Um estudo desenvolvido na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP mostrou que as etapas decisórias e de implementação do Rodoanel Mário Covas, em São Paulo, foram pautadas por uma centralização de decisões pelo governo estadual. A ausência de planejamento e gestão metropolitanas também aparece como um problema estrutural do processo.
A pesquisa do bacharel em Direito e mestre em Planejamento Urbano e Regional, Rodrigo Faria Gonçalves Iacovini, buscou identificar os principais atores, arenas e processos que determinaram a definição e a implementação da obra. “Buscamos compreender a relação desses elementos com processos de planejamento e gestão metropolitanas”.
Segundo Iacovini, em todas as negociações estabelecidas durante as diversas fases do projeto, os interesses e a postura do Governo do Estado foram preponderantes. Para ele, as perspectivas de setores da sociedade, órgãos de planejamento e estruturação urbana não eram levadas em conta para nas tomadas de decisões. “O governo se utilizou amplamente do fato de ser, ao mesmo tempo, o licenciador e o licenciado como forma de centralizar as negociações e conduzi-las de acordo com seus interesses, muitos deles alinhados com as empreiteras”.
Durante o estudo, foi realizada uma extensa análise teórica e documental do processo, incluindo atores considerados centrais para o processo de definição e implementação do projeto. Reconstituições históricas, consulta a planos e estudos desenvolvidos para a capital e a região metropolitana de São Paulo e documentos disponibilizados pelo governo nas páginas oficiais na internet compuseram o levantamento. “Foram incluídos também entrevistas com representantes do governo, como ex-secretários estaduais de transporte da gestão Mário Covas, além de documentos do acervo da Fundação Mário Covas”.
Para o pesquisador, não era interessante ao governo estadual estabelecer um processo compartilhado de condução do projeto, com todos os agentes públicos igualmente envolvidos no debate. O levantamento apontou para um esforço do Estado no sentido de evitar a constituição de uma arena pública de ampla participação, na qual houvesse um efetivo debate em torno das decisões sobre a construção do Rodoanel. “O exemplo do Rodoanel, portanto, aponta para um claro limite no desenvolvimento de instâncias de gestão e planejamento metropolitanos, posto que o desenvolvimento e a consolidação de tais instâncias poderiam colocar em risco padrões e dinâmicas políticas já plenamente consolidadas, reduzindo inclusive o próprio poder de articulação do governo estadual”.
Iacovini ressalta que as conclusões da pesquisa vão de encontro com a análise da política desenvolvida pelo governo estadual para o Rodoanel. “Os objetivos delimitados pelo governo estadual para a obra não estavam ligados a uma proposta de restruturação metropolitana, mas sim a questões econômicas e políticas”. Ele aponta que uma grande obra com potencial para incidir sobre problemas metropolitanos “é, na verdade, apenas um projeto viabilizador de uma dinamização econômica, de captação de recursos políticos e da expansão da frente imobiliária nos municípios”.
Relações político-econômicas
Paralelamente, o estudo apontou a profundidade do entrelaçamento entre Estado e empresas do setor da construção. Os dados encontrados revelam que a relação entre esses atores vai além do poder de influência e se constitui numa verdadeira relação de simbiose, na qual ambos se beneficiam e até mesmo necessitam um do outro para sua sobrevivência.
A busca pelo esclarecimento das dinâmicas políticas presentes nas gestões públicas foi, segundo Iacovini, a principal contribuição do projeto de estudo. “Acredito que a pesquisa tenha contribuído para deixar um pouco mais claro quais são as linhas de força que orientam a definição das políticas urbanas no Brasil, apontando atores e interesses envolvidos nesses processos e quais as reais arenas nas quais são decididos os investimentos públicos”. Para ele, compreender os atores e as regras desse jogo significou, portanto, uma tentativa de esclarecer também alguns dos bloqueios à construção de cidades justas e democraticamente pactuadas.
Foto: Wikimedia

Athos
18 de fevereiro de 2014 1:51 pmBacharel em direito
Bacharel em direito especialista em urbanização.
O texto todo é de uma infantilidade que beira o ridículo. Está perdidinho como só um advogado poderia estar.
Ele não percebeu que tudo o que ele falou não tem nada a ver com urbanismo, desenvolvimento de cidades.
Ele esbarrou na base do sistema político brasileiro e NEM se deu conta disso.
É o chamado “estudo” de advogado. Da nisso!!!
Com todo o respeito, mas é por estas e outras que chegamos a este ponto.
Pelo fim da OAB para um Brasil melhor. E autor. ..vai estudar engenharia vai.
Mario Alexandre Teixeira
18 de fevereiro de 2014 8:21 pmFalácia clássica. Quando se
Falácia clássica. Quando se quer tirar a credibilidade de algúem, deixa-se de citar sua formação no estudo criticado e apenas cita-se a formação ao qual vai descer a lenha.
A pesquisa do bacharel em Direito e mestre em Planejamento Urbano e Regional, Rodrigo Faria Gonçalves Iacovini…
Em que momento o texto cita a OAB ? Acha mesmo que todos os advogados a apoiam ?
Sobre ele eestudar engenharia, não é necessário para a pesquisa em sim, pois não critica a engenharia da obra e sim o planejamento urbano da mesma.
AlvaroTadeu
19 de fevereiro de 2014 1:36 pmCada macaco no seu notebook.
Athos, você deve saber a diferença entre Urbanismo e Engenharia. Um engenheiro constrói uma obra. Vê o problema, faz o projeto e executa (claro, há vários passos e engenheiros envolvidos). Uma obra de boa qualidade do ponto de vista da Engenharia (bem projetada, bem executada, uso de materiais de construção adequados) não significa que seja socialmente ou urbanisticamente necessária. Veja o caso do Minhocão, obra de Maluf em plena Ditadura, quando ele exerceu o mandato de prefeito biônico: do ponto de vista da Engenharia, uma obra bem acabada. Do ponto de vista do Urbanismo, um desastre, um crime contra São Paulo. Se você não sabe essas diferenças, volte ao seu notebook com i7 e sistema de vídeo dedicado (2 GB pilotando DDR5). O advogado examinou papéis que você não viu. No seu tucanismo exacerbado, quer desmerecer quem não sabe resolver a integral de dx. Naquilo que o advogado discorre, isso não tem importância. Importante é saber calar, quando a ignorância > assunto tratado.
Rodrigo Sousa da Silva
19 de fevereiro de 2014 5:16 pmAthos que comentário
Athos que comentário ridiculo,
Não tem como desmerecer o trabalho do autor ecritica sua formação sem base e sem citar e explicar o que está errado…
Aff, pensei que teria alguma critica construtiva e temos um comentário vaziu desse.
Fernando Bento
19 de fevereiro de 2014 6:10 pmLembrei da reportagem da
Lembrei da reportagem da Piaui – 73 com o Paulo Preto se vangloriando por fazer uma obra na qual encaixou com maestria as “quatro irmãs”
http://pmcspraca.files.wordpress.com/2013/02/perfil-de-paulo-vieira-revista-piauc3ad.pdf