A principal ameaça existencial enfrentada pela Europa não está ligada à imigração nem a disputas culturais, mas ao atraso econômico e tecnológico do continente. A avaliação é do economista Nouriel Roubini, que aponta uma perda contínua de competitividade da União Europeia frente aos Estados Unidos e à China.
Em artigo publicado no Project Syndicate, Roubini afirma que as narrativas que associam o futuro europeu a um suposto “apagamento civilizacional” ignoram os fatores estruturais que explicam o enfraquecimento do bloco. A própria demografia desmente esse argumento: a proporção de imigrantes nos Estados Unidos é hoje ligeiramente maior do que na Europa.
Os dados econômicos reforçam o diagnóstico. Entre 2008 e 2023, o PIB dos Estados Unidos cresceu 87%, enquanto o da União Europeia avançou apenas 13,5%. No mesmo período, o PIB per capita europeu caiu de 76,5% para 50% do nível americano. Em termos de renda, até mesmo o estado mais pobre dos EUA apresenta desempenho superior ao de grandes economias europeias.
A raiz dessa divergência está na produtividade e na inovação. Metade das 50 maiores empresas de tecnologia do mundo é americana, enquanto apenas quatro são europeias. Nas últimas cinco décadas, mais de 240 empresas dos EUA atingiram valor de mercado superior a US$ 10 bilhões, contra apenas 14 na Europa.
Roubini destaca que a União Europeia entra em desvantagem na corrida por setores estratégicos como inteligência artificial, semicondutores e tecnologias de defesa. O atraso decorre de fatores estruturais, como mercados de capitais fragmentados, excesso de regulação, baixa tolerância ao risco e subinvestimento em defesa e pesquisa aplicada.
Na visão de Roubini, a Europa corre o risco de transformar um declínio gradual em uma perda acelerada de relevância econômica global caso não enfrente suas fragilidades estruturais.
Por outro lado, o economista avalia que a Europa ainda dispõe de capital humano qualificado e instituições de pesquisa de alto nível. Com reformas regulatórias e estímulos à inovação, o bloco poderia recuperar parte de sua competitividade — seja liderando setores específicos, seja adotando tecnologias desenvolvidas nos Estados Unidos e na China.
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