21 de maio de 2026

TV GGN: Ataque dos EUA à Venezuela é visto como ruptura histórica por analistas

Cenário mais provável é a ascensão de um governo apoiado por dissidentes militares, com respaldo dos Estados Unidos, com o objetivo de manter o acesso às reservas energéticas
Crédito: Reprodução/ Youtube TV GGN

EUA atacaram a Venezuela e capturaram Maduro, gerando grave instabilidade regional e internacional, dizem especialistas.
Professores destacam interesse dos EUA no petróleo venezuelano, e possível governo militar aliado a Washington.
Críticas ao Brasil: governo Lula condenou ataque, mas evitou responsabilizar diretamente os EUA e Trump.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro representam um episódio sem precedentes na América do Sul e abrem um cenário de grave instabilidade regional e internacional. A avaliação é de especialistas ouvidos em entrevista ao site GGN nesta terça-feira (13), que classificaram a ação como uma escalada inédita da política externa norte-americana no continente.

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Para a professora Regiane Bressan, da Unifesp e integrante do Observatório de Geopolítica, o episódio precisa ser analisado à luz de um processo histórico que remonta à ascensão de Hugo Chávez ao poder, em 1999. Segundo ela, apesar dos avanços sociais e da redução da pobreza registrados nos primeiros anos do chavismo, a Venezuela manteve uma forte dependência do petróleo, sem diversificar sua economia, o que a tornou mais vulnerável a sanções e pressões externas ao longo do tempo.

Bressan destacou que, embora os Estados Unidos utilizem discursos ligados à democracia ou ao combate ao narcotráfico para justificar a ofensiva, o verdadeiro interesse estaria nos recursos estratégicos venezuelanos, especialmente o petróleo. “Quando Trump começa, argumenta, dizendo combater o narcotráfico na Venezuela, nós analistas já sabíamos que isso era uma grande falácia, porque nem a Venezuela é o país mais envolvido no narcotráfico, e nem conseguiria os Estados Unidos combater o narcotráfico de maneira unilateral”, afirmou.

Na avaliação da professora, a retirada forçada de Maduro do poder não deve resultar no fortalecimento da democracia nem na recuperação econômica do país. Pelo contrário, o cenário mais provável seria a ascensão de um governo apoiado por dissidentes militares, com respaldo dos Estados Unidos, com o objetivo de manter o acesso às reservas energéticas e isolar a Venezuela de aliados como China e Rússia.

O professor Gilberto Maringoni, da UFABC, classificou a ação como a mais grave intervenção direta dos EUA na América do Sul em mais de um século. Segundo ele, historicamente, Washington atuou na região por meio de golpes articulados com forças internas, como ocorreu no Brasil em 1964, no Chile em 1973 e na Argentina em 1976.

“Esse ataque abre um precedente terrível, porque não existe mais nenhuma fronteira, nenhum limite para a ação imperial no continente. Eu insisto na questão imperial e imperialismo, porque esse não é um conceito confletário, esse é um conceito da ciência política. Os Estados Unidos agem como se fossem a polícia do continente e a sua estratégia de defesa nacional, divulgada agora no final de novembro, reafirma esse seu caráter”, afirmou.

Maringoni avaliou que a ofensiva faz parte de uma estratégia mais ampla de reorganização da ordem internacional, na qual os Estados Unidos buscam reafirmar sua hegemonia regional e conter a influência chinesa e russa na América Latina. Ele levantou ainda a hipótese de que Moscou e Pequim tenham sido previamente informados da operação, em um contexto de rearranjos geopolíticos semelhantes à divisão de áreas de influência do pós-Segunda Guerra Mundial.

O professor também chamou atenção para circunstâncias consideradas atípicas na captura de Maduro, ocorrida logo na primeira investida militar. Para ele, a ausência de reação antiaérea e a rapidez da operação levantam suspeitas de um possível acordo ou traição dentro da cúpula das Forças Armadas venezuelanas, o que pode ter impacto decisivo na sucessão política interna.

Itamaraty

Em relação ao Brasil, Maringoni fez críticas à postura do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, a diplomacia brasileira, que nos primeiros mandatos de Lula foi marcada por uma atuação “ativa e altiva”, teria adotado uma posição ambígua diante da agressão à Venezuela. O professor avaliou que, apesar de notas oficiais condenando o uso da força, o Brasil evitou responsabilizar diretamente os Estados Unidos e Donald Trump.

“Seria o mínimo que um país que tem 2.200 km de fronteira e almeja ser líder regional, líder da unificação regional, poderia fazer. Então, achei muito aquém das necessidades da nota que o Lula fez, embora na aparência ela seja uma nota contundente”, afirmou.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. Fauzi Achoa

    3 de janeiro de 2026 2:50 pm

    Desculpa. A professora está equivocada. A Venezuela diversificou sim a sua economia. Passando de um país que produzia 10% para produzir 90% do que come. Foi o surgimento da agricultura no país.
    Nos últimos três anos o país vem crescendo a uma taxa de 8%.
    O IDH da Venezuela voltou a ser alto.
    A VENEZUELA SUPEROU A CRISE E O BLOQUEIO. POR ISSO MESMO FOI ATACADA.

  2. Lopes

    3 de janeiro de 2026 7:02 pm

    Achei a nota boa. É de conhecimento geral o ataque, quem atacou e quem foi atacado. E não foi Angola o autor do ataque. Então, a nota diz o que deve ser dito no campo formal. A discussão que me importa agora, posta as cartas na mesa, é sobre quais medidas o país vai tomar para se proteger de ações como o assalto a mão armada perpetrado pelos EUA. O BRICS devê considerar se tornar uma aliança militar?

  3. Carlos

    4 de janeiro de 2026 8:31 am

    O genocídio promovido por Israel em Gaza foi o laboratório dos eua.
    Observando como o mundo assistia impávido a barbárie, mesmo nos seus níveis mais extremos, trump simplesmente deduziu ,como sempre, linearmente: tá facil. Vamos pegar o que interessa as empresas que me sustentam pois ninguem vai se opor.
    Nao ha drogas, carteis, e o que chega de ruim da Venezuela para o publico chega atraves das mídias de direita.
    O princípio vem de Maquiavel: “Os homens quando não são forçados a lutar por necessidade, lutam por ambição.”
    A Venezuela está sendo pilhada por piratas modernos. Só isso!

  4. Rui Ribeiro

    5 de janeiro de 2026 7:35 am

    Só quero ver o que os Ratos dirão quando a China retomar Taiwan.

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