5 de junho de 2026

Segurança pública: Lênio Streck e Luís Nassif debatem como retomar a pauta da extrema-direita

Para Lênio Streck, a negligência dos progressistas na segurança permitiu que o bolsonarismo explorasse o medo

1. Extrema-direita capitaliza medo da violência urbana no Brasil, influenciando votos e moldando narrativa política.

2. Jurista Lênio Streck destaca necessidade de engajamento do governo federal na segurança pública para proteger os cidadãos.

3. Desafios para federalização das investigações no Brasil devido ao federativismo e proposta de ministério simbólico para combater a violência.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A segurança pública tornou-se uma das principais bandeiras da extrema-direita no Brasil, que instrumentaliza o medo da população diante da violência urbana. Décadas de abandono dessa pauta pelos progressistas abriram espaço para que o bolsonarismo e outros grupos de direita capitalizassem esse medo, influenciando votos e moldando a narrativa política.

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Segundo o jurista Lênio Streck, em entrevista à TV GGN [confira abaixo], a saída é clara. O governo federal precisa assumir a questão, engajar a comunidade e mostrar que o Estado protege os cidadãos.

“Nós, progressistas, não cuidamos dessa pauta. Ela foi apropriada e usada politicamente. O crescimento das bancadas de direita foi proporcional ao medo disseminado. Hoje, segurança é uma questão real, porque quem mais sofre com a violência são os pobres, tanto pela polícia quanto pelos grupos criminosos”.

“O presidente precisa mostrar à população: ‘O Estado vai cuidar de você, você tem o direito de não ser assaltado’. É preciso engajar a comunidade e tirar essa pauta do colo da extrema-direita. Segurança virou central para a manutenção da democracia. ‘Segurança, estúpido!'”.

Lições da Lava Jato e dos outsiders

O jurista alerta que o cenário político segue uma lógica darwiniana. Em um ambiente hostil, os mais fortes dominam e os mais fracos precisam criar mecanismos de sobrevivência.

“Basta uma faísca, e o incêndio começa de novo. Isso não é só brasileiro. O México está repetindo o que aconteceu no Brasil em 2013. Ali estava o ovo da serpente: os outsiders entraram na política, demonizaram a política e criaram o ambiente propício para o lavajatismo, que engolfou tudo e se vitaminou ainda mais com o bolsonarismo”.

Streck critica a seletividade do direito penal no Brasil, afirmando que ele atua principalmente contra os “pés de chinelo”, enquanto ignora os crimes praticados por aqueles no andar de cima, onde está o verdadeiro problema.

“O Brasil é especialista em pegar o andar de baixo, mas há solidariedade com o andar de cima. Lava-Jato foi o maior exemplo de como não se faz: violar direitos fundamentais para combater crimes cria mais problema que solução”.

Desafios para a federalização das investigações

Durante o programa, Streck e Nassif ressaltaram que, no contexto do federalismo cooperativo, o combate à violência pode ser comprometido quando alguns governadores se aproximam de organizações criminosas ou adotam medidas de militarização das polícias. Eles citam como exemplo o recente massacre no Rio de Janeiro, que deixou 121 jovens mortos.

A criação de um ministério da segurança pública, ainda que simbólico, poderia ser estratégica, assim como o uso de mecanismos legais para federalizar investigações e replicar modelos de atuação como o do caso Marielle, mas tudo dependeria de vontade política e de um projeto de país.

Para 2026, o jurista defende um projeto de sobrevivência e estratégia de longo prazo, incluindo mobilização social e comunicação eficaz. “Se perder a eleição, tudo o que foi feito e falado não serve para nada. Precisamos de projetos claros, mobilização social e fiscalização cívica contínua”.

Streck rebate também a narrativa da polarização, construída para “justificar a si mesma”. “Tudo o que aconteceu foi resposta ao que foi feito contra a democracia. Houve uma tentativa de golpe de Estado, e isso não pode ser relativizado”.

“Há momentos em que as contingências históricas propiciam o surgimento do primeiro que está à disposição. Bolsonaro apareceu primeiro, e havia um imaginário propício para que alguém assim assumisse protagonismo”.

Assista ao programa completo abaixo:

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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