20 de junho de 2026

Vila é esvaziada no Ceará após ameaças de facções

Cerca de 30 famílias fugiram da comunidade Jacarezal, na Grande Fortaleza, após um morador ser assassinado por desobedecer ordens de criminosos.
Crédito: Reprodução/ TV Verdes Mares

Uma vila na comunidade Jacarezal, em Pacatuba, Região Metropolitana de Fortaleza, virou um cenário de abandono e medo. Cerca de 30 famílias deixaram suas casas às pressas em setembro, depois que um morador foi morto por supostamente se recusar a sair do local sob ordem de uma facção criminosa.

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Quando repórteres visitaram a área, encontraram casas trancadas, muitas ainda com móveis dentro, ruas desertas e muros cobertos por pinturas que tentam apagar as pichações das facções. Pequenos comércios e uma igreja evangélica que antes movimentavam o local também foram abandonados.

Disputa entre facções

A área era controlada há anos pela facção cearense Guardiões do Estado (GDE), mas passou a ser alvo de disputa entre o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP) — este último aliado recente da GDE. A guerra pelo território intensificou tiroteios e ações policiais em setembro, culminando na expulsão em massa dos moradores.

De acordo com relatos, a morte de um homem que se recusou a deixar sua casa foi o estopim para o esvaziamento completo da vila. Em poucos dias, o Jacarezal se transformou em uma “vila fantasma”.

Clima de medo

Moradores de bairros vizinhos relatam ameaças constantes e restrições de circulação impostas por criminosos. Entrar na vila, dizem, só é permitido com escolta policial.

“Tem gente que vem pegar suas coisas e não consegue. Agora mesmo um rapaz veio pegar sua geladeira, mas não deu certo. A região está muito perigosa”, contou um morador, sob anonimato.

“”Eu não tinha contato com as pessoas que moravam aqui (na vila), mas como sempre passo (em frente), via todos os dias as crianças brincando, senhoras na calçada. Agora é uma vila fantasma. Cadê o governador? Cadê a Justiça? É lamentável. E não é só aqui. Onde moro eles ficam atirando meia-noite, amedrontando as pessoas. Aqui na esquina mataram um senhor que era pedreiro, porque deram a ‘ordem’ pra ele sair, mas ele não tinha pra onde ir. Então, vieram e mataram.”

Nas casas abandonadas, há sinais da pressa com que os moradores deixaram o local: utensílios espalhados, poeira e cadeados reforçados. Animais domésticos vagam pelas ruas desertas.

O que diz o poder público

A Polícia Militar informou que reforçou o patrulhamento na região do Conjunto Jereissati III, onde fica o Jacarezal. A Polícia Civil disse que investiga as ameaças por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).

O Ministério Público acompanha o caso desde setembro e afirmou que o Gaeco e o Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência (Nuavv) estão à disposição para atender os afetados.

A Prefeitura de Pacatuba declarou que não foi procurada formalmente por moradores, mas que adota medidas como melhoria da iluminação pública e estudos para implantação de videomonitoramento. A gestão ressaltou que a segurança pública é responsabilidade do Governo do Estado.

Estratégia territorial

Para especialistas, o interesse das facções pela vila se explica pela localização estratégica — o Jacarezal fica próximo à rodovia CE-060, rota de acesso a diversas cidades do Ceará.

Segundo Artur Freitas, pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (UFC), locais próximos a rodovias, portos e áreas densamente povoadas são alvos frequentes dessas organizações.

“Quanto maior a densidade demográfica, supõe-se que maior a movimentação do mercado interno, de fazer o dinheiro circular. Esses grupos estão no movimento expansionista, chegando, inclusive, a distritos de pequenas cidades do interior”, explica Freitas.

Fenômeno recorrente

Casos de expulsão de moradores por facções não são novidade no Ceará. Desde 2015, bairros de Fortaleza e do interior enfrentam episódios semelhantes.

Levantamentos da Defensoria Pública registraram centenas de famílias forçadas a abandonar suas casas, embora os dados atualizados estejam sob sigilo.

Somente em outubro deste ano, novas ameaças foram registradas em condomínios dos bairros José de Alencar e Prefeito José Walter, em Fortaleza, resultando em novas expulsões.

Enquanto as investigações seguem, a vila do Jacarezal permanece deserta, com as marcas de uma guerra silenciosa que avança sobre comunidades inteiras do Ceará.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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1 Comentário
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  1. Ak47

    2 de novembro de 2025 10:33 pm

    ESQUERDAS caiam na REAL. Recuperação de territórios significa pagar o PREÇO DE UMA BATALHA. Luta em DUAS FRENTES, asfixia FINANCEIRA na FARIA LIMA e combate de INFANTARIA nas ruas, onde muito SANGUE vai correr. Tempo de operações policiais acabou. SIMPLES ASSIM.

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