15 de junho de 2026

“Ação dos EUA contra Maduro acende alerta para toda a América Latina”, afirma Maringoni

Para professor da UFABC, adesão da Venezuela ao BRICS não teria efeitos decisivos no campo militar, uma vez que o bloco não funciona como uma aliança formal
Crédito: Reprodução/ Youtube TV GGN

Analistas de política internacional avaliaram que o isolamento diplomático da Venezuela ao longo dos últimos anos contribuiu para o agravamento da crise no país e limitou a capacidade de interlocução do Brasil diante do atual cenário de instabilidade na região. Em entrevistas e debates recentes, eles apontam falhas na estratégia adotada por governos brasileiros e alertam para os impactos da escalada de tensões liderada pelos Estados Unidos.

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Segundo os especialistas, a suspensão da Venezuela do Mercosul, ocorrida ainda durante o governo Michel Temer, reduziu canais diretos de diálogo e dificultou o acesso a informações estratégicas sobre o governo venezuelano. Para eles, a medida enfraqueceu a capacidade de previsão de comportamentos políticos e aprofundou o isolamento internacional do país vizinho.

“O isolamento não resolveu o problema e ainda forneceu combustível para a crise atual”, afirma  Regiane Bressan, da Unifesp e integrante do Observatório de Geopolítica. Ela ressalta ainda que a Venezuela sempre foi e continuará sendo um país estratégico para o Brasil, uma vez que compartilhamos uma extensa fronteira.

Cautela

Gilberto Maringoni, professor da UFABC, afirmou que o Brasil tende a adotar uma posição cautelosa diante do conflito, defendendo formalmente a soberania venezuelana, mas evitando apontar diretamente responsabilidades ou condenar abertamente a captura do presidente Nicolás Maduro por forças norte-americanas.

Em sua avaliação, essa postura preserva relações diplomáticas, mas limita a capacidade do país de exercer liderança regional.

BRICS

Questionado sobre se a situação seria diferente caso a Venezuela integrasse o BRICS, Maringoni acredita que a adesão não teria efeitos decisivos no campo militar, já que o bloco não funciona como uma aliança formal. No entanto, poderia ampliar articulações políticas e econômicas, reduzindo o isolamento internacional do país sul-americano.

Ele também avaliou como tímida a reação de potências como China e Rússia e classificaram como “vergonhosa” a postura da União Europeia, que adotou um discurso considerado morno e pouco efetivo diante da gravidade dos acontecimentos.

ONU

Parte das críticas do professor se concentrou ainda em declarações de autoridades norte-americanas sobre o julgamento de Maduro nos Estados Unidos. Para ele, afirmar previamente que o ex-presidente venezuelano conhecerá a “ira da Justiça” compromete o princípio da imparcialidade judicial e sinaliza uma instrumentalização política das instituições.

No campo multilateral, Maringoni apontou o enfraquecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), destacando que o Conselho de Segurança permanece paralisado pelo poder de veto das grandes potências. Isso porque o episódio reforça a percepção de que o sistema internacional opera cada vez mais sob a lógica da força, e não do direito.

Alerta

O professor ressaltou ainda que a ação dos Estados Unidos contra a Venezuela acende um sinal de alerta para toda a América Latina, incluindo o Brasil. Embora descarte uma intervenção militar direta em outros países, ele apontam o risco de pressões econômicas, sanções e embargos como instrumentos recorrentes de coerção.

“Não existe direito internacional, existe a lei do mais forte. O Trump prova isso. O Trump mostra que o que está acontecendo é isso. É uma ação brutal, que coloca em alerta todos os países da América Latina, todos, o Brasil incluído.”

Ao final, Maringoni chamou a atenção para o avanço da extrema direita em diversas regiões do mundo e o enfraquecimento das regras multilaterais criam um ambiente internacional mais instável, exigindo cautela e articulação diplomática ativa por parte do Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

7 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    3 de janeiro de 2026 4:29 pm

    Consequências da agressão militar terrorista ordenada por Donald Trump contra a Venezuela: a China retoma o controle de Taiwan a força, a Coreia do Norte unifica as Coreias após derrotar o regime desumano de Seul, Espanha retoma o controle de Gibraltar, Argentina invade as Ilhas Malvinas, o México infiltra tropas e começa a sabotar tudo na California até retomar aquele território, Rússia recupera o controle do Alasca, Oregon se une ao Canadá, Brasil produz um arsenal nuclear respeitável, os americanos são expulsos da Venezuela com ajuda da China, Irã derrota e destroe o regime sionista reinstittuindo a Palestina no que era Israel, uma nova aguerra civil americana produz mudança de regime em Washington.

