4 de junho de 2026

Os bares charmosos de São Paulo

Por Motta Araujo

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BARES CHARMOSOS DE SÃO PAULO – No final dos anos 70 São Paulo tinha, entre outros, quatro excelentes bares onde era possível jantar, com ambiente de gente bonita, boa música, excelente comida e ótima adega. Foi o fim de uma época. Depois surgiram novos e bons bares mas nenhum com o charme desses quatro.

PLANO´S – Na Rua Oscar Freire, o bar de Sylvia Kowarick, uma ícone da alta sociedade paulistana que se divertia tendo um bar, de uma família de industriais têxteis. No Plano´s ao piano João Maria de Abreu, grande pianista e compositor, o piano ficava no meio do bar, que era um corredor comprido, o vinho básico o Puilly Fuissé geladíssimo, servido em copos de cristal, os pratos eram poucos, os cinco do Barão Stuckart da boite Vogue: picadinho, camarão à newbourg, lagosta á thermidor, strogonoff de filé e frango à Kiev. Os clientes mandavam pelos garçons, eram dois ótimos, seus papeizinhos para o pianista com os pedidos de música. Uma particularidade: no Plano´s não podia entrar mulheres desacompanhadas, foi o último bar com essa regra em São Paulo.  A frequência era de meia idade, no estilo antigo, mulheres caprichadas no visual, homens de paletó e gravata.

DAVID´S – Também na Rua Oscar Freire, mais restaurante que bar, mas muitos whiskeiros como eu iam lá pela bebida, comida ótima, serviço impecável. Abria também no almoço, o ambiente era pequeno e acolhedor. Hoje existem muitos restaurantes para almoço de executivos mas não tem mais a delicadeza do ambiente suave e com pouco ruído.

O BAR – Bar de dois andares com um balcão em cima de onde se via embaixo, bar especial para encontros, com ótima música, tocava muito o Traditional Jazz  Band, pertencia a Fernando D´Avila, irmão do jornalista Roberto D´Avila,  grandes romances nasceram no Bar, atraía muita gente separada, o balcão de bebidas era um quadrado, ótimos barmen, ficava na Rua Jerônimo da Veiga, no Itaim. Passei por uma cena ridicula, conversando com uma desconhecida sobre a faculdade onde estudei, ela também tinha estudado lá, citei nome de alguns colegas e quando disse o nome de uma moça que tinha sido muito minha amiga ela disse: “mas essa sou eu”. Não sabia onde por a cara. Mulheres depois de alguns anos sem ver mudam muito o visual, fazer o quê.

BLEND´S – Também no Itaim, na Rua Pedroso Alvarenga, bar grande de dois pisos, tinha umas sensacionais bolinhas de queijo com excelentes molhos, frequência menos sofisticada e mais jovem, era minha segunda casa, a gerente simpaticíssima Elizabeth, por onde andará? Nos tempos do Plano Cruzado foi invadido por uma multidão de desconhecidos que liquidaram com o ambiente mas durou pouco. A gerente torcia para o nome do bar não sair na Vejinha São Paulo, quando isso acontecia lá vinha a invasão de desconhecidos que truncavam o ambiente de habitués, São Paulo naquela época não tinha a quantidade de bares de hoje, quando um bar ganha nome enchia muito.

Fiz há tempos um post sobre o CHÁ DAS CINCO em São Paulo, eram décadas bem mais retrô, fim dos anos 40 e começo dos 50, os bares de charme marcaram o curto periodo entre 1975 e 1985, esses quatro desapareceram, os prédios onde estavam foram demolidos, são apenas memórias.

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20 Comentários
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  1. vera lucia venturini

    14 de fevereiro de 2014 1:12 pm

    Pois eu acho que o Veríssimo

    Pois eu acho que o Veríssimo é um charme só.

    1. Motta Araujo

      14 de fevereiro de 2014 1:18 pm

      Minha cara, acho que o

      Minha cara, acho que o Verissimo é bem mais novo, estou falando da decada de 70.

  2. Motta Araujo

    14 de fevereiro de 2014 1:21 pm

    http://www.youtube.com/watch?

    http://www.youtube.com/watch?v=7J77tunp_lA

    João Maria de Abreu e seu maravilhoso piano-bar no Plano´s

  3. ruanda

    14 de fevereiro de 2014 1:24 pm

    No relato do Sr. Motta, a sua

    No relato do Sr. Motta, a sua interlocutora tambem não o reconheceu. Parece portanto que o autor tambem teve sua aparencia mudada. 

