7 de junho de 2026

Xadrez de como a Boeing saqueou a Embraer, por Luís Nassif

Evasão de quadros sêniores para a Boeing desestruturou projetos críticos, causando a perda de “soberania tecnológica incremental” do Brasil
Divulgação

▸Boeing adquire divisão de aviação comercial da Embraer por US$ 4,2 bilhões, criando joint venture “Boeing Brasil – Commercial”.

▸Mais de 500 engenheiros da Embraer são recrutados pela Boeing, afetando projetos cruciais como PSM, 14-X e Amazônia-1.

▸Ministério da Defesa minimiza risco de soberania em recrutamento de talentos pela Boeing, alegando falta de lei para intervir.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Peça 1 – a Boeing comprou a Embraer

Há um engano na versão de que a Boeing comprou a Embraer e precisou devolver.

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A versão oficial é que a Boeing ofereceu oficialmente cerca de US$ 4,2 bilhões pela divisão de aviação comercial da Embraer, em um acordo anunciado em julho de 2018 e formalizado em dezembro do mesmo ano.

Mas o valor e a estrutura do negócio escondiam uma operação muito mais profunda de controle — não apenas financeiro, mas tecnológico e estratégico.

O acordo previa a criação de uma joint venture chamada “Boeing Brasil – Commercial” (BBC), com a seguinte composição:

  • Boeing: 80% de participação, aportando cerca de US$ 4,2 bilhões;
  • Embraer: 20%, mantendo participação minoritária e papel de fornecedora.

A avaliação total da divisão de aviação comercial da Embraer era estimada em US$ 5,26 bilhões, mas a Boeing pagaria apenas pela fatia majoritária — o que, na prática, subavaliou o ativo. Essa subavaliação foi criticada por analistas e ex-dirigentes da Embraer como um “desconto geopolítico”.

Foi mais que isso. A história real é que a Boeing levou o que queria, sem despender um tostão: cerca de 500 engenheiros brasileiros, a maioria dos quais da Embraer, trabalhando em áreas estratégicas da empresa.

Peça 2 – as tecnologias críticas

Os mais de 500 engenheiros recrutados correspondiam, em média, a 20% do núcleo técnico de engenharia de sistemas complexos. Isso afetou diretamente:

  • o PSM (Plataforma Suborbital de Microgravidade), que dependia de engenheiros de integração de voo;
  • o Projeto 14-X, da Força Aérea e do ITA, que exige domínio de propulsão scramjet;
  • e o Amazônia-1, coordenado pelo INPE e com participação da Visiona, Akaer e Avibras.

Efeito colateral: segundo fontes setoriais, subcontratadas de defesa passaram a atrasar cronogramas, especialmente no 14-X, em função da evasão de quadros seniores.

Consequência: perda de capacidade de “soberania tecnológica incremental” — ou seja, o Brasil deixa de dominar as cadeias intermediárias que ligam o protótipo ao produto industrial.

A intenção da Boeing foi avançar sobre as seguintes tecnologias críticas da Embraer:

1. Engenharia de Sistemas Complexos (Systems Integration)

A Embraer domina a arte de integrar milhares de sistemas — aviônicos, hidráulicos, elétricos, digitais — num ambiente leve, redundante e certificável. Essa competência é raríssima, mesmo entre fabricantes globais.

2. Aerodinâmica e materiais compostos

A Embraer se tornou referência mundial no uso de materiais compostos leves (fibra de carbono e resinas epóxi) em estruturas de alta resistência — asas, fuselagens e empenagens.

3. Aviônica, software embarcado e fly-by-wire

Desde o projeto do ERJ-145, a Embraer desenvolve sistemas digitais de controle de voo (fly-by-wire) em parceria com a Parker Hannifin e BAE Systems, mas com arquitetura própria.

No KC-390, a Embraer criou a primeira implementação latino-americana de fly-by-wire militar full digital, em código-fonte nacional.

