A votação do parecer sobre a perda do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP) foi adiada nesta terça-feira (2) após um pedido de vista coletivo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. O relator, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), havia apresentado poucas horas antes um relatório contrário à cassação da parlamentar.
Com o pedido de vista, a discussão só poderá ser retomada após duas reuniões do colegiado. A expectativa é que Zambelli e sua defesa sejam ouvidas na próxima sessão da CCJ.
Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão, multa e perda do mandato por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em julho, pouco antes da decretação de sua prisão, ela fugiu para a Itália.
Atualmente, a deputada está detida no país europeu, aguardando decisão da Justiça italiana sobre o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro. O Ministério Público da Itália já emitiu parecer favorável à extradição.
A análise sobre a perda do mandato chegou à CCJ em junho, encaminhada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Relatório contesta decisão do STF
No parecer apresentado nesta terça, Diego Garcia argumenta que não há provas suficientes de que Zambelli ordenou o ataque ao sistema do CNJ.
“Onde houver sombra de incerteza, se houver lacuna de prova, que prevaleça então o respeito ao voto de quase um milhão de brasileiros que a elegeram”, afirmou o relator.
Garcia acusou o STF de exercer “perseguição política” contra a deputada e criticou a decisão da Corte, que, segundo ele, teria se baseado em “arquivos recebidos por e-mail” e no “testemunho dúbio” do hacker Walter Delgatti Netto, condenado pela invasão e responsável por inserir no sistema um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, em 4 de janeiro de 2023.
Críticas da oposição
A líder do PSOL, Fernanda Melchionna (PSOL-RS), classificou o relatório como “um tapa na cara do povo brasileiro”. A deputada destacou que a discussão na CCJ não trata da inocência de Zambelli, já condenada pelo STF, mas da viabilidade de manter o mandato de alguém “preso em outro país, sem acesso à internet”.
“O relatório é um tapa na cara do povo brasileiro, porque nenhuma pessoa em sã consciência acha que a Câmara dos Deputados tem que gastar por mês R$ 140 mil para pagar assessores de um mandato que não existe, porque tem uma deputada presa”, afirmou Melchionna.
Após a votação na CCJ, o parecer seguirá para o plenário da Câmara, onde precisará da aprovação da maioria absoluta dos 513 deputados para confirmar ou rejeitar a perda do mandato.
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Milton
4 de dezembro de 2025 8:03 amEsperar alguma coisa que preste da Câmara de Depufedes é pesadelo certo. Dali só sai o pior da política. “Deputada” presa no exterior aqui dentro é considerada “vítima”. Se fosse pega fugindo com jóias seria considerada heroína nacional pela bandidagem.