O Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos) vive uma de suas maiores tensões internas em sua história recente, e tudo indica que as próximas decisões sobre a taxa de juros norte-americana prometem gerar divisões profundas.
Em artigo publicado no site Project Syndicate, o economista norte-americano Mohamed El-Erian explica que esse cenário reflete diagnósticos econômicos conflitantes, pressões políticas e uma operação com dados incompletos desde a longa paralisação do governo americano – para uma instituição que depende de indicadores precisos, isso significa tomar decisões praticamente no escuro.
Essa fragilidade alimenta um impasse dentro do próprio mandato do banco central: enquanto a ala mais conservadora busca lidar com uma inflação um ponto acima da meta, outra ala tem como foco os sinais de enfraquecimento no mercado de trabalho.
A isso se soma um terceiro objetivo — a estabilidade financeira — hoje ameaçada por comportamentos especulativos e práticas de risco. Desta forma, o Federal Reserve é incapaz de oferecer previsibilidade.
O articulista destaca que as apostas do mercado para uma alta de juros em dezembro oscilaram violentamente, algo raro e sintomático da perda de credibilidade de uma instituição que sempre valorizou a comunicação clara.
Para Mohamed El-Erian, a troca do presidente do Fed não resolverá o problema uma vez que a instituição acumula erros desde 2021 ao subestimar a inflação, demorar a agir, uma comunicação ruim e as denúncias éticas envolvendo cinco diretores. A consequência é uma crise de confiança e o avanço das pressões políticas sobre a independência do banco central.
E o desafio tende a crescer. A economia americana está entrando em um novo ciclo, impulsionado por inteligência artificial, robótica e avanços nas ciências da vida. Esse cenário pode gerar crescimento sem inflação — mas também pode romper a relação tradicional entre atividade e emprego. Segundo El-Erian, o Fed ainda não demonstrou disposição para compreender essa transformação.
Para recuperar credibilidade, o banco central precisará revisar sua estratégia de metas, criar ferramentas intermediárias de política monetária, combater o pensamento único dentro do comitê, reforçar a cultura de compliance e aprimorar sua capacidade de previsão. Como alerta El-Erian: o Fed precisa sair da zona de conforto antes que a própria economia o force a isso.
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
8 de dezembro de 2025 7:21 amA sentença, tem algo de podre no reino da Dinamarca, se encaixa bem na atmosfera dos EUA . Portanto, não suspreende que a coisa esteja fedendo para o FED.