4. Modelagem digital e engenharia simultânea

A Embraer foi pioneira na adoção do conceito de engenharia digital integrada (digital twin), simulando em tempo real todas as fases do projeto — design, produção e manutenção.

Peça 3 – o entreguismo militar

A Embraer é filha direta da estratégia de defesa, do ITA e do DCTA, criados nos anos 1950 sob orientação de Casimiro Montenegro Filho.

No governo Bolsonaro, no entanto, ocorreu um alinhamento total aos Estados Unidos, resultando em concessões em defesa, inteligência e tecnologia. O resultado foi que as resistências internas dos militares foram abafadas pela alta cúpula da Aeronáutica e do Ministério da Defesa.

Quando começaram as negociações da venda da Embraer à Boeing, o Comando da Aeronáutica optou por não interferir no processo, alegando que a divisão militar ficaria fora do acordo. Nos bastidores, oficiais do ITA e engenheiros do DCTA classificavam o arranjo como “entreguismo técnico disfarçado de sinergia”.

A ala nacionalista (ITA/DCTA) defendia a manutenção do controle brasileiro sobre qualquer segmento com spin-off de uso militar. Esse grupo tinha apoio discreto de engenheiros seniores da Embraer e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

A ala política (Alto Comando), liderada por oficiais próximos ao então Ministro da Defesa, General Fernando Azevedo e Silva, e ao General Braga Netto, via GSI. Essa ala via o acordo como uma “oportunidade de integração global”.

A União tinha uma ação de classe especial, que lhe permitia impedir a operação. Mas o Ministério da Defesa não exerceu esse poder.

E pulularam declaração públicas a favor do acordo:

  • Brigadeiro Rossato (ex-comandante da FAB): declarou em 2018 que “a Embraer tem mais a ganhar do que a perder” com o acordo.
  • Brigadeiro Baptista Júnior (então chefe do EMAER): afirmou que “a parceria amplia o mercado do KC-390”.
  • Clube Militar (RJ) publicou nota em 2019 defendendo o “avanço tecnológico conjunto” com a Boeing, sem mencionar soberania.
  • Nenhuma nota oficial da FAB ou do MD entre 2020 e 2022 condenou o êxodo técnico.

Peça 4 – os interesses geopolíticos norte-americanos

O movimento da Boeing se encaixa num contexto de reconquista do mercado de defesa e espaço latino-americano após a penetração chinesa via CETC, CASIC e Norinco, e da russa Roscosmos.

Nos bastidores, o Pentágono e o Departamento de Estado usaram o argumento da proteção de cadeias críticas para justificar a absorção de talentos brasileiros.

Fontes do US International Trade Administration chegaram a classificar o cluster de São José dos Campos como “mercado estratégico de mão de obra aeroespacial”.

Lembre-se que a Lava Jato colocou a Embraer sob supervisão total de um escritório de advocacia ligado ao Departamento de Justiça.

Peça 5 – a reação e o surpreendente papel do Ministério da Defesa

Em 2022 e 2023, aí já no governo Lula, a  ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança) e AIAB (Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil) abriram ação civil pública. O ponto central foi a transferência de know-how sob confidencialidade durante as negociações Embraer–Boeing (2018-2020). Esse material teria sido posteriormente usado para identificar engenheiros-chave e “sugar” capital humano.

A petição inicial, elaborada por consultores jurídicos das duas entidades com apoio técnico de engenheiros do setor, sustentou:

  1. Que a Boeing, durante as tratativas de fusão com a Embraer (2018–2020), teve acesso a informações confidenciais, inclusive listas de engenheiros-chave, arquiteturas de software e metodologias de integração digital. 
  2. Que a posterior contratação em massa desses profissionais configurou aproveitamento indevido de segredo industrial, conforme o art. 195 da LPI.
  3. Que o recrutamento predatório produziu dano difuso ao interesse nacional, pois desestruturou setores integrantes da Base Industrial de Defesa (BID).
  4. Que, ao agir dessa forma, a Boeing exerceu abuso de poder econômico, com violação do art. 36 da Lei 12.529/2011.
  5. Que o episódio atentou contra o princípio constitucional da soberania tecnológica e do desenvolvimento nacional autônomo (art. 219 da CF).