    1. Motta Araujo

      14 de fevereiro de 2014 1:54 pm

      Parece que é o caso, fazer o

      Parece que é o caso, fazer o que, era uma distancia de quinze anos, eu não sou bom fisionomista e pelo visto ela tambem não mas serviu para rencetarmos a amizade antiga.

  4. Raí

    14 de fevereiro de 2014 1:35 pm

    Bares charmosos de Sampa.

    Não sei se o Motta Araujo, fez parte daquela geração daquela geração de estudantes e intelectuais paulistanos, que nos anos 70, frequentava os bares “onde tudo acontecia” e entre estes, lembro do Jogral, da Rua Avanhandava, que era o “point” dos revolucionários paulistanos, e onde alem de ficarmos antenados, comíamos os melhores petiscos de Sampa, e bebíamos as cervejas mais geladas da noite paulistana, em companhia de “feras” e onde conspirávamos contra a ditadura.

    Hoje os bares de São Paulo, que podem ser considerados bons lugares, estão na Vila Madalena, no Itaim, e aqui perto do Jd Anália Franco. porem a falta de segurança, afasta-nos de ficarmos lá por um bom tempo.

    Dos bons bares, que ainda frequento, destaco o Bar do Alemão, que embora seja pequeno, ainda é um ótimo lugar, com bons petiscos e música ao vivo, da melhor qualidade. 

    1. Motta Araujo

      14 de fevereiro de 2014 1:50 pm

      Meu caro Rai, verdadeiramente

      Meu caro Rai, verdadeiramente cada um de nós tem seus bares preferidos, depende de varios fatores, do bairro onde morava, da escola, dos amigos, é evidente que fiz uma seleção pessoal, o assunto é inesgotavel, os bares são ilhas de prazer e momentos de otimismo na vida atribulada de uma grande cidade.

      1. junior50

        14 de fevereiro de 2014 8:27 pm

        Seleção anos 80

           Caro Motta, vc. deve ter ido nestes, todos em um unico lugar: Maksoud Plaza Hotel, ou a outra casa do Henry e da Ilde.

            – Trianon Piano Bar, o manhattann fetio pelo Rodrigo, com Noilly Pratt e Buchannan’s, acompanhado dos Irmãos Peixoto tocando para o David Gordon.

            – Batidas e Petiscos Bar – caipirinha do Sinvaldo e os petiscos do Maitre “Baleia” – com os sambas ao vivo, perpretados pelo Baby Santiago (amigo meu até hoje).

            – Club 150 – onde o Frank Sinatra, Alberta Hunter ( adorava uma pinguinha), e outros cantaram.

            – Cave Arlanza – fettucinne alfredo, feito pelo próprio quando aqui esteve em 1987.

            Dá uma saudade, e pior – ter que aturar hj.na noite, esta molecada mal educada, que nem beber direito sabe.

           

        1. Motta Araujo

          15 de fevereiro de 2014 2:37 am

          O Arlanza e o Trianon eram

          O Arlanza e o Trianon eram pontos otimos, Clube 150 vi lá o Bobby Short duas vezes, o celebre cantor-pianista do bar do Hotel Carlyle em Nova York por 30 anos, infelizmente morreu, o Maksoud realmente teve sua grande peoca quando era praticamente o o maximo do tel 5 estrelas da região da Paulista, alem dos bons ambientes era um hotel bonito, hoje nem sei como está.

  5. Rui Daher

    14 de fevereiro de 2014 1:37 pm

    Bares

    Puxa, meu caro, que grande lembrança. Com exceção do Blend’s, dos demais fui frequentador assíduo. Não percebo nada parecido nos dias de hoje, principalmente no que se refere ao meu organismo. 

    1. junior50

      14 de fevereiro de 2014 8:12 pm

      Não mesmo, passou.

       Os bares hj. não tem identidade, vc. tem que ter publico – lotar, faturar o máximo possivel no menor espaço de tempo, vender a operação “no movimento”, rachar a grana entre os muitos sócios, descolar um laranja para segurar os processos trabalhistas, abrir outro em sequencia, para manter a roda girando.

