4 de junho de 2026

Maierovitch: Gilmar viola deveres impostos a um magistrado

Da Carta Capital

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Mais uma vez, coube ao ministro Gilmar Mendes violar os deveres impostos a um magistrado e tipificados na lei orgânica da Magistratura
 
por Walter Maierovitch 

O relator-regimental do processo de execução do apelidado “mensalão” é o ministro Joaquim Barbosa.

Em outras palavras, e à luz do princípio constitucional do “juiz natural”, o ministro Barbosa é o juiz competente para o processo de execução e dos seus incidentes. E de uma sua decisão monocrática cabe recurso ao Supremo Tribunal Federal. No seu todo, ou seja, dez ministros-julgadores, em sessão Plenária, poderão reexaminar as decisões monocráticas do ministro Barbosa no processo de execução de penas e nos seus incidentes.

Fora do momento apropriado do reexame e nos autos, não podem os supremos ministros saírem a levantar suspeitas sobre penas criminais impostas a condenados definitivamente e com processo de execução em andamento.

Mais uma vez, coube ao ministro Gilmar Mendes violar os deveres impostos a um magistrado e tipificados na lei orgânica da Magistratura. O ministro Mendes, sem competência e fora dos autos, externou, a jornalistas, uma suposição.

Suposição, pois não apresentou nenhum indício consistente.

E a suposição referia-se à lavagem de dinheiro nas “vaquinhas eletrônicas” realizadas para recolher doações a fim de pagamentos das penas de multas-criminais impostas, no processo penal chamado de “mensalão”, a José Genoíno e Delúbio Soares.

Vale recordar ter o supremo ministro Gilmar Mendes protagonizado, fora dos autos, grandes confusões pela sua verborragia aguda e inadequada. E por envolver-se, sem renunciar à toga, em questões político-partidárias. Por exemplo, participou de uma reunião com Lula e Jobim, no escritório deste último, e de lá saiu para se encontrar com o presidente e membros do partido de sigla DEM. Depois, metralhou pela imprensa, com Jobim e Lula a dizer que havia mentido.

Ainda fora dos autos, o ministro Mendes autoproclamou-se vítima de “grampos telefônicos” e invocou uma conversa telefônica com o seu considerado e então senador Demóstenes Torres, de triste memória. As apurações mostraram não ter havido grampo e o inventado áudio nunca apareceu. Apenas o ex-delegado e secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior,  em recente participação no consagrado programa de entrevistas Roda-Viva, da TV Cultura, fala de uma “mala-francesa eletrônica” capaz de interceptar e gravar conversas quando num raio próximo. Mas nem Tuma Júnior viu a mala próxima do gabinete de Gilmar e nem sabe quem era o portador. A revelação de Tuma Júnior serviu para o ministro Mendes ressuscitar a comunicação de crime que o levou a exigir do então presidente Lula a cabeça do delegado aposentado Paulo Lacerda, então diretor da agência de inteligência brasileira.

O presidente do Partido dos Trabalhadores, a jogar para a torcida, representou no Supremo Tribunal Federal contra Gilmar Mendes e pela suposição relativa à lavagem de dinheiro nas “vaquinhas”.

Como todos sabem, os ministros não têm poder correcional sobre os seus pares. Também não possui poder correcional contra ministros do Supremo o Conselho Nacional de Justiça.

O que fazer em tais casos e não fez o presidente do Partido dos Trabalhadores? Deveria o presidente petista ter apresentado, junto ao Senado, um pedido de impeachment contra Gilmar Mendes.

Por que não fez?

Sobre caber impeachment a supremos ministros, basta atentar ao doutrinado pelo ministro Celso de Mello, um dos nossos constitucionalistas mais brilhantes.

Convém recordar, certa vez e a envolver o ministro Gilmar Mendes, e referente ao seu comportamento como magistrado, o pedido de impeachment formulado por um comum do povo. O então presidente Sarney arquivou o pedido liminarmente.

 

Redação

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7 Comentários
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  1. Sta. Catarina

    10 de fevereiro de 2014 3:14 pm

    Palhaçada

    O Judiciário brasileiro virou piada. Quer dizer então que nossos “honoráveis” ministros do STF podem falar qualquer bobagem ou fazer qualquer comentário baseado em nada e fica por isto mesmo? Cadê a punição a estes pseudos “gênios” da magistratura brasileira?

     

    Torço para que a população saia às ruas pacificamente com uma pauta organizada e que reformas no Judiciário brasileiro estejam entre elas.

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    10 de fevereiro de 2014 3:27 pm

    “Dever imposto aos

    “Dever imposto aos magistrados…”

    Conta outra piada Walter Maierovitch. Esta foi muito boa.

     

    1. Pedro Penido dos Anjos

      10 de fevereiro de 2014 3:41 pm

      Lei Orgânica da Magistratura,

      Lei Orgânica da Magistratura, meu chapa….

  3. emerson57

    10 de fevereiro de 2014 3:36 pm

    soy

    la ley soy jo,

    el estado soy jo,

    la mierda, jo la soy…..

    —————-

    esculhambação total!

  4. Pedro Penido dos Anjos

    10 de fevereiro de 2014 3:48 pm

    Pedido de Impeachment –

    Pedido de Impeachment – quanto mais assinaturas, melhor – em representação de iniciativa popular junto ao Senado Nacinal. A questão tem fundamentos jurídicos, mas é em sua essência uma questão política. Vamos nessa?

  5. Maria Luisa

    10 de fevereiro de 2014 5:22 pm

    Sarney

    La de onde não se espera nada, não vem nada mesmo!

  6. C. Acácio

    10 de fevereiro de 2014 5:25 pm

    O que mais precisa fazer o

    O que mais precisa fazer o ministro Gilmar , para merecer a atenção da instituição que chancelou o seu cargo vitalício de juiz do supremo ? Os  senadores dão um péssimo exemplo ao país , ao admitirem que a ética , a honestidade de propósitos e os nobres conceitos de Justiça , sejam flexibilizados por um dos guardiãos da Constituição… O que estão esperando os senadores para chamar o Gilmar Dantas às falas ?…

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