Para surpresa geral, o  Ministério da Defesa minimizou o risco de soberania (provavelmente ainda sob influência da ala militar pró-EUA no governo anterior). 

Sua posição:

  • “Fica notório a ação de captura de talentos profissionais brasileiros pelo grupo Boeing … sobretudo no polo industrial aeronáutico de São José dos Campos” 
  • “Os argumentos apresentados na ACP ainda não são suficientes para demonstrar o interesse processual da União no escopo da soberania nacional” 
  • “Não foram vislumbrados dispositivos legais em vigor (…) que possam ser empregados de imediato para cessar as ações negativas da Boeing nesse campo comercial, sobretudo devido ao princípio da livre concorrência de mercado.” 

Coube ao MDIC reverter essa posição no início de 2023, sustentando que havia elementos para considerar abuso de poder econômico com impacto na política industrial.

A ação está sob sigilo e há meses não  se tem nenhuma informação sobre ela.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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30 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    4 de novembro de 2025 7:46 am

    O acordo Boeing/Embraer foi caracu: Os EUA entraram com a cara e o Brasil entrou com o ….

    1. Emanuel Oliveira

      4 de novembro de 2025 11:23 am

      Exatamente, foram 40 anos ou mais perdidos em 4 anos, um verdadeiro assalto ao Brasil moderno.

      1. RENATO ALBERTO GRANDO

        5 de novembro de 2025 3:46 pm

        Fato! Estou colocando no linkedin para ver se gera alguma coisa positiva por lá naquele solo ruim!

        1. Jose

          6 de novembro de 2025 3:06 am

          O governo “liberal” dos EUA mantém listas de empresas, instituições e indivíduos estrangeiros com os quais as empresas americanas estão proibidas (ou severamente restringidas) de negociar tecnologia sem uma licença específica.

          E ha uma outra infinidade de restrições, penas e salvaguardas pra coibir a transferencia de tecnologiaa

          Já na Terra Brasilis….

    2. José Machado

      5 de novembro de 2025 9:00 pm

      O golpe de Estado do impeachment da Dilma Rousseff. Foi tão danoso para o país, que o estrago feito;
      na população, na economia, na pobreza, é incalculável.

      Não sabemo quando, poderemos retornar todo estrago que eles cometeram. Pois ainda estão no poder e agarrados
      ao botim do golpe, planejamento o próximo para enganar novamente a todos.

      2013-2016, manifestações e paralisação de toda economia para o impeachment da Dilma
      2016-2018, Governo Michel-Temer, o período talvez mais danoso no parlamento da concretização do golpe de Estado
      e do saque de patrimônio e direitos.
      2018-2023, Governo Bolsonaro, perído mais sombrios e danosos da nação. Aparelhamento e inativação de todoa máquina
      pública federal, caos na administração e tentativa de golpe de Estado via uso de força militar.

  2. Sergio Santos

    4 de novembro de 2025 9:57 am

    Seria do nosso Governo atual fazer o que os chineses fizeram, oferecer salários mais altos do que esses engenheiros estão a receber lá, para os trazer de volta, dado que agora eles estão no “intestino” e “coração” de um importante concorrente e, portanto, ainda mais bem preparados do que estavam quando pra lá foram?

    1. EVANDRO

      23 de novembro de 2025 11:37 am

      Não é o Brasil que paga os salários deles, mas a Embraer. Mas a sugestão está dada.

  3. CESAR ANTONIO FERREIRA

    4 de novembro de 2025 1:34 pm

    Militares entreguistas, imprensa especializada “comprada”…
    Arrotavam patriotismo.
    A Embraer perdeu quadros importantes e ainda perde. O assédio aos engenheiros da empresa é constante e não surpreende. Porém, superar este “estupro” da Boeing é uma prova de resiliência.

