A luta pelos Direitos Humanos nunca foi fácil, é verdade. Sociedades divididas em castas – como se organiza a economia de mercado – não aceitam o princípio da universalidade (segundo o qual os direitos do homem são direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição).
Mas aqui no Brasil, depois de muito esforço de ativistas, instituições, movimentos sociais e políticos notadamente ligados à esquerda e centro esquerda, o paradigma dos Direitos Humanos se consolidou (passou a ter significativa aceitação), de certa forma sustentando os avanços sociais experimentados pelo país. Afinal, incluir é reconhecer direitos!
No entanto, para a minha surpresa, a bandeira dos Direitos Humanos agora sofre feroz desprestigio. E, pasmem todos, pelas bandas da esquerda.
Dois exemplos retumbantes:
[1] O esforço da Frente Parlamentar dos Direitos Humanos para que o PT não desista de presidir a CDH da Câmara, entregando-a mais uma vez para um parlamentar que milita contra a idéia generosa da universalidade dos direitos do homem (http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/02/grupo-busca-barrar-bolsonaro-na-comissao-de-direitos-humanos.html);
[2] Eduardo Campos (PSB) corta verbas do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, que já era pouca, e provoca uma debandada no órgão (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/02/1410317-campos-corta-orcamento-de-direitos-humanos-e-conselheiros-renunciam.shtml).
Sei bem como é importante para o Governo Dilma que o PT comande na Câmara comissões estratégicas como a de Constituição e Justiça. Mas espero que se crie uma alternativa política capaz de impedir o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) de presidir a Comissão de Direitos Humanos daquela Casa.
Feliciano e Boslonaro representando os Direitos Humanos é um deboche, uma desmoralização do Legislativo e do Brasil, nódoa que atormentará as futuras gerações.
Salo Mão
11 de fevereiro de 2014 5:42 pmSim e não, melhor um talvez temporário
Quando o colega fala de [1], ele admite em algum nível que, com o PT a frente, a CDH anda melhor (embora mais importante seja a formação da comissão do que sua presidência).
Quando em [2] coloca Dudu Campos como “esquerda” (ou “socialista”), ele se mostra ingênuo ou bom piadista.
Eu, como observador político, admito que esta é uma comissão polêmica para ano eleitoral, pois poderá ser usada como arma para atingir qualquer um na afetação (farsesca) do eleitorado.
Se fosse do PT, planejaria poder assumi-la sim. Mas em jan/2015.
magsoa
11 de fevereiro de 2014 6:20 pmDesambargador critica defensores dos direitor humanos…
http://www1.folha.uol.com.br/paineldoleitor/2014/01/1395677-desembargador-critica-defensores-dos-direitos-humanos.shtml
(não consegui copiar e colar…)
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BHZ
11 de fevereiro de 2014 8:56 pmOnde mais Sheherazade poderia fazer escola?
Só nos vales reacionários das Alterosas….
Almeida
11 de fevereiro de 2014 6:23 pm“””””””””esquerda”””””””””
Tem de botar um caminhão de aspas para qualificar esse pessoal como esquerda. Trata-se daquela “esquerda” que a direita gosta, a UDN de macacão, de que nos falava seu meio xará, Charles.
É a “esquerda” que anda com medo das ruas, que nas últimas eleições contrata “militância” paga, pois já perdeu contato com movimentos sociais, que trocou o sindicato pelos cargos comissionados, realiza privatizações, encaminha projetos em prol do latifúndio e paraliza a reforma agrária. O clamor pelo prende, esmurra, arrebenta e esfola contra os manifestantes, que esse pessoal escreve neste blog e pela rede afora, mostra o caráter verdadeiro, direitoso, dessa turma. Entregar a comissão de direitos humanos para o bolsonaro é tranquilo para eles, afinal, esse milico fascista defensor de torturador é da base aliada, assim como é sarney, maluf, collor, renan, garotinho, cabralzinho e uma lista infindável de crápulas que infestam, este governo de “””””””””””esquerda”””””””””””.
Lucas Gomes
11 de fevereiro de 2014 9:24 pmpois é, com essa esquerda,
pois é, com essa esquerda, quem precisa de direita? Talvez daqui a uns 500 anos o PT consiga finalmente combater o agronegócio, a bancada fundamentalista, as milicias e grupos de extermínio, o coronelismo, o trabalho escravo. Mas tem que ser tudo na base do pragmatismo, ou seja, a população tem que ficar quietinha esperando os resultados enquanto os tecnocratas resolvem os problemas de verdade.
Véio Zuza
11 de fevereiro de 2014 6:25 pmEsquerda boa para alguns é
Esquerda boa para alguns é aquela que taca fogo no fusquinha do trabalhador – se “foguista” fosse preso, os direitos dos manos estariam de plantão para defendê-lo…
J Fernando
11 de fevereiro de 2014 7:12 pmO PT não deve presidir
esta comissão.
Os Direitos Humanos são normalmente combatidos pela direita. Juiz, comentarista de tv, âncora das mil e uma noites, todos batem duro nesta questão de direitos humanos. Dizem: já que defende tanto estes bandidos, leve um para casa.
