24 de junho de 2026

Roubini: atraso tecnológico é a maior ameaça à Europa

Em artigo, economista destaca que o principal risco existencial da Europa é econômico e tecnológico, não imigração ou disputas culturais
Foto de Christian Lue na Unsplash

Economista Nouriel Roubini aponta atraso econômico e tecnológico como maior ameaça à Europa, superando imigração e cultura.
Entre 2008 e 2023, PIB dos EUA cresceu 87%, enquanto o da UE avançou 13,5%, com queda do PIB per capita europeu frente aos EUA.
UE perde competitividade em tecnologia, enfrentando mercados fragmentados, regulação excessiva e baixo investimento em inovação.

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A principal ameaça existencial enfrentada pela Europa não está ligada à imigração nem a disputas culturais, mas ao atraso econômico e tecnológico do continente. A avaliação é do economista Nouriel Roubini, que aponta uma perda contínua de competitividade da União Europeia frente aos Estados Unidos e à China.

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Em artigo publicado no Project Syndicate, Roubini afirma que as narrativas que associam o futuro europeu a um suposto “apagamento civilizacional” ignoram os fatores estruturais que explicam o enfraquecimento do bloco. A própria demografia desmente esse argumento: a proporção de imigrantes nos Estados Unidos é hoje ligeiramente maior do que na Europa.

Os dados econômicos reforçam o diagnóstico. Entre 2008 e 2023, o PIB dos Estados Unidos cresceu 87%, enquanto o da União Europeia avançou apenas 13,5%. No mesmo período, o PIB per capita europeu caiu de 76,5% para 50% do nível americano. Em termos de renda, até mesmo o estado mais pobre dos EUA apresenta desempenho superior ao de grandes economias europeias.

A raiz dessa divergência está na produtividade e na inovação. Metade das 50 maiores empresas de tecnologia do mundo é americana, enquanto apenas quatro são europeias. Nas últimas cinco décadas, mais de 240 empresas dos EUA atingiram valor de mercado superior a US$ 10 bilhões, contra apenas 14 na Europa.

Roubini destaca que a União Europeia entra em desvantagem na corrida por setores estratégicos como inteligência artificial, semicondutores e tecnologias de defesa. O atraso decorre de fatores estruturais, como mercados de capitais fragmentados, excesso de regulação, baixa tolerância ao risco e subinvestimento em defesa e pesquisa aplicada.

Na visão de Roubini, a Europa corre o risco de transformar um declínio gradual em uma perda acelerada de relevância econômica global caso não enfrente suas fragilidades estruturais.

Por outro lado, o economista avalia que a Europa ainda dispõe de capital humano qualificado e instituições de pesquisa de alto nível. Com reformas regulatórias e estímulos à inovação, o bloco poderia recuperar parte de sua competitividade — seja liderando setores específicos, seja adotando tecnologias desenvolvidas nos Estados Unidos e na China.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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