  4. Raimundo nonato

    4 de novembro de 2025 7:28 pm

    Me digam, o que de bom o governo entreguista do messias fez pelo Brasil?. E ele se diz patriota junto com seus cupinxas vendilhões da pátria. Esses caras têm que mofar na prisão sem ver o sol.

  5. Henry Caropreso

    4 de novembro de 2025 7:55 pm

    Nassif , você está careca de saber que o controle acionário da Embraer está totalmente nas mão da BlackRock&friends da NYSE , portanto os americanos dominam a Embraer .
    Pela Lei de Licitação , o controle acionário da Embraer sempre seria brasileiro. O Famigerado Paulo Guedes junto com o banco Bozzano Simonsen orquestraram a mutreta que entregou a EMBRAER aos americanos.
    Durante todo o governo Sarney a Embraer / Ministério da Aeronáutica foram sabotados sistematicamente para ” inviabilizar ” uma indústria genuinamente aeronáutica brasileira .
    O próprio Ozires Silva deslocado por Sarney para a Petrobrás , comandou remotamente o solapamento da EMBRAER , tanto que o primeiro ato administrativo de Fernando Collor foi assinar o decreto da privatização.
    Zelia Cardoso ( ela mesma ) ordenou que todos os projetos em desenvolvimento fossem paralisados .
    Se você quiser mais , leia o livro ” Guido Pessotti” do jornalista Mario Vinagre . Eu li , mas nem precisava , porque trabalhei na Embraer , era amigo pessoal dos principais Engenheiros que conduziram a empresa , o próprio Guido Pessotti , Diretor Técnico , Alcindo Amarante , o segundo homem da Engenharia , Francisco Galvão , um tremendo especialista em aerodinâmica aeronáutica e vários outros todos esses CÉREBROS foram demitidos no ” PDV ” mais criminoso da história.
    A Embraer , resultado de 30 anos de massivo investimento do ministério da Aeronáutica assim foi entregue aos americanos .
    Na minha opinião essa foi a maior TRAIÇÃO sofrida pelo povo brasileiro .
    Toda a mão de obra especializada aprimorada durante quase três décadas foi disponibilizada aos americanos . A Embraer passou a ser apenas um grande parque de indústria aeronáutica com mão de obra muito mais barata do planeta.
    Hoje a produção do Super tucano , por ser uma aeronave militar foi transferida para a firma Sierra Nevada , em Jacksonville, Flórida .
    Vocês jornalistas foram cúmplices por omissão dessa traição e continuam sendo !
    Essa sua matéria é tão furada quanto um queijo suiço !

  6. PAULO HONORATO DE SOUZA

    4 de novembro de 2025 8:22 pm

    DEVEMOS SIM OUVIR LUIS NASSIF,POIS ESTE JORNALISTA TEM MUITO A DIZER,AURORIDADES CONVERSE COM LUIS NASSIF,TENHO CERTEZA SAIRÃO DA CONVERSA COM OUTRA VISÃO DE BRASIL.

  7. Geraldo Nicola

    4 de novembro de 2025 9:37 pm

    A Embraer deve agir como empresa privada e bloquear interferências políticas como essa do governo Bolsonaro.
    Espero que a lição tenha sido aprendida.

  8. John Doe

    4 de novembro de 2025 9:54 pm

    Faltou esclarecer que os Engenheiros “roubados” estavam alguns, apesar da boa performance, há mais de 10 anos, com correção salarial aquém da inflação e sem receber promoção por mérito.
    Embraer vai abandonar o método híbrido de trabalho no início de 2026, por exemplo, e já avisou que vai cancelar a ajuda de custo de 500 reais dos engenheiros que “não foram roubados”. Quando em viagem, para um país de custo maior, antes “do roubo”, nunca poderiam tomar uma mera cerveja, algo normal na Indústria. Hoje está liberado, por que será? Além disso mesmo viagens de 24 horas de duração tinham que ser feitas na classe econômica, apesar da política interna teoricamente permitir algo melhor. Saiu da empresa e tinha bônus a receber, esquece pode esperar sentado. Esses são apenas alguns exemplos de como a Embraer trata os funcionários. A melhor coisa que ocorreu para os funcionários da Embraer foi a Boeing ter aberto o escritório aqui. É preciso ouvir sempre os dois lados da história. Postando anônimo porque infelizmente é um mercado pequeno no Brasil e não quero ser retaliado.