        Pq. um chopp custa R$ 9,50 ? ou uma dose de Red 8 anos R$ 16/18/24,00 ? Por que o pessoal de 25 – 35 anos, já sai de casa “calibrado”, no esquenta, chegam no bar ás 22:00, pegam uma mesa, ficam até fechar, e gastam, quando muito, mesmo a estes preços absurdos, menos de R$ 35,00 por pessoa.

  6. Paulo F.

    14 de fevereiro de 2014 1:38 pm

    Pois é Andy.
    O tempo não

    Pois é Andy.

    O tempo não para. (Cazuza).

    Mulheres depois de alguns anos sem ver mudam muito o visual, e voce? Acha que o tempo é mais generoso contigo?

     

     

  7. Motta Araujo

    14 de fevereiro de 2014 1:54 pm

    http://www.youtube.com/watch?

    http://www.youtube.com/watch?v=E6BQn-68-Gg

    Mais uma do João Maria de Abreu, ele sabia selecionar o repertorio.

  8. jc.pompeu

    14 de fevereiro de 2014 2:57 pm

    (Sem título)

    L’ARNAQUE – REFÚGIO DO GUERREIRO ZINGG        by jc.pompeu, no último quarto do sec. XX

  9. Luis Armidoro

    14 de fevereiro de 2014 6:09 pm

    Havia também o Pandoro na

    Havia também o Pandoro na região dos jardins, com seu drink Caju Amigo

  10. Luis Armidoro

    14 de fevereiro de 2014 6:09 pm

    Havia também o Pandoro na

    Havia também o Pandoro na região dos jardins, com seu drink Caju Amigo

    1. Motta Araujo

      15 de fevereiro de 2014 1:42 am

      Frequentei muito o Pandoro,

      Frequentei muito o Pandoro, hoje no local tem o excelente restaurante Girarrosto, era um “point” com frequencia d´habitués, muitos picaretas, politicos sem mandato, bebums antologicos, tinha mais de cem marcas de whisky MAS não era um lugar charmoso, era até foclorico mas não charmoso, excelentes pasteis, coxinhas e croquetes, frequentei uma boa época quando fiz a campanha de Mario Amato para a presidencia da FIESP, o comité ficava na mesma rua tres casas depois do Pandoro. O ambiente tinha algo de lugubre, não tinha musica, sempre teve ar de decadencia, um local masculino, raras mulheres pisavam lá.

  11. junior50

    14 de fevereiro de 2014 8:04 pm

    Blend

     Este eu fui na inauguração, morava quase em frente, na Renato Paes de Barros, a musica ao vivo era ótima, e durante o dia, fazer compras na mercearia do Blend era tudo de bom ( caro, mas era um dos poucos locais que podia-se adquirir determinados produtos importados, concorria com o Fruit Shop), alem é claro, caso vc. não lembre, o Blend quando abriu, tambem tinha um “chá da tarde”.

      A decadência começou mesmo em 1986, e de 87 para frente acentuou-se, a Beth deu linha, as “moçoilas” do Café Photo, da Rua da Mata ( lembra deste Motta, vc. foi assiduo lá ?????), começaram a “blendar” antes de ir para o “trabalho” – e a bela construção que eu vi nascer, virou em 90 ou 91, um “caixote” americanizado – a 1a loja da Blockbuster no Brasil.

    1. Motta Araujo

      15 de fevereiro de 2014 1:36 am

      Meu caro, fui poupado de ver

      Meu caro, fui poupado de ver a decadencia do Blend, deixei de ir lá antes disso por outras razões, acho que pegeui a fase gloriosa, a gerente Elizabeth lutava todas as noites, de forma delicada e imperceptivel para os clientes, para impedir a entrada de moças de programa, dizia ela que quando isso acontecesse a casa acabaria porque a clientela feminina não iria mais por os pés lá. Talvez tenha acontecido isso.

  12. Jean Davi

    8 de março de 2022 7:36 pm

    Linda Matéria.

    Restaurante David´s era da minha familia, porém hoje é ocupado pela Loja Animale.
    Temos muitas lembranças de lá, como também foi o cenário de muitos encontros e história que nasceram naquele lugar….
    Obrigado pela homenagem….

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