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O ritmo de mortes só arrefeceu quando o Ministério Público Federal conseguiu, junto ao Conselho Regional de Medicina, médicos legistas para participar dos laudos do Instituto Médico Legal. O fato de saber que existiam observadores externos segurou a sanha assassina da polícia, comandada por um Secretário de Segurança egresso do Ministério Público Estadual.

O MPE-SP entrou com ações contra o MPF, tornou-se titular da ação para apurar as mortes. E o crime tornou-se impune. O maior massacre da história de São Paulo permaneceu uma mancha sobre o sistema judicial e sobre o MPE paulista.

O mesmo está acontecendo no massacre do Rio de Janeiro.

Imediatamente após o massacre, o MPF-RJ adotou duas medidas. A primeira, solicitando ao governador do Rio dados sobre a operação, para avaliar a gravidade dos crimes cometidos. Depois, pedido ao IML para seguir protocolos para apurar execuções de pessoas.

O documento havia sido enviado diretamente ao governador do Estado do Rio de Janeiro, requisitando informações sobre a operação policial na Penha, conduzida pelo GAECO/MPRJ com apoio de unidades especiais da PM e da Civil.

O ofício questionava:

  • a finalidade da operação,
  • os custos,
  • se havia alternativas menos letais,
  • o cumprimento das diretrizes da ADPF 635 (ADPF das Favelas),
  • uso de câmeras corporais,
  • presença de ambulâncias e respeito ao horário escolar,
  • além de pedir relatórios públicos de transparência

Imediatamente, o Procurador-Geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira, entrou junto ao Conselho Nacional do Ministério Público, com Reclamação para Preservação da Autonomia do Ministério Público (RPAMP), alegando que o MPF invadiu atribuições do MPRJ ao requisitar informações diretamente ao governador sobre a megaoperação policial no Complexo da Penha, realizada em 28 de outubro de 2025 pelo GAECO/MPRJ, com apoio da Polícia Civil e Militar.

O MPF pretendia analisar a finalidade da operação, os custos, o cumprimento de diretrizes da ADPF 635, a chamada MPF das Favelas, que impõe uma série de exigências para invasão de favelas, o uso de câmeras corporais e o respeito aos horários escolares.

A demanda do MPE-RJ foi aceita pela relatora do CNMP, Fabiana Costa Oliveira Barreto, que deferiu liminar impedindo a atuação do MPF. Na mesma medida, a relatora impede, também, a atuação da Defensoria Pública. Há dúvidas, inclusive, sobre o uso das câmeras corporais da PM do Rio de Janeiro.

Ou seja, caberá ao MPE-RJ a exclusividade da investigação de uma operação que contou com sua participação.

Se o crime não for federalizado, dificilmente será apurado.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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7 Comentários
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  1. Ernestogmv

    31 de outubro de 2025 10:48 am

    Uma coisa que me chamou atenção foi o fato de os cadáveres estarem quase todos de cueca. É óbvio que eles não estavam combatendo a polícia de cuecas. O Secretário de Segurança disse que iria processar quem retirou as roupas dos bandidos por alteração da cena do crime.
    Mas no dia seguinte eu vi uma cena mais impactante. Dois caras tirando a roupa camuflada de um cadáver já estendido na rua. Um pegou a calça e o outro o casaco. Baixaram a cabeça e sumiram no meio das pessoas.
    São os novos integrantes da facção. Pelo jeito todos os mortos já foram substituídos. Quem pegou as roupas dos caras mortos foram os novos soldados do tráfico. Pegaram o uniforme, só falta o fuzil.
    Acho que o combate principal tem que ser bloqueando a movimentação financeira, mas não dá pra permitir um bando de malucos com fuzil na mão. Tiro de fuzil mata a 1000m.
    A polícia tem que ir pra cima mesmo.

  2. Eduardo Pereira

    31 de outubro de 2025 11:08 am

    Isso não e novidade; O asassinato da Mariele ficou rodando de mesa em mesa ate o Lula por a PF pra investigar e em 6 meses prendeu o conselheiro do Tribunal de Contas do estado e um Deputado.

    Em 2023 o MP pos a força tarefa enviada pelo governo Lula ara vigiar o asfalto das estradas,

    O MP se for fazer algo e embaçar a investigação e justificar o massacre como “auto de resistencia”

  3. Eduardo Pereira

    31 de outubro de 2025 11:08 am

    Isso não e novidade; O asassinato da Mariele ficou rodando de mesa em mesa ate o Lula por a PF pra investigar e em 6 meses prendeu o conselheiro do Tribunal de Contas do estado e um Deputado.

    Em 2023 o MP pos a força tarefa enviada pelo governo Lula ara vigiar o asfalto das estradas,

    O MP se for fazer algo e embaçar a investigação e justificar o massacre como “auto de resistencia”

  4. Rui Ribeiro

    31 de outubro de 2025 12:26 pm

    Essas almas sebosas açougueiras de favelados estão como baratas tontas: dizem que mesmo o Doca facilitando a própria prisão é difícil prendê-lo.

    Eles não querem prender ninguém da cúpula pois se o fizerem, acabam a pauta da necropolitica e sua respectiva espetacularização. Eles querem só eliminar os vapores. Se quisessem desarticular a cúpula do crime organizado, eles teriam que ser machos na Faria Lima, não nos Morros e Favelas

    E a carnificina de favelados foi um sucesso com as bênçãos de Deu$. Os efeitos colaterais foram pequenos. Só 4 assassinos foram assassinados

  5. Rui Ribeiro

    31 de outubro de 2025 12:28 pm

    “O Doca, nós não conseguimos pegar nesse primeiro momento porque é uma estratégia que eles fazem. Ele bota os soldados como mais uma barreira para poder facilitar a sua prisão, a gente tem toda essa dificuldade”. – Victor Santos, $ecretário de $egurança do RJ

  6. fabricio coyote

    31 de outubro de 2025 2:45 pm

    e agora só resta a Lula chegar às campanhas eleitoriais com as mãos sujas de sangue. há óbvio etnocídio no brasil face aos afrodescendentes. é a barbárie requintada por pareceres jurídicos. uma emboscada de fascistas que supostos jornalistas relativizam como certa a estratégia de poupar os moradores. traído pela linguagem, como se os chacinados não fossem filhos também da marginalização racista. e Lula preocupado com o messias… mais uma vez mostramos ao mundo o racismo estrutural.

  7. Rui Ribeiro

    31 de outubro de 2025 4:18 pm

    O $ecretário de $egurança do RJ, Victor Santos, afirmou que muitos dos massacrados tinham passagem pela policia e ao menos 30 dos mortos identificados não tinham passagem pela polícia. Mas ele justificou dizendo que eles “eram pessoas que passavam despercebidas da atuação da polícia”.

    Ou seja, ninguém é inocente.

    O Bolsonoaro tem passagem pela polícia.

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