A China anunciou nesta sexta-feira (7) o fim da suspensão das importações de frango do Brasil, retomando um fluxo comercial que estava paralisado desde maio. A decisão tem efeito imediato e foi divulgada pela Administração Geral de Alfândegas chinesa, que afirmou agir “com base nos resultados da análise de risco”.
O embargo havia sido imposto em 16 de maio, após o Brasil registrar o primeiro e único caso de gripe aviária em uma granja comercial, em Montenegro (RS). A medida, ainda que preventiva, travou o principal destino das exportações brasileiras de carne de frango, o que representou perdas expressivas ao setor, responsável por cerca de 35% do comércio global da proteína.
Auditoria e retomada da confiança
A reversão foi baseada em um relatório elaborado após a visita de uma missão chinesa ao Brasil, no fim de setembro. Técnicos de Pequim estiveram em granjas e unidades de processamento para verificar as medidas de biossegurança e a erradicação da doença. Segundo o comunicado oficial, as importações foram restabelecidas “após avaliação dos controles implementados e do cenário epidemiológico”.
O Brasil havia se declarado livre de gripe aviária em 18 de junho, depois de 28 dias sem novos registros. O Ministério da Agricultura notificou a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e os principais parceiros comerciais, incluindo a própria China, informando o restabelecimento das condições sanitárias.
O retorno de Pequim representa um alívio para o agronegócio brasileiro, especialmente para os produtores do Sul e do Centro-Oeste, que concentram a maior parte da exportação de aves. Em 2024, o Brasil embarcou mais de 560 mil toneladas de frango apenas para o mercado chinês, o equivalente a cerca de US$ 10 bilhões em receitas.
Apesar do impacto global, o consumo interno também é expressivo: 64% da produção brasileira de frango permanece no país, com consumo médio de 45 kg por habitante ao ano, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Com a reabertura, o Brasil retoma o posto de principal fornecedor de frango para a China e deve recuperar, nos próximos meses, o ritmo das exportações registrado antes do embargo.
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