O senador norte-americano Bernie Sanders e a ex-vice-presidente dos Estados Unidos Kamala Harris, ambos do Partido Democrata, criticaram duramente as ações do presidente Donald Trump na Venezuela. As manifestações foram feitas por meio de publicações na rede social X.
Em vídeo divulgado na plataforma, Sanders afirmou que Trump voltou a demonstrar desprezo pela Constituição dos Estados Unidos e pelo Estado de Direito. Segundo o senador, o presidente não tem autoridade para, de forma unilateral, conduzir o país a uma guerra.
“Sejamos claros: o presidente dos Estados Unidos não tem o direito de, unilateralmente, levar o país à guerra, mesmo que seja contra um ditador corrupto e brutal como Nicolás Maduro. Os Estados Unidos não têm o direito, como dito por Trump, de assumir o controle da Venezuela”, declarou.
Sanders cobrou uma reação imediata do Congresso norte-americano, defendendo a aprovação de uma resolução sobre os poderes de guerra para interromper o que classificou como uma operação militar ilegal. Para ele, a ofensiva não contribui para a segurança global. “O ataque de Trump contra a Venezuela não torna os Estados Unidos nem o mundo mais seguros”, afirmou.
Na avaliação do senador, a ação representa uma violação flagrante do direito internacional e abre precedente para que outros países ataquem nações soberanas com o objetivo de explorar recursos naturais ou promover mudanças de governo. “Essa é a mesma lógica distorcida usada por Putin para justificar o ataque brutal à Ucrânia”, disse.
Sanders também afirmou que, mesmo antes da ofensiva militar, Trump e integrantes de sua administração já demonstravam interesse em retomar a Doutrina Monroe, que sustenta a influência dos Estados Unidos sobre os assuntos do hemisfério. Segundo ele, declarações sobre o controle das reservas de petróleo venezuelanas reforçam esse posicionamento.
“Eles falaram abertamente sobre controlar as reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo. Não vamos nos enganar: isso é imperialismo de alto nível. Isso relembra períodos sombrios de intervenção norte-americana na América Latina, que deixaram um terrível legado”, afirmou. O senador concluiu dizendo que a ação “será e deve ser condenada pelo mundo democrático”.
Kamala Harris
Também em publicação no X, a ex-vice-presidente Kamala Harris condenou a iniciativa de Trump, ao mesmo tempo em que classificou Nicolás Maduro como um “ditador brutal e ilegítimo”. Para ela, a história se repete.
“Já vimos esse filme antes. Guerras por mudança de regime ou por petróleo, vendidas como demonstração de força, mas que se transformam em caos e famílias americanas pagam o preço”, escreveu.
Segundo Harris, a operação não tem relação com combate ao tráfico de drogas nem com a defesa da democracia. “Trata-se de petróleo e do desejo de Donald Trump de se apresentar como o homem mais forte da região”, afirmou.
A ex-vice-presidente acrescentou que, se o presidente realmente se importasse com esses temas, não teria perdoado um narcotraficante condenado nem marginalizado a oposição venezuelana, ao mesmo tempo em que busca acordos com aliados de Maduro.
Harris avaliou ainda que a operação envolve gastos de bilhões de dólares, expõe militares norte-americanos a riscos, contribui para a desestabilização regional e não apresenta base legal, plano de saída ou benefícios concretos para a população dos Estados Unidos.
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Rui Ribeiro
5 de janeiro de 2026 11:11 amKamala Harris só condenou essa agressão porque foi feita por um republicano. Ela não condenou o genocídio em Gaza. Indignação seletiva