  9. Jose

    4 de novembro de 2025 10:08 pm

    Os EUA fazem gato sapato desse pais, nem precisam de misseis para nos bombardear, pra que se temos a elite, os militares e outros vira latas que temos

  10. Ricardo Cruz

    4 de novembro de 2025 10:49 pm

    Já disse uma vez o ex Presidente Fox, do México: “pobre país (referindo-se ao México) tão longe de Deus e tão perto dos EUA”. A referência é extensível ao Brasil, pobre país que não ganha uma do Grande Irmão do Norte… Só nos resta rezar pra que o Yellowstone exploda em breve. Valerá a pena sofrer as consequências aqui no sul.

    1. Jose

      5 de novembro de 2025 2:21 pm

      O viralatismo trumpista de alguns comentaristas vem com esse blablabla de que a Embraer e empresa privada, e citam os EUA como exemplo deiberalismo economico quando é o pais onde o Estado mais intervem e protegem suas empresas e proibem transferencia de tecnologias

      Triste o viralatismo, viu

    2. RENATO ALBERTO GRANDO

      5 de novembro de 2025 3:54 pm

      Muito bem colocado!

  11. Jose

    5 de novembro de 2025 3:50 am

    Com o golpe de 64 a PANAIR que era eferencia na aviação mundial, virou pó

    O golpe contra Dilma segiu s mesmos panos de sabotagem nacional

    Trisre

  12. Marcelo Da Silva Lima

    5 de novembro de 2025 4:24 am

    Ninguém tem um cordão umbilical com empresa.
    E o Brasil nem tem um foguete que dá ré, ficam imaginando que o Brasil tem tecnologia alienígenas que os EUA quer roubar.

  13. Pelego

    5 de novembro de 2025 5:50 am

    Materia sensacionalista. Ainda bem q vivemos num mundo globalizado e os profissionais que foram “roubados” não são propriedades (escravos) do senhor do engenho, como gostaria o autor da matéria. Profissionais qualificados devem ser reconhecidos e bem remunerados. Ninguém foi sequestrado, trocou de empresa por espontânea vontade. Se a proposta de permanecer fosse melhor, não teriam trocado de empresa.

  14. Caio

    5 de novembro de 2025 5:56 am

    Monte de besteira! Então, o engenheiro brasileiro não tem direito a lei de mercado? Não pode ganhar melhor em função da sua especialização? Tem que ganhar o que a Embraer quiser pagar? Pelo bem da nação? Vai falar isso para os top advogados e médicos do país também! Obriga eles a atender plano de saúde ou dativo… o que Boeing fez foi identificar uma oportunidade e valorizar esses engenheiros. Brasil é o único país que reclama de receber uma multinacional.

