A Suprema Corte dos Estados Unidos ouviu os argumentos sobre a legalidade das tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump, principalmente se o republicano possuía autoridade para impor tarifação das importações dentro a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), um estatuto de 1977, que nunca tinha sido usado para tributação.
De acordo com a agência Axios, pelo menos dois dos votos decisivos mostraram ceticismo sobre o poder presidencial para impor tarifas tão amplas sem aprovação explícita do Congresso.
O juiz-chefe da Corte, John Roberts, chegou a observar que o presidente estaria reivindicando um poder praticamente irrestrito para taxar qualquer produto, de qualquer país, por qualquer valor e tempo, o que representa um exercício de autoridade “maior”.
Pelo lado do Departamento de Justiça, a argumentação é que Trump usou os poderes para responder a uma emergência nacional causada pelo déficit comercial norte-americano, o que justificaria as tarifas.
Entretanto, tal justificativa foi questionada pelos juízes conservadores e mostraram preocupação com os impactos econômicos e com o processo de reembolso às empresas que pagaram as tarifas.
Caso a Suprema Corte invalide as tarifas de Trump, o governo norte-americano pode ser obrigado a devolver bilhões de dólares às empresas que pagaram as tarifas e assim perder uma alavanca importante para negociações comerciais, além de ver as prerrogativas presidenciais serem limitadas de forma significativa.
Rui Ribeiro
7 de novembro de 2025 9:24 amO desemprego está bombando nos EUA. Só que estão culpando exclusivamente a Inteligência Artificial e absolvendo o tarifaço trumpiano pelo desemprego. Análise capenga da realidade.
Rui Ribeiro
7 de novembro de 2025 12:44 pmA Inteligência Artificial está causando desemprego estrutural no mercado de trabalho. Da forma que está se implantando, a IA vai detonar ainda mais a classe trabalhadora. E com trabalhadores desempregados, como as empresas vão vender seus produtos e serviços?
Einstein teria a solução?
” O desemprego é particularmente cruel em período de crise económica. Muitas pessoas têm por isso tendência a crer que uma vez ultrapassadas as crises, o desemprego tenderá também a desaparecer. Isto parece-me, no entanto, incorrecto. Mesmo em períodos de prosperity(3), o desemprego é significativo. É por isso que penso que podemos, sem riscos de errarmos, abstrair-nos do fenómeno das flutuações quando reflectimos nas causas do desemprego.
Parece-me que a maneira mais convincente de elucidarmos a questão será recorrer a um modelo simplificado ao extremo. Imaginemos uma ilha isolada do resto do mundo, na qual a terra possui um rendimento suficiente para nutrir os seus 300 habitantes. Supondo que existem 100 campos nessa ilha e que 100 habitantes possuem um campo cada um, com a condição de que todos os cultivem produz-se mesmo à justa para sustentar os trezentos habitantes.
Para que todo este sistema funcione de maneira satisfatória aqui está o que deve passar-se: cada camponês cultiva o seu campo com dois empregados, a quem paga para o ajudarem. Com o seu salário estes compram aquilo de que têm necessidade para viver. Deste modo, tudo está em ordem.
É então que um dos camponeses inventa uma ferramenta de trabalho particularmente eficaz que lhe permite obter do seu campo o rendimento habitual com a ajuda de um só empregado. Resultado: temos um desempregado e um camponês para o qual o lucro é mais importante que aqueles seus colegas, porque este último pode vender os seus produtos mais baratos dado que tem que desembolsar menos em salários.
A satisfação é de curta duração. Ele faz, de facto, aos outros camponeses uma concorrência desmesurada. Estes vêem-se, deste modo, constrangidos a utilizar por seu turno a nova ferramenta que ele inventou, o que lhes permitirá também obter doravante com um só empregado o mesmo rendimento do costume.
Mas algo de grave se passou entretanto. Cem homens são forçados ao desemprego e os camponeses não mais chegam a desfazer-se de um terço da sua colheita, tanto mais que não existe mercado exterior. Produzir do mesmo modo de futuro não tem mais sentido algum. Não existe “procura” correspondente àquilo de que cem homens têm necessidade para viver. Pode-se, entretanto, produzir quanto muito um pouco mais que dois terços da quantidade normal a fim de evitar que os 100 desempregados morram de fome e se revoltem.
Eis que vejo os meus sensatos leitores torcerem o nariz de desdém e dizerem que nada percebo de economia. Esses cem desempregados, pensam, acabarão na realidade por descobrir na sua miséria um meio de fazer frutificar o seu trabalho utilmente e de receber em troca dinheiro e pão. Eles poderão, por exemplo, tornar-se cabeleireiros, actores, enfermeiros, etc., e dessa forma suavizar a vida da comunidade. Eis o que é perfeitamente verdadeiro. Mas que este processo não logra, contudo, compensar o facto de que a necessidade de mão-de-obra baixou em virtude do aperfeiçoamento do processo, eu o vejo revelar-se na nossa economia de verdade e não neste exemplo um pouco simplista que escolhi para clarificar a ideia…” – Einstein, O Perigo Fascista e o Desemprego