Canso de ver a defesa dos Direitos Humanos associada ao PT de modo pejorativo. As montagens de “morreu um bandido e surgiram 10 membros dos Direitos Humanos. Morreram três policiais e nenhum apareceu”.
O PT já é atacado em muitas frentes. A Comissão é importante, mas, para o PT não é viável, principalmente em ano eleitoral. As manchetes hoje são do tipo “Feliciano é contra o kit anti-homofobia” – com o PT na presidência desta comissão a manchete é: “PETISTA Fulano de Tal é a favor do kti anti-homofobia.”
Não sei mesmo o partido do Feliciano, terei que procurar no google. O nome dele nunca é associado ao partido.
Nem no google o nome dele é associado ao partido. Só na sexta linha de pesquisa descubro que ele é do PSC.
Gão
11 de fevereiro de 2014 7:58 pmFeliciano também afirma que PT tem desinteresse
pela comissão de direitos humanos, vão aplaudir ele ? é bem fácil, falar falar falar
Por que o PT iria se negar ? o PT diz não quero essa comissão ? já que querem atanto o PT na comissão , presionem os deputados para colocar o PT nessa e EM OUTRAS COMISSÕES também . o PT agora virou uma maravilha na presidencia de comissões na câmara segundo seus opositores, justamente quando não tem essa comissão, é muita conversa fiada, acha saco…
Pipoca
11 de fevereiro de 2014 8:52 pmO vale tudo, a coerência, a ética e compromisso do político.
Quando se abre a discussão sobre direitos humanos e esquerda é importante registrar e refletir sobre um fato recente e emblemático:
O Senador Lindbergh Farias, Petista e EX-UNE foi um dos artífices da derrubada no Senado do Projeto que criminaliza a Homofobia. Fez isso para agradar o Pastor Silas Malafáia e provavelmente conseguir o voto evangelico em sua tentativa de eleger-se governador do RJ.
Isso pode ser interpretado como o domínio do interesse eleitoral imediato que usa o vale-tudo como arma principal, sem considerar a coerencia, a ética e o compromisso com a história que o fez crescer.
UNE e PT se indentificam com progressismo, igualdade para as minorias e defesa dos Direitos Humanos.
Como explicar um retrocesso desses: Com certeza a população evangelica do RJ é bem maior do que a que se declara LGTB. A matemática eleitoral imediata e muito favorável ao apoio evangelico, mesmo que o político pise em sua história.
Mas o que se constroi com essa política do vale tudo / interesse eleitoral imediato: a quebra das relações de confiança na sociedade, o descrédito na possibilidade de justiça, o descompromisso com políticas públicas de médio e longo prazo, o desafio as leis e instituições estabelecidas e, o interesse individual sobrepujando o coletivo; ou seja um pais desgovernado, um avião sem freio com um artificio explosivo correndo solto podendo atingir qualquer um.
Como corrigir isso, talvez a única opção seja apagar tudo e pagar o preço eleitoral imediato de ser coerente.
Gão
12 de fevereiro de 2014 12:02 amO mundo imaginário de ativistas
Pra levar a sério o que fala o mala faia, só sendo uma de suas ovelhas
– matemática ativista maluca não fecha, o número desses “felicianos” no congresso é minimo, só fazem barulho em uma comissão com pequeno número de deputados, o golpe foi colocar os micróbios barulhentos pra forçar o PT a sair de outras comissões.
o erro do PT foi ter seguido os ativistas profissionais sedentos por holofotes como Jean Willys, ele de novo fazendo besteira, se retirando da comissão e deixando ela todinha pros felicianos da vida.
Pra você no que dá cair no papo de “ativista” descerebrado.
depois disso o deputado aloprado acusou o governo federal de ter matado um rapaz que se suicidou.
e depois agente, em plena democracia, tem que ouvir essa baboseira do problema eleitoral, eleição é o problema, ora se o PT não ganha eleição depois vocês não precisam chorar pra que o PT assuma comissão nenhuma, pois nem deputado vai ter sem eleição, é cada uma.
Nilva de Souza
11 de fevereiro de 2014 10:15 pmPaulo Freitas dá explicações
Paulo Freitas dá explicações sobre o que pode acontecer com suspeitos no Rio
O advogado criminalista diz que a Constituição atribui os direitos de liberdade, de imprensa e, ao mesmo tempo, já tem resposta aos exageros, como os ataques à vida.
http://globotv.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/v/paulo-freitas-da-explicacoes-sobre-o-que-pode-acontecer-com-suspeitos-no-rio/3141022/
Fabio Nogueira
12 de fevereiro de 2014 12:18 amDiscordo
Não acho que os direitos humanos sejam desprezados pela esquerda. Estão sendo desprezados pelo governo, não pela esquerda. Porque os avanços da pauta na sociedade, na internet, no congresso, quem está tocando é a esquerda. Não dá para confundir as duas coisas, governo e esquerda. Esquerda é quem está tocando a defesa dos direitos dos negros, das mulheres, dos indígenas, da diversidade sexual, dos direitos socioambientais, dos quilombolas, dos sem-terra, dos sem-teto, do direito ao transporte público, das mídias livres, dos atingidos pelas obras da copa, dos atingidos por barragens…
E não é uma surpresa que sejam justamente esses os movimentos que vêm se manifestando desde junho de 2013 (é claro, um momento de nossa história bastante complexo, pois também saíram às ruas figuras de diversos matizes, à direita e à esquerda).
