Muitos anos atrás, fui ao Rio de Janeiro só para ouvir o trombone de Zé da Velha em um bar que ficava no Arco da Lapa. Era ele e o pistonista Silvério Pontes. Zé da Velha, veterano, consagrado, tratava o grande Silvério Pontes como um filho, permitindo que desenrolasse seus improvisos em pé de igualdade.
Era um sergipano de Aracaju que, ainda jovem, mudou-se para o Rio de Janeiro.
Historicamente, o choro se organizou em torno da flauta, do bandolim, do cavaquinho e do violão. O trombone era visto como corpo estranho — grande demais, grave demais, associado a bandas e ao jazz.
Zé da Velha fez algo simples e difícil: não brigou com o choro. Aprendeu a falar a língua antes de propor qualquer sotaque. Seu trombone não empurra, não atropela, não ocupa espaço à força. Ele entra na roda como quem pede licença — e acaba ficando.
Foi o período pós-Pixinguinha, da modernização final do choro. Deixa de ser tocado “como antigamente” para incorporar, de forma definitiva, os improvisos. Zé da Velha retoma a escola de Bonfiglio de Oliveira, Raul de Barros e Candinho do Trombone, usando o trombone como solo e não apenas como reforço harmônico.
Na década de 90, grava o clássico “Zé da Velha & Silvério Pontes”
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