10 de junho de 2026

Remoção forçada de Glauber Braga expõe dois pesos e duas medidas na Câmara

Retirada forçada de deputado do PSOL contrasta com episódios em que deputados bolsonaristas ocuparam a Mesa Diretora sem sofrer intervenção
Foto: Reprodução/Redes Sociais PSOL

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado à força da cadeira da presidência da Câmara dos Deputados após ocupar o espaço em protesto contra o processo que pode cassar seu mandato.

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Policiais legislativos o mobilizaram, esvaziaram o plenário, expulsaram assessores e interromperam a transmissão oficial da TV Câmara, o que levantou uma nova frente de questionamento sobre a atuação da Polícia Legislativa e a coerência institucional da Casa.

A cena, de forte impacto político, contrasta com episódios similares protagonizados por parlamentares bolsonaristas — que, ao ocuparem a Mesa Diretora para impedir votações ou pressionar adversários, não foram tocados pela Polícia Legislativa.

Quando bolsonaristas ocuparam a Mesa — e nada aconteceu

Em novembro de 2023, deputados do PL, entre eles Carla Zambelli, Bia Kicis, André Fernandes e Nikolas Ferreira, ocuparam a Mesa Diretora em protesto contra a agenda de votações.

Naquele dia, os parlamentares permaneceram sentados na cadeira da presidência, discursaram ao microfone, fizeram transmissões ao vivo e chegaram a impedir fisicamente o andamento da sessão.

Nenhum deles foi retirado.

Em fevereiro de 2024, a cena se repetiu. Deputados bolsonaristas voltaram a ocupar a Mesa para obstruir a pauta da Câmara — novamente sem qualquer intervenção da Polícia Legislativa. Na ocasião, a Presidência optou por suspender a sessão e negociar, sem autorizar ação física.

Esses episódios ficaram marcados pela tolerância institucional e pela ausência de medidas coercitivas, mesmo diante de protestos que também feriam o regimento interno da Casa.

Por que neste caso foi diferente?

A remoção de Glauber foi imediata e contundente — um contraste que acendeu o alerta sobre seletividade política dentro da Câmara. O episódio ocorre justamente no dia em que o presidente Hugo Motta anunciou que o Plenário decidirá sobre o mandato do deputado, após recomendação do Conselho de Ética por quebra de decoro.

Braga reagiu ao anúncio classificando o processo como “perseguição política” e denunciando que a Casa estaria atuando “a serviço de interesses externos”, em referência à pressão da base conservadora para consolidar sua cassação.

Sua ocupação da Mesa foi uma forma de protesto — similar às ações já normalizadas por deputados bolsonaristas. A resposta, porém, não foi.

Esvaziamento do plenário e corte da TV Câmara aprofundam suspeitas

Além da remoção física, o episódio ganhou contornos ainda mais graves:

  • O plenário foi esvaziado às pressas.
  • Assessores e jornalistas foram retirados.
  • A TV Câmara interrompeu a transmissão da sessão, eliminando o registro ao vivo do momento.

Somado ao uso da força, o conjunto das medidas levantou questionamentos sobre transparência, abuso de autoridade e manipulação institucional para controlar o ambiente político durante a tramitação da cassação.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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4 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    9 de dezembro de 2025 7:34 pm

    Todos os deputados são iguais perante a Câmara mas tem uns mais iguais do que outros

  2. Paulo Dantas

    9 de dezembro de 2025 8:58 pm

    π31∆0u, digamos assim , talvez porque alguns deputados andem armados.

    Mas no fim deputados só se movem para salvar os próprios rabos.

    A democracia liberal padece.

  3. Jose

    9 de dezembro de 2025 9:00 pm

    O crime organizado de posse do Congresso, agora quer controlar o STF e o judiciario

    como se isso fosse pouco, funcionam como Assembleia Constituinte, pois atraves de PEC podem reescrever a CF

  4. Rui Ribeiro

    10 de dezembro de 2025 10:24 am

    Com tantas matérias urgentes a serem enfrentadas no Congesso, os nossos parlamentares estão empenhados em garantir impunidade a criminosos.

    País fecal

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