Mais de um mês após o anúncio de um cessar-fogo e a liberação dos reféns israelenses, a situação humanitária na Faixa de Gaza permanece dramática — e a Anistia Internacional afirma que o alegado “cessar-fogo” não representou o fim do que classifica como genocídio contra palestinos.
Em um novo briefing divulgado nesta quinta-feira (27), a ONG faz uma análise legal detalhada e reúne depoimentos de moradores locais, profissionais de saúde e trabalhadores humanitários.
Embora a intensidade dos ataques tenha diminuído e algum volume limitado de ajuda humanitária tenha entrado em Gaza, não houve mudança significativa nas condições de vida impostas à população — e não há evidências de mudança na intenção genocida das autoridades israelenses.
Desde dezembro de 2024 — quando a Anistia já havia concluído que pelo menos três atos proibidos pela Convenção sobre Genocídio estavam sendo cometidos: assassinatos, dano físico/mental grave e imposição deliberada de condições de vida destinadas à destruição do grupo — as circunstâncias não se alteraram de modo que revertesse o quadro.
No período pós-cessar-fogo, pelo menos 327 pessoas, incluindo 136 crianças, foram mortas em novos ataques atribuídos a forças israelenses. A entrada de ajuda continua severamente restrita: alimentos, remédios, combustível e insumos para reparos de infraestrutura crítica têm sido barrados sistematicamente — o que, segundo a Anistia, caracteriza “negação deliberada de meios de sobrevivência” e segue violando ordens da International Court of Justice (ICJ).
Além da mortandade direta, a população sofre com falta de água, saneamento, energia e auxílio médico adequado. A destruição de infraestrutura — agrícola, habitacional, urbana — somada à contínua restrição à ajuda alimenta um cenário de fome, doenças, deslocamentos forçados, miséria e risco de “morte lenta”, segundo a Anistia.
Para a comunidade internacional, a organização faz um apelo urgente: que não se deixe enganar pela retórica de paz ou normalização que o cessar-fogo pode transmitir.
Segundo a Anistia, países que exportam armas a Israel, governos aliados e corporações que mantêm relações econômicas com o governo israelense devem suspender toda cooperação até que o bloqueio humanitário seja levantado e cesse a prática de violações graves de direitos humanos.
melrj
28 de novembro de 2025 1:11 pmCadê a notícia??
Resumo da notícia mostra outras coisas q não tem relação com o título!
Lourdes Nassif
28 de novembro de 2025 3:25 pmfoi algum bug, com certeza. Já estamos vendo o que aconteceu