22 de junho de 2026

Tarifas adiam impacto econômico, mas risco nos EUA cresce em 2026

Aumento de impostos sobre importações não gerou choque imediato, mas efeitos tardios sobre inflação e renda não estão descartados
Foto de Peter Bond na Unsplash

A economia dos EUA não sentiu impacto imediato do aumento das tarifas de importação em 2025, segundo economista.
Fatores como dados econômicos frágeis, flexibilização política e estoques antecipados mitigaram choque inicial.
Impactos plenos das tarifas podem ocorrer em 2026, com inflação alta e efeitos negativos em emprego e consumo.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A economia dos Estados Unidos não sentiu o impacto esperado pelo forte aumento das tarifas de importação estabelecidas pelo governo de Donald Trump no ano de 2025, mas os efeitos mais severos sobre renda e atividade econômica parecem ter sido adiados – e não evitados.

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Em artigo publicado no site Project Syndicate, o economista Jeffrey Frankel, professor da Universidade Harvard, aponta quatro fatores que explicam por que o “tarifaço” não gerou um choque visível na economia norte-americana.

  1. Fragilidade dos próprios dados econômicos – um shutdown do governo federal, entre outubro e novembro, comprometeu a coleta de informações oficiais, incluindo indicadores de inflação e crescimento. Há suspeitas de subestimação do CPI, especialmente no componente de custos habitacionais, além de atrasos relevantes na divulgação do Produto Interno Bruto.
  2. Política – Embora Trump tenha anunciado tarifas historicamente elevadas — levando a taxa média efetiva sobre importações de 2% para 18%, o maior nível desde os anos 1930 — muitas dessas medidas foram adiadas, flexibilizadas ou parcialmente revertidas. O governo também recuou diante da alta de preços de alimentos e abriu exceções estratégicas, como a isenção de México e Canadá no setor automotivo, para evitar danos maiores à indústria doméstica.
  3. Comportamento preventivo – após a vitória de Trump nas eleições de 2024, companhias americanas anteciparam importações para formar estoques antes da entrada em vigor das tarifas. Essa estratégia reduziu o impacto inicial sobre preços ao consumidor e poupou bilhões de dólares em custos adicionais, adiando o repasse inflacionário.
  4. Absorção de custos – muitas empresas decidiram absorver a maior parte dos custos ao invés de efetuar o repasse integral aos consumidores. Dados de grandes varejistas indicam que os preços já começaram a subir, mas ainda em ritmo inferior ao potencial máximo embutido nas tarifas. Essa decisão reflete a incerteza sobre a duração das medidas e o receio de perder competitividade.

Entretanto, Frankel acredita que esse comportamento tem prazo de validade. Se as tarifas forem mantidas, a tendência é de que as empresas passem a proteger margens de lucro, elevando preços e pressionando a renda real das famílias.

Desta forma, o impacto pleno das tarifas impostas por Trump pode se manifestar apenas em 2026, com inflação mais alta e possíveis efeitos negativos sobre emprego e consumo.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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