Dentre a esquerda partidária, parte está no governo, parte na oposição. Dos da oposição, o que esperar de grupos como o PSTU, que acham todos esses movimentos uma dispersão, uma divisão desnecessária da classe operária, que assim faria o jogo dos detentores dos meios de produção? E o PSB? É há muito tempo um partido com forte tendência ao fisiologismo, pois ainda que tenha quadros de respeito, como Luiza Erundina, tem ainda menos pudores que o PT em se tratando de alianças políticas.
Na situação, o PT, que sempre desempenhou importante (e muitas vezes decisivo) papel nos avanços da pauta “direito humanos”, vem seguindo um caminho nada espantoso: preocupa-se em se manter no poder (o que é óbvio para um partido político) e transforma a pauta daqueles movimentos em meio, não mais em fim, ou seja, passíveis de serem negociadas as suas protelações, quando não seus retrocessos (como no caso dos indígenas, dos quilombolas, do socioambientalismo, dos sem-terra). É uma escolha racional, um cálculo político e uma tristeza.
O que não dá para entender é como parte da militância do partido comprou a manutenção no poder como fim último da existência humana, passando por cima do que é propriamente direito dos humanos (e dos não humanos). Há uma hostilização contra os movimentos, um ódio irracional que se alastrou pela internet, culminando com o recente clamor por uma lei antiterror que dê um basta às manifestações. A figura do manifestante típico, segundo a militância governista, é a criatura mais estranha do mundo: é um cara, com a cabeça coberta e máscara no Anonymous, anarquista, com tatuagem da suástica, influenciado pelo PSTU, orientado pelo William Bonner, pela mídia ninja e pela Veja, ainda que todos esses grupos demonstrem diariamente seu temor ou ódio pelos manifestantes e sua pauta. Ou o mundo ficou completamente maluco, menos os militantes governistas, ou tem havido um erro grotesco de avaliação. Um amigo meu, petista, postou uma matéria da Folha no Face, onde os manifestantes eram chamados de vândalos (hoje, de assassinos). E, apesar do jornal de direita e psdbista apoiar (exigir) dura repressão da polícia contra os manifestantes, esse amigo dizia “olha os coxinhas querendo derrubar a Dilma”. Detalhe: a foto da matéria trazia a imagem de jovens, de maioria parda e negra, numa manifestação na periferia de São Paulo.
Ainda duas coisas. Primeiro, o PSOL, me parece, não está se movimentando para impichar a Dilma, mas está querendo, ainda, construir sua identidade em oposição ao PT. Se a avaliação é que o PT abandonou toda essa pauta, então é um sinal para que ela seja levada às últimas consequencias. Para mim, a história que levou à saída de quadros do PT e à fundação do PSOL ainda é algo a ser resolvido (se é que vai). Está difícil para o PSOL mostrar que não está ali nas manifestações apenas para “ser o que o PT deveria ter sido”, ao invés de simplesmente estar ali porque aquela pauta É ser esquerda, solidária, progressista.
Segundo, governo e PT não são a mesma coisa. Então, críticas ao governo podem ser críticas ao coronelismo da família Sarney, ao escrotismo de Fernando Collor, a tudo o que representam Eduardo Paes e Renan Calheiros, aos Latifundiários que enfeitam a porteira de suas fazendas e as portas dos gabinetes no Congresso com cabeças de indígenas, quilombolas e sem-terra espetadas em pontas de lança. Sim, essa turma também é governo.
Fabio Nogueira
12 de fevereiro de 2014 10:14 amCorreção
Apenas uma correção. Apesar de a Mídia Ninja fazer parte da quimera “manifestante típico” (na visão dos “críticos” governistas), ela não se inclui entre os grupos que vêm destilando ódio contra os manifestantes, as manifestações e sua pauta, que vão do PSTU a Veja.
Gunter Zibell - SP
12 de fevereiro de 2014 8:03 pmAchei muito lúcido
Que bom que voltei a ver este post. Em geral não leio posts de véspera.
HumbertoGuedes
12 de fevereiro de 2014 10:40 amDireitos Humanos a Geni das
Direitos Humanos a Geni das leis. Nem a esquerda, nem a direita, nem o centro, eis um instrumento de retórica e malversação por histéricos de toda sorte, menos é claro as vítimas e alguns militantes denunciantes de suas violações.
Num mundo em que dignificar é não deixar morrer de fome, bastando o sopão e um galpão quaisquer, rigorosamente, sua eficácia, inda prescinde de evolução civilizatória a comedir as pulsões destrutivas, como reflexo das libidos por posses e por dominação, cujo fundo, ao menos em parte, é uma histeria coletiva, mas concentrada nos sabujos e agregados das minorias minoritarias mínimas, impedindo mesmo o pluralismo.
Persverar é, entretanto, o que resta.
Saudações libertárias.