  2. Pedro Moreira

    3 de janeiro de 2026 5:09 pm

    Se eu morasse em Taiwan juro que já teria colocado minhas barbas de molho.

  3. José de Almeida Bispo

    3 de janeiro de 2026 8:55 pm

    O petróleo mundial “é dos Estados Unidos”, desde que decidiram que o ouro que tinham era insuficiente para fazer frente a espiral das impressoras do FED. Óbvio não o petróleo dos russos. Eles detonaram sua bomba quatro anos depois dos americanos assarem 300 mil japas, já fora de qualquer reação. Então, os russos é um estorvo à totalidade.
    E aí surgiram complicadores. Cada vez mais. Nada que demovesse os caubóis de assaltarem aos incautos, preferentemente em bandos, “os aliados”. Nem ameaçasse o dólar.
    Mas a ganância foi tanta que transferiram todas as fontes móveis de riqueza, justo pra China. E a China de 1980 não era mais a estupidamente onipotente de 1840, no Rio das Pérolas; nem a descuidada de 1850, deixando ‘missionários’ protestantes AMERICANOS criarem novos Hong Xiuquan e bagunçarem o país inteiro.
    E agora o dólar está mais ameçado do que nunca. E cada vez mais só tem o arsenal para se valer; para controlar o petróleo dos outros. Nem dá mais para produzir uma crise (que saiu de controle), com a dos anos 70, justo quando precisava jogar o dólar lá pra cima.
    Maduro é o Noriega II, com alguns detalhes a mais.
    Quem será o Noriega III?
    Enquanto a América ‘Latrina’ continua sem a bomba. E bandido só se detém frente ao trabuco.
    Era mais que esperado.

  4. Paulo Dantas

    3 de janeiro de 2026 9:26 pm

    Estando presos creio que terão os direitos básicos :
    Silêncio, advogado, primeira audiência etc.

    Devem declarar não reconhecer o direito da corte.

    Não sei se o juiz pode declarar a prisão ilegal e melar tudo, não sei se tem jurisprudência nisto.

    Espero que as pessoas reflitam o erro do país não ter uma Defesa à altura do nosso tamanho e a besteira de não termos armas nucleares.

  5. Rui Ribeiro

    4 de janeiro de 2026 1:05 am

    O rato que preside o país mais meritocrático do mundo acabou de destruir o direito internacional.

    Terbufós pra esse rato e para toda a sua entourage.

    Kd os oreshniks, Putin? E você, Sr. Presidente da China, não vai manifestar seu poder bélico contra essas ratazanas?

  6. Rui Ribeiro

    4 de janeiro de 2026 10:30 am

    Elogio da Dialética
    (Bertolt Brecht)

    A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
    Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.
    Só a força os garante.
    Tudo ficará como está.
    Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores.
    No mercado da exploração se diz em voz alta:
    “Agora acaba de começar”.
    E entre os oprimidos’ muitos dizem:
    “Não se realizará jamais o que queremos!”
    O que ainda vive não diga: “Jamais!”
    O seguro não é seguro. Como está não ficará.
    Quando os dominadores falarem
    falarão também os dominados.
    Quem se atreve a dizer: “Jamais?”
    De quem depende a continuação desse domínio?
    De nós.
    De quem depende a sua destruição?
    Igualmente de nós.
    Os caídos que se levantem!
    Os que estão perdidos que lutem!
    Quem reconhece a situação, como pode calar-se?
    Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
    E o “hoje” nascerá do “jamais”.

  7. Rui Ribeiro

    5 de janeiro de 2026 7:18 am

    Agenda de colaboração? Com o petróleo jorrando a preço de banana em fim de feira? Tomam o ouro da Venezuela e ainda querem colaboração? Se a Delcy fosse a Derci, o mundo seria outro? Ou você tá com medo de ser a próxima vítima, se não entregar a merda do Diabo para os Ratos?
    Porque esses ratos não apontam qualquer ato de narcoterrismo perpetrado pelo Maduro? Eles não têm qualquer prova, senão a distribuição de oxigênio para a população moribunda de Manaus, enquanto o governo brasileiro debochava dos que agnizavam pela covid.
    Se esses Ratos tivessem poder suficiente, eles sequestraram não só o Maduro, mas Xi Jinping, Putin e todos os que não “colaborassem” com eles.

    Putin, me empresta três daqueles mísseis hipersônicos manobráveis. Ja viu dá o prazo para evacuação de 3 megalópoles. Ou então será o governo dos EUA que terá que colaborar, ou melhor, deixar de atrapalhar. Antes um fim com terror do que…

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