    1. Lopes

      22 de novembro de 2025 12:36 pm

      Que mente miúda! Você acha que os EUA estabeleceram e estabelecem sua hegemonia cumprindo fielmente as tais leis do “mercado”? Isso é discurso para os outros, para eles não! A crítica do texto reside justamente na falta de visão estratégica dos governos brasileiros no sentido de criar, preservar e defender um parque tecnológico aeronáutico altamente especializado neste país, inclusive valorizando os profissionais do setor, a fim de nos colocarmos no mundo como mais do que meros vendedores de banana. Os EUA sabem que a hegemonia deles depende da dominação tecnológica exclusiva e da contenção dos eventuais competidores. E os EUA, de fato, usam largamente o poder acumulado que têm para alcançar esse objetivo. São altamente intervencionistas. Os governos nacionais criticados no texto tiveram postura subalterna nesse contexto, visando a, provavelmente, remunerar grupos de interesse às custas do país É justamente essa a questão: por que esses governos canibalizaram a Embraer? Esse assunto vai além dos salários de alguns profissionais ou da chegada de uma multinacional, e diz muito sobre que nação queremos construir; sobre como o Brasil vai gerar valor agregado de ponta independentemente de multinacional. Porque depender de multinacional ou ter alguns profissionais brasileiros bem remunerados por uma multinacional não são o caminho. Isso pode até melhorar o padrão de vida de cada um desses profissionais, mas não produz desenvolvimento.

    2. EVANDRO

      23 de novembro de 2025 11:43 am

      Caio, teu comentário pede dados: quantos engenheiros foram contratados antes e quantos durante. Aí poderíamos avaliar melhor. Se vc sabe que, o que faz e como, fica bem mais fácil

  15. Thiago

    5 de novembro de 2025 8:49 am

    Então… “Engenheiros Roubados” ???
    Eu estive na Embraer por 16 anos. durante 10 anos com salário muito defasado. Durante as reuniões de equipe, sempre quando tentava tratar o assunto cansei de ouvir “cada um é responsável por sua carreira, se não está bom aqui, fique vontade em tentar a vida num outro lugar”.
    Pois bem, cuidei da minha carreira, cuidei da minha vida! Não fui para a Boeing, mas estou vivendo fora do país. E o melhor, sendo respeitado e reconhecido pela experiência que tenho.
    Concordo que a Boeing foi estrategista nisso tudo, mas a Embraer está sofrendo perdas por não se importar com os funcionários.

  16. ANABI RESENDE FILHO

    5 de novembro de 2025 12:31 pm

    Só não entendi uma coisa: E o vampiro Temer no processo todo?

    1. Gilson Júnior de Jesus

      6 de novembro de 2025 9:25 am

      Anabi Resende Filho, claro, o Vampirão sendo protegido pelo “isento” jornalista.

  17. EDUARDO

    6 de novembro de 2025 7:58 am

    Pois fora a Embraer ainda o governo entregou de bandeja a base de Alcântara e assinou acordos que travaram o desenvolvimento de foguetes e satélites e paralisaram o programa espacial ainda tem um astronauta que hoje eh senador não fez nada para parar isso puro interesse pessoal, aliás até o processo de sucateamento da Avibras e tentativas fracassadas de venda dessa Cia ecoam até hoje e nem o atual governo não faz nada ou seja muita grana rolando e influência externa.

  18. Mauricio Custodio

    6 de novembro de 2025 8:17 pm

    Mais uma excelente matéria do GGN. Nassif trás com profundidade os interesses sórdidos dos braços de poder geopolítico estadunidense. Imaginem o inverso, a Embraer cooptando trabalhadores da Boing, Spacex ou Blueorigin. Em tal delírio já imagino um foguete sendo sabotado e explodindo, levando para o espaço um programa nacional e todos os cérebros envolvidos. Parabéns Nassif, devemos agora tentar entender o porquê não há lei no país que defenda o patrimônio brasileiro. Um grande abraço.

  19. +almeida

    8 de novembro de 2025 12:12 pm

    Como sempre, os maiores vira-latas do entreguismo traiçoeiro estão infiltrados nas cúpulas das instituições públicas e estratégicas brasileiras.

  20. emerson

    12 de novembro de 2025 7:51 pm

    Mesmo com esse “dentada” desavergonhada de profissionais ultraqualificados e tecnologias da Embraer, a Boeing continua enfiando os pés pelas mãos na sua área de aviação civil e faz água a olhos vistos.
    E, em oposição ao caos da companhia estadunidense, a competência dos atuais quadros da Embraer mostrou que esta vai muito além daquela já sabida, visto que já está melhor hoje do que no período